Notas iniciais
Olá pessoal, tudo certo? AnaLu às suas ordens.

Como esse é o prólogo da história, não há tanta coisa engraçada ou diálogos. É mais uma apresentação das situações da história e do enredo em si. O próximo capítulo vai ser mais descontraído, prometo!

Nos vemos lá embaixo!

Lucy não tinha certeza de quando exatamente começou a receber aquelas cartas sem remetente, só sabia que todas elas haviam virado sua vida de ponta cabeça. Ela tinha plena certeza de que sua vida estava maravilhosa e que não podia estar mais feliz, mas aquele escritor desconhecido deu um nó em seus pensamentos, quase a convencendo de que toda aquela felicidade que ela tanto mostrava era falsa.

Quero dizer, ela tinha bons amigos e um cara legal que realmente gostava dela, seu próprio ateliê de roupas e uma coleção que vinha fazendo sucesso. Mas era realmente aquilo que seria capaz de deixa-la feliz? Depois da primeira carta, Lucy se convenceu de que sua vida estava estagnada, e que havia anos que não vivia uma aventura.

Seu coração batia acelerado no peito sempre que ela pensava nesse assunto, o que acontecia com frequência. Assim que abriu os olhos e decidiu levantar, convencida de que não voltaria a dormir novamente, a loira estava decidida a conversar com alguém sobre o assunto. E esse alguém não era Sting, definitivamente não.

Sentada na beirada da cama, Lucy conseguia ouvir a respiração profundo do namorado. Olhou para ele com os olhos cansados, pois percebera que sua inquietude já havia sido notada por ele, que não merecia mais nenhum problema com o qual se preocupar. Ele já tinha preocupações demais para alguém de sua idade. Antes de sair da cama, Lucy depositou um beijo na testa de Sting e passou as mãos delicadamente por seus cabelos.

Rumou até o banheiro, precisava jogar uma água no corpo. Lucy adorava aproveitar esse momento para colocar seus pensamentos em ordem e relaxar o máximo que podia, a sensação da água morna em seu corpo era uma benção todos os dias. Com quem falaria? Erza provavelmente pensaria em ligar para a polícia ou algo do tipo, coisa que Lucy achava precipitada demais. Juvia mal daria ouvidos às palavras da garota, como fazia com qualquer assunto que não fosse sobre Gray. Cana sempre estava bêbada, mesmo que seus conselhos não fossem lá tão ruins.

Suas melhores opções era Mirajane e Levy, que de todas as garotas em seu grupo de amigos, eram as mais sensatas. A loira bem sabia que Mira andava tendo problemas com a irmã mais nova, e que sua cabeça estava abarrotada de contas do bar. Assim que terminou de secar-se e colocar uma roupa, Lucy decidiu visitar Levy.

Tomou apenas uma caneca de café antes de deixar um bilhete para Sting e sair de casa. Quando abriu a porta de casa, Lucy sentiu o vento frio cortar sua pele e as gotas geladas da garoa banharem seu rosto. Caminhou tranquilamente observando a paisagem de Magnólia, que continuava linda mesmo com um dia tão nublado.

A casa de Levy ficava apenas alguns quarteirões à frente da de Lucy. A loira caminhou pensando em como contaria toda aquela história à amiga, e em como lidaria com aquilo dali para frente. Os passos da garota estavam compassados e seus pensamentos em algum muito distante quando ela trombou com alguém na calçada quase em frente à casa da azulada, e o impacto foi tão grande que a fez cair no chão molhado.

Suas costas bateram com força no chão e ela fechou levemente os olhos para se recompor e arranjar forças para levantar. Uma mão firme segurou seu pulso, ajudando-a com um impulso. Deu de cara com um homem de cabelos rosados e um sorriso tímido.

-Me desculpa mesmo, moça. Estava mesmo distraído.

-Não se preocupe, eu também estava com a cabeça nas nuvens. Ah, droga, meu casaco já era. – Aquele casaco não era dela, era de Sting. Ela havia se apossado dele e sempre o usava em dias frios.

-Posso pagar o prejuízo se você quiser, ele parece muito caro...

-Não se incomode, porque esse casaco... Não tem dinheiro que pague.

-Bom, desculpa mais uma vez, moça. Tenha um bom dia. – Dizendo isso, o estranho saiu andando sem dizer mais nada, sem hesitar e olhar para trás mais uma vez. Lucy queria ter reparado melhor no garoto, ele não parecia tão desconhecido para ela. Alguma coisa em seu modo de falar lhe era familiar e até mesmo amigável.

