Cartas para Bella
15 Eu sou seu Correspondente Secreto
Notas iniciais
Rabisco a estúpida folha à minha frente. Okay! Eu desisto! Eu não sou boa o suficiente para escrever uma carta romântica. Como ele faz isso? Escreve coisas bonitas e que me deixam boba? Uma coisa que não fique forçada! Além do mais, meu pulso está doendo.
Meu computador toca, anunciando uma chamada de vídeo com alguém, eu torço o nariz ao ver o nome do meu pai piscando na teça. Nós não temos conversado muito desde a “briga”. Eles conversam com Sue, que filtra o que eles falam para mim, o processo todo se repete até que o que eu tivesse falado chegasse neles.
Revirando os olhos, eu clico no botão verde de atender. Qualquer coisa, é só desligar na cara dele, certo?! Assim que atendo, vejo Charlie e Renée sentando com um fundo bonito. Uma cidade linda. Onde quer que eles estejam, parece ser um lugar legal.
— Oi, filha. — Charlie diz.
— Minha Bella linda. — Renée diz, pondo as mãos nas bochechas.
— Oi, mãe. Oi, pai.
Ficamos em um silêncio constrangedor. O que eles querem? Me avisar que vão morar na Europa e nunca mais voltar? Bem, desde que eu ficasse com a casa de Nova York, por mim, tudo bem. Olho para a parede a minha frente. Desde quando tinha um buraco nela?
— Então, Bella. Sua disse que você recebeu suas cartas de volta das faculdades.
— Pois é.
Charlie levanta as sobrancelhas e Renée parece prestes a explodir, o rosto dela está vermelho.
— E?
— AH! — murmuro, me ligando que eles querem saber o que elas dizem. — Eu entrei em Dartmouth, UCLA, Brown e Yale.
Tomo um susto quando Renée levanta, dando pulinhos para todo o lado e gritando. Charlie maneia a cabeça, esse é o seu jeito de mostrar que está feliz com meu desempenho. Depois da gritaria de Renée, ela volta a se sentar.
— Eu estou tão orgulhosa! Sabia que você entraria. É tão inteligente!
— Obrigada, mãe.
— Quando voltarmos, te pegaram aí em Sue. Vamos para Yale, dar uma olhada em dormitórios ou algum apartamento perto e será incrível.
— Mãe. — eu a chamo para sair de seus desvaneios. — Eu ainda não me decidi para qual faculdade eu vou ir.
Os olhos dos meus pais se arregalam.
— Como assim, não sabe? — meu pai pergunta. — Você fala Yale desde seus 14 anos.
— Eu sei! Mas eu gostaria muito de ficar pela costa oeste, sabe?!
Os dois ficam quietos. Eles se encontraram em Yale. Se apaixonaram um pelo o outro lá. Criaram sua história de amor e profissional naquela faculdade. Eles queriam que eu seguisse os seus passos.
— Bem. — minha mãe diz, pegando na mão de meu pai. — Você que decide, minha flor.
— Mas nós iremos ter que pagar, não é mesmo?! — meu pai retruca, raivoso. Eu engulo em seco.
— Se ela quiser ir para outro lugar está bem, Charlie. Não se preocupe, se não quiser pagar, eu mesma o faço!
Meu pai se levanta da cadeira onde está e sai da frente do computador. Escuto um barulho de porta forte batendo. Eu me afundo na cadeira, começando a ficar com dor de cabeça. São muitos problemas em poucas horas do dia.
Eu volto a olhar o computador, encarando Renée, não entendendo por ela estar do meu lado. Sempre foi Charlie.
— Eu sei o que está pensando, filha. — ela diz, coçando a nuca. — Faz tanto tempo que eu não exerço meu papel de mãe. Desde quando você voltou de Forks a última vez. Eu sabia que algo estava errado. Você fumar maconha? Okay que na sua idade eu experimentei muitas coisas e não duvido que você não tenha tido novas experiências. Só que é mais fácil chuva de meteoros cair na terra.
— Então, por que não fez nada? Por que ficou quieta? Calada?
— Eu escutei seu pai. Ele acreditava seriamente no pai dele. Foi ensinado a escutar e ficar calado. Ele me convenceu que Jacob não era uma boa influência para você e bloqueamos ele da sua vida. Como se isso fosse resolver o problema que você estava enfrentando. Nós estávamos tão desestabilizados na nossa relação e brigávamos o tempo todo. Por isso, eu o escutei para não brigarmos mais uma maldita vez e, bem, isso me custou você.
Olho para cima, sentindo a dor de suas palavras.
— Bella, você se tornou uma mulher forte e independente. Que não precisa da ajuda de ninguém. Está sempre disposta a ajudar os outros. Linda, engraçada e muito inteligente. Eu gostaria de dizer que fui eu quem te ensinou isso, mas nós duas sabemos que foi você e só você. Eu estou tão orgulhosa de você!
Renée está com o rosto cheio de lágrimas. Eu escuto cada palavra, me lembrando de cada momento que eu me senti sozinha, sem ninguém para conversar. Lembrando que mesmo que minha mãe estivesse da porta ao lado, ela não iria me escutar.
— Por isso, decidi fazer a coisa certa agora, Bella. Quero que saiba que eu te amo muito e sempre vou te apoiar.
Balançando a cabeça, mas ainda sim duvidando, eu agradeço.
— É o mínimo, Bella. — olho para a hora no computador. — Já está tarde aí, não é?! Aqui estamos começando o dia. — ela respira fundo. — Boa noite, minha filha. Mamãe te ama até o céu.
