Cartas do Passado
24 Capítulo 24 – Carta número 03
Notas iniciais
The Scientis — Coldplay
You don't know how lovely you are
Você não sabe o quão amável você é
I had to find you, tell you I need you
Tenho que lhe achar, dizer que preciso de você
And tell you I set you apart
E te dizer que eu escolhi você
Tell me your secrets, and ask me your questions
Conte-me seus segredos, faça-me suas perguntas
Oh let's go back to the start
Oh, vamos voltar pro começo...
Chicago, 03 de novembro de 2017
Hoje faz um ano desde a nossa viagem juntos. Nunca havia me sentido tão viva, o que parece ser uma grande ironia, porque agora me sinto completamente sem vida. Pensei que viajar e conhecer lugares me ajudaria. Faria com que eu sentisse alguma coisa, qualquer coisa. Mas eu estava errada. A verdade é que eu sinto sua falta, mas também sinto falta de casa e dos meus amigos, mas apesar de tudo, eu ainda sinto falta dele... Eu não sei se é certo dizer isso aqui, porque essa é a primeira vez que escrevo cartas para meu noivo morto, então não sei dizer o que é certo ou não. Acho que depois dessa viagem e de um tempo longe, posso tentar retomar minha vida e seguir em frente. E o melhor lugar para começar, é por reconstruir as amizades que eu quebrei. Eu percebo agora que talvez tenha passado dos limites e tenha sido mais dura do que o necessário com Edward, afinal, ele é seu irmão e deve estar tão quebrado quanto eu. Já é hora de começar a colar os cacos e seguir em frente, porque como todos gostam de dizer, era o que você iria querer.
Com amor,
Bella....
Chicago, dias atuais.
— Eu posso perguntar onde estamos indo? – Indagou impaciente, mas com um sorriso nos lábios.
— Você pode perguntar o quanto quiser. – Bella retrucou, verificando se ele não havia tirado a venda em algum momento. – Mas não quer dizer que eu vá te responder.
— Você é má. – Respondeu, brincando e balançando a perna, impaciente.
— E você é um bebê impaciente. – Retrucou, o fazendo rir alto. – Estamos quase chegando.
Ela estacionou o carro, passando a mão rapidamente na frente do rosto dele, se certificando de que não estava espiando.
— Aqui, coloque esses fones. – Pediu soltando o cinto. – Eu vou dar a volta e te guiar pelo caminho.
— Eu adoro uma boa surpresa, Dory, mas precisa mesmo tirar dois dos meus sentidos? – Perguntou zombando, mas obedecendo.
Ela o ajudou a descer, o guiando pelo caminho. Algumas pessoas olhavam para eles, mas ela apenas ignorava.
— Eu posso receber alguma dica ao menos? – Perguntou, mas sua voz soou mais alta, por causa dos fones. – Eu realmente espero que ainda seja você me guiando, porque se você me soltou e outra pessoa agarrou minha mão, então teremos um problema. – Comentou ainda mais alto, fazendo todos os olhares se voltarem para eles.
Bella levou a mão até os olhos. Talvez não tivesse sido um plano tão bom, mas ela não contava com a curiosidade de Edward. Então uma ideia surgiu em sua mente. Ela o parou, ficando em sua frente e o beijando suavemente, enquanto levava suas mãos até o fone.
— Ainda sou eu aqui, estamos quase chegando, eu não vou te soltar até lá, tudo bem? – Perguntou, colocando os fones de volta no lugar, enquanto ele assentia sorrindo, agora mais feliz e mais tranqüilo.
Ela havia colocado uma manta no chão, junto com os sanduíches que havia trazido. Suas mãos foram até os fones, os tirando.
— Você pode tirar a venda agora.
Ele tirou a venda, fechando os olhos, e os abrindo aos poucos, se acostumando com a claridade. Ao olhar ao redor, viu uma toalha no chão e uma cesta de piquenique ao lado.
— Não acredito...- Murmurou, olhando para Bella, que mordia o lábio inferior, impaciente.
— Você sempre disse que queria fazer um piquenique, e eu sei que aqui não é como o Central Park, mas é um lugar muito bom também. Eu sei que desde que se mudou, nunca veio até o Shedd, e como adoramos Procurando Nemo, pensei que...
— Eu adorei.- A interrompeu a beijando rapidamente. – Um piquenique em um aquário, Bella.... Não pensaria em nada melhor do que isso.
Eles estavam sentados, olhando para o aquário que os cercava. Eram três paredes de vidro, com apenas uma parte aberta. Era quase como se estivessem cercados pelos peixes.
