Cartas do Passado

16 Capítulo 16 - Carta número 05


Notas iniciais
ISSO NÃO É UMA MIRAGEM. Depois de uma eternidade sem postar, finalmente me reergui e aqui estou. Organizei minha vida toda e as postagens votarão a ser semanais.

Capítulo 16 – Carta número 05

Just Give Me A Reason – Pink

Just give me a reason

Dê-me apenas um motivo

Just a little bit's enough

Só um pouquinho já basta

Just a second

Só um segundo

We're not broken just bent

Não estamos quebrados, apenas curvados

And we can learn to love again

E podemos aprender a amar novamente

It's in the stars

Está nas estrelas

It's been written in the scars on our hearts

Foi escrito nas cicatrizes dos nossos corações

We're not broken just bent

Não estamos quebrados, apenas curvados

And we can learn to love again

E podemos aprender a amar novamente

Nova York, 12 de maio de 2016

Acho que quando encontramos alguem com quem queremos passar cada minuto do nosso dia, vale a pena. Eu tenho saído com uma garota nesses últimos meses, mas não acho que ela esteja tão comprometida quando eu.

Nunca pensei que seria eu o cara a perguntar quando vamos mais adiante. Talvez não de certo entre nós, porque estamos em sintonias diferentes e isso é importante.

Acho que as coisas acontecem por uma razão, irmão. Acho que seria ótimo se você pudesse voltar atrás e fazer escolhas diferentes, porque você estaria aqui, mas então não teria conhecido sua garota e talvez não fosse ta feliz quanto parece. E isso seria uma pena. Então acho que tudo está melhor assim.

Não acredito que adotaram um cão. Isso é grande. Eu sei que você a ama, mas isso quer dizer que realmente pretende construir um futuro com ela e mais do que nunca quero conhece-la.

Fico mais do que feliz em ler que pretende retomar a medicina. Você sempre foi brilhante e seria um desperdício de mente não retomar.

Esses pressentimentos sempre me assombraram também. Acho que quando passamos por um período ruim e coisas boas começam a acontecer, é normal ter medo. Apenas seja feliz irmão. Você mais do que ninguém merece.

Eu adoraria te visitar no seu aniversário e voltar a fazer parte da sua vida, Clarke, mas não acho que isso seja possível agora. Com a residência e tudo mais. Tudo que posso fazer é prometer tentar, porque eu realmente quero isso.

Do seu irmãozinho;

Anthony

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Ela respirou pelo que pareceu a vigésima vez seguida antes de finalmente tomar coragem e bater, e esperou o que pareceram-se horas antes que a porta se abrisse.

— Sim?- a garota da porta perguntou, fazendo Bella olhar outra vez para o número do apartamento, se perguntando se estava no lugar certo. Cinco meses haviam se passado, mas não passou pela sua cabeça que talvez ele não morasse mais ali.

— Desculpe. Acho que errei o apartamento. Eu estava procurando por um amigo e...- Gaguejou ajeitando sua franja, que sempre caia em seus olhos. O novo corte de cabelo fazia parte do processo de superação e mudança. Seus longos cabelos haviam sumido e agora ela os mantinha curto, com uma franja.

— Edward?- Perguntou e Bella assentiu. — Não, você não errou de apartamento. Ele mora aqui. Desculpe, eu te conheço?

— Acho que não. Eu sou Bella. – Se apresentou estendendo a mão.

— Isso mesmo! A namorada do irmão e melhor amiga, certo. Eu sou Mia. Eu vi muitas fotos e ouvi histórias. Escuta, eu tenho que ir para o trabalho. Edward está no banho, mas você pode entrar e esperar.

— Eu não acho.. – Tentou se afastar, mas Mia já havia puxado para dentro do apartamento.

— É muito bom finalmente colocar um rosto ao nome. Edward falou de você. Quase tanto quanto Tom falava.

— Conheceu Tom? – Perguntou sentindo sua coragem sumir. Tinha um planejamento. Iria até lá tentar recuperar sua relação com Edward e dizer que o passado estava no passado. Um recomeço. Ter uma estranho falando de Tom não fazia parte do plano.

— Claro. Fomos bons amigos. Ele me falou sobre você. Por que não se senta? Vai ficar mais confortável.

— Mia? Tem alguém...- começou a dizer, quando a frase morreu em sua boca. Talvez sua cabeça estivesse lhe pregando peças. Fazia meses que não tinha noticias.