— Tchau, mãe. — digo, fechando o computador.
Sentindo meu peito aberto com as palavras da minha mãe, com tristeza, amor e saudades eu abaixo a cabeça, escrevendo furiosamente no papel. Me abro totalmente, pronta para uma última chance. Para me explicar. E se desse errado, eu sei que tenho um grande pote de sorvete de creme na geladeira.
Quando termino de escrever, sorrio comigo mesma, nunca ficaria como uma carta do Corresponde, mas o que eu escrevi não está tão mal. Eu coloco dentro de um envelope e ponho uma figurinha de coração para fechá-lo. Escrevo atrás do envelope um grande “correspondente”. Eu guardo dentro da minha mochila, junto com os meus materiais.
Respirando fundo, eu mando uma mensagem para ele. Talvez, ele a vê e ignore. Ou talvez, ele leia e faça o que eu pedi. Agora, tudo dependeria dele e somente dele.
Vá cedo para a escola amanhã, alguma hora em que ninguém estiver, como as 6 horas. Deixarei algo colado no meu armário para você. A partir disso, tudo depende da sua resposta e eu irei entender se você não quiser mais conversar, nem mesmo queria saber de mim. Com amor, Bella.
Escovo os meus dentes com os pensamentos nas nuvens. Desde quando Renée abriu os olhos? Ela quer se tornar próxima de novo? Ela sabe o que aconteceu? Se ela tivesse que escolher entre Charlie e eu, sua escolha seria ele mais uma vez?
Seth me dá uma bundada, querendo espaço para cuspir na pia. Ele encara seu espelho, fazendo caretas e mais caretas. Eu tento não rir, mas é impossível. Nós fazemos nosso toque e cada um vai para o seu quarto. Antes de eu entrar no meu, passo no de Sue, onde encontro uma luz acesa e dormindo na cama com seu livro.
Eu pego o livro pondo em cima do bidê. Pego a manta, colocando por cima de si. Desligo a luz do abajur para em seguida lhe dar um beijo rápido na testa. Saio do quarto fechando a porta. Entro no meu quarto, desligando a luz de cima e entrando embaixo das cobertas com Presidente Miau. Eu brinco com ele por um tempo, fazendo carinho em sua barriga ou ele tentando pegar minha mão com suas patas.
Tudo está resolvido com Jacob, o que é estranho que a nossa situação tenha sido resolvida da noite para o dia. Eu não o tinha perdoado, porque estou pronta para esquecer e voltarmos a ser amiguinhos cavalgando em unicórnios. De jeito nenhum! O único motivo de eu o perdoar é que eu estou cheia de ficar correndo das coisas que me assustam! Eu decidi perdoá-lo, não porque ele pareceu reconhecer a dor que me causou, ou porque pediu desculpas, mas porque eu preciso de paz. Eu mereço ter paz.
Tentando ignorar o crescente sentimento de angústia, pensando no amanhã. Eu deito a cabeça no meu travesseiro e espero o sono chegar.
「• • •」
Querido Corresponde,
Sim, eu sei. Invertemos os papéis da peça. Agora, quem está a escrever carta romântica, mas principalmente explicativa sou eu. Ou talvez não tão romântica e linda, afinal o bom com as palavras aqui é você, não eu.
Eu estou completamente arrependida de como as coisas entre nós foram encerradas. Para falar a verdade, eu não queria nada terminasse… Você sempre foi tão querido, engraçado e me fazendo uma pessoa melhor. O modo em que eu te pressionei a sair da sua zona de conforto, sendo que eu não tenho nada a ver com isso. Eu falo sempre para me deixarem na minha e não pude te respeitá-lo.
Eu estava tendo um péssimo dia — não que seja uma desculpa, claro que não — e tinha acabado de perceber que eu só corro dos meus problemas como o diabo foge da cruz. Veja, quando eu era menor, fui vítima de um abuso e estou correndo dessas lembranças desde aquele dia, no qual Jacob Black fora envolvido.
Quando tal coisa aconteceu, nem meus pais ficaram ao meu lado. Eles estavam tendo problemas na relação e me jogaram para o escanteio, afinal eu poderia crescer e esquecer. Eu não podia contar com meus pais e o único amigo que eu tinha foi tirado da minha vida. O que eu poderia fazer? Então, para me proteger, decidi me fechar, erguer muralhas envolta de mim, focar em algo útil, como os estudos, e ficar “bem”. Isso é definitivamente o que eu não fazia. Eu coloquei na minha cabeça que se eu entrasse em Yale, todos os meus problemas, todas as minhas inseguranças magicamente sumiriam.
Eu ficava trancada no meu quarto estilo Rapunzel. Só sairia da minha preciosa torre para ir à escola ou comer. Minha única amiga era Hayley, a filha de um dos sócios de meu pai. Nós não tínhamos o mesmo estilo, ele é vívida, engraçada, loira, divertida e adora uma saída. Você me conhece e sabe que eu sou totalmente o contrário.
Me afundei em livros, tarefas da escola e hambúrgueres do McDonalds. As pessoas da minha escola me conheciam só como a garota que tira A em matemática. Eu sei, minha reputação era realmente algo de se dar inveja! Lauren Mallory morreria por ela. A coisa e, quando meus pais pediram para eu voltar a Forks, foi como se eles pedissem para eu pisar em lava. Eles fizeram aquele movimento de teremos-que-planejar-para-o-ano-que-vem-por-causa-da-nossa -estúpida-filha (não, eles não usaram estas mesmas frases) e como você me conhece, eu tive que aceitar. Desse jeito eu vim para o meu inferno particular.
