Cartas para Heartifilia

5 4. Deixando o País das Maravilhas


Notas iniciais
Olá pessoal, tudo certo? AnaLu às suas ordens! Eu sei que demorei um pouco para postar esse capítulo, mas tenho que dizer que estou muito feliz com o resultado. Faz tempo que eu não me envolvo tanto assim para escrever a história de um personagem, diremos, secundário. Então, esse é o começo dos fillers dessa primeira parte da história e provavelmente vai contar com mais 4( Erza, Gajeel, Sting e Rogue e Mirajane.) Depois disso, o desenrolar da história vai realmente acontecer e teremos a ação e tudo mais. É assim que eu trabalho com long-fics, ok? Preciso criar o ambiente para poder realmente com a trama em si. Se você é uma daquelas pessoas que gosta de ouvir música enquanto escreve escutem o Lost Stars( A versão de um cantor chamado Jungkook) PS: Alguém aqui gosta de K-pop?

Mesmo com a aproximação do verão, o tempo teimava em ficar frio e chuvoso em Magnólia fazendo com que Levy se sentisse obrigada a deixar as janelas do dormitório fechadas. Arrumou-se debaixo das cobertas bordadas e arrumou os óculos, que escorregava para a ponta de seu nariz e preparando-se para começar a leitura de um novo livro. Assim que o abriu, ouviu o bipe do celular que repousava á seu lado.

“Levy, a festa de despedida é hoje! Vai mesmo ficar no quarto?” — Era Lucy tentando convencê-la mais uma vez de que valia a pena passar a última semana na faculdade ficando bêbada em festas com pessoas que provavelmente não gostavam e que nunca mais te veriam na vida. Para a azulada, toda aquela história de ser um rito de passagem para a vida adulta era baboseira, e ela preferia ficar sozinha. Desistiu do livro e passou as mãos pelos cabelos azuis, respirando profundamente e pensando bem para responder.

“Aish, Lucy, já te disse que não vou. Aproveite por mim, okay? J” A garota nunca gostou de lugares cheios de gente, onde ela se sentia sufocada e a beira de um ataque de nervos. A pequena não chegou a contar que já havia sido aceita para trabalhar como colunista de uma revista, como sempre quis, e estava ocupada moldando suas ideias para sair e participar de algo que ela considerava fútil.

Ouviu batidinhas na porta e levantou-se, deixando os óculos no criado mudo. Abriu um sorriso quando se deparou com a figura alta e coberta pelo típico casaco preto apoiado no batente da porta, olhando para baixo timidamente. Levy repetiu o gesto, sentindo as bochechas corarem, mas logo ficou na ponta dos pés para abraça-lo.

—Rogue-senpai, pensei que iria à festa de despedida. – A menina brincou, sabendo o quanto ele odiava aquela forma de tratamento e tinha em mente que ele não podia estar se importando menos com o fim das aulas. Deu risada quando viu o moreno revirando os olhos enquanto sentava-se na cama desarrumada de Levy, pegando o livro que ela deixara de lado. –Ei, pare de ser intrometido.

Jogando-se ao lado dele, a azulada não conseguiu deixar de perceber o quão bonito Rogue era mesmo sem se esforçar para impressionar ninguém, principalmente ela. Os longos cabelos pretos caiam suavemente até seus ombros, delineando sua face de uma forma única, e os olhos castanho-avermelhados davam a ele um toque amedrontador, mas que despertava curiosidade em quase todos. Sua voz rouca o deixava levemente parecido com um daqueles lordes antigos e ele passava um ar de importância e gentileza ao mesmo tempo. Havia algo em Rogue que fazia Levy querer abraça-lo e nunca mais soltar, mas ela não sabia o que era e tinha medo de descobrir e fazer com que toda a magia que circundava a figura do garoto desaparecesse.

Desde que se conheceram, começaram a partilhar de uma relação única, que poucos conseguiam compreender. Passavam horas um ao lado do outro, cada um imerso em seus próprios pensamentos, como se o que importasse fosse o fato de não estarem sozinhos. Não precisavam conversar, coisa que parecia ser realmente torturante para ambos, apenas precisavam ficar lado a lado.

Com o tempo, os assuntos começaram a fluir naturalmente, começando com um “Que horas são?” ou um “Você entendeu essa matéria?” e logo não conseguiam esconder a felicidade de ter um ao outro por perto, como se nada mais importasse, o peito de ambos sendo tomado por uma ansiedade excruciante quando precisavam se afastar.

