Cartas para Bella

12 Decidiu parar de ser uma cadela covarde?


Notas iniciais
OIIIIIII!!! Estamos de volta com mais um capítulo uhhhhhhh....Espero que gostem! E eu acho que vão gostar kkkkk. Bem, boa leitura!

Emmett e sua família podem se resumir apenas em uma palavra: alegria. Seus pais, Charlotte e Brandon, são pessoas incríveis! Seus dois irmãos menores, Sarah e Matteo são dois palhacinhos. Para completar a grande família dos McCarty, a pequena Baby, a cachorrinha de apenas 1 ano, é uma criatura peluda e muito louca da cabeça. Agora, entendo de onde vem tanta animação desse cara, eu quero dizer, a família toda dele é assim! Devia estar nos genes.

Jantamos pizza como Emmett prometeu. Uma das melhores pizzas que já comi! Elas foram feitas pelo pai de Emmett, senhor McCarty. Eu realmente tive um bom tempo. Me diverti e ri bastante, chegando até esquecer o que aconteceu de fato há algumas horas atrás.

Sorrio para Sarah, depois de engolir um grande pedaço de bolo de chocolate que ela fizera com seu pai pela tarde. É uma mini versão de Emmett, só que garota. Cabelos cacheados, olhos azuis com covinhas nas bochechas. Uma fofura!

— Você é muitoooo bonita, Bella! — ela diz, fazendo um carinho em meu braço.

— Você que é linda, Sarah. — faço carinho em seu cabelo. — Eu queria ter os seus olhos!

Ela ri.

— Eu quelia ter seu cabelo! — aponta para o meu ninho castanho.

— Bella, então, você tem irmãos?

Os olhos azuis de Charlotte brilham em minha direção. São iguais os dos filhos. Genes sortudos!

— Tenho um primo, na verdade. Ele é só um ano mais novo.

— Você lida muito bem com crianças! Pensa em ter no futuro?

— Em um futuro bem distante, para falar a verdade, senhora Mccarty. — ela ri.

— Qual faculdade pretende entrar, Bella?

Olho para o senhor McCarty, suspirando. A quanto tempo eu não penso nisso?

— Yale, senhor. Minha primeira escolha é Yale.

— Pare de me chamar de senhor, Bella. — ele ri. — Eu não sou tão idoso assim.

— AH, do jeito que você reclama de tudo, pai. Parece mesmo um.

— Cala a boca, garoto! Se você também tivesse três filhos como você, me entenderia. — responde com um sorriso no rosto. Emmett gargalha, batendo as mãos nas coxas. Eu o acompanho junto com uma risada.

— Esse cabeça quer ir para Columbia! — Matteo responde.

— Se você pudesse ir, para onde iria?

Matteo puxou o pai nos cabelos e a mãe nos olhos. Seus cabelos são louros e lisos. Ele faria estragos no ensino médio. Agora, com 13, não precisa pensar em nada, além de video games.

— Oxford ou NYU.

— Legal! Por que?

— Fomos para Nova Iorque nas férias, eu gostei de lá. Em, Oxford é na Inglaterra, onde filmaram Harry Potter, eu poderia ir para os estúdios a hora que quisesse.

— Esse aí só pensa em Harry Potter. — escuto Charlotte comentar.

— Videogames também. — Emmett completa.

— Videogame? Eu quelo jogal também! — Sarah grita, puxando o rabo de Baby.

— Eu amo Harry Potter, meu deus! — comento, feliz. Os olhos dele se arregalam.

— Meu personagem favorito é o Rony!

— O meu é o Harry, ele é tão desfavorecido. Já leu os livros?

— Já, sim! Por isso quero me mudar para Inglaterra.

— Eu devia ter pensando nisso antes de me inscrever em Yale e-

— Eu quelo ir para Iaeio também! — Sarah me corta, puxando a manga da blusa de Emmett.

— Você vai, sim, querida. Daqui há muitos anos para a minha tristeza. — Charlotte diz, acariciando os cabelos da garota. Eu rio do comentário dela.

Pol que você vai ficar triste?

— Ela está zoando com a sua cara, mangolona. — Matteo fala, revirando os olhos. — Toda vez que você fala uma coisa "fofa", ela derrete.

— Culpada! — Charlotte diz, levantando-se. — Não precisa ficar com ciúmes, meu Matteozinho.