Eu nunca gostei de pensar em mim mesma. Eu estou bonita usando esses óculos? Eu tenho que comprar esse tênis novo para mim! Qual o problema de fazer o trabalho de Steve Gruntin? Ele está sem tempo de fazê-lo e eu tenho tempo de sobra! Após o que aconteceu, eu definitivamente não queria saber de mim mesma. Eu não queria parar e pensar como eu estava mentalmente. Fisicamente? Eu parecia saudável como um cavalo.
Então, imagine só, eu já era infeliz em Nova York e ninguém percebia. Não tinha amigos e muito menos vontade de ter uma vida social. Minha meta era Yale. Se eu chegasse em Yale, eu não precisaria me preocupar com os meus pais. Se eu chegasse em Yale, estaria longe o suficiente para começar a focar em mim e superar os problemas. Em Forks então, deus, eu não sorriria nem se visse uma criança caindo no chão.
Durante dois meses, foi como se o inferno estivesse na terra. Para a minha sorte, eu estava num quarto de hóspedes e não no que aconteceu. Por muito tempo eu não entrava ali. Seth estranhava e Sue provavelmente suspeitava, mas nunca disse nada. Eu ia da escola, para casa, para o trabalho e para casa de novo. Acordava uma hora mais cedo para estudar, voltava da escola e estudava mais. Até eu encontrar Alice Cullen.
Essa garota é… não tem palavras para descrevê-la. Ela é divertida, engraçada, chique e meio raivosa. Brilhante! Nos tornamos amigas depois do acidente com Tyler, você deve se lembrar dele. Eu comecei a sair do meu casulinho com ela. Mas não que nem você.
Eu lembro exatamente do dia em que eu li o seu pequeno bilhete com os dizeres “eu gosto de você”. Eu estava tendo um dia normal, nenhum acontecimento chocante até a pequena carta cair do meu armário. Lembro de ficar ansiosa, quase desesperada para lê-la e lembro do meu desapontamento quando li aquilo. Logo, fiquei irritada, só um “eu gosto de voce”, deve ser Lauren, que não larga do meu pé, querendo fazer uma piadinha ridícula. Eu também decidira que descobriria quem quer estivesse atrás daquilo.
Uma semana depois da primeira carta, veio a segunda. Eu estava à procura da pessoa com uma lista dos principais suspeitos. Para sua alegria e minha infelicidade, eu estive longe de sua identidade. Bem longe. Passei por maus bocados e situações constrangedoras, se quer saber. A minha intenção sempre foi descobrir quem você é, para enfrentá-lo e perguntar “por que gostar de mim?”.
Isso foi até começarmos a trocar mensagens. Eu achei que você finalmente diria quem é. Nós estávamos conversando a um tempo, eu já não pensava tanto em perguntar o por que de cartas. Eu só queria conversar com você, olhando olhos nos olhos, como pessoas normais, eu não sabia o por que.
A cada nova mensagem, meu coração batia mais rápido, a cada nova carta recebida, eu estava entrando em um sentimento desconhecido. Quando brigamos sobre você se identificar e eu parar de ser louca por estudos eu percebi aquilo, notei o quão fodida estava. Eu senti dor em cada minutos em que estávamos brigados. E odiei aquele sentimento com toda a minha força, mas mesmo assim, eu queria ir atrás de você. Mais por orgulho, se quer saber. E também comecei a quebrar algumas regras da escola como faltar aula para ir ao shopping e comprar vestidos para o baile com Alice e beber álcool para provar que você estava errado sobre eu não saber aproveitar o momento. Fazendo essas coisas, só me fez perceber o quão isolada e abalada eu estava.
Eu ainda não estou totalmente bem. Definitivamente não. Mas eu trabalharei nisso, não se preocupe. Eu ficarei bem, agora, eu tenho amigos e família que se preocupam comigo.
Correspondente, se não fosse por você, eu não saberia aproveitar o agora sem me estressar com o futuro ou correr do passado. Você me mostrou que eu tenho que aproveitar a estranha família que eu tenho em Forks e que eu tenho que me abrir para o mundo. Eu nunca terei palavras o suficiente para mostrar minha gratidão.
Contudo, tenho algumas coisas que quero que você saiba, sem me escutar descontrolada. Eu não menti quando disse que estou apaixonada por você. Eu tenho certeza que foi uma das coisas mais verdadeiras que eu já falei. E me machuca saber que não ficaremos juntos, porque você me torna uma pessoa melhor. Melhor dizendo, você me faz querer ser uma pessoa melhor. Sem medos, sem inseguranças. Só vivendo. E eu desejaria muito que nós dois pudéssemos mergulhar de cabeça nesse sentimento tão poderoso.
Me apaixonei por você, por cada passagem de livro que você me mandou, cada carta que eu encontrei em meu armário, em cada sorriso que você me tirou dizendo alguma coisa estúpida ou engraçada até mesmo por essa sua maneira idota de ser anônimo. Me apaixonei por você, Correspondente. Totalmente e completamente. Nada, nem ninguém, conseguiria mudar o que eu sinto. E eu te peço mil desculpas em como eu consegui arruinar isso.
