Cartas do Passado

2 Capítulo 02 - Carta número 01


Notas iniciais
E aqui estamos. Prontos para ler a primeira carta e saber onde tudo começou? Então vamos lá. Capítulo grande, então aproveitem!

The Scientis — Coldplay

You don't know how lovely you are

Você não sabe o quão amável você é

I had to find you, tell you I need you

Tenho que lhe achar, dizer que preciso de você

And tell you I set you apart

E te dizer que eu escolhi você

Tell me your secrets, and ask me your questions

Conte-me seus segredos, faça-me suas perguntas

Oh let's go back to the start

Oh, vamos voltar pro começo...

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Chicago, 03 de novembro de 2014

Como vão as coisas, irmãozinho? Espero que bem. Só queria que você respondesse minhas cartas. Mesmo que você ache que são antiquadas.

Eu não acredito que estou escrevendo isso, mas eu conheci uma garota. E ela é linda, inteligente, divertida e por algum motivo estranho, aceitou sair comigo.

Ela se chama Isabella, mas odeia ser chamada assim. Prefere que a chamem de Bella. Ela disse que quando era pequena e sua mão lhe chamava a atenção, ela a chamava pelo nome inteiro e até hoje, isso a incomoda. Eu achei adorável de um jeito que não posso explicar.

São essas pequenas coisas que as pessoas nos contam, que nos mostram o nível de honestidade e simplicidade delas. E talvez seja cedo para dizer isso, mas sinto que estou me apaixonando por ela.

Amanhã a noite, será nosso terceiro encontro e estou pensando em pedi-la em namoro. Acha que estou indo rápido demais? Quer saber, quando você receber essa carta, é provável que eu já tenha feito o pedido, mas de qualquer forma, gostaria de saber.

Existem dias que realmente sinto sua falta, irmãozinho. Não que eu não a sinta normalmente, porque só Deus sabe como sinto. Mas alguns dias, a dor é simplesmente mais do que eu posso lidar. Quando estou com ela, esse buraco no meu peito quase cicatriza e isso chega a ser um alívio.

Sei que fiz muitas escolhas erradas em minha vida, mas elas me levaram até onde estou hoje e hoje, eu acho que posso ter encontrado a mulher da minha vida. Então isso me faz muito feliz, ou um pouco menos triste.

Espero falar com você em breve, irmãozinho. Até lá, cuide-se bem.

Do seu irmão mais velho;

Clarke.

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Ela caminhava distraidamente, enquanto carregava seu saco de materiais e ouvia uma música em seus fones, mal prestando atenção em seu caminho, quando sentiu um impacto contra seu corpo, fazendo com que fosse ao chão.

— Eu sinto muito! – A voz soou, enquanto ela ainda tentava assimilar o que havia acontecido.

Ao olhar para cima, pôde ver um rapaz, a observando, com um olhar culpado.

Bella balançou a cabeça, tentando clarear as idéias e começou a se levantar, quando ele agarrou sua mão, a puxando.

— Você se machucou? – Perguntou, parecendo realmente preocupado, o que a fez sorrir.

— Não, eu estou bem. – Bella respondeu, se abaixando para ajuntar seus materiais.

— Que falta de educação a minha. – Declarou, se juntando a ela, começando a apanhar os potes de tinta. – Eu sou naturalmente desastrado, mas a lei e Murphy tem trabalhado mais essa semana. – Acrescentou sorrindo, se esticando para pegar um dos pincéis.

— Está tudo bem. Eu não sou muito coordenada e mesmo sendo distraída, continuo andando pela rua com os fones. – Explicou sorrindo e pegando o pincel que ele ia pegar, fazendo com que suas cabeças se chocassem.

Ambos se afastaram sorrindo envergonhados.

— Acho que somos um perigo juntos. – Ela declarou sorrindo, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.

— Me chamo Thomas. – Se apresentou ficando e pé e lhe estendendo a mão, com um sorriso tímido.

— Bella. – Respondeu agarrando sua mão, ainda sorrindo.

— É seu nome ou um apelido? – Perguntou curioso, ainda segurando o pincel.

— Um apelido. Me chamo Isabella, mas todos me chamam de Bella. – Explicou, mordendo o lábio, o fazendo arquear a sobrancelha, enquanto olhava para aqueles lábios rosados.