Charlotte o enche de beijos e abraços.

— Saí, mãe! — o garoto reclama enquanto nós rimos.

Conversamos por mais um bom tempo, eu nem olho para o relógio, me divertindo com as farpas trocadas entre Matteo, Emmett e Brandon, a gritaria de Sarah com sua cachorrinha e as histórias de Charlotte sobre os dois filhos mais velhos.

Sarah capota no meio da sala com a bunda empinada para cima e o rosto numa almofada com Baby do seu lado. Charlotte me dá um beijo e vai colocar sua filha para dormir. Logo, Matteo sai da sala, dando-me um beijo na bochecha, vermelho, e desejando um boa noite rápido para o resto de sua família. Logo, estamos Emmett, seu pai e eu na cozinha.

Rapidamente, levanto-me, recolhendo os pratos, escutando os protestos de Brandon, mas os ignoro, pronta para lavar a louça. Emmett me tira da frente da pia, colocando-se em meu lugar, onde decidimos que eu secaria enquanto ele lavaria.

Senhor Brandon me deseja uma boa noite e diz para vir mais vezes à casa deles. Concordo, sorrindo. Por fim, Emmett e eu ficamos sozinhos. Ele me faz desembuchar toda a minha história desde a primeira carta com ele apenas assentindo. Uma hora ou outra ele comenta algo.

— Desde então não conversamos mais. Só que mesmo assim eu quero descobrir quem é! — finalizo, largando o último prato no armário que Emmett apontara.

Ele balança a cabeça, pensativo.

— Bem, é uma história e tanto, hein?!

— Pois é. — suspiro, colocando uma mecha do meu cabelo para trás. — Você não teria ideia de quem poderia ser, certo?!

— Foi mal, Bella, mas não.

Sento numa das cadeiras da cozinha, chateada. Balanço a cabeça, tentando esquecer dessa idiotice. Emmett escora-se na pia.

— O que você faria? Se fosse eu?

Emmett suspira fundo, me dando medo de sua resposta.

— Acho que primeiro de tudo, engolir esse seu orgulho grande e mandar mensagem para ele. O cara disse que está louco para a porra, não?! Ele não vai ter perdido os sentimentos em menos de duas semanas! Depois, vocês continuam a se falar e você respeita o espaço dele….

Eu encosto a cabeça na mesa. E eu achando que ele me falaria para continuar. Penso.

— Ou você pode continuar a procurá-lo. Quer dizer, se vocês se gostam tanto, não é como se importasse quem ele é. Talvez, se fosse o Yorkie ou o Tyler esse garoto, eu também ficaria broxada, se fosse você.

Eu ergo a cabeça para capitar a piscadela que me manda. Eu abro um sorriso grande.

— Rosalie, huh? — ergo a sobrancelha, mudando de assunto.

— Cara…. — suas mãos vão para a frente e suas bochecham esquentam. — Eu não sei quando tudo começou, mas… Estou louco por ela. Eu gritaria pelos quatro ventos que a quero. Faria uma serenata! Daria mil flor-

— Wow, wow, wow! Calma aí, Romeu. Eu entendi! — digo, sorrindo. — Você tem que ir atrás dessa garota, Emmett. Duvido que ela irá esperar por muito tempo. Convide-a para o baile. Ou um encontro. Ou os dois.

Ele sorri de lado, abobado.

— Vou fazer isso!

— Bom!

Entramos em um momento de silêncio. Eu olho para as roupas emprestadas de Emmett. Uma camisa grande do time de futebol de Washington, meias enormes e uma calça de moletom de sua mãe. Por agora, minhas roupas já deveriam estar secas na máquina de secar.

— Acho que já está na minha hora. — digo, vendo o horário, onze horas e vinte minutos.

— Vou lá buscar suas roupas.

Emmett apressa-se para buscar minhas roupas enquanto eu checo meu celular. Vejo mensagem de Sue e Alice. Ignoro as duas. Mordo o lábio, decidindo por fazer algo que eu disse que não iria fazer.

eu sinto sua falta.

Sem pensar muito, envio. Eu não o encontraria até a próxima manhã. Será que ele responderia? Ou visualizaria e me ignorasse? E se ele estiver zangado comigo que eu levei tanto tempo para responder que simplesmente desistiu? De mim, do que nós tínhamos?!