Wow, já tem três páginas isso tudo e parece que eu não coloquei metade do que eu quero para fora. Bem, acho que falar sobre seus sentimentos é isso, não é?! Falar, falar, e falar até deixar alguém tonto. Eu só tinha que explicar o porquê eu fiz aquilo e o quão importante você se tornou em tão pouco tempo. Se eu pudesse, levaria você para a minha vida inteira, onde nós dois estamos com algum cachorro em uma casa. Eu sei, eu sei. Pensando demais, me dá um tempo! kkkk
Mais uma vez, me perdoe por estragar isso. Eu realmente sinto muito. Se eu pudesse voltar no tempo e apagar o que eu fiz, faria isso imediatamente. Tenha uma boa vida, eu acho.
com amor
da sua admiradora não-tão-secreta,
Bella
Ps: Espero que não se importe de eu continuar com o Kindle. Uma vez você disse que nós não podemos recusar presentes por ser falta de educação. Eu quero mantê-lo para lembrar de tudo aquilo que passamos. Mas se você se importar, eu devolvo, sem problemas.
「• • •」
Meu celular novo, que Sue me levou para comprar no dia de ontem, toca, me acordando. Eu o pego, vendo que são 5 horas e 30 minutos. Exatamente como eu tinha planejado acordar ontem. Rapidamente, eu pego uma fita adesiva e a carta em cima da mesa. Descendo as escadas, eu agarro as chaves do carro de Sue.
Coloco meus tênis rapidamente e um casaco, não trocando de pijama. Eu saio para a rua, entro no carro e vou em direção a escola. A minha intenção com a carta não é nós nos reatarmos. Okay que se ele quisesse, eu também queria. Mas eu queria que ele não ficasse com uma visão má sobre mim. Não queria que ele se arrependesse pelo o que nós passamos. Eu não estou! E espero que ele também não.
Estaciono o carro de Sue, meio longe da escola. Além da caminhonete do zelador, não tinha um carro no estacionamento inteiro. Eu corro para dentro da escola, tendo cuidado para o zelador não me pegar. Eu encontro o meu armário e começo os preparativos.
Pego a fita adesiva que trouxe, corto um pedaço dela e colo atrás da carta. Eu grudo a carta do Correspondente na superfície do meu armário com o que eu chamo de garrancho escrito atrás “Corespondente”. Uma verdadeira decepção. Eu fico uns cinco minutos na frente do meu armário, decidindo se é uma boa ideia. E se ele não vir? E se eu passar papel de boba?
Escuto um barulho no final do corredor. Eu vejo umas vassouras caindo. Meu coração para por um segundo. Eu viro para o lado contrário e corro o mais rápido que posso para a rua. O sol já começa a aparecer. Eu entro no carro, fecho a porta e acelero para longe da escola.
Depois de alguns quilômetros longe, eu me permito a respirar e acalmar meu coração. Quantas coisas eu já havia me arriscado por ele? Dou de ombros. Eu não me importo. Simplesmente não me importo.
Ao chegar em casa já são 6:30. Eu me atiro no sofá da sala e cochilo por uma meia hora, até escutar passos no segundo andar. Um resmungo sai da minha boca. Eu levanto do sofá para trocar de roupa. Ponho uma calça moletom, regata preta e um moletom cinza. Quando desço as escadas, encontro Sue e Seth na cozinha. Eu pego o café e toma de gole em gole.
— Dormiu bem?
Eu nego com a cabeça.
— Hoje vão começar as revisões para as provas do meio da semana que vem. — eu reviro os olhos, verdade.
Seth e eu damos tchau para Sue, entrando na caminhonete, eu baixo o vidro do motorista e aproveito o vento.
— Cara, daqui seis dias você vai fazer suas últimas provas do colégio!
Eu suspiro.
— Pois é.
— Você não está preocupada? Ou nervosa?
Eu encaro Seth.
— Eu tô me cagando de medo!
Ele ao ver minha cara de assustada, começa a rir. Eu o acompanho. Nós continuamos conversando e rindo até chegarmos a escola, onde Seth desce e se junta com seus amigos. Eu pego minhas coisas, saindo de Pulga. Eu caminho para dentro do colégio, tentando parecer o mais tranquila possível. Eu não fiz nada demais, certo?! O colégio está sempre aberto para todo mundo, não é?!
Quando eu chego perto do meu armário, suspiro ao ver que não havia nada grudado ali. Agora, se ele tivesse pego e não outra pessoa, estava nas mãos dele o que nós faríamos. Encontro os olhos de Alice que praticamente se joga em cima de mim com um baraço.
— Meus parabéns!!! — ela exclama, me apertando forte. Eu entrelaço meus braços em seus ombros magros.
— Obrigada!
— Vem, vamos para a sala. Você vai me contar tudinho sobre como descobriu que tinha entrado.
Rindo, me deixo ser puxada por Alice até nossa aula de inglês, onde eu conto tudo sobre como descobri que entrei em Yale. Nesse meio tempo, encontro os olhos de Jacob. Eu lhe dou um sorriso de leve, antes de seguir para a direção oposta em que estávamos indo.
Alice me conta que também foi aceita em algumas universidades e que tínhamos em comum: UCLA e Brown. Eu rio em como nós inconscientemente estávamos juntas o tempo todo.
As aulas da manhã passam voando para a minha felicidade. Seth estava certo, todos os professores começaram a passar revisões de suas matérias. As provas finais começam na próxima quarta-feira. Eu tenho ainda mais seis dias para estudar. Não que eu precisasse, porque acredito que tenho todos os conteúdos já memorizados na minha cabeça.
Na hora do almoço, Rose e eu que está na mesma aula de ÁLgebra que eu, seguimos em direção ao refeitório, conversando sobre como o professor quer nos matar dando conteúdo novo, tendo pouco tempo para nos ensinar. Ela está puta da cara.
— Ele é um escroto, isso sim! Quer me foder na aula da prova. — ela bufa.