— Olá, Edward. – Bella declarou se levantando e arrumando outra vez sua franja.

— Bella ... Você voltou. – Respondeu com um suspiro, ainda a olhando a uma distancia segura.

— Eu adoraria ficar para conversar e conhece- lá, mas eu tenho plantão. — A garota ruiva respondeu sorrindo docemente, se aproximando de Edward e o beijando — Vejo você mais tarde?

— Claro. — Respondeu tocando o rosto de Mia suavemente.

—Foi um prazer, Bella – Disse ao sair os deixando sozinhos.

Bella caminhou pelo apartamento, olhando as fotos espalhadas.

— Quando voltou? – Edward perguntou se sentando.

— Faz uns dois dias. Arrumei um apartamento novo. Queria acertar umas coisas no trabalho antes de te procurar. – Declarou olhando para ele, que se recusava a olha-la nos olhos.

— Por onde andou? Eu liguei, mandei mensagens, mas você nunca... – Ralhou, esfregando os olhos. – Porque você...

— Eu sei. Eu sei! – Respondeu se aproximando dele. – Eu sei que não tenho o direito de estar aqui e que você tem todo direito de me odiar agora, mas eu pensei em vir aqui e que talvez pudéssemos recomeçar.

— Recomeçar? Quer dizer, esquecer que você sumiu por meses e não pensou em me ligar ou mandar uma mensagem dizendo que estava bem?

— Era o que eu esperava. Poder recomeçar. Eu só não sabia que você... Estaria acompanhado. Depois de um tempo, finalmente segui o conselho da Alice. Acho que consegui.

— Conselho? Que conselho? – Perguntou, confuso.

— Ela disse que talvez seria bom se eu viajasse. Colocasse a cabeça no lugar. Disse que as coisas ficariam mais claras depois, quando eu voltasse. Eu só não sabia que você...

— Teria seguido em frente? Sinceramente, Bella. Eu não consigo mais. Digo, não entendo, o que você quer? O que esperava? Você simplesmente desapareceu. Você leu as cartas, descobriu como eu me sinto e desapareceu . Eu entendi bem a mensagem. Você não sente o mesmo.

— Não. Você não entende? É exatamente o oposto disso, Edward. Eu sei que pode parecer egoísmo, mas...

— Porque é! Eu fui paciente. Dei tempo e todo espaço que você pediu, mas ainda sim, quando você descobriu como eu me sentia, escolheu fugir invés de sentar e conversar. Inferno, eu praticamente te entreguei meu coração em uma maldita bandeja de prata e você o destruiu. Quer saber qual a pior parte?

— Edward, eu não fazia ideia de que...

— Não. É minha vez agora, está bem? Eu deixei! Deixei que me tratasse do jeito que bem entendesse sem nem piscar, porque eu amo você. Sentia que talvez fosse minha culpa toda a raiva que você estava sentido. A dor. E que talvez eu merecesse a rejeição. Eu sentia falta das mensagens e das conversas, porque me acostumei a receber um simples e maldito bom dia seu. Da para ficar mais patético?

— Edward isso não é justo, eu nunca prometi nada e...

Justo? Quer falar sobre o que é justo? Eu não estou falando de promessas de amor, Bella. Estou falando de amizade. Eu fui seu amigo, e te apoiei no momento mais infernal da sua vida e teria apoiado ainda mais quando descobriu que não estava grávida, mas você preferiu fugir ao agir como uma mulher adulta e enfrentar a situação. Eu estava aqui e teria te apoiado, mas e quanto a você? Eu perdi meu irmão e logo depois minha melhor amiga. Quando descobri a verdade pensei, talvez possamos superar isso. – Declarou se levantando. — Mas não, você me abandonou. Me deixou sozinho. Conquistou minha amizade, minha confiança, meu amor e depois me chutou para escanteio. Então eu fiz o que eu sempre faço, Bella. Eu me virei sozinho. Eu dei um jeito e me reergui.

— Espero que esteja feliz. É tudo o que eu quero, Edward. — Ela declarou, incapaz de responder outra coisa. Porque ela sabia que tudo o que ele havia dito, era a mais pura verdade. Ela havia perdido seu melhor amigo e não havia ninguém para culpar. Ninguém além dela mesma. – E eu não tenho palavras para dizer o quanto eu sinto. A ultima coisa que queria era machucar você. Você tem razão, eu fui uma péssima pessoa. Eu perdi alguem, mas você também. Eu acho que não processei a informação. Ele simplesmente se foi, assim como meu pai.