Mordendo os lábios de medo, decido apagar a mensagem. Apago porque tenho medo, porque sou uma covarde. Logo, Emmett aparece com minhas roupas dobradas. Eu agradeço, dizendo que vou ao banheiro, no entanto, ele me impede.

— Amanhã você me entrega as roupas. Vá para casa, está muito tarde. Não quero que nada aconteça, afinal já está tarde e essa sua caminhonete é perigosa.

— Por que todo mundo tem problema com Pulga?

Ele ri, balançando a cabeça. Eu sorrio junto. Calço meus tênis que estão quentes por conta da máquina junto ao grande casaco pesado e vermelho, para em seguida, caminharmos para fora. Na rua, uma pequena garoa assola Forks. Corremos juntos até Pulga, onde eu volto a ficar mais rígida, Emmett fecha a porta do motorista para mim. Eu baixo a janela, onde ele se apoia.

— Nos vemos amanhã, princesa. — ele brinca.

— Nos vemos, ursão.— zombo do apelido que Sarah usa com ele.

— Você também, não!

— Obrigada, Emmett. Por hoje, sabe?!

— Eu tenho que agradecer por hoje, também. Me aguentar ser uma dor na bunda.

— Verdade! — gargalhamos, sendo nós o único som que não mantém a rua num silêncio.

— Vamos combinar para estudarmos juntos para as últimas provas. Você irá para Columbia, okay?!

Os olhos de Emmett brilham. Vejo lágrimas neles.

— Obrigado, Bella! — eu pisco, cúmplice.

Ligo o motor de Pulga, onde provavelmente todas as pessoas da rua irão acordar com essa coisa.

— Acho que você tem outro admirador!

Ergo a sobrancelha, não entendendo nada. Emmett aponta para uma janela na ponta direita, onde vejo Matteo atrás da persiana. Eu rio, lhe mandando um aceno enquanto vejo sua cara de espanto. Volto a encarar Emmett, mandando entrar em casa.

— Boa noite, dor na bunda.

— Tchau, belezura.

Ligo o rádio em uma estação qualquer, aproveitando que a única coisa em minha mente é uma música da Ariana Grande falando sobre ser uma mulher foda. Tento ignorar as batidas erradas que meu coração dá a cada momento em que o freio leva um tempo mais para fazer o que é designado. Cantarolo baixo até em casa, onde o barulho do motor de Pulga avisa sobre a minha chegada.

Bato a porta da caminhonete e corro para dentro de casa, onde da cozinha, escuto os grunhidos de Seth com seu video game. Ponho minhas chaves em cima da mesa junto as roupas para pegar um copo de água. Respiro fundo, sentindo toda a confusão e mágoa, invadindo o meu peito aos poucos, como se meu corpo estivesse em um piloto automático que me guiou desde o estacionamento até aqui em casa sem uma lágrima caída. Tenho somente duas semanas, sem contar as provas, para encontrar o correspondente secreto. Três semanas para me formar e ter meu último verão. Logo, a faculdade e a vida adulta.

Apoio na bancada, sentindo minhas pernas tremerem. A dor é imensa. Aos poucos vai se estendendo por todo o meu corpo, não deixando uma parte sem a queimação. Tento reprimir as lágrimas que vem sem minha permissão, ao lembrar da rejeição do Corresponde. Do modo como ele me descreveu e que no final, está certa! Ele está certo! A única pessoa que se importava comigo, se foi, porque eu causei isso. Porque eu me afasto! Porque eu estou tão desesperada para sair de um lugar e tentar refazer a minha vida que esqueço de aproveitar as pequenas coisas aqui. Agora. E o pior é que ele não foi o primeiro que eu chutei da minha vida. Vovô Swan fodeu tanto meu psicológico que eu só quero que ele vá para puta que pariu.

Ponho a mão na boca, tentando calar meu choro. Tentando guardar todos os sentimentos de volta na caixinha de onde não deviam ter saído. De onde eu deveria ter esquecido. A confusão de mágoa, tristeza e até mesmo raiva, se misturam. Mágoa por ele ter me deixado, assim como os meus pais não terem me escutado! Tristeza por tudo aquilo que foi perdido. Raiva porque no fundo, eu sabia que nada era minha culpa.