—Ei, o que você tanto pensa? – O moreno questionou, dando o soquinho de leve no braço de Levy. Seu sorriso era lindo, daqueles tão radiantes que contagiava todos os que estavam em volta. “Argh, Levy, no que você está pensando?”

—Só que você é bonito e que nem deve perceber isso. –A azulada murmurou, sem nem perceber o que estava dizendo, pensando alto. Quando percebeu a cara de surpresa de Rogue, sentiu suas bochechas queimando de vergonha e automaticamente cobriu o rosto com as mãos.

Sentiu as mãos do garoto segurando as suas e puxando-as suavemente da frente de sua face, vermelha como um pimentão. Um sorriso tímido se formou nos lábios de Rogue, que se aproximou hesitante da menina, passando a mão em seus cabelos.

—Olha só quem fala. –Ele sussurrou com uma voz que vez cada pelo do corpo de Levy se arrepiar, antes de juntar seus lábios aos dela em um contato suave e inocente. A pequena não sabia o que fazer, era como se sua mente estivesse em branco e seu corpo estivesse petrificado. Nem se importou quando o moreno moveu seus lábios contra os dela, buscando um contato mais aprofundado, fechando os olhos e sentindo a respiração ficar falha e coração disparar. Quando se separaram, Rogue não conseguia olhar nos olhos da menor. –Desculpa.

Mais uma vez, a azulada não sabia o que fazer e muito mesmo o que fazer. Respirou fundo e como num reflexo cego sentou-se de frente para Rogue, apoiando seus braços nos ombros do garoto. Levy inclinou o corpo para frente, sentindo a respiração quente e o hálito mentolado do moreno contra sua pele, selando seus lábios novamente. O beijo era apaixonado e ardente, impaciente, como se eles estivessem esperando por aquilo por muito tempo e não soubessem. Levy deslizou sua língua pelo lábio inferior do garoto, puxando de leve os cabelos da nuca de Rogue. Sentiu todo o peso do corpo do outro sobre o seu, obrigando-a a se deitar, suspirando quando sentiu as mãos do garoto deslizando em seus quadris.

—Rogue... –Ela chamou levemente aflita com o rumo que a situação estava tomando. O garoto a olhou nos olhos, com as mexas de seu cabelo escuro cobrindo o rosto de Levy.

—Levy...?-Ele respondeu confuso, sem saber ao certo se tinha feito algo errado. Rolou levemente o corpo até que caísse ao lado da menina, procurando sua mão e entrelaçando seus dedos com os dela.

Ambos estavam confusos, sem saber o que fazer em seguida, a dúvida estampada em seus rostos corados.

—Quando isso aconteceu? – Ela perguntou, com uma hesitação triste em sua voz já levemente chorosa. – Quando deixamos de nos enxergar apenas como amigos? O que é isso que estou sentindo, Rogue? – Quando o moreno percebeu, já estava passando um de seus braços pela cintura de Levy, abraçando-a e tentando acalmá-la.

—Não chora tá bom? Não aconteceu nada de errado entre a gente, nada vai mudar. Eu prometo se você prometer.

—Mas, Rogue, e se eu quiser que mude? Algo dentro de mim está falando que isso é certo, que... Que eu realmente gosto de você. –Levy explodiu em lágrimas quando disse isso, nem todos os abraços do mundo poderiam acalmá-la agora. O que ela menos queria era se afastar de seu melhor amigo na última semana de aulas na faculdade, correndo o perigo de nunca mais vê-lo na vida.

Rogue odiava fazer qualquer coisa sob esse tipo de pressão, principalmente quanto suas escolhas podiam afetar seriamente pessoas com as quais ele se importava. Ele não tinha certeza do que estava sentindo, provavelmente estava tão confuso quanto Levy, mas não conseguia expressar suas emoções com palavras, somente com ações, e estava com medo de fazer algo errado. Todos esses tipos de sentimentos eram muito novos para ele, e ele suspeitava que para ela também. Apoiou-se em um dos cotovelos de forma que pudesse alcançar o rosto da azulada, e depositou um beijo cheio de carinho e ternura em sua testa.

Era como se ambos tivessem esperado tempo demais para que finalmente pudessem contatar que aquele sentimento dentro deles não era apenas uma amizade muito forte e valiosa para ambos: Era uma mescla ardente de amor e desejo que foi silenciada pelo medo da incompreensão. Não demorou muito tempo para que esse sentimento explodisse de dentro do peito de ambos os jovens e eles decidissem se entregar um ao outro.