— Bella...

— Não. Não estou dizendo isso para que sinta pena ou algo assim. Eu só não consigo explicar, sabe. Foi do nada. Um minuto ele estava lá e logo depois, havia desaparecido. Eu não gosto de mudanças. Só não consigo entender como tudo desabou tão rápido. É isso que não encaixa. Eu vim até aqui e agora eu já vou. Eu realmente queria meu amigo de volta, mas entendo se não me quiser como amiga, porque, convenhamos que eu sou uma droga.

Ela apanhou sua bolsa, caminhando em direção até a porta, mas parou ao ouvi-lo chama-la.

— Dory... – Edward declarou esfregando os olhos como se sentisse dor.

— Sim? – Perguntou se virando.

— Eu fiz uma promessa a ele, mas minha lealdade também é com você. – Declarou se virando. – Espere aqui. Eu preciso pegar uma coisa.

Bella aguardou curiosa, enquanto Edward vasculhava uma caixa em seu guarda roupas.

— Aqui. Você leu todas as cartas que eu mandei para ele, mas não leu todas as que ele me mandou. – Disse as entregando. – Ele me pediu que não mostrasse a ultima, mas quer saber? Eu acho que você precisa. Pra seguir em frente. Você queria saber o que eu fazia no seu apartamento aquele dia. Isso vai responder suas perguntas.

— Ele as mandou? – Perguntou.

— Mandou. E eu vou deixar que você as leve e leia, mas tem que prometer uma coisa. – Pediu e ela assentiu. – Não importa como se sinta depois de ler tudo. Não vai fugir outra vez. Não importa o quanto doa, porque acredite em mim, vai doer. Você não vai fugir. Você disse que queria consertar as coisas entre nós. É assim que vai fazer isso.

— Está bem. – Assentiu, ainda olhando para as cartas . – Eu prometo. – Acrescento se despedindo e saindo.

Edward olhou para o apartamento vazio, se perguntando se havia feito a coisa certa.

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— Bella. É bom ter você de volta. – Paolo declarou estendendo a mão. – Quero que você conheça George, ele é nosso estagiário, mas espero poder efetiva-lo no fnal do período. Eu preciso designa-lo a alguem e você é minha melhor funcionária, então a partir de hoje ele será seu assistente. Espero que se entendam bem. – Declarou saindo da sala, os deixando sozinhos.

— Eu prometo que não vou causar nenhum problema para você e vou me mostrar o mais excepcional possível, além disso...

—Ei! Vai com calma. – Bella pediu sorrindo. – É George, certo? – Perguntou e ele assentiu. – Tenho certeza de que é ótimo, ou não estaria aqui. Eu nunca tive um assistente, mas tenho certeza de que vamos nos entender.

— Certo. E o que eu posso fazer? Posso ajudar a arrumar sua sala e nossa, você está carregando esse monte de papéis e eu nem me ofereci para... – Disse puxando as coisas que Bella carregava, derrubando tudo no processo. – Me desculpe, são cartas? Parecem meio pessoais e um pouco antigas.

— Porque são. – Resmungou as puxando, respirando fundo, tentando se controlar. Estava superando e mudando. E parte do processo era não destratar as pessoas. – Desculpe. Não queria ter gritado.

— Tudo bem. A senhorita Stanley minha ultima chefe sempre gritava. Eu me acostumei.

— Não, não está bem. Eu não sou como a Jessica. Não quero ser. Não grito com as pessoas. As cartas são particulares. Porque não fazemos assim, tenho certeza de que tem seu portfólio, não tem? – Perguntou.

— Sim, senhora. Eu tenho sim.

— Bella. Pode me chamar de Bella. Ótimo. Por que não o traz? Adoraria vê-lo. Eu preciso resolver um assunto antes. Eu o chamo assim que acabar, está bem, George?

O garoto assentiu deixando a sala, enquanto Bella pegava a primeira carta de Tom. Talvez aquilo fosse o que faltava para ter seu encerramento. E depois daquilo, ela poderia parar de dizer para todos que estava superando e finalmente superar.

Notas finais
Bella voltou de cara lavada e esperava o que? Não aguem no apartamento. Vocês vão descobrir que George é um amorzinho. Edward finalmente entregou as cartas e agora vamos ver no que vai dar.