Sinto braços finos entrelaçar em minha cintura e um rosto encostar-se em meu ombro. Eu reprimi um gemido que quer sair da minha boca.

— As coisas não estão fáceis, estão? — Sue sussurra em meu ouvido. Eu nego com a cabeça. — Tudo bem. Está tudo bem, querida. Pode chorar.

Eu mordo o interior da bochecha, tentando me decidir se irei afastá-la ou não. Por fim, decido virar-me e agarrar seus ombros para puxá-la em um abraço forte. Passo meus braços pelo pescoço de Sue e choro em seu ombro forte.

— Eu sou tão burra! Tão burra!

Ela acaricia meu cabelo enquanto me vê desmoronar em sua frente. Pela primeira vez, em tempos, eu me livro de todas as muralhas e fortes que construí ao meu redor. Pela primeira vez, eu sinto dor e me permito chorar.

— Você não é burra…. Você não é burra.

Meu peito arde de tanta dor. Meu choro dura tanto tempo que temos que sentar para eu continuar a colocar tudo para fora. Sue acaricia meus cabelos, dizendo coisas boas.

Quando meu coração se acalma, assim como meu choro cessa, tento não encarar Sue. Aceito seus carinhos em meu cabelo e as palavras carinhosas. Não tendo vergonha de ter desmoronado. Levanto minha cabeça para encontrar seus olhos preocupados.

— Quer falar sobre isso?

Olho para o chão, respirando fundo. Assinto com a cabeça. Pela primeira vez, eu quero. Eu preciso!

— Você sabe porque eu odiava tanto Forks, Sue?

— Meu pai era um escroto com você. Um velho filha da puta.

Eu engulo em seco, sentindo a ansiedade percorrer meu corpo.

— Em parte.

Respiro fundo, tendo flashes daquela noite. Jacob e eu estávamos meio bêbados. A porta se abrindo. Meu avô ao meu lado.

— E-eu nunca contei a ninguém, Sue. Por favor, por favor, acredite em mim. — murmuro, implorando. — Eu juro que é verdade. Eu não estou inventando nada.

Sue tem os olhos preocupados. Ela segura a minha mão. Respirando fundo, com aquele ato, tomo coragem de falar o que estive escondendo por tanto tempo.

— M-meu avô, ele u-um dia bebeu. Nesse mesmo dia, Jacob e eu estávamos em uma festa. Tínhamos chegado de La Push tarde, bem tarde e estávamos um pouco fora do ar, sabe?! A gente estava com 14 e 15 anos.

Eu escondo minha cabeça nos joelhos, sentindo o bili na garganta. Os flashes vem rápido.

— Por volta das duas da manhã, ele entrou no meu quarto. Jacob e eu estávamos dormindo. Ele no chão, eu na cama. O vô, e-ele começou a me a-a-apalpar e — mordo os lábios com força.

Sue me puxa para seus braços fortemente.

— Shiu… — ela pede com a voz embargada. — Eu sinto tanto, Bella. Tanto.

Eu tenho que terminar. Eu tenho!

— Jacob acordou com meus gritos e o colocou para fora. Os dois brigaram. No outro dia, nos mandou para casa com a desculpa que éramos delinquentes. Mentiu para os meus pais e de Jake. Nós dois nem conseguimos nos despedir e eu voltei para casa. Meus pais não deixaram eu falar. Disseram que estavam desapontados comigo. Que eu fui uma garota má por fugir para festas e ficar bêbada. Decidi que não falaria para ninguém o que aconteceu naquela noite, nunca.

Me separo de Sue, sentindo como se o mundo saísse de minhas costas. Finalmente, contar para alguém. Os olhos de Sue tinham lágrimas. Ela me abraçou mais vezes, pedindo perdão.

Mesmo com a dor no meu peito sendo enorme, um alívio percorre meu corpo. Alguém me entenderia. Alguém se importaria. Alguém me escutaria. Ficamos quietas por um tempo, cada uma em seu mundo.

— Você não é a única, Bella. — Sue diz. Eu encaro seus olhos castanhos. — O que aconteceu com nós, não é a nossa culpa. Somos sobreviventes. Posso te dizer que não nos esquecemos dessas coisas, mas aprendemos a viver com ela. A aprender com ela. Nos tornamos mais fortes por causa dela.

