Cartas do Passado

14 Capítulo 14 - Carta número 03


Notas iniciais
Aqui está mais um. Quase que não sai. A gripe sumiu com a minha inspiração gente. Então espero que curtam o capítulo e não julguem muito.

Michael Schulte — You Let Me Walk Alone

You made this place a home

Você transformou esse lugar em um lar

A shelter from the storm

Um abrigo para tempos difíceis

You said I had one life and a true heart

Você disse que eu só tinha uma vida e um bom coração

I tried my best and I came so far

Eu tentei o meu melhor e cheguei tão longe

But you will never know

Mas você nunca saberá

'Cause you let me walk this road alone

Porque você me deixou viver essa vida sozinho

—__________________________________

Chicago, 12 de agosto de 2015


Eu acho que sei exatamente como se sente, irmão. Sua garota me lembra uma amiga. Bem, eu gostaria que fosse mais do que apenas uma amiga, mas a vida não é uma fabrica de realização de sonhos, não é?

Eu já falei dela para você. Nos conhecemos em uma sala de bate papo e temos mantido contato desde então. Eu meio que me apaixonei por ela, mas ela não sabe. Algumas coisas devem ficar como estão.
Fico feliz que tenha encontrado alguem e que esteja seguindo em frente. Acho que vai ser bom. Arrumar uma garota, um emprego e seguir a vida.

Eu comecei a minha residência em pediatria e comecei a trabalhar em uma ala infantil do hospital. As coisas andam corridas, mas eu ainda quero te visitar. Saber como você está e só... Te ver.
Eu acho que sei exatamente como se sente em relação a sua garota e acho que as coisas vão avançar como se devem. Acho que as coisas vão fluir naturalmente e se você realmente gosta dela, acho vai valer cada segundo da sua espera.

Do seu irmão mais velho;

Anthony.

—______________________________________________________

— Você chamou, eu vim. – Respondeu, se apoiando no batente.

— Eu não sei o que eu quero. – Bella declarou, com a porta aberta. – Eu mandei aquela mensagem, mas não sei o que eu quero.

— Eu sei que você está um pouco confusa e muito machucada, mas eu pensei...

— Não. – O interrompeu. – Eu não quero desculpas, ou verdades nem mesmo piedade. Emmett e Rosalie foram embora. Os dois brigaram porque ela acha eu você é um cretino mentiroso e Emmett acha que não é.
— E o que você acha? – Edward perguntou.
— Eu acho que quero que as coisas volte a ser como eram.
— Eu quero isso também. Só preciso saber como fazer isso, Bella.
— Me diga o que eu perdi nos últimos meses. Emmett disse que você está trabalhando no hospital da cidade. — Declarou se sentando no sofá, deixando lugar para que ele sentasse.

— Sim, eu comecei na ala pediátrica.

— E como é? Tudo que você sonhou?- Perguntou realmente interessado.

— É melhor. Eu me candidatei a vaga na ala da pediatria das vítimas de queimados. Poder ajudar aquelas crianças, Bella. Isso é... Eu nem tenho uma palavra para o que é.

— Você se sente realizado. — Afirmou e ele assentiu animado.

— Eu me sinto. E você? Como tem lidado com as coisas? A gravidez?

— Eu tenho levado. Tentado me manter na linha e tenho uma consulta amanhã. Rosalie vai comigo.

— Se quiser, eu posso...

— Não, tudo bem. Mas obrigada. — Agradeceu. — Eu não queria entrar nisso, mas... Eu tenho que perguntar. — Declarou , suspirando.

— Pode me perguntar o que quiser, Dory. — Edward respondeu se levantando e colocando o filme para que eles pudessem assistir.

— Seus pais sabem? Da morte dele? Você contou a eles?

— Sabem. — Respondeu sem se virar. Se recusando a olhar para ela.

— E eles não disseram nada? — Indagou.

— Meu pai é... Um homem distante. E minha mãe é obediente demais para o meu gosto. De qualquer forma, eles só souberam depois do enterro, então não acham que tem motivos para vir aqui. — Declarou ligando o DVD.