— É um nome bonito. Não que o apelido não seja. – Explicou rapidamente, se enrolando com as palavras.

— Não é que eu não goste. – Deu ombros, ajustando a sacola nos braços. – É só que quando escuto minha meu nome, lembro da minha mãe.

— E você não gosta de lembrar dela ou... – Perguntou, sem nem saber o porque de estar tão intrigado por aquela garota. Apenas não queria que ela partisse.

— Você é bem curioso, não é? – Perguntou, tombando a cabeça levemente, a deixando ainda mais adorável.

— Desculpe. Não quis ser indelicado. – Se desculpou, envergonhado, voltando a colocar uma das mãos no bolso.

— E não foi. – Retrucou. – Ela não morreu, se é o que está pensando. E nos damos bem também. É só que quando eu era pequena, não era exemplo de criança bem educada. Sempre fui hiperativa e nunca ficava quieta. E sempre que eu fazia algo errado, ela me chamava por Isabella.

— Memória associativa? – Tom perguntou e ela sorriu em resposta.

— Algo assim. Temos um médico aqui ou só um fã de Grey's anatomy? – Indagou, o fazendo gargalhar.

— Médico. Mas já faz tempo. Olha só, eu tenho que ir.

— Claro, claro. Eu também tenho um quadro para terminar então...

— Mas gostaria de ter ver de novo. – Declarou sem pensar, fazendo o sorriso dela aumentar.

— Mesmo? Por quê?

— Me mudei tem pouco tempo. E acho que você é o tipo e pessoa que quero na minha vida. –

— E acha que eu vou simplesmente aceitar sair com você? Um cara que eu nem conheço? – Perguntou seriamente, o fazendo engasgar. – Você parece um cara legal e tudo mais, mas as coisas não são bem assim, sabe?

— Eu sei. Eu só pensei... – Começou a gaguejar. – Não precisa ser tipo um encontro. Pensei que pudéssemos ser amigos ou sei lá... – Explicou, surpreso com a reação dela.

— Seria muito fácil escolher uma garota, esbarrar nela e depois sair com ela em um encontro, como nos filmes, não é?

— Eu não estou te chamando para um encontro, juro por Deus! – Retrucou em tom alto, fazendo algumas pessoas os olharem.

— Está bem! Eu entendi. – Deu de ombros. – Já entendi que não quer sair em um encontro. Mas não precisa ser grosso. – Acrescentou baixando os olhos, o deixando desconcertado.

— Me desculpa, é que... – Começou a dizer, mas foi interrompido pela risada dela.

— Você é muito bobo. Mas é adorável. Meu número está no pincel, pode ficar com ele. Mas sério, eu tenho mesmo que terminar um quadro. – Acrescentou, lhe dando um beijo no rosto e caminhando pela calçada coberta de neve, o deixando para trás com um sorriso no rosto.

~*~*~*~*~*~*~*~*

Bella chegou em casa, colocando seu material na mesa e ligando o notbook.

— Ei! Finalmente consegui falar com você. – Ralhou, amarrando o cabelo em um coque alto.

— Eu tenho um emprego, sabia? – O rapaz respondeu, com um sorriso divertido.

— Eu também. Não é minha culpa que a maior parte dele eu faça em casa, senhor medicina. – Bella retrucou, lhe mostrando a língua. – Eu tenho uma novidade, aliás.

— Finalmente terminou o quadro, senhorita responsabilidade? – Indagou, cruzando os braços sobre o peito. – Por falar em novidade. Programei minha viagem para perto do natal.

— Isso é ótimo! Você finalmente vai poder vir! – Vibrou o deixando feliz. Já fazia meses que queria se encontrar pessoalmente com ela. Eram amigos todo esse tempo e nunca haviam se visto.

— Sim, mal posso esperar por isso. Mas qual a sua novidade? Terminou ou não aquele quadro, Dory?

— Muito engraçado. O quadro vai bem, obrigada. Mas essa não é a surpresa, senhor engraçadinho.

— E qual é? — Perguntou se levantando. – Espere, o Peru quer entrar. – gritou, indo em direção a porta, e quando voltou, encontrou Bella gargalhando. – Vê se cresce, Dory – Murmurou revirando os olhos, e brincando com o cachorro em seu colo.