Meus olhos se enchem de lágrimas e concordando, voltamos a chorar juntas, por muito, muito tempo. Em algum momento, Seth junta-se a nós, com lágrimas nos olhos e tristeza junto a eles para nos abraçar fortemente.

Mesmo com tanta dor, eu me sentia amada e entendida. Nesse momento, é a única coisa que importa.

「• • •」

A luz do sol invade meu quarto, levanto o torso apenas para encontrar um Seth babando ao meu lado, Sue quase beijando a parede e Presidente Miau aninhada em minhas pernas. Suspirando, eu saio da cama, sentindo-me bem. Isso mesmo, bem!

Desço as escadas com Presidente Miau ao meu lado. Na cozinha, ponho a comida para o gato negro, amarro os cabelos em um rabo de cavalo e decido fazer umas panquecas. Não passava das sete horas, o que significa que eu tinha acordado mais cedo do que o normal.

Com o celular, ponho uma música para preencher o som vazio do ambiente. Aproveito para ver as mensagens não-lidas, entre elas Alice, Emmett e meu pai. Alice queria saber qual horário melhor para o salão, Emmett se eu estava bem e meu pai querendo me ligar. Apenas deixo o celular de lado.

Minha mente viaja para um lugar desconhecido. Quebro os ovos ao som de The Weekend, para em seguida batê-los. Perto das sete horas e trinta minutos, decido ir acordar os dois dorminhocos para nenhum de nós nos atrasarmos. Subo a escada, viro a direita e entro no meu quarto, onde para a minha surpresa os dois já estavam acordados.

— Bom dia! — digo.

— Minhas costas estão doendo. — Seth murmura.

— Muito velho que você é. — Sue brinca. — Bom dia, querida. Eu já estava estranhando que você não estava gritando com Seth por ter nos acordado com o peido dele.

— Vocês acordaram com o peido do Seth? — pergunta surpresa, para então começar a gargalhar com os outros dois me seguindo.

Seth é o primeiro a sair do quarto alegando que precisava de um banho bem quente. Já Sue e eu ficamos rindo um pouco mais da cara do garoto. Aos poucos, as risadas cessam até estarmos só nós duas. Ela estende sua mão, a qual eu seguro.

— Sou muito orgulhosa de quem você é! — ela diz, levantando-se parando em frente a mim. — Uma mulher forte, independente e inteligente. — suas mãos voam para meu cabelo, fazendo um carinho. — Não deixe o que aconteceu naquela noite te consumir e muito menos te rotular! Você é mais do que isso.

Eu balanço a cabeça enquanto algumas lágrimas descem pelas minhas bochechas. Sue seca todas elas para logo sair do quarto.

— Sue. — chamo-a. Ela vira a cabeça. — Essa é a Sue tia ou Sue psicóloga?

Ela ri baixinho.

— Essa é a Sue sobrevivente, Bella.

Em seguida, saiu em direção ao seu quarto. Naquele mesmo instante, eu prometi a mim mesma que quero ser metade do que ela é!

Aproveitando que é um dos únicos dias de sol em Forks, coloco roupas leves. Calça jeans, uma regata vermelha, meus tênis e apenas um moletom. Pego minha mochila em cima da penteadeira. Uma folha escorrega dali. Volto rapidamente para guardar o que que fosse e fico tensa ao ver o primeiro bilhete que o Correspondente me mandara.

Eu gosto de você.

Att: Admirador Secreto

Aquelas palavras ecoam pela minha cabeça até Seth me tirar do transe. Comemos os três todas as panquecas e o café. Logo, nos despedimos para Sue ir ao seu trabalho. Levamos mais um tempo até sair de casa. Durante todo o caminho, Seth e eu vamos conversando coisas banais, descontraídas. De todas as coisas relacionadas a Forks, isso seria o que eu mais sentiria saudade, o início das manhãs com Seth. Olhando pelo canto de olho, sorrio para Seth. Eu sentiria muito a sua falta. Mas, ainda teremos os natais e anos novos, além de todo um verão.

Seth e eu caminhamos juntos para a escola continuando na nossa conversa sobre os filmes da Marvel e quem era o melhor homem-aranha. Nosso consenso final: Tobey Maguire melhor Peter Parker, Andrew Garfield melhor homem-aranha e Tom Holland os dois.

— Hey! — Alice praticamente pula nas minhas costas.