— Não acredito que estamos cercados de Marlins. – Edward murmurou sorrindo. Bella havia reservado seu piquenique na seção de peixes palhaço. – Pensei que não se pudesse trazer comida aqui.
— Tecnicamente, não podemos, mas eu pedi um favor a uma amiga, então nós temos mais uma hora e meia antes da próxima visitação.
— Isabella Swan, quebrando regras? Eu estou impressionado. – Debochou, tentando conter um sorriso.
— Muito engraçado. De qualquer forma, essa não é nossa ultima parada, então uma hora é bom também. – Respondeu sorrindo, como se o desafiasse.
— Quer dizer que há mais surpresas? – Edward perguntou, fazendo Bella sorrir. – Onde vamos depois? – indagou, como uma criança impaciente.
— Não seria surpresa se eu dissesse, seria? – Questionou, o fazendo bufar. – Então, como foi sua primeira semana de volta?
— Incrível! Eu amo o que eu faço no hospital. É muito bom estar de volta.- Declarou, mas havia algo que ele não estava contando.
— O que foi?- Ela perguntou, agarrando sua mão. – Aconteceu alguma coisa?
— Não é nada. Foi um paciente que eu tratei nos últimos meses. Eu soube que ele não resistiu.
— Edward, eu sinto muito. – Respondeu o confortando.
— Eu sei que não há um jeito de salvar todos os pacientes, e que aceitar isso é parte do trabalho, mas nunca deixa de me chatear. – Respondeu, dando uma mordida em seu lanche.
— Bem, você não seria você se não se chateasse. Você é um ótimo médico, não por causa da sua formação, mas porque faz isso pelos motivos certos. Porque você se importa.
— Eu sei. Obrigado. – Respondeu, sorrindo. – E a galeria? Como foi a reunião?
— Ah, isso? – Murmurou. – Não saiu bem como eu esperava.
— O que aconteceu?
— O novo diretor estava revisando os portfólios com as novas propostas de exposição, mas ele não sabia que a minha estava no meio. Eu não esperava que ele fosse tão... critico.
— Foi tão ruim assim? – Indagou, brincando com seus dedos entrelaçados aos dele.
— Eu acho que as palavras dele foram arte artificial, chamativa e escandalosa.
— Que babaca. – Edward retrucou, fazendo Bella dar de ombros.
— Mas tudo bem. Afinal o que ele entende de naturalidade? O cara usa uma peruca ruiva, com a raiz castanha, então..- Debochou, fazendo com que Edward risse, e logo ambos estavam contando histórias e gargalhando, quando foram interrompidos por uma voz conhecida.
— Desculpe, Bella. O tempo acabou. Próximo turno começa em dez minutos. – Disse a mulher se aproximando. – Olá, Edward.
— Rosalie?
— Sem problemas, Rose. Obrigada pela ajuda. – Agradeceu se levando, enquanto Edward a ajudava a juntar tudo.
— Pode me dar um minuto? – Ele pediu e ela assentiu enquanto ele corria para o corredor.
Ela estava parada na porta, com um tablet nas mãos, organizando uma planilha de horários.
— Não sabia que trabalhava aqui.
— Eu estudo biologia marinha, então faz sentido. – Respondeu rapidamente. – Desculpe. Estou trabalhando isso de não ser grosseira.
— Sobre isso... – Edward murmurou, se encostando na parede, com as mãos nos bolsos. – Eu lamento o que eu disse aquele dia. Eu fui um idiota com você. Eu sei que você é amiga da Bella, e eu só...
— Você estava preocupado. – Constatou. – Eu sei o quanto a Bella gosta de você e eu posso ver que sente o mesmo. Eu só estava tentando cuidar dela.
— Eu sei.
— Eu tenho que trabalhar e sei que ela deve ter planejado mais coisas. Fico feliz em saber que se recuperou do acidente. – Declarou sinceramente. — Até. – Se despediu saindo.
Edward voltou até Bella, mas dessa vez ele carregava a cesta.
— Você não vai me vendar outra vez, vai? – Perguntou, curioso.
— Não dessa vez. — Respondeu sorrindo, enquanto caminhavam de mãos dadas.
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— Tudo bem, Marlin. Ultima parada. – Respondeu apontando para o parque.
— O parque Maggie. – Edward murmurou. – Eu havia me esquecido dele.
— Já esteve aqui? – Bella perguntou levemente decepcionada. Queria poder mostrar o lugar a ele.
