Cartas para Samantha
2 Carta II
Notas iniciais
Samantha, eu escuto selvagens a procura da lei e percebo que meus olhos também estão encharcados e que vivo sabendo de uma dupla solidão onde a covardia me pertence e por uns instantes o niilismo me representa.
‘’E quando eu vejo a sua foto parece que você ta falando comigo’’, Yellow existe no meu peito como uma das duas ou três ou mil bombas espalhadas em lugares estratégicos pelo mundo, eu viro uma poeira estrelar a cada momento que o meu universo castanho cruza com o brilho que fez a cor do mesmo ser assim.
(Por um momento nada existe, uma pessimista e ceticista absoluta. ‘’Eu me dei conta de mim mesma’’. Nihil.. Platão recorda que o amor é a expressão de uma carência, e eu recordo que o amor não é nada. Nihil.. minha perspectiva de nada é tudo, o vácuo sendo a ausência de matéria e eu acreditando que não. A matéria está lá assim como Yellow está aqui).
Eu ando pela cidade a fim de ver estrelas caindo, ou enxergar a minha infância nos trovões: ‘’vovó está caindo pedras, eu vou morrer?’’ Hoje pedras são pedras e mais, e trovões não são mais pedras que caem e rolas pelo mundo. Hoje eu quero ver as estrelas caindo e sentir o ‘’bang’’ sobre a minha cabeça, eu quero entrar no mar e ver a água salgada entrando pelos meus olhos e de uma cegueira de minutos começar a enxergar o mundo e mandar toda essa orgia absurda de ‘’eu não queria partir, mas você me convenceu’’ ir pro inferno.
Eu descobri que um muro não separa as pessoas.
Samantha, um dia eu quis escrever sobre o amor e minhas idealizações, quis ouvir engenheiros enquanto tomava um conhaque e morria asfixiada com a fumaça de um cigarro.. eu quis ser o motivo da vida de alguém e que esse alguém reconhecesse sua covardia e sendo assim, ficasse comigo.
Sam, tua sorte de não ser real e ser ao mesmo tempo só Samantha.. a tua sorte de não vesti uma camisa pelo avesso e está pelo avesso e perder os versos e a vida por está num pesadelo onde Yellow não te enxergar.
Viver já é automaticamente está numa briga entre morrer afogada e continuar nadando, eu sinto a água entrando pela minha garganta enquanto eu ainda grito: ‘’Fica mais um pouco e sustenta o meu corpo antes mesmo d’eu cair no mar.. eu vou me afogar pra nunca mais ter que te ver por aqui’’, mas entre uns seis ou sete segundos eu ainda me sustento, eu ainda tento ver Yellow vindo, recitando: ‘’Meu movimento é a favor do nosso tempo’’.
Eu enfeito ele de saudade e me enfeito com o nascer da vontade de morrer afogada, mas com a esperança de ser salva.
Com amor,
[...]
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