— Oi! — exclamo.

— Você está diferente. — ela comenta, assim que me despeço de Seth.

— Loucura sua, baixinha.

— Não, é serio! Está mais leve. — sua pequena mão segura meu pulso. — Descobriu quem é o CS?

— Não. — murmuro, olhando para baixo. — Outra coisa. Mas agora, não importa.

— Bem, você não me respondeu ontem, mocinha! Que horas iremos no salão? Os horários estão acabando.

Ao chegarmos nos nossos armários, bato os calcanhares um no outro. Como eu diria que tinha desistido da ideia de baile?

— Então, Alice….

Seus olhos se arregalam. Ela levanta o dedo indicador na minha cara. As bochechas começam a esquentar.

— Não. Me. Venha. Com. Então. Alice. — ela diz pausadamente. — Você irá nesse baile, quer você queira ou não, Isabella!

— Mas eu perdi a vontad-

— Não quero saber!

Ela abre o armário, não olhando em meus olhos. Ela pega as suas coisas e me espera. Eu arqueio a sobrancelha.

— Alice. Por favor! Você tem que entender que eu nunca quis ir para essa porcaria.

— Então, por que raios decidiu comprar TUDO, Bella?

— Porque-

Calo a boca. Não eu não diria isso em voz alta. Não diria que foi para provar que eu sei aproveitar o momento.

— Vamos, Alice. Eu seria uma dor na bunda. A vela.

Nem uma palavra.

— Eu nem tenho par! Você quer que eu seja lembrada como a única garota sem par?

— A Jane Kelsey está indo e ela quer ser a porra de uma freira! — ela fecha seu armário com força. — Está sozinha!

Suspiro pesadamente.

— Olha, me perdoa, okay?!

Puro silêncio vindo dela. Eu abaixo os olhos encontrando meus tênis surrados e suas sapatilhas rosas que combinam com a sua saia. Desistindo, falo:

— Acho que as quatro horas é um bom horário, se formos jantar juntas.

Alice fecha o armário delicadamente. Ela me olha de cima a baixo com os olhos estreitos para aos poucos abrir um sorriso de criança. Ela me abraça, pulando de felicidade. Eu reviro os olhos, mas sorrio com sua animação.

— Irá ser PERFEITO! Podemos nos arrumar lá em casa, depois do salão. Vamos fazer as unhas, cabelo. Eu não posso esperar!

Rio de seu entusiasmo. Alice, após eu dar uma pancada na porta, abre meu armário durante a sua fala. Meu sorriso vai aos poucos se fechando, vendo ela prestes a pegar as minhas coisas. Eu a paro por um momento.

— O que?

— Tem uma carta no meu armário ou não?

Seus olhos verdes brilham.

— Decidiu parar de ser uma cadela covarde?

— Desde quando virou tão desbocada?

— Desde que eu comecei a andar mais com meu irmão!

— Quando isso aconteceu que eu não estou sabendo?

— Você está trocando de assunto!

Revirando os olhos, a ignoro. Com uma batida de quadril, Alice sai da minha frente para eu tomar o seu lugar.

Limpo nas calças jeans minhas mãos suadas, sentindo-me temerosa. Meu coração acelera ao ver o envelope branco com meu nome escrito colocado em cima dos meus livros, provavelmente Alice a colocou ali.

Lentamente, soco minha mochila dentro do armário para pegar os materiais de inglês enquanto eu tento acalmar minha respiração e o coração. Ele teria deixado isso desde segunda? Ou outro dia? O que ele teria escrito? Me xingado? Ele me perdoaria por demorar tanto a responder quase duas semanas? Por arranjar coragem e enfrentar? Por tê-lo de certa forma o traído?

O sinal toca, me tirando da minha entrada em pensamentos profundos. Lado a lado, Alice e eu caminhamos para a sala de inglês.

Sento na minha classe, tentando ignorar os olhares de Alice. O professor entra, mas não dou bola para o que ele está dizendo. Nem tento disfarçar o que estou prestando na aula, não consigo pensar em nada. Para poupar minha sanidade mental, apenas abro o envelope rapidamente, pondo-me para ler o mais rápido possível, na tentativa de finalmente deixar o meu coração mais leve ou, na pior das hipóteses, quebrá-lo.