— Concordo, mas eu te ajudo Rose. Não se preocupe.
— Ainda bem que você pega as coisas bem rápido. Vamos ver se você é a puta professor que Emmett diz, o tempo todo.
Rindo, nós abrimos as portas das cantina, vendo nosso grupo sentado na mesma mesa. Rose e eu pegamos nossos lanches e caminhamos até lá. Emmett, Jasper, Alice e Eric nos esperam de pé. Eu arquei a sobrancelha.
— Mas que raios vocês estão fazendo?
Rosalie pega minha bandeja, pondo em cima da mesa. Seth se aproxima ficando lado do urso Emmett. Os seis adolescentes, (cinco e meio com Seth), me encurralam, me colocando dentro de uma roda. Alice bate palminhas, antes de todos se jogarem em cima de mim, num abraço coletivo, pulando para cima e para baixo, falando todos juntos.
— Eu sabia! — Jasper diz!
— Parabéns, garota! — Rosalie fala.
— Minha menina vai para a faculdade! — Alice diz.
— Muito bem, Bella! — Eric fala.
— Cara, você vai para Yale, porra! — Emmett exclama!
— BELLA! BELLA! — Seth grita.
— Gente, gente! — eu os chamo. — Eu não consigo entender vocês falando todos juntos. — digo, rindo.
— Queremos que saiba que estamos orgulhos, Bella. — Alice diz. — E essa cara inchada, eu espero que seja pelas lágrimas de felicidade, hein.
Eu sinto minhas bochechas corarem.
— BELLA VAI PARA YALE, BELLA VAI PARA YALE!
Emmett puxa o coro, onde todos começam a gritar. Mesmo querendo morrer por dentro, eu aproveito a estúpida brincadeira que meus amigos fazem. Eu me sinto apreciada. Amada.
— Mas o que está acontecendo aqui? — escutamos a voz do senhor Velazquez do outro lado do corredor, mas aparentemente meus amigos decidem ignorar, continuando a pular, me esmagando. — Chega! Vocês querem causar um acidente aqui?
Nós nos separamos, com uma careta. Ele realmente pode ser um pé no saco. Seus olhos caem para cima de mim. Ele enruga o nariz. Ah! Agora, ele tem um problema comigo?
— Mas que acidente nós poderíamos causar? — Alice pergunta, cerrando os olhos para o senhor Velazquez. Se eu fosse ele, estaria nervoso.
— Poderiam quebrar alguma mesa, causar uma briga de corrida…
— Emmett poderia esmagar a Bella se ele caísse em cima dela. — Rose diz, sentando-se no colo do jogador.
— Verdade! — Seth concorda. Eu balanço a cabeça, eu provavelmente morreria.
Nós ignoramos o discurso de senhor Velazquez, voltando a sentar na mesa e conversar sobre as provas finais. Não até Jasper comentar algo sobre o irmão de Alice. EU arqueio a sobrancelha, procurando o outro Cullen pelo refeitório, não o encontrando.
— O que aconteceu com ele? — me intrometo. Alice coça a nuca.
— Ele saiu da cidade. — eu arregalo os olhos. — Não sei o que aconteceu, ele disse que iria visitar uns primos que moram umas duas cidades vizinhas e que voltaria antes das provas finais começarem.
— O que? Por que? — ela dá de ombros.
— Eu não sei.
Alice me encara das cabeça aos pés de um jeito esquisito, como se ela soubesse mais. Eu a encaro, esperando ela dizer alguma coisa. Alice balança a cabeça, antes de voltar a entrar para a conversa. Eu a olho desconfiada, mas continuo a conversa, aproveitando esse tempo com os meus amigos. E pensar que eu achava que não iria ter amigos em Forks.
「• • •」
Os dias passam e, para a minha infelicidade, eu não recebo uma resposta do Correspondente. Nem uma mensagem, nem uma carta, nada. Depois do terceiro dia, eu entendi que não receberia nem um sinal de fumaça. Aquilo me machucou demais. Eu o machuquei e entendi que não merecia um sinal de vida dele, mas eu ainda estava machucada.
— Passa a pipoca. — Emmett pede. Eu o entrego a maldita pipoca.
Emmett percebera que eu não estava nos meus melhores dias. Por isso, depois de nossa aula de matemática, decidiu que iríamos ao cinema. Cá estamos, às sete horas de uma terça-feira, (um dia antes das provas finais), assistindo um filme de ação que eu não faço questão de prestar atenção, praticamente sozinhos na sala. Algo sobre um cara querer destruir o mundo e o mocinho tem que impedi-lo.
Eu encosto minha cabeça na minha mão. Não é só isso que anda estranho. Eu sinto que alguma coisa vai acontecer. Não sei o que, não sei quando e muito menos sei aonde. Mas alguma coisa vai acontecer. Eu pego o refri que estamos compartilhando e bebo uns goles.
— Sabe, você tem que parar de se preocupar.
Eu franzo a testa.
— Como assim?
Ele revira os olhos, pegando um punhado de pipoca.
— Ah, você sabe! Ele vai responder alguma coisa, mulher. Não se preocupe!
Eu abro os M&Ms’s, ignorando suas palavras. Eu era tão fácil de ler?
— Falta quanto tempo para acabar?
— Sei lá. Esse filme é horrível. — eu concordo. — Vamos sair daqui?
— Vamos!
Emmett e eu recolhemos nossas coisas para sair da sala de cinema. O clima fora está ameno. Nós conversamos e nos divertimos até chegarmos no carro do pai de Emmett. Ele me leva para a minha casa.
