Cartas para você
5 11/06/17
Notas iniciais
Cidade, 11 de junho de 2017.
Pensei que sentiria mais uma palpitação descontrolada, uma falta de ordem nos pensamentos e, no final, uma vergonha devastadora de ser eu quando o encontrasse.
Preparei minha alma para o baque.
Faz meses que não o via.
O que veio foi “ ah, beleza?”.
...
O quê?
Cadê o nervosismo?
Ausência de palavras em meus balbucios?
Gesticulação sem sentido?
Imagino agora, sinto que meu coração está aceitando.
Aceitou que não posso mais lutar em uma guerra sem vitória.
Finalmente, capaz de respirar e dar um passo de cada vez para independência emocional.
Habilidade debilitada de amar outro alguém.
Talvez possa reaprender a me entregar.
Desta vez, de verdade.
Machucar-me, amar, magoar-me e sentir feliz.
Espero não ter recaídas.
Como um viciado em algo muito, muito ruim para meu organismo.
Encarei-o de boa.
Até fiquei meio impressionada.
Será que ainda posso ser eu mesma com ele?
Ser com ele a pessoa sem o filtro?
Ah, como gostaria de dizer sim.
Ele é uma pessoa imperfeita, mas não para mim.
Quem sabe, consigo desejar a sincera felicidade para nós.
Impressionada.
Pelo menos, ambiciono que possamos ser amigos.
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