Minha querida Bella,

Neste exato momento, minhas mãos estão tremendo e meu coração está batendo tão rápido que eu nem consigo entender como este não saiu pela minha boca. Estou com tanta, tanta raiva.

Estou com raiva de nossa briga. Raiva do modo que você quer saber quem eu sou. Raiva da situação que estamos por minha culpa. Raiva da sua curiosidade infinita. Estou com raiva por ser um covarde. E raiva de que eu não posso ir até a sua casa, beijá-la com todo o meu amor e acabar com todo esse mistério. Ser a porra do seu príncipe de cavalo branco. Não que você queira um príncipe, porque você é você, mas espero que tenha entendido.

Ao mesmo tempo, estou me sentindo triste por isso. Eu gostaria de deixar tudo isso para o lado, mas não consigo. Com tantos pensamentos nublando meu cérebro, a ideia de ter perdido-a sobressaindo-se mais que as outras, penso que tenho que deixar todas as inseguranças de lado. Todo o medo e a vergonha. Mas quando as ponho de lado nem que sejam por um segundo, voltam numa intensidade dolorosa, lembrando de que não sou digno para você. Além de que penso: e se me rejeitar? Eu sei que é um pensamento muito estúpido,no entanto eu não consigo controlar este “e se”. Controlar os pensamentos. As cartas são o modo de eu conseguir conversar com você de uma forma segura, mesmo que isso a deixe louca. É um modo de me proteger. E eu vou lhe explicar o porquê. Você merece uma explicação.

A rejeição é um limite que eu duvido que eu consiga superar um dia. Por muito tempo fui rejeitado pela pessoa que eu mais amava no mundo. Dia após dia fui humilhado, criticado em mil formas diferentes. Aos poucos, fui me tornando quem sou hoje. Alguém com problemas de raiva, ansiedade e confiança. Que me deixou completamente quebrado. Eu realmente não sei se consigo falar muito mais sobre isso, é doloroso quase como se tivesse mil agulhas em minha mão. É um assunto delicado que eu nunca falei com ninguém, pelo menos até agora.

Agora, você entende um pouco meus receios de mostrar quem eu sou, e entende o meu lado da história. Não sei se seria forte o suficiente para aguentar a dor de ser rejeitado por você, a pessoa que eu mais amo no mundo inteiro.

Em contrapartida, meu coração está em pedaços. Estou com tantas preocupações em te perder. (Não que eu não as tivesse antes.) Não quero que deixemos de parar de conversar, não quero que nos afastemos. Se isso for necessário, eu revelarei quem sou, desde que prometa que não irá se afastar. Pelo menos, não de imediato. Partiria meu coração em milhares de pedaços. E mesmo que esse pedido seja egoísta, espero que o entenda. Porque eu sou assim, egoísta demais para aceitar o fato de que irá me deixar, só estou adiando o inevitável.

Quero me desculpar pelas merdas que falei. Eu estava zangado. Falei coisas que não devia. Espero que perdoe esse meu erro. Na hora, só queria desviar o assunto e no fim deu isso. Como disse, você faz o que quiser com o seu tempo e estou de acordo com o que disse.

Se após a leitura dessa carta, você ainda quiser conversar comigo — o que eu desejo — me mande uma mensagem ou me ligue. Você sabe que responderei imediatamente, porque não consigo me controlar. Ou então, vá até o parque central, no início da floresta na ponta esquerda há uma trilha que irá para uma campina. Lá é um ótimo lugar para ler, é quieto e lindo. Deixe-me uma mensagem. Se não, eu entenderei que me quer longe.

Com todo o meu amor,

Seu Admirador Secreto

Ponho a mão na altura da boca para abafar o meu choro. Não que o senhor Pressintown não tenha percebido, me lançando um olhar confuso. Eu escorrego na cadeira, segurando a carta longe de mim, para não manchá-la com minhas lágrimas.

Sinto o toque da pequena mão de Alice no meu braço, viro a cabeça ao seu encontro, vendo seus lábios em um sorriso fraco. Com as costas das mãos, limpo as lágrimas insistentes que escorrem pelas bochechas.

Merda! Eu sou uma grande merda!

Levanto a mão, para pedir para sair da sala. O professor mal terminou de dizer que sim e eu já corria para os corredores. Entro no banheiro feminno, retirando o celular do bolso da calça jeans, discando o número de telefone do correspondente secreto, me sentindo a pior pessoa do mundo.