— Não consigo. Não quando você diz essas coisas, Marlin . – Respondeu, o chamando pelo apelido que haviam dado um ao outro.

— Já terminou? – Indagou, ainda brincando com o bichinho.

— Quase. – Respirou fundo, secando a lágrima. – Terminei. Você não pode simplesmente batizar seu cachorro de Peru, dizer coisas como “ o Peru quer entrar” e esperar que uma garota não ria.

— Anotado. Qual é a novidade? – Questionou.

— Conheci com cara. Na verdade, um cara esbarrou comigo me derrubando no chão e eu dei meu telefone.

— Tão romântico. – Debochou, a fazendo estreitar os olhos. – Mal o conhece e já está caidinha por ele.

— Se você não estivesse tão longe, eu chutaria sua bunda. –

— O que seria um desperdício, porque é uma bela bunda. – Respondeu sorridente. – Agora, você vai sair com ele?

— Eu não sei. O que você acha? – Perguntou se jogando no sofá.

— Você não me deu com o que trabalhar aqui, garota. Preciso de informações. Como ele é? Como se chama? Quantos anos tem?

— Quando entrei na sala de interrogatório? Vamos com calma. – Pediu e ele revirou os olhos.

— Como se você não me conhecesse. Nos conhecemos tem dois anos. Você sabe que paciência não está no meu vocabulário.

— Sim, eu sei. Vamos lá, detetive Marlin. – O provocou. – Ele é alto, magro e tem cabelos escuros. Seus olhos também são escuros e ele não parece do tipo de que freqüenta academia, o que me faz ainda mais interessada, porque eu sou uma sedentária convicta. Embora ele pareça ter um corpo interessante e...

— Informação demais, Dory! Você está perdendo o foco! – Gritou estalando os dedos, a fazendo revirar os olhos.

— Está bem estraga prazeres! Eu não sei quantos anos ele tem, mas parece ser alguns anos mais velho do que eu. Talvez uns cinco anos. E ele é ou era médico, não entendi direito, mas vou me lembrar, se ele me ligar. E ele se chama Tho.... – Começou a dizer, quando ouviu um toque já conhecido.

— Droga, é meu bipe. Eu tenho que ir, Bella. Falo com você mais tarde, e se decidir sair com o cara do pincel, me avise, ou avise alguém daí, apenas para o caso do cara ser um maníaco do parque ou algo assim – Declarou, a fazendo revirar os olhos.

— Está bem. Me esqueci que você é um médico ocupado agora.

— Residente! – A corrigiu.

— Da no mesmo. Eu falo com você depois, Edward. – Se despediu, desligando e voltando para seu quadro, quando ouviu seu celular tocar.

~*~*~*~*~*~*~

Thomas chegou em seu apartamento, começando a guardar suas comprar, ainda pensando na garota das tintas. Se aproximou do balcão, depositando seu pincel ali, enquanto encarava o número gravado nele.

— Será? – Se perguntou em voz alta, pegando o telefone, mas desligando em seguida. – Rápido demais, Thomas. Talvez ela nem esteja em casa ainda.

Ele jogou as chaves em um mesinha que havia perto da porta e foi até seu banheiro. Um banho quente lhe faria bem. Talvez escrever um pouco, quem sabe. Era sempre bom escrever. Sua cabeça ficava muito agitada as vezes.

Enquanto caminhava até o banheiro, deixou uma trilha de roupas pelo caminho.

Depois de um banho quente, vestiu um moletom e uma camisa qualquer. Nunca escolhia suas roupas. Apenas pegava a primeira que havia em sua frente e a vestia.

Tom caminhou até a cozinha, começando a preparar seu jantar, quanto voltou a olhar para o pincel e o telefone ao lado.

— Que se dane! – Ralhou, agarrando o aparelho e discando o número, sem nem pensar duas vezes.

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*

Tom estava parado, em frente a porta, se sentindo mais nervoso do que nunca, quando finalmente tocou a campainha.

— Oi! – Ela o saudou sorrindo, analisando sua roupa, fazendo com que ele fizesse o mesmo.

Bella usava um vestido preto, com saia levemente rodada, cheio de bolinhas brancas e calçava um all star vermelho, com os cabelos em um rabo de cavalo alto.