Sempre que fechava os olhos, Levy se lembrava das mãos hesitantes de Rogue descendo de sua cintura para suas coxas e dali emaranhando-se em seus cabelos suados, o coração da garota batendo tão alto e da pulsação descompassada ressoando em seu ouvido. A sensação de desconforto do início quase valeu a pena, depois de transformada numa coisa tão boa que a pequena, por mais que tentasse, não conseguia calar os sons que teimavam em escapar por seus lábios.

Depois daquele dia, Levy e Rogue cumpriram parcialmente a promessa que haviam feito um ao outro em meio a lágrimas e dúvidas. Não se tratavam de forma diferente, mas sempre que alguém perguntava se estavam juntos, ambos respondiam que sim sem hesitar. Levy estava entediada naquele dia, e ela só mudava as músicas de sua playlist sem procurar nenhuma em especial. Perdida em seus pensamentos enquanto procurava alguma coisa para ler e fazer o tempo passar mais rápido, a azulada nem reparou que Rogue entrara no quarto e sentara em sua escrivaninha, observando a pequena mover os lábios conforme a música.

Aproximou-se tentando ser silencioso, abaixando a tela do notebook da garota ao se deitar do lado dela.

—Aish, Rogue, já disse que odeio quando você chaga de mansinho.

O moreno não sorria, o que preocupava a menor.

—Está tudo bem?

Rogue baixou o olhar, optando por se sentar na cadeira da escrivaninha, e não ao lado da azulada como sempre fazia.

— Precisamos conversar, Levy. – Ele começou, ainda sem encará-la. – Eu estou indo embora.

—O quê? –Ela soltou uma risada ansiosa, como se tentasse se convencer de que aquilo não se passava de uma brincadeira de mau gosto. – Rogue...

—Sabe, eu recebi aquela bolsa de cinema da qual eu tanto te falava.

—Ah, isso é bom! –A azulada exclamou, aliviada. Fez menção de levantar e abraçar o mais velho, mas foi impedida pelo gesto de Rogue, que pedia que ela esperasse.

—Eu nunca te falei onde seria meu estágio, né? –Perguntou, soltando um riso de escárnio. –Eu vou sair do país, Levy.

Um sentimento muito ruim percorreu o corpo da garota, uma mistura de raiva e tristeza. Podia ser um pouco egoísta da parte dela, mas ela estava chateada com o fato de Rogue não ter contado isso antes. Antes de tudo o que aconteceu, antes de tudo que fizeram. Ela se sentia usada, como se o moreno tivesse esperado até ela se envolver para depois soltar essa bomba sobre ela. A pequena não disse nada.

—Desculpe por dizer as coisas tão assim, na lata, mas isso é bem mais importante para mim do que você.

“Ai.”

Aquilo doeu no fundo do coração de Levy. Como ela podia ter sido tão burra a ponto de acreditar que ele realmente se importava tanto quanto ela? Dois dias para acabar a faculdade e Levy ainda era inocente para acreditar nesse tipo de coisa, o amor.

Ela respirou profundamente, tentando permanecer-se forte e não demonstrar o quanto aquilo havia a magoado. Levantou-se e abriu a porta, fazendo um gesto apressado para que Rogue saísse. Não valeria à pena brigar nem chorar implorando para que ele ficasse. Quando as pessoas que você ama querem ir embora, deixe-as ir.

—Espero que aprenda muito e que tudo o que você alcance tudo o que almeja, Rogue Cheney.

—Levy...

—Não torne isso mais complicado, ok? Sai e não olhe pra trás, tá? – Ela já sentia uma alteração na voz. – Foi bom te conhecer. Agora vai embora.

O moreno, antes de sair com passos confiantes, depositou um beijo cheio de algo que a azulada não decifrou na bochecha de Levy. Depois desse gesto, a pequena deixou toda a inocência que ainda tinha de lado, encarando o triste fato de que a vida era dura e que apenas tolos se apaixonavam. Ela havia aprendido da maneira difícil e sabia muito bem como doía, como corroía seu coração dia após dia. Era triste, mas era a realidade. Já estava mais do que na hora de largar o país das maravilhas.

Notas finais
E aí, o que acharam? Vocês sabem que eu adoro ouvir ( ler) a opinião de vocês ou só bater um papo aqui nos cometários, né?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.