Cartas para Derek

2 Ser preso ou não ser


Notas iniciais
Obrigado às almas que já comentaram na história - e se eu não disse antes, eu simplesmente sou horrível em comentários - por isso obrigado a todos vocês, e um espaço no meu coração é aberto todas as vezes que vocês comentam e são queridos. Nesse momento eu estou realocando vocês para o ventrículo esquerdo - semana passada eu vaguei um espaço por ali. E essa história é super simples de escrever e divertida, então eu espero que vocês se divirtam também!

23 de março de 2011

Derek

Hey!

Eu conversei com o soldado Jones, que vêm pegar nossas cartas na escola, e ele disse que eles vão conseguir comunicação mais rápida entre as cartas, já que eles conseguiram organizar um pessoal para trabalhar só com os e-mails e as cartas e coisas assim — e eu falei cartas muitas vezes nessa frase.

Mesmo assim eu acho uma falta de sei lá o que de a gente ter que escrever a mão e vocês podem mandar e-mails — não que eu esteja obrigando os soldados a sentarem para escrever uma carta, pois eu tenho certeza que você tem coisas muito mais importantes para fazer do que treinar a escrita manual. E eu só estou reclamando como um gato esfomeado porque eu sou assim mesmo e eu sou muito preguiçoso pra ficar escrevendo — e fazendo letra bonitinha pra você conseguir ler.

Mesmo assim, cá estou eu, papel e lápis na mão.

Quando você me disse o seu sobrenome eu já lembrei da sua família. Eu sinto muito pelo que aconteceu com eles, mesmo que eu não lembre muito bem — eu tive que pedir para o meu pai explicar o que aconteceu com eles — ah, e se você viu meu sobrenome e reconheceu, provavelmente você conhece pelo menos o meu pai, ele é Xerife agora, mas acho que na época ele ainda era só um policial.

Enfim, eu não posso dizer que eu sei como é isso — mas um pouco dessas coisas eu sei. Eu perdi a minha mãe aos dez anos. Foi depois de você sabe o que.

Mas vamos pra frente, certo? — eu sei que eu não gosto de falar muito sobre aquilo e imagino que você se sinta do mesmo jeito.

Eu percebi que você não escreve tanto quanto eu. Bom, talvez seja porque eu sou bocudo e não consigo escrever pouco — e afinal, qual é a graça de se comunicar tão curtamente ou ser tão polido para conversar. Não que isso seja uma crítica à forma que você escreve, afinal algumas pessoas nesse mundo tem que ser polidas e saber falar direito — eu só escolhi não ser uma delas.

E eu acho que essa é uma ótima escolha para mim.

Ah, outra coisa, se eu não lhe ofendi em nenhuma das minhas frases da última carta, você também nem tem que se preocupar. Não é que eu vá sair contando para todo mundo os segredos de estado do nosso país e do exército, mas eu entendo que você não faz a mínima ideia de quem eu sou, então faz sentido que demore pra gente conversar mais sobre outras coisas.

Mas eu quero saber sobre elas. Não que eu tenha qualquer interesse de me alistar e ir pro exército — e nem é por que eu não queira ou por que isso não me interesse, mas é que eu simplesmente não me vejo segurando uma metralhadora e atirando por aí com o risco de atingir algum inocente. Mas pelo amor de Deus, não é que você ou qualquer outro soldado tenha isso em mente — eu tenho certeza que não tem. Só finge que eu não quis dizer isso.

Eu só sou uma pessoa curiosa e gosto de saber das coisas.

E percebi que você não é tão velho, afinal nem uma década mais velho que eu nem é muita coisa. Mas mesmo assim eu imagino você como uma pessoa mais velha — afinal eu me sinto uma criança, praticamente, mesmo que aos dezesseis anos eu já posso ser preso. E definitivamente crianças não tem lugar na cadeia.

Não que eu vá ser preso, afinal eu não sou um criminoso, né? E estou até conversando com um soldado. E não que eu seja um criminoso disfarçado e conversando com um soldado para descobrir os detalhes internos de qualquer lugar que você esteja e — eu acho que eu vou calar a boca antes que você ache que eu estou planejando o próximo atentado terrorista.

Eu realmente sei como pintar uma boa imagem sobre mim.

Se eu não te assustei e nem te fiz chamar a CIA, eu acho que nos vemos na próxima carta. Quer dizer, não nos “vemos” exatamente, mas tu entendeu o que eu quis dizer.

Bom trabalho,

do seu companheiro de cartas — e pelo andar da carruagem, próximo preso internacional,

Stiles

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31 de março de 2011

Stiles

Antes de entrar propriamente nas respostas para a carta, eu gostaria de assegurar que em, quase, nenhum momento eu pensei em comunicar os meus superiores — exceto na hora do atentado — mas como eles mesmo leem essas cartas antes de nos mandar, e eles provavelmente devem ter feito uma pesquisa geral sobre o teu passado — então eu espero que tu não tenha feito nada de errado — eles devem ter achado engraçado e nada mais.

Mas você realmente consegue passar uma boa imagem sobre si mesmo — excetuando todos os momentos em que você deu a entender que o único motivo que pode te impedir de fazer um ano de cartas vá ser uma — não tão inesperada — prisão. Não que eu ache que você vai ser preso.

Mas pelo ritmo da carta…

Obrigado por não comentar muito sobre famílias. Quem sabe no futuro nos possamos voltar a esse tópico. Eu sinto muito pela sua mãe — e acho que sim, você deve fazer alguma ideia de como é tudo isso.

Eu lembro do seu pai. Ele foi um dos que conversou comigo e com Laura. Ele é Xerife agora? Meus parabéns para ele. Achei que era um bom policial sim, provavelmente deve ter trabalhado muito bem pelo cargo. Nosso país precisa de homens assim — e esse é o soldado patriota em mim.

No futuro, se nós continuarmos as cartas — e você não for preso antes — eu acredito que nós poderemos conversar sobre o meu trabalho. Eu só ainda não estou confortável, se é que você me entende. Mas eu gosto da ideia de conversar com alguém, e se puder ajudar essa pessoa — crédito extra da faculdade — eu fico feliz.

Continue estudando,

até a próxima carta.

Derek