Ao ver como ela estava, imediatamente, soube que havia exagerado.

— Acho que exagerei, não é? – Perguntou e ela negou. – Me sinto meio ridículo.

— Eu achei adorável. – Declarou sorrindo, lhe dando passagem para dentro do apartamento.

— Já é a segunda vez que me chama de adorável. Não tenho certeza se isso é uma boa coisa. – Indagou, mexendo em sua gravata, a puxando, quando ela sorriu, segurando sua mão.

— Adorável é uma ótima palavra, que deviam usar mais vezes. Mas se não está confortável, aqui , — declarou dando um passo a frente, puxando a gravata, o fazendo congelar, enquanto ela abria também, o primeiro botão de sua camisa.

— O que você...? Perguntou claramente nervoso, corando levemente.

— Relaxa, eu não vou despir você, Thomas. – Explicou, continuando sua tarefa. Assim que abriu o primeiro botão, levou uma das mãos até seus cabelos, bagunçando os fios, e se afastando para olha-lo, sorrindo largamente antes de pega-lo pela mão e leva-lo até um espelho. – Melhor agora? – Perguntou e ele sorriu assentindo.

— Muito melhor. Me sinto eu mesmo outra vez. –

— Ótimo, porque foi com esse cara que eu aceitei sair. Respondeu ao olhar para a visão no espelho, fazendo Tom olhar também. Sua camisa aberta, rosto corado e cabelos sempre bagunçados. Agora sim, se sentia como ele mesmo. E nada o deixava mais feliz, do que saber que ela também preferia aquela versão.

~*~*~*~*~*~*~*~*~**~

— Gostei daqui. – Bella comentou, bebendo seu suco, enquanto esperavam a refeição.

— É a melhor pizza da cidade. – Tom respondeu. – Pelo menos foi o que um amigo disse. Não conheço muitos lugares. – Acrescentou.

— Não é daqui? – Perguntou, observando seus movimentos com atenção. Tom parecia mais relaxado, mas também continuava nervoso.

— Não. Nova York. Me mudei tem alguns meses. – Respondeu, afastando as mãos, quando a garçonete lhe serviu.

— Desejam mais alguma coisa? – Perguntou, praticamente secando Tom, que nem ergueu os olhos. Sua atenção estava concentrada na linda garota a sua frente.

— Eu tenho um amigo lá. – Respondeu sorrindo, quando a garçonete saiu frustrada por não conseguir atenção.

— E você? – Tom questionou.

— Nasci em uma cidade pequena. Forks, duvido que conheça.

— Desculpe. Mas sempre fui péssimo em geografia. – Murmurou devorando sua pizza. – Definitivamente a melhor da cidade.

— Não se desculpe. É uma cidade pequena, fria e úmida. Nasci e cresci lá. Me mudei quando entrei na faculdade, dois anos atrás.

— Deve sentir falta dos seus pais. – Retrucou, sabendo que aquilo abriria portas a perguntas quais ele não queria responder.

— Sim, mas eles me visitam com freqüência. – Respondeu, também comendo, quando ergueu os olhos, o fitando. — Conhece o jogo das vinte perguntas? – Questionou já respondendo, quando Tom a encarou confuso. – Eu faço uma pergunta e você responde. O mesmo para você. Eu respondo minha pergunta, assim como você responde a sua.

— Parece... divertido. – Sorriu, servindo outra fatia para ele e para Bella, que já havia acabado. Ela tinha um apetite voraz. Tom gostava disso.

— E é. Por que não começa? – Declarou e ele sorriu pensando.

— Tudo bem... Deixe me pensar. Hum, que tal isso, você é uma pessoa da manhã ou da noite? – Perguntou, o observando, esperando a resposta.

— Está bem. Acho que esperava algo um pouco mais pessoal, mas posso lidar com isso. Eu sou pintora, então aderindo aos clichês mais famosos, sou uma garota totalmente da noite. Embora eu não tenha problemas em acordar cedo algumas vezes. Mas só algumas vezes. Sua vez.- Apontou para ele, que pensou para responder.

— Acho que sou da noite também. Quando trabalhava no hospital, eu normalmente pegava os plantões da madrugada e eu gostava disso. Lembro de pensar que eu trabalhava contra o horário do mundo.