A loira olhou mais uma vez, vendo-o desaparecer com a distância, seu cachecol cinzento voando sobre o pescoço. Andou mais alguns passos e bateu à porta de Levy, que atendeu rapidamente, um olhar curioso e surpreso.

-Lucy! Meu Deus, o que aconteceu com você? Está toda molhada! O que faz aqui tão cedo? – A azulada andava de um lado para o outro enquanto fazia perguntas que Lucy não estava realmente a fim de responder. A menor ficava na ponta dos pés para tentar tirar o casaco molhado dos ombros da amiga, e fazia cara feia quando Lucy segurava seu braço.

-Não vou tirar o casaco, Levy.

-Mas está molhado... — Uma gota desceu pela testa da dona da casa, que se sentou numa poltrona azul perto da janela.

-Eu vim aqui por que precisava conversar com uma amiga, preciso de conselhos. –Lucy começou, sentando na frente da amiga e divertindo-se com a luta de Levy naquela poltrona. A menina era tão baixinha que seus pés não alcançavam o chão, e quando alcançavam suas costas não estavam apoiadas direito na poltrona.

-Primeiro, pare de rir de mim. A culpa não é minha se essa droga é muito grande! – Fez cara feia, ajeitando-se no assento e desistindo de apoiar os pés no chão. Sentou sobre os joelhos mesmo, colocando uma mecha de cabelo para trás. – Você parece muito preocupada ultimamente, é sobre isso que quer falar?

-Na verdade, o que anda me deixando preocupada... É um tanto quanto estranho Levy. –Lucy colocou a mão dentro do bolso do casaco, torcendo para que a queda não tivesse molhado e arruinado aquilo que ela trazia consigo. Agradeceu quando sentiu a carta intacta. –Eu recebi isso já faz algum tempo e não tive coragem de comentar nada com Sting.

A loira estendeu a carta para Levy, que parecia intrigada. A pequena abriu o envelope branco passando os dedos delicadamente pelo selo, que tinha as iniciais N.D. Analisou com calma a carta, releu até coloca-la na mesa de centro suspirando.

-Já passou pela sua cabeça que pode ser apenas uma brincadeira de mau gosto? Sabe Lucy, existem pessoas que não tem o que fazer com as próprias vidas e decidem infernizar as das outras.

-Essa foi a primeira coisa na qual em pensei, mas comecei a ligar os pontos essa semana. Ele tem ficado tanto tempo no trabalho, sempre atende ligações suspeitas no meio da noite... E essa moça da foto, já esteve lá em casa uma vez. – A voz de Lucy falhava ao lembrar-se dos detalhes que o escritor desconhecido dava sobre o possível caso que seu namorado mantinha, da foto dele abraçado com outra garota. – Eles sempre foram muito amigos, Levy.

-Qual é Lucy? Acha mesmo que o Sting ia te trocar por ela? Coloque na sua cabeça que quem fez isso provavelmente queria ter sua vida, e você sabe muito bem de quem eu estou falando. Agora, tire isso da cabeça.

-Tudo bem, vou tentar... -Mentiu, pois teria uma conversa com Sting naquele mesmo dia.

>>>

Lucy passou boa parte do dia com Levy, que tentou de todas as formas colocar na cabeça da amiga que aquilo não passava de uma brincadeira de alguém, mas a loira não se convenceu. As palavras do tal escritor pareciam muito reais demais e aquela foto, não tinha como ser montagem. Ela conhecia cada pedacinho do corpo de Sting, e tinha certeza absoluta de que eram seus braços envolvendo Yukino naquele abraço. Não era um abraço de amigo, quilo era como uma promessa, um “te vejo mais tarde”.

Yukino e Sting sempre foram muito próximos, como bons colegas de trabalho, tanto que ela sempre estava presente em reuniões que os dois costumavam fazer, e nunca deu nenhum indício de estar interessada no loiro. Na verdade, Lucy nunca sentiu ciúme dos dois juntos. Pelo menos não até a primeira carta chegar, depois desse disso ela passou a ver tudo com outros olhos.

Chegou em sua casa e encontrou as luzes apagadas e nenhum sinal da televisão ligada. Pegou a chave na bolsa e abriu a porta, adentrando a sala. Ouviu um barulho no quarto, como uma risadinha e andou até lá, o corpo paralisado com a cena que estava presenciando.

