Notas iniciais
Boa leitura!

Quando o despertador finalmente tocou, eu já estava acordada fazia tempo. Era um barulho irritante e estridente que eu com certeza precisaria mudar.

— Por que tão cedo? — a voz ao meu lado disse em meio a um bocejo.

— Porque — o abracei forte por trás, animada como nunca estive — é meu primeiro dia, e obviamente não quero me atrasar.

Levantei num impulso enquanto Luka resmungava algo inaudível. Ele não precisa acordar cedo, então talvez eu tenha que dar um jeito de fazer isso sem o incomodar todos os dias. Luka tão tem um emprego fixo, ele trabalha com a sua banda como o principal compositor. Eles não são exatamente famosos, mas todo mundo diz que eles são promissores e logo vão despontar como os mais novos queridinhos de Paris.

É o que eu espero.

Não quero mais depender de ninguém.

Desde de que nos casamos, eu e Luka estivemos dependendo diretamente de nossos pais, principalmente do dinheiro deixado pelo pai de Luka, um pai que eu nunca vi e quase também nunca ouvi, sua família inteira é bem quieta sobre isso. Eu penso hoje que temos muita sorte, pois ambas as partes de nossa família nos apoiam em nossos sonhos, seja na música ou na moda.

Mas a partir de hoje, isso vai mudar.

— Marinette! — Luka chamou no quarto enquanto eu enfrentava meus devaneios no banheiro — Marinette, seu celular está tocando!

Droga. Quem poderia ser às 6 da manhã? Deve ser mamãe pra me desejar boa sorte, provavelmente.

Meu celular vibrava na mesa de cabeceira. O nome na tela fez meu coração quase parar.

Natalie.

— Alô? — minha voz tremeu. Ela vai me falar que o senhor Agreste mudou de ideia. Ele não precisa de mim. Ele....

— Marinette. Ainda bem que já está acordada. — a voz dela parecia indiferente e mecânica — O senhor Agreste lhe espera daqui exatamente 1h, no estúdio da mansão, eu lhe mandei o endereço por email, porém creio que você conheça o local.

— Certo, sim, conheço — Deus, ela fala rápido!

— Perfeito. Não se atrase.

— Ok... — ela desligou antes de ouvir minha resposta.

Certo, agora eu tinha cerca de 50 min sobrando para me arrumar e ir pra mansão. Não. Dá. Tempo.

Joguei meu celular na cama e comecei vestir as roupas que havia, abençoadamente, separado na noite anterior. Me atrapalhei na calça e caí com minha bunda no chão. Droga. Terminei de vesti-la no chão mesmo. Foi quando Luka levantou, me encontrando no chão, meio vestida, meio nua.

— Precisa de ajuda? — ele perguntou sem surpresa. Eu sempre fui meio desastrada de qualquer jeito.

— Não... — me levantei num rompante puxando a calça pra cima no processo — ...tenho tempo. Eu preciso estar na mansão às 7!

— Você vai trabalhar na mansão? — minha cabeça estava encoberta pela camisa que eu estupidamente não desabotoei, assim não vi seu rosto, mas sua voz já era indicação o sufiente: por que você não me disse antes? — Não é lá que seu amigo mora também?

Seu tom desinteressado sempre queria dizer muita coisa.

— Sim, afinal o senhor Agreste é o pai dele. — não vou mentir, só iria tornar tudo pior — Adrien é o modelo dele.

— Hum — ele soltou — então vocês vão trabalhar juntos.

Eu sabia onde isso estava indo.

— Sim sim, lindo — agora totalmente vestida eu me aproximei de Luka, sua calça de pijama pendia em sua cintura e eu admito que derretia por seu corpo magro e definido, mas agora não era hora. Seus olhos pousaram nos meus e eu vi o ciúmes neles — Luka. Eu só tenho olhos pra você agora. E boca. E braços. E tudo.

Seu meio sorriso me confortou por um momento... Mas eu senti que seria só o começo.

...

Eu tinha me esquecido de como isso era grande, a mansão dos Agreste.

Mas também era fria e infeliz, bem, sempre me pareceu, afinal, Adrien estava trancado aqui contra sua vontade.

— Marinette, vejo que chegou na hora correta. — Natalie estava bem no topo da alta escadaria da mansão, um tablet na mão e um olhar afiado. — Siga — me por favor.