— Você não trabalha mais em hospitais? – Bella questionou.

— Não mais. – Respondeu encerrando o assunto.- Bem, acho que é a sua vez.

— Está bem, espertinho. – Bella retrucou, pensando na pergunta. – Sua cor favorita?

— Gosto de azul.

— Tem que ser mais específico. – Pediu, sorrindo da confusão em seu rosto. – Eu sou uma pintora, Tom. Conheço dezenas de tons de azul.

— Está bem. Eu gosto do azul... do tom dos seus olhos. – Respondeu corando, a deixando sem resposta. – É uma cor escura, mas ela muda, e é por isso que é meu favorito. Quando você está empolgada com alguma coisa, eles ficam claros, como água. Mas quando você tropeça em alguma coisa ou fica confusa, eles ficam escuros. O mesmo acontece quando você está em um lugar onde o sol reflete. Eu não sei que tom é esse, mas é lindo de se ver. – Completou, quando ela agarrou sua mão.

— Droga, eu acho que perdi essa. Não tenho uma resposta assim. É completamente... – Parou, pensando na palavra certa, quando Tom completou sua frase.

— Adorável?

— É, isso. É adorável. – Murmurou, sorrindo. – Eu gosto de amarelo milho. É uma cor clara, forte e alegre. E eu não tenho uma explicação completamente fofa como você, mas é a minha favorita. E o tom que você está procurando é azul celeste. – Respondeu, pegando um guardanapo e limpando a boca de Tom. – Tem molho aqui. – Explicou, acariciando seu rosto, depois de limpar. – Sua vez.

— Está bem. – Respondeu, Tom, pensando. – Se pudesse viajar a qualquer lugar do mundo, seria...?

— Essa é fácil. Paris.

— A cidade luz? Sério? – Tom perguntou, um pouco decepcionado. Sabia que a maioria das garotas desejava conhecer Paris, mas não imaginava que Bella era uma delas.

— Sim, mas não pelos motivos que está pensando. – Respondeu, se servindo de mais uma fatia, fazendo Tom sorrir.

— E no que eu estava pensando?

— Roupas, sapatos, vitrines. – Respondeu, levantando os dedos. – Eu gostaria de ir, mas pela arte. O Louvre. – Acrescentou, com seus olhos brilhando. – Os quadros e obras de arte. A Monalisa! O que? – Indagou, quando ele a fitava, com um sorriso bobo.

— Nada, é só que...Você não para de me surpreender.

— E você? Para onde iria? – Questionou.

— Chicago. – Respondeu, a deixando confusa.

— E por que? – Bella indagou, quando Tom se aproximou dela, sussurrando como se fosse um segredo.

— Lá é onde vive a garota mais incrível que eu já conheci. – Respondeu, ganhando mais um sorriso de Bella. Haviam sido vários ao decorrer da noite e Bella sabia que suas bochechas doeriam pela manhã, mas não se importava. Não conseguia parar.

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*

Já haviam sido três encontros em duas semanas. E ele mal podia esperar pelo próximo.

Tom entrou em seu quarto, se jogando na cama, ainda penando nela.

Adorava o sorriso dela, adorava o cabelo dela, sempre preso para cima, mostrando a curva delicada do pescoço e sua marca de nascença. Adora o jeito como ela mexia as mãos quando estava empolgada com alguma coisa. Adorava o som da risada dela e como ela o fazia se sentir. Estar com ela era como respirar fundo. Fácil e bom.

Ele se levantou, pegando uma folha, uma caneta e um envelope. Decidido a contar a alguém sobre ela. Ele sabia para quem contaria. Mesmo que nunca recebesse uma resposta da mesma maneira, continuaria a enviar as cartas.

~*~*~*~*~*~*~*~

Depois de enviar a carta, correu até o apartamento de Bella, porque não podia mais esperar. Precisa começar a planejar o quanto antes, mas precisava saber se ela aceitaria sair com ele uma terceira vez.

Dessa vez, ele se sentia como ele mesmo. Um all star preto desbotado nos pés, seu Jeans favorita, na verdade, sua calça da sorte e uma camiseta de sua banda favorita, porque não importa que ele já tivesse vinte e sete anos e ainda usasse essas roupas. Se sentia bem assim. Se sentia livre e ele mesmo. E Pink Floyd sempre seria sua banda favorita de todos os tempos.