Lá estava ela deitada na sua cama, usando suas roupas e sendo acariciada pelo seu namorado. A raiva dentro de Lucy aumentou quando viu as mãos de Sting passeando pelo corpo de Yukino, e as mãos dela em seu cabelo. Aquilo doeu, bastante.

A loira respirou fundo, largou a bolsa no chão perceber. O barulho interrompeu os dois, que logo se esconderam debaixo dos lençóis. Um sorriso vingativo apareceu nos lábios de Lucy enquanto uma lágrima de ódio escorria pela sua bochecha.

-Sting... -Ela chamou com a voz falha, mas ainda assim cheia de atitude.

-Blondie, eu juro...

-Não me chama assim, eu não quero saber o quanto você sente! Eu não me importo com suas desculpas e seus motivos, se é que existe algum! Pensei que esse dois anos significavam alguma coisa para você, mas é claro que eu estava errada! É só alguma vadia aparecer e se oferecer que você esquece de tudo que passamos, não é mesmo?

Os olhos de Sting estavam arregalados, Lucy nunca havia perdido a calma daquela maneira com ele. Yukino já havia começado a chorar quando Lucy se dirigiu a ela.

-E você, não sei nem o que dizer. Eu te recebo na minha casa e te considero uma amiga para receber isso em troca? Nem vergonha nessa sua cara você tem, tá chorando por quê? Na hora de abrir as pernas estava de boa... Não entendi.

-Lucy, eu acho melhor você se acalmar... – Sting tentou intervir, mas Lucy deu um tapa em seu rosto.

-E eu, Sting, eu acho melhor você calar a boca e ir embora. Pega suas coisas e sai daqui, antes que eu faça alguma coisa da qual vou me arrepender. Ah, leve ela com você, já que gostou tanto da experiência. E faça um favor pra mim, queime essa camisola que ela está usando, nem precisa me devolver, odeio cheiro de piranha.

Os dois ficaram encarando a loira, que estavam com os punhos serrados e os olhos cheios de lágrimas.

-Vão ficar me encarando? Querem que eu faça o quê, me arraste e peça perdão pela minha intromissão? –Ela começou a rir. — Saiam daqui agora! Eu vou entrar no banheiro e quando eu sair não quero ver nenhum dos dois aqui, nem as tralhas de vocês, nem nada! Se o contrário acontecer, não vou poder ser culpada pelos meus atos. –Dizendo isso, virou as costas e trancou-se no banheiro.

...

Ela não sabia quanto tempo havia ficado no banheiro chorando até a campainha tocar. Com certeza não era Sting, ele não voltaria para pedir desculpas tão cedo. Não depois de tudo o que ela falou, o orgulho dele sempre falou mais alto. Decidiu não atender, quem quer que fosse poderia voltar mais tarde se fosse realmente importante.

A pessoa era muito persistente, pois continuou até Lucy ficar de saco cheio e resolver atender, daquele jeito que estava mesmo. Quando abriu a porta, deparou-se com Levy segurando dois chocolates quentes e uma carta.

-Achei isso aqui na porta. –Disse, entregando a carta para Lucy. – Sting me ligou contando o que aconteceu, achei que precisasse de companhia.

A loira não conseguiu falar apenas abraçou a amiga, quase derrubando a pequena no chão. Levy passou as mão nos cabelos da amiga, consolando-a e dirigiu-se até o sofá. A maior a seguiu e sentou ao seu lado, pronta para abrir a carta. O selo era o mesmo da outra N.D. Pegou seu chocolate quente e começou a ler.

“ Lucy, espero que não se assuste em receber uma outra carta minha. Provavelmente está lendo isso depois de descobrir a traição de seu namorado, estou correto? Meus sentimentos. Quero que saiba que não tem que ter medo de mim, não sou uma daquelas pessoas que sai por ai mandando cartas anônimas para depois matar os destinatários. Me considere um amigo, alguém que só vai te falar a verdade por mais que ela doa, como aconteceu hoje. O motivo pelo qual estou fazendo isso? Nem eu sei direito, só não me sinto bem vendo alguém como você desfrutando de uma felicidade falsa. Eu quero o seu bem, só isso. Estou te observando a bastante tempo, sei quem são seus amigos de verdade e aqueles que te querem mal. Sou como um orientador e espero conseguir te colocar no melhor caminho possível.

Atenciosamente,

N.D”

Notas finais
Bom, chegamos ao fim do prólogo da história. Espero de coração que tenham gostado.

Por favor, não deixem de cometar suas opiniões! Não custa nada deixar um comentário, e assim me sinto motivada para postar mais.

Um beijo, e até a próxima!