Cartas do Passado

7 Capítulo 07 - Carta número 06


Notas iniciais
Aqui estamos com mais um capítulo. As cartas do Tom estão acabando, para nosso desespero, mas aqui está a surpresa!! São dez, mas não serão as últimas. Alguem arrisca palpite sobre de quem são as outras? A fic terá 30 capítulo. Quero agradecer também a recomendação linda que a fic recebeu. Isso anima a gente.

Home — Phillip Phillips

Cause I’m going to make this place your home

Porque eu vou fazer deste lugar o seu lar

Settle down, it'll all be clear

Acalme-se, tudo vai ficar claro

Don't pay no mind to the demons

Não preste atenção aos demônios

They fill you with fear

Eles enchem você de medo...

Chicago, 01 de janeiro de 2016

É o inicio de um novo ano, irmãozinho. Estou feliz como não tenho estado em muito tempo. Acho que meu sexto sentido falhou dessa vez. Estou melhor do que nunca.

Ainda me lembro como foi a mudança e as coisas com a Bella não poderiam estar melhores. Mas como comigo tem sempre um porém, aqui está o meu:

Ela quer que eu conheça o melhor amigo dela. Confesso que sabia que esse dia chegaria. Eu já conheci seus pais e isso não me assustou mais do que agora. E se ele não gostar de mim? Eles se conhecem há mais tempo e não sei se conseguiria pedir que ela se afaste. Ela parece feliz quando fala com ele.

Eu quase sinto como se o conhecesse. Eles se conheceram pela internet e tem mantido uma amizade desde então. Parece que ele vem para a cidade por esses dias. Eu não posso dizer que ele parece uma má pessoa, já que só falei com ele uma vez e rapidamente, mas também não posso dizer que seja uma boa pessoa. Só eu sei como as aparências enganam, irmãozinho.

Agora, sobre o não tão pequeno B; ele cresceu muito mais do que Bella e eu esperávamos, mas ainda sim o amamos. Ainda mais agora, que não temos que compartilhar a guarda. Ele é tão bom cão quanto o Sargento. A propósito, como ele está? Gostaria de vê-lo, mas você entende, não é?

Eu tenho uma novidade. Bella me disse uma vez que eu devia esquecer minhas paranóias e fazer algo que amasse. Foi pensando nisso que me candidatei para uma vaga na ala de neurologia no Chicago Balmes Hospital, e adivinhe? Fui aceito. Começo na segunda semana de janeiro e não poderia estar mais animado.

Eu acho que a roda está finalmente rodando ao meu favor e a lei de Murphy resolveu tirar um tempo de folga. Talvez possamos até nos acertar em breve, irmãozinho. Sinto que nessa nova fase da minha vida, tudo é possível.

Do seu irmão mais velho;

Clarke.

— Acho que pegamos tudo, certo? – Tom perguntou, prendendo a coleira no não tão pequeno Bucky com uma mão e pegando a mala com a outra.

— Sim. Passaportes, passagens, malas. Tem certeza de que Emmett não se importa de ficar com ele? – Perguntou carregando sua mala também.

— Rose adora animais.

— Claro que adora, ela é veterinária. – Comentou, sorrindo.

— Vãos ser só algumas semanas. Retrucou, a beijando rapidamente, trancando a porta.

Assim que a porta foi fechada, o telefone começou tocar, enquanto eles desciam até a garagem.

Tom, aqui é o Emmett. Eu estou com os resultados do seu exame. Você está bem. Um pouco anêmico, mas bem. Eu acho que só queria te tranqüilizar um pouco. Enfim, eu só liguei para dizer isso e a gente conversa melhor quando você voltar de viagem. Então... Até mais.

E assim, a mensagem foi encerrada, deixando apenas, o som ensurdecedor do silencio.

~*~*~*~*~*~*~*~*

— Sinto muito que tenhamos adiado a viagem por causa da galeria. – Bella declarou, enquanto o táxi se dirigia ao aeroporto.

— Eu já disse que está tudo bem. Além disso, será uma época perfeita. Podemos assistir algumas exibições de obras de arte que só são feitas em dezembro, além disso, vamos passar o ano novo em Paris. O que mais um casal poderia desejar? – Tom explicou, passando o braço sobre os ombros de Bella, que se aconchegou a ele.