Ela nem mesmo me deu tempo para olhar em volta para apreciar os móveis e decorações de luxo dos quais eu tinha vaga lembrança. A mansão podia ser fria e infeliz, mas era pura opulência também.

Subi as escadas correndo, e fiz meu máximo para acompanhar Natalie. Ela me levou por uma série de corredores até um grande salão iluminado precariamente por um vitral arroxeado. Eu nunca estive nessa parte da mansão antes. O vitral tinha arabescos e figuras complexas, mas a que mais se destacava era a forma de borboleta no centro, a assinatura famosa de Gabriel Agreste.

— Senhorita Dupan-cheng. — uma voz chamou na penumbra e Natalie me fez um sinal de passagem. Aproxime-se, ela sussurrou quando a olhei artodoada.

— É mesmo... — consegui identificar uma silhueta no meio da luz enviada pelo vitral — agora você é senhora Coffaine.

— Como.. você sabe? — Ok, eu não pensei antes de falar. Minhas mãos foram direto para minha boca. O senhor Agreste não pareceu se importar, seu tom de voz foi o mesmo de antes: forte e sério.

— Natalie me fez uma pesquisa detalhada a seu respeito. — ele se virou para mim terminando sua frase com efeito — Preciso saber com quem vou trabalhar, mesmo que me lembre muito bem vocês e seus antigos projetos para Adrien.

Neste momento eu corei, lisonjeada pelo fato de que o grande Gabriel Agreste lembrava de mim, das pequenas coisas que fiz. Susurrei um obrigada, talvez mais para mim do que para ele, felizmente ele pareceu não notar.

— De qualquer forma, Natalie, por favor.

Como num passe de mágica, uma série de luzes se acendeu, iluminando devidamente todo o salão. Por um momento elas me cegaram, mas logo me acostumei e tratei de beber todos os detalhes possíveis: pranchetas de desenho espalhadas pelo salão cheias de projetos em andamento, à moda antiga. Araras em todos os cantos e espelhos em todas as paredes, junto a rolos e rolos de tecidos multicoloridos, prateleiras de suprimentos e máquinas de costura da melhor qualidade. O equipamento todo parecia feito para um time de profissionais, mas estávamos só nós três aqui.

— Apesar do que você vê, eu geralmente trabalho sozinho — ele disse olhando em volta comigo, como que acompanhando meus pensamentos — poucos colaboradores já passaram por aqui em pequenas ocasiões de alta demanda.

Isso me deixava nervosa. E, infelizmente, tendo a falar demais quando estou nervosa.

— Então... Por que me contratou? Sabe que não tenho experiência com grandes projetos, nunca trabalhei antes, mesmo tendo feito alguns projetos aqui e ali, sei que posso me dedicar, mas ainda...

— Senhora Coffaine.

Ele me cortou com a voz um tom mais alto que o anterior. Eu parei no mesmo instante, meu olhar indo diretamente para seus olhos, um tom escuro de azul que pareciam não se abalar por nada. Não eram os mesmos de Adrien... pelo que me lembro ele puxou muito mais à mãe, nos olhos, cor de cabelo, feições e também no jeito, pelo que me parece agora.

— Eu já sei de tudo isso, mas ainda preciso de alguém. — seus olhos pareciam bastante sinceros para mim — Ensinar meu estilo e o que gosto para alguém ambicioso e disposto a aprender é muito mais vantajoso para mim do que alguém com experiência.

Agora eu quero chorar. Eu fui completamente aceita, escolhida, e ainda elogiada. Eu estava dentro e nada poderia mudar isso. Eu já me sinto dentro, disposta a trabalhar com todas as minhas forças.

— Além do mais... — sua voz era baixa, e ele não estava mais olhando em minha direção, estava fitando o nada e eu tive um sentimento estranho — Eu preciso de ajuda com Adrien. Vocês costumavam ser amigos, correto?

Eu abri minha boca para confirmar, não sabendo como isso poderia ajudá-lo, mas não tive a oportunidade de responder.

— Correto, pai. — atrás de mim uma voz me fez congelar no lugar — Eu e Marinette sempre fomos grandes amigos.

Adrien.

Notas finais
Olá pessoal! Falei que o primeiro capítulo ia sair logo, né? E finalmente tivemos um gostinho do Adrien, mas não muito, agora só no próximo hahahah Reviews? ^^