— Rose também aplicou para Columbia, então talvez vamos pegar um apartamento juntos.
— Você não acha muito precipitado?
— A gente só vive uma vez, Bella. — Emmett diz, sorrindo e mostrando suas covinhas. — E eu sei que Rose e eu vamos ficar juntos para sempre. Ela é o amor da minha vida.
Rindo, eu desço do carro dando “boa noite”. Emmett consegue ser muito dramático, Rose que estivesse pronta para aguentá-lo. Eu entro em casa, encontrando Seth na sala na companhia de Presidente Miau. Ele me avisa que Sue já se deitou. Lhe dou um boa noite e subo para meu quarto, exausta.
Troco de roupa, pondo um pijama e me atirando na cama. Eu ligo minha luz do bidê, pego o kindle, meus óculos e leio um dos milhares livros baixados. Passo algumas horas perdida na vida de Elizabeth Bennet, querendo um pouco de conforto.
Em algum momento, eu acabo por dormir. Caindo num sono tranquilo, sem nenhum pesadelo ou sonho. Só em um sono profundo que caiu muito bem ao meu corpo cansado.
— Bella, acorda!- eu resmungo, virando para o outro lado. — Bella, vamos! Você tem que se arrumar, vamos nos atrasar para a escola.
Aos poucos, meus olhos se abrem, Seth está com sua cabeça e cabelos negros em cima de mim. Meus olhos se irritam pela claridade do quarto. que horas que eu fui dormir mesmo?
— Que horas são? — pergunto, ficando sentada.
— Já são sete e meia.
— O QUE? — dou um berro, me levantando. Eu pego a mesma roupa de ontem que está dobrada em cima da escrivaninha. — Você pode me servir uma caneca de café e uns ovos?
— To indo. — ele se apressa saindo do quarto.
Eu me arrumo rapidamente, calço meus tênis, prendo o cabelo em uma trança por estar sujo. Agarro os óculos em cima da cama, enfiando-os dentro da minha mochila. Desço as escadas correndo, encontrando Sue e Seth na cozinha, sentado, tomando café.
— Hey, vamos! — eu aponto para a caminhonete.
— Eu só estava zoando com a sua cara. — ele responde, apontando para o relógio. Eu lhe dou uns tapas na cabeça ao ver que são sete horas em ponto.
— Você quer me matar do coração?
Ele gargalha. Eu me sento na mesa, comendo os ovos e tomando café. Sue manda mensagem para alguém. Seth devora o bacon a sua frente.
— Quero que deem o seu melhor hoje. — Sue diz, segurando minha mão e de Seth. — Não se esqueçam que vocês não são definidos por notas. Mas, infelizmente, é importante que vocês tenham notas altas. Então, boa sorte, meus amores.
Sue beija o topo de nossas cabeças, antes de sair para o trabalho. Eu me sinto mais relaxada com sua fala. O bile sobe para a minha garganta, lembrando-me das provas de hoje. Olho para o meu prato e faço careta feia. Pego o prato e coloco o resto no lixo. Eu não poderia comer nada do jeito que meu estômago está reclamando.
Durante o caminho, mando Seth me fazer perguntas de química, biologia e física. As três provas que teríamos hoje. Eu respondo tudo certo, de acordo com Seth, mas continuo nervosa. Afinal, essas três matérias são muito difíceis e eu as odiava com todas as minhas forças.
Ao chegarmos na escola, não vejo uma alma viva fora da escola, todos deviam estar atrás da sala que ficariam durante toda a semana para realizar as provas. A escola misturava os alunos desde o primeiro ano até o último, dividindo aleatoriamente em salas. Assim, não tinha como colar.
Para a minha felicidade, caio na sala de Eric e Jasper. Quando o encontro, vejo o beicinho de Alice, reclamando que está na sala de Thomas e Jacob. Eu sinto muito por ela. Os garotos e eu caminhamos para a sala do professor Hermann, de química. Lá, sentamos em nossas classes identificadas e arqueio a sobrancelha ao ver o nome de Edward.
Conversamos um pouco sobre a matéria, dando dicas uns para os outros. Até o professor entrar, sendo seguido por alguns alunos. Entre eles está o irmão mais velho de Alice.
Quando recebo as três provas, sinto minha pressão baixar, mas fico pensando em que só posso desmaiar depois que eu terminar. Eu termino todas as provas no segundo período. Entregando-as e assinando um documento, provando que fui eu que fiz a prova, sou a primeira a sair da sala. Mostro meus polegares para Eric.
No lado de fora, eu corro para o banheiro, me sentindo nauseada. Jogo meus materiais no chão e vômito para fora o que eu tinha comido de café. Instantaneamente, me sinto melhor. Sentada no chão do banheiro femino, retiro meu celular do bolso, pronta para mandar uma mensagem para CS. Sorrindo tristemente, eu volto a guardá-lo dentro da minha mochila.
Por mais 45 minutos, eu fico na biblioteca. Leio alguns livros, mexo no meu telefone até o momento em que Eric entra na biblioteca com as bochechas brilhando. Nós discutimos sobre a prova, comparando as respostas. Aos poucos, Rose, Emmett, Alice e Jasper aparecem. Senhora Cowell nos joga para fora da biblioteca por estarmos fazendo muito barulho.
— Ai, para! — Emmett reclama, após ganhar um puxão de orelha da senhora.
— Então, vazem daqui! — ela exclama, fechando as portas da nossa cara.
— Nossa! — Eric murmura. — Essa dinossauro está na TPM?