— Eles sabem sobre...

— Você? A gravidez? — Indagou se sentando outra vez. — Não. Pela sua reação, imaginei que você não iria querer que soubessem. Não agora pelo menos. De qualquer forma, acho que tem que ser você a contar.

— Obrigada. Eu gostaria que fosse assim. Sei que eles tem o direito de saber, porque é neto deles, mas...

— Eu sei. É muita coisa. Tudo no seu tempo, está bem?- Declarou enquanto assistiam o filme.

—*_*_*_*_*_*_*_*_*_*__**

— Não acredito que ele fez isso. — Respondeu sentindo os olhos encherem de água enquanto ria.

— Juro que fez. Ele apertou o botão principal do loja de móveis e todas as portas começaram a se fechar. As vendedoras ficaram desesperadas e meu pai furioso. Nós só estávamos nos divertindo.

— Como ele era? Quando pequeno. — perguntou se aconchegando na poltrona.

— O melhor irmão mais velho. Ele era divertido, tímido, mas inteligente. E superprotetor. Eu não sei se ele te contou sobre a minha entrevista.

— A reapresentação do procurando Nemo? Contou. — Respondeu se lembrando da história.

— Sempre pensei nas possibilidades daquele dia. Se eu tivesse aparecido naquela entrevista, nosso pai não teria se zangado e feito o que fez. Tom não estaria distraído na cirurgia e a menina provavelmente estaria viva.

— Edward?- ela o chamou, mas foi ignorada.

— Ele não teria abandonado a medicina e brigado com nossos pais. Ainda estaria em casa e....

— Edward! — disse mais alto, chamando sua atenção

— Desculpe. Eu só...

— Eu sei. Mas não vale a pena viver nas possibilidades. Eu mesma já pensei muito sobre isso. Se não tivéssemos brigado aquela manhã eu não teria saído. Ele ainda estaria vivo? Se eu não tivesse se quer levantado a questão de filhos... Isso não vai trazê-lo de volta, Edward. Não vale a pena sofrer por isso.

— Tem razão. Você tem razão. — Respondeu quando o filme acabou. — Já está tarde. Melhor eu ir...

— Não. — Pediu. — Fica. Me conta mais histórias. Sobre quando vocês eram pequenos.

— Bella, eu não acho que ..

— Eu sei o que você deve estat pensando .O que todos devem pensar, sei que é o que a Rosalie pensa. Que eu estou usando você pra cobrir o buraco que a falta dele deixou, mas não é isso. Juro que não é. Eu só quero meu amigo de volta. Tem meses que não ficamos assim, conversando, rindo. Sem julgamentos e acusações. Eu não quero perder isso agora. Por favor- suplicou.

— Eu já te contei sobre o nosso clube da árvore? — Perguntou, voltando as histórias.

—*__*_*_*_*_*_*_*_*_*__*

Ela já estava deitada na maca, esperando o exame começar. Rosalie do seu lado, atenta a tudo.

— Agora vamos começar os exames. Faz alguma ideia de quantas semanas está?

—Eu acredito que umas treze. Faz um tempo desde minha última menstruação e eu tenho sentido uns enjoos.

—Ótimo. Vamos ter a certeza com o ultrassom. Pronta para conhecer seu bebê?- perguntou e ela assentiu, com Rosalie segurando sua mão.

—A médica começou o exames, mas franziu o senho em um momento.

—Algo errado?

—Não, Eu.... Só um momento por favor. — Pediu se afastando e saindo da sala.

—Não deveríamos ouvir ou ver alguma coisa?- Bella perguntou.

—Eu não sei. Vamos esperar a médica. — Rose sussurrou de volta.

Alguns minutos depois, ela retornou acompanhada de um outro médico, mais velho.

—Como vai? — ele perguntou docemente

—Bem, eu acho. — Respondeu com desconfiança — O bebê está bem?

—Vamos ver isso em um segundo. — Respondeu realizando alguns exames.

