Cartas para você.

Sinto como se já tivesse vivido minha vida toda.

Sinto como se não restasse mais nada para dizer, ver, viver.

Esse nó que preenche meu interior,

Esse coração morto que não para de pulsar.

Quantos anos mais?

É só uma questão de tempo até tudo explodir.

Permaneço inerte, quieto, morto.

Um constante estado de merda.

Desde aquele dia,

Aquele dia que você se foi.

Garrafas no mar não vão trazer você de volta.

Garrafas com bilhetinhos, jogadas no mar, tampouco.

Tenho pouco tempo, eu sei.

Não tem porquê continuar...

Vivendo.

“Você está bem?”

Sentia-me num constante declínio.

“Estou.”

Você já havia declinado, eu sabia.

“Não está.”

Era possível ver dentro de você. Todas as suas cicatrizes, antigas e novas, todas elas martelando dentro da sua alma, implorando por uma solução cicatrizante.

“Não importa.”

Era possível ver em seus olhos. Seus olhos da cor do céu em dias de chuvas.

Cinzas.

Talvez,

Depente do ângulo que se está olhando.

“Vai ficar tudo bem.”

Não ia, eu sabia.

Ela sabia.

O sorriso doce que ela me lançou foi o golpe final. Game over para mim. Eu poderia aguentar tantas coisas. Dores físicas terríveis, eu não me importava.

Mas, não isso.

“Por favor, Frank.”

Sua voz embargada pelo choro, seus olhos molhados, seu sorriso triste, sua face pálida, seus gestos mortos.

Não isso.

“Eu não vou deixar você, Luisy.”

Não ia mesmo.

Foram os anos mais maravilhosos da minha vida. Os mais belos, mais alegres, mais encantadores.

Ela se dedicou a mim e ao Harry por quase sete anos.

Foram sete anos de amor.

Somente amor.

“Eu quero que você seja feliz, amor.”

Talvez fosse difícil de entender.

Difícil de entender porque um cara com um futuro todo pela frente, iria querer se prender à uma mulher que estava desenganada.

Eu tinha a minha banda, era o meu sonho. Gerard, Bob, Ray e Mikey eram, de certo modo, uma família para mim. Eu os amava. Amava a minha música, as minhas guitarras, o meu sonho.

No entanto, maior que a banda e que qualquer outra coisa, estava ela.

“Eu sou feliz com você, Isy.”

Eu podia perder tudo.

Podia perder o dom de tocar guitarra, podia perder minha voz, podia perder Gerard, Ray, Mikey e Bob.

Mas eu não podia perdê-la.

Seria cruel, seria muito doloroso.

Era demais para mim.

“Eu te amo, você entende?”

Aquela ardência infernal havia voltado para os meus olhos.

Eu não queria, mas eu tinha certeza que iria chorar a qualquer momento.

“Por favor, Frank.”

Ela sempre fora tão teimosa.

Uma fã.

Eu jamais pensei que fosse me apaixonar por uma fã do My Chemical Romance.

Mas eu me apaixonei.

“Diz que me ama, Isy.”

Era tudo que eu precisava ouvir.

Era meu último suspiro, minha última esperança...

Minha única vida.

“Eu amo você, Iero.”

E esse foi o fim.

O fim de sete anos, o fim de todo mundo maravilhoso.

O fim dela.

O meu fim.

FIM.

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