Leva seis toques até cair na caixa postal. Idiota! Ele está na aula, agora. Bato com a mão na testa, antes de ir para o aplicativo das mensagens. Meus dedos param na hora de escrever algo.

O que escrevo? Devo pedir desculpas? Por demorar tanto tempo? Por tê-lo traído? Por ser uma vaca egoísta? Tenho tantas coisas para me desculpar que nem sei por onde começar. Meu peito se aperta.

Olho para frente, encontrando-me totalmente perdida. Abro o meu armário com força, agarro as chaves de Pulga e caminho para a saída da escola escutando os berros de Alice. Eu abro a porta de saída e esbarro-me com alguém. Antes de cair com tudo no chão, uma mão se enlaçando minha cintura me mantendo parada. Olho para cima encontrando Jacob Black.

— Bella? Está bem?

Seus olhos estão preocupados. Da mesma forma que estavam na noite após meu avô quase fazer algo terrível comigo. Ele me olha de cima a abaixo.

— Desculpa. — sussurro antes de sair correndo.

Corro pelo estacionamento com lágrimas escorrendo pelo rosto. Eu entro em Pulgo e saio de lá o mais rápido que posso. Durante o caminho, sinto o caroço na minha garganta sumir. Eu aperto a mão contra o peito, sentindo pontadas de felicidade, sabendo que o meu corresponde havia me perdoado e que este mesmo não havia desistido de mim. Ao mesmo tempo, uma parte de mim dizia que eu era uma estúpida por fazê-lo esperar tanto tempo. Largo a carta de qualquer jeito o banco do passageiro.

Em menos de cinco minutos, eu salto da caminhonete parando no único parque de Forks. Corro desengonçadamente para a ponta da esquerda, onde como ele havia dito, há uma pequena trilha. Secando as lágrimas, eu caminho com o máximo de cuidado que tenho para não tropeçar em uma raíz.

Após uns 10 minutos de caminhada encontro a clareira. Preciso toma rum fôlego. A beleza daquele lugar é enorme. Por uma grande extensão de metros há grama espalhadas com lindas violetas por todos os cantos. A luz sol cobre todo o campo. Eu caminho lentamente, sentindo todas as sensações, até chegar na metade do campo. Retiro o meu moletom, sentando em cima dele.

A luz do sol brinca com a minha pele e depois da minha cabeça viajar para lugares diferentes em como ele nunca tinha desistido de mim e, na verdade, ter me dado espaço, decido fazer algo. Eu arranco o telefone do banco de trás para tirar a foto da clareira. Seleciono o Correspondente e envio a mensagem.

Você está certo.

É lindo e quieto aqui, nada como Forks.

Da próxima vez que brigarmos não me mande a porcaria de uma carta e sim uma mensagem!

Obrigada por não desistir de mim.

Eu me espreguiço na grama esperando ansiosamente por uma resposta. Não muito tempo depois, o telefone toca. Eu o levo na altura do ouvido, atendendo. Do outro lado da linha, escuto uma respiração oscilante.

— Eu sei que eu te deixei esperando por muito tempo. — começo a falar rapidamente. — Foi burro da minha parte, mas eu estava machucada com as suas palavras e decidi que não queria saber mais nada de você para me preservar. Você foi uma das únicas pessoas que realmente deixei entrar e então foi um escroto comigo! Eu não queria ser machucada de novo. — me explico, passando as mãos pela grama. — Mas quero que saiba que apesar de ser uma idiota, burra e escrota, eu gosto de você. E quero que saiba que mesmo tentando, a cada momento pensava em você. Obrigada por não desistir de mim.

O outro lado fica silencioso. Eu olho para o céu sentindo uma lágrima escorrer pelo lado esquerdo.

Você não é idiota, burra e escrota. Você é a minha Bella e eu nunca desistira de você.

Notas finais
E então? O que acharam? Chocados também com o que a Bella guardava? O que a Sue também passou? Entendemos o por quê da Bella não gostar de Forks antes de vir e agora temos uma ideia do que aconteceu com Bella e Jacob. E esse final?! Eu queria tanto por a campina de algum jeito que foi esse que eu descobri KKKKKK... Bem, espero que tenham gostado, vejo vocês na próxima semana!