Senhora Cowell tem uns 70 anos de idade, cabelo totalmente branco e olhos azuis assustadores. Ela podia interpretar uma anciã maléfica de algum filme de fantasia. Ou um dinossauro.
— Acho que ela estava aqui quando colocaram o primeiro tijolo dessa escola. — Jasper comenta.
— Deve ter sido ela quem fez. — Emmett complementa.
— Eu tenho uma novidade! — Rose para no meio do caminho, nos fazendo parar.
— O que? — Alice pergunta.
— Eu entrei em Columbia! — ela diz, jogando os braços para cima.
— PUTA MERDA, URSINHA! — Emmett grita agarrando no colo. Os dois giram pelo corredor, rindo. Seus olhos demonstram o amor que sentem um pelo o outro.
— Sai daí, seu brutamonte. — Jasper fala depois de um tempo, empurrando Emmett. — Parabéns, Rose! Meu Deus, que demais! Como você descobriu? Quando? Por que não me contou?
— Dá um tempo, Jazzy! — Alice diz, abraçando a loira. — Parabéns, Rosie! Você é demais!
Depois de Eric a felicitar, é a minha vez. Eu abraço Rosalie que já foi uma garota que me odiava e tornou-se uma amiga querida.
— Parabéns, Rose! Sabia que você conseguiria!
— Vai fazer o que? — Eric questiona. Nós duas nos desentrelaçamos do abraço.
— Direito! Vou quebrar os ladrões ao meio. — ela diz.
— Com certeza você vai, minha Ursinha.
O sinal bate, anunciando o fim das aulas. Para a minha infelicidade, após as provas, nós teríamos aulas normais. Então, vamos todos para a cantina, almoçar. Estávamos todos na euforia, conversando sobre a faculdade. Festas. Bebidas. Estudar só o que queremos. Nunca mais olhar para a cara feia do professor de matemática.
A única coisa triste é que nos separaremos. Eu não gostei disso. Se eu pudesse, faria com que todos nós fossemos para a mesma faculdade. Rose e Emmett vão para Columbia, que fica a algumas horas de Yale, então poderíamos nos encontrar de vez em quando. Alice querendo ir para UCLA junto a Jasper que conseguiu entrar na faculdade estadual da Califórnia ficarão por aqui. Já Eric entrou em Harvard, perto de Rose e Emmett.
Esse grupo, que na verdade começou com um trio, tinha se tornado muito importante para mim. Eu sentiria falta de Emmett que não tem filtro quando fala, os comentários sarcásticos de Eric, o jeitão de Jasper, até mesmo o modo cadela que Rose consegue ser, mas principalmente, de Alice. Ela todinha. Mesmo me deixando doida da cabeça, eu sentiria muito a sua falta.
— Hey! — Jasper diz. — Não vamos pensar no que a gente vai sentir saudade! Vamos pensar que temos ainda um verão longo pela frente. Além de que temos os feriados para nos encontrarmos.
— Você está certo, Jasper.
— Por uma vez na eternidade, eu diria. — Rose fala, olhando suas longas unhas.
— Ah, cala boca! — o loiro diz, revirando os olhos.
— Deixa meu Jazz em paz, Rose. — Alice fala, mostrando a língua para a garota.
— Quem mostra a língua, pede beijo. — cantarolo.
— Vem cá, amor da minha vida! — Rose puxa Alice para seu lado, fazendo todos nós rirmos.
— Traição, na minha frente! — eric exclama. — Acho que temos dois cornos aqui, hein?!
Emmett dá um cascudo no garoto que reclama de dor. Nós gargalhamos e continuamos animados até o sinal tocar. Reclamando em como nao aguenta a escola, eu lembro a Emmett:
— Menos de duas semanas, nós estaremos livres.
— Essa prisão é de matar!
— Nem me diga, grandão.
Tenho outro período de álgebra para a minha felicidade. Ele passa arrastado até o momento em que Rose e eu começamos a nos passar bilhetinhos falando quem seria fracassado e quem teria sucesso no nosso ano. Eu me senti um pouco mal, mas quem se importa? Fofocar um pouco não mata ninguém.
Assim que o período acaba, eu vou para a sala de biologia, onde Edward está lá perfeitamente. Tem as pernas colocadas em cima da classe, sua jaqueta de couro e um cigarro na ponta dos dedos. Ele parece estar de mau-humor, já que suas feições estão fechadas. Eu deveria tentar ajudá-lo a se sentir melhor? Ou espero ele querer conversar comigo? Decido primeiro cumprimentá-lo. Dependendo do que ele responder, eu continuo a conversa.
— Hey! — digo, me sentando na cadeira ao seu lado. Edward me encara intensamente, olhando-me de cima a baixo. Eu franzo a testa. Eu tinha alguma coisa suja?
Edward volta a encarar a janela, me ignorando. Eu dou de ombros. Esse cara deve ter desvio de personalidade. Por que ele foi para longe? O professor de biologia entra na aula carregando três sacos cheios de provas. Ele nos dá o período livre para fazermos o que bem entendermos. Eu pego meu kindle na mochila e começo a ler.
Talvez tenha sido egoísta eu ter ficado com o kindle, mas eu realmente não me importo. Uma parte do correspondente sempre estaria comigo e se isso fosse a única coisa que ele deixaria para trás, eu agarraria com todas as minhas forças e não a deixaria partir. Eu a aguardaria para sempre.
Termino de ler Orgulho e Preconceito no exato momento em que o sinal toca, anunciando a aula de Educação Física. Eu vou ao meu armário, encontrando Alice. Ela fala alguma coisa sobre festa pós-baile que ela faria depois do baile, mas eu realmente não presto muita atenção. Emmett me encontra, pegando minha mochila em seu ombro e junto vamos para a aula mais horrível de todas.