— Não. Eu sonhava em vir aqui quando era pequeno. Quando eu tinha oito anos, minha mãe fez uma viagem até Chicago, para o casamento de uma amiga. Nós viemos com ela e queríamos conhecer o parque, mas nunca viemos. Ficamos tristes por semanas. Eu havia me esquecido daqui. – Falou, admirando o lugar. – Mas não permitem apenas crianças? – Indagou, franzindo o cenho.
— Eu não vejo nenhum segurando. – Respondeu o puxando pela mão.
— Quem é você e o que fez com a Dory que segue regras? – Perguntou caminhando com ela.
— Bem, ela esta de folga hoje, mas vai voltar amanhã, então vamos aproveitar. Por onde começamos? – Bella perguntou, esperando que ele decidisse.
— Podemos ir no escorrega de tuneo e então no barco, mas sem escaladas, porque...
— Eu tenho medo de altura. – Bella respondeu, tentando manter a seriedade. Ela não tinha medo altura, Edward sim. Mas ele nunca admitiria isso.
— Isso mesmo, porque você tem medo de altura. Depois podemos ir nas fontes de pedra? Por favor! – Pediu empolgado, a deixando ainda mais feliz.
— Pensei que nunca tivesse vindo aqui.- Respondeu surpresa que ele conhecesse tão bem o lugar.
— Eu nunca vim, mas eu tinha oito anos e queria vir aqui. Tom teve a ideia de usar imagens do Google para visitar o lugar. Foi o mais perto que chegamos. Passamos dias olhando tudo. – Ele respondeu sorrindo, mas parando ao notar o que havia dito. – Desculpe, eu não...
— Não. Podemos falar sobre isso. São suas memórias de infância. Quero ouvi-las também. – Respondeu segurando sua mão, mas ela percebeu que ouvir o nome dele não doeu tanto quanto antes. – Além disso, eu sei que sua perna está ótima, então você realmente tem uma chance de me ganhar em uma corrida. – Respondeu, disparando até a ponte.
— Isso é trapaça! – Edward gritou, correndo atrás dela, mas quando a alcançou, ela estava quase no topo. Ele a puxou pela cintura, fazendo com que Bella soltasse um grito de alegria. Eles estavam no topo, quando ele a puxou para mais perto. O vento soprou, fazendo com que ela estremecesse.
— Está com frio? – Edward perguntou, a pressionando mais contra o corpo, tentando passar seu calor para ela.
— Não. Assim está bom. Perfeito, na verdade. – Respondeu e ele sorriu.- Edward, tem uma coisa que eu nunca te contei. Nunca contei a ninguém, na verdade.
— Você pode me dizer agora, se quiser. – Declarou, enquanto o vento continuava a soprar.
— Quando eu conheci Tom, eu não planejava me apaixonar por ele. – Declarou seriamente, sentindo os braços dele se enrijecerem ao seu redor.
— Bella, não precisa explicar...
— Eu não planejava me apaixonar por ele, porque eu era apaixonada por você. – Respondeu, fazendo com que ele olhasse para ela.
— Desculpe, o que? – Indagou surpreso.
— Um dias antes de conhece-lo, eu havia comprado uma passagem para Nova York. Eu queria fazer uma surpresa, então não disse nada. Então, naquela noite, quando eu liguei para você e você disse que tinha conhecido uma garota, eu percebi que era loucura simplesmente aparecer em sua porta e dizer o que eu sentia.
— Eu sei que estamos bem agora, mas achei que você precisava saber e...- Ela dizia, mas foi interrompida por um beijo.
As mãos de Edward a puxaram ainda mais contra seu peito, se encaixando perfeitamente a ele.
— Só para você saber, a garota é filha de uma amiga da minha mãe e eu não queria sair com ela, tanto quanto ela não queria sair comigo. – Declarou sorrindo, e colocando gentilmente uma mecha de cabelo atrás da orelha de Bella. – Aparentemente a mãe dela a obrigou a ir em um encontro para que não namorasse um cara que ela conheceu na faculdade.
— Sério? – Bella perguntou surpresa. – Bem, isso teria nos poupado um tempo. – Resmungou se aconchegando ainda mais contra ele, que tirou seu casaco, colocando ao redor dos ombros de Bella.
— Não, eu acho que as coisas aconteceram como deveriam acontecer. Somos pessoas diferentes do que éramos. Nós crescemos. Acho que estamos melhores agora. – Respondeu. – Agora vamos para casa antes que alguem se resfrie. – Acrescentou, beijando a ponta do nariz dela, enquanto Bella fechava os olhos e aproveitava a sensação de paz.
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