—Tudo bem. — Bella assentiu esperando.

Alguns minutos se passaram e o médico se virou, fechando os olhos e voltando a encarar Bella.

—É Isabella, certo?

—Bella.- O corrigiu.

—Bem, Bella. Eu não sei bem como explicar isso, mas...

—Algo errado com o bebê? — perguntou sentindo seu coração bater.

—Esse é o problema, querida. Não há um bebê.

—O que? Não, deve haver um engano, eu fiz o teste e minha menstruação, os enjôos...

—Testes de farmácia podem dar um falso positivo. Falsos diagnósticos no exame de farmácia são muito comuns, de 20 a 30% a probabilidade desse ocorrido. E quanto a sua menstruação, algum estresse pode ter causado o atraso, assim como os enjôos.

— Não, eu conheço meu corpo. Sei que está diferente.

— Quanto a isso, isso pode ser explicado como gravidez psicológica. É um quadro que ocorre quando uma mulher deseja tanto um filho, que seu cérebro entende que ela gerou um, e seu corpo começa a mudar para se adaptar, mas acredite em mim, Bella. Você não está grávida. Eu sinto muito.

A expressão de Bella morreu, deixando apenas o silêncio.

—Eu vou deixá-las a sós um momento. — Respondeu saindo.

—Bella....- Rosalie começou, mas ela ergueu a mão, a parando.

— Eu quero ir pra casa, por favor- Respondeu terminando de se trocar.

— Tudo bem.

—*_*_*___*_*$_*_*_*_*__*_*

Elas chegaram no apartamento, Rosalie a seguindo para ter certeza de que estava tudo bem.

— Você pode ir.

— Eu não acho que te deixar sozinha agora seja...

— Uma boa ideia? Vou te contar uma novidade, Rose. É assim que vai ser daqui para frente. Melhor eu me acostumar. — Respondeu cruelmente. Estava cansada de meias palavras.

— Bella, não...

— Não o que? Eu tive me mantido forte, porque esse bebê, esse bebê que eu tanto queria, precisava de mim, mas adivinha só? Ele não existe! Tom e eu brigamos por uma coisa que nem ao menos vai acontecer. Você entende isso? Entende o que significa, Rosalie?

— Não começa com isso outra vez. Não vai te levar a nada. Você quer que eu faça alguma coisa? — perguntou quando ela começou a se acalmar.

— Eu só quero ficar sozinha. Mesmo. — Suplicou.

— Eu vou, mas só se prometer que vai me ligar se precisar.

— Eu prometo. — garantiu se despedindo da amiga. — Obrigada.

Assim que Rose deixou o apartamento, Bella começou a andar pelos cômodos, olhando para tudo que lá havia. Seu ateliê, que não mexia fazia tempo. O retrato de Edward que ainda estava destruído e o de Tom, que se mantinha intocado.

Ela voltou para o quarto, olhando a pilha de cartas, que havia sido incapaz de ler. As espalhou pela cama, as tomando na mão e lendo uma por uma. Até a última delas. Estava tudo ali. A comunicação dele com Tom, ele contando sobre sua residência e perguntando como andavam as coisas por aqui. Ficando feliz quando Tom havia encontrado seu caminho e junto dele a encontrado, e nas mesmas cartas, dizia que também havia se apaixonado, mas era um amor impossível.

Bella leu até a última carta, ainda incapaz de digerir o que havia lido, pegou seu telefone, discando o número da agenda.

— Phill? É a Bella. Sim, eu liguei para falar sobre a exposição em Tóquio. — Declarou, andando de um lado para o outro. — Na verdade a hora é perfeita. Um tem fora do país vai me fazer bem. Então, quando eu viajo?

Notas finais
Aqui estamos com mais um. Para a alegria de uns e tristeza de outros, não tem baby vindo não. Ela leu as cartas e agora sabe o que ele se sente. Ainda estou ruim na gripe, então a revisão fica pra outro dia. Mas quero saber o que acharam. Continuem acompanhando, comentando e recomendando.