Quando chegamos lá, fico feliz ao saber que esta aula seria livre para escolher qualquer esporte. Eric, Emmett e eu ficamos numa rodinha juntos, tentando jogar passes de volêi, conversando e se divertindo. Eu não entendo porque eles simplesmente nos liberam após as provas.
— Lauren nunca mais mexeu comigo. — comento, vendo Jessica se esfregando com Tyler. Rebato a bola com meu punho que bate na cabeça de alguém. — Foi mal! — digo.
A pessoa chuta a bola de vôlei de volta para nós. Emmett a pega no ar com uma mão só. Ele encara a bola antes de falar:
— Sim, depois de Edward colocar os cachorros nela, eu também ne chegava perto de você. — Emmett diz.
— Ele podia ter feito isso mais cedo. — brinco.
— Nem Tom mexe mais comigo. — Eric fala. — Sinto que estou no céu.
— Ah, caras… Ensino médio não é ruim.
— Diz o capitão do time de futebol, popular, que nunca sofreu bullying e que namora Rosalie. — eu falo, listando todas suas características. — É claro que seu ensino médio não é ruim.
— Você não sabe como é o mundo de nós, mortais. — Eric retruca, apontando entre mim e ele. — Bella tem sorte que ainda os garotos dessa escola são caidinhos por ela.
Eu nego com a cabeça.
— Eu não quero saber deles.
— Só do Correspondente.
— Que fim ele tomou?
Eu sorrio tristemente.
— Bem para longe de mim, Eric.
Mudo de assunto rapidamente, tentando ignorar a crescente dor em meu peito. Será que ele está bem? Indo bem nas provas? Ele teria seguido em frente? Começado a gostar de outra garota? Ele está com raiva de mim? Ou magoado? Ou os dois?
O sinal toca anunciando o final das aulas, lentamente eu me levanto, caminhando em direção aos vestiários com mil e um pensamentos na cabeça. Emmett e Eric falam sobre irmos a um café ou coisa parecida para comemorar sobre as aceitações, mas não presto atenção.
Qual faculdade ele seria aceito? Será que um dia nos encontraríamos? Eu ainda estaria apaixonada por ele? Ele ainda estaria apaixonado por mim?
Eu pego minha mochila, tirando lá de dentro um par de roupas novas, decidida a tomar um banho. Tomo o banho no box bem devagar. Em menos de duas semanas, eu teria somente o verão e sairei de Forks. Nem sei se vou para a Yale, mesmo que tenha ficado fanatizada por ela. Eu quero ir para Yale? Ou foi algo que meu pai colocou na minha cabeça? Eu poderia ir para UCLA. Ficar com Alice…
Saio do banho, coloco as roupas e vejo meu telefone. Minha mãe me mandou mensagem. Alicia, uma garota que nunca conversei e super atlética, sai do lugar, me deixando sozinha.
Desde o dia em que Renée enfrentou Charlie, ela está disposta a retomar nossa relação. Diz que virá para Forks em uma semana para assistir à minha formatura. Ela quer participar da minha escolha de faculdade, quer me ajudar a ver apartamentos… Não vou dizer que fiquei muito feliz e que até chorei de felicidade. Sue e ela andam combinando uma mini festa, não no dia da formatura, mas alguns dias depois para nós e alguns dos meus amigos.
Meu pai, bem, nem deu sinal de vida. Isso é óbvio. Ele nunca admitiria que está errado. Além do mais, acredito que Renee irá pedir o divorcio. Talvez, eu tenha escutado uma das conversas dela por trás da porta junto ao meu companheiro Presidente Miau. Eu respondo a mensagem de Renée dizendo que Seth poderia dormir comigo e ela teria o quarto inteiro para ela.
A porta do banheiro abre e fecha-se rapidamente. Uma das meninas deve ter esquecido algo. Eu não viro a cabeça para olhar quem é. Eu recolho minhas coisas do chão, guardando as roupas sujas dentro de uma sacola. Após tudo pronto, me viro e grito de susto ao ver alguém parado três passos atrás de mim.
— Puta que pariu! — exclamo, colocando a mão no coração. — Há quanto tempo você está aí? Quer me matar de susto?
Rio nervosa, colocando meus cabelos para trás. Os olhos verdes me encaram intensamente. Eu arqueio a sobrancelha. O que ele precisa?
— Okay, Cullen. Isso está muito assustador até para mim. — digo, quando ele não abre a boca. — É uma pegadinha? Ta bem! Há há há, muito engraçado. Agora, pode parar de parecer um psicopata que está prestes a me matar.
Edward mexe as mãos nos cabelos para enfim dar dois passos em minha direção. Eu arqueio a sobrancelha. Não entendendo nada, eu dou um passo para trás, batendo nos armários.
— Edward, o que aconteceu? Alice está bem?
Edward dá um sorriso de lado. Ele coloca a mão no bolso de sua jaqueta de couro, retirando de lá um envelope. Arregalo os olhos, vendo a minha letra nele. Como se eu levasse um soco, tudo faz sentido. A sala gira em torno de mim. Edward me encara com uma sobrancelha arqueada. Edward me ajudando com a crise de ansiedade. Os livros. Nunca estar com um caderno. Corresponde não me respondendo. Edward fora da cidade. Edward. Edward. Edward.
— Você é? — eu pergunto, engolindo em seco enquanto pego a carta.
— Sim, Bella. Eu sou seu Correspondente Secreto.
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