— Hey! – O cumprimentou, parecendo feliz em vê-lo, mesmo que de surpresa. Ela vestia uma camisa velha, suja de tinta, seus cabelos sempre para cima.

— Hora ruim? – Perguntou, ao olhar ao redor, enquanto uma musica tocava.

— Na verdade, hora perfeita. Terminei meu quadro. – Respondeu sorrindo e ele notou que ela tinha uma manchinha de tinta na ponta do nariz. E naquele momento, ele quase teve força o suficiente para não se aproximar. Quase.

Tom deu um passo a frente, tocando sua bochecha, fazendo Bella ofegar levemente, enquanto ele percorria seu rosto com a ponta dos dedos, limpando a pequena manchinha.

— Tinha tinta aqui. – Explicou sorrindo, sem se afastar. De repente, percebeu que não estava mais nervoso. Estava inebriado. De um jeito irrevogavelmente bom. Não queria se afastar dela e ela também parecia bastante confortável com a proximidade dos dois.

Então sem poder mais se segurar, ele a beijou. Bella levou uma das mãos até seus cabelos, os bagunçando ainda mais, enquanto a outra tocou seu peito, a fazendo se afastar na mesma hora.

— Desculpa! – Ofegou percebendo o que havia feito. O pequeno pote de tinta que havia em sua mão, agora manchava a camisa que Tom usava. – Sua camisa! – Explicou o fazendo olhar.

— Por que está se desculpando? – Perguntou ainda sorrindo.

— É sua banda favorita. Você deve adorar essa camisa.

— Sim, eu adoro. Adora ainda mais agora, com a mancha de tinta. Porque agora tenho uma lembrança física e permanente do dia que você aceitou ser minha namorada.

— Não me lembro de um pedido. — O provocou sorrindo, enquanto se aproximava.

— Eu acho que estraguei a surpresa então. – Declarou coçando a nuca.

— E que surpresa seria essa? – Perguntou curiosa, se aproximando, tocando seus ombros.

— Na verdade, eu vim aqui, para perguntar se você quer sair comigo.

— Sair é? – Perguntou, brincando com os cabelos dele, fazendo com que ele corasse.

Essa era apenas uma das coisas que ela adorava nele. Um segundo atrás, ele estava a beijando ardentemente e agora, parecia envergonhado, como um menino que fora apanhado em uma travessura. Ela havia usado aquela palavra antes, mas apenas porque ela simplesmente expressava perfeitamente como Tom era. Completamente adorável.

— Eu não sei, a gente podia...- Começou a dizer, levando sua mão a nuca, enquanto se mexia de um lado para o outro, o deixando ainda mais adorável para Bella. – Ou a gente podia, não sei, fazer outra coisa.

— Claro. – Bella respondeu segurando as mãos dele, que não paravam de se mexer.

— O que? – Perguntou confuso, a fazendo sorrir ainda mais.

— Qualquer coisa que você escolher, tenho certeza de que será ótimo, Tom.

— Sério? – Perguntou, com um sorriso começando a se espalhar por seu rosto.

— Sério. – Afirmou, acariciando sua mão e lhe dando um selinho rápido, o deixando corado, como sabia que ficaria.

— Amanhã a noite, o que acha? – Indagou, brincando com seus dedos, com um sorriso tímido e um brilho especial nos olhos.

— Acho ótimo. – Declarou sorrindo.

— Ótimo. Vejo você na sexta, no melhor encontro de todos. – Acrescentou, lhe roubando um beijo e saindo pela porta, saltitando, mal podendo conter sua alegria.

Aquele precisava ser e ele sabia que seria, o melhor encontro de todos. Seria onde ela passaria a ser, oficialmente, só sua. Mal podia esperar para escrever a próxima carta. Ele queria que o irmão gostasse de Bella tanto quanto ele. Talvez nem tanto, uma vez que ele sabia que estava apaixonado e talvez até a amando.

Obra de Bella Swan

Notas finais
Tom é uma gracinha né? NÃO DA PRA RESISTIR!! Edward é Residente, mas quer seguir pela Pediatria e é um nerd também. Mas o Tom é mais. Espero que gostem e agora já da pra recomendar, só to dizendo....