— Você está certo. Eu queria contar uma coisa. – Bella sussurrou, mordendo o lábio inferior.

— O que você aprontou? – Tom perguntou, estreitando os olhos.

— Por que acha que eu aprontei alguma coisa? – Questionou.

— Você está brincando com os dedos e mordendo o lábio. Faz isso quando está nervosa. – Rebateu, quando ela continuou o observando. Como ele podia ser tão perfeito? Era inteligente, divertido, carinhoso, atencioso, além de absurdamente lindo. – O que? Eu observo.

— Estou vendo. – Sorriu balançando a cabeça. – Então, se lembra do Edward? Meu amigo? – Questionou.

— O do procurando Nemo? – Perguntou, fazendo Bella assentir. Tom balançou a cabeça, indicando para que ela continuasse.

— Ele disse que precisava vir para Chicago, resolver umas coisas, e ele meio que... queria conhecer você?

— Eu? – Indagou, confuso.

— Claro.

— Por que?

— Bem, somos amigos, e você é meu namorado. Acho que ele só está curioso. Sempre falo de você para ele, então acho normal que ele queira te conhecer.

— Está bem. – Murmurou, nervoso. – Quando ele vem?

— Na primeira semana se janeiro. Dois dias depois de voltarmos. Por falar nisso, quando você começa no hospital? – Perguntou.

— Dia dez.

— Animado? – Perguntou entusiasmada.

— Apavorado. – Respondeu, descendo do carro.

— Não tem razão para isso. – O tranqüilizou.

— Eu não sei. E se... Se eu estragar tudo de novo? – Perguntou segurando a mão dela, caminhando em direção ao balcão do aeroporto.

— Tom, eu já disse a você que...

— Eu sei, eu sei. Estou sendo ridículo, desculpa. – Pediu, sorrindo, a beijando, deixando Bella ligeiramente tonta, fazendo ela se perguntar se sempre se sentiria assim todas as vezes que ele a beijava. Como se flutuasse. Se a resposta fosse sim, ela seria muito, muito feliz.

— Olha ali. – Apontou para um senhor, enquanto esperavam no portão de embarque.

— O que? – Rebateu, quando Tom enlaçou sua cintura, sussurrando em seu ouvido.

— Olha no canto. Aquele senhor. – Acrescentou, quando uma senhora se aproximou do pequeno senhor que segurava um buque de flores.

— Que gracinha. – Bella sussurrou, assistindo ao reencontro deles.

— Acha que chegamos a isso? — Questionou, apertando sua cintura, cheirando seu pescoço.

— Tom. – Murmurou, apertando o braço dele, que envolvia a cintura dela.

— Estamos em um aeroporto. – Respondeu, fechando os olhos e controlando sua respiração.

— Eu sei. – Rebateu, com um olhar inocente. – Eu só fiz uma pergunta.

— Não comece uma coisa que não vamos poder terminar por horas.

— Por horas? – Indagou. – Mas e...

— Tom, eu sei que você assistiu férias frustradas, mas nós não vamos fazer a cena do banheiro. – Respondeu sorrindo da cara de decepção dele.

— Droga. – Murmurou, beijando seu pescoço e se afastando, quando ela girou em seus braços o puxando.

— Eu acho que vamos chegar a isso. E ainda seremos muito felizes. – Respondeu, passando os braços em torno de seu pescoço. – Acho que seremos mais felizes do que muitos casais.

— O mais feliz dos casais. – Tom completou.

— O mais feliz dos casais. – Bella repetiu o beijando.

— E você ainda vai me amar quando eu estiver todo enrugado? – Perguntou arqueando a sobrancelha.

— Completamente. – Acrescentou, quando ouviram a chamada para o vôo. – Vamos. Nossas férias vão começar. – Declarou o puxando pela mão.

~*~*~*~*~*~*

— Você quer o corredor ou a janela? – Tom perguntou, ainda segurando a mão de Bella. Desde que haviam entrado não conseguia soltar.

— Janela! – Pediu empolgada, se sentando, olhando para sua própria mão enlaçada com a dele. – Você está bem? – Perguntou, quando ele se sentou, balançando a perna.

— C- c-claro..- Gaguejou apertando o braço da poltrona quando a voz do piloto anunciou que estavam prestes a decolar.

— Tom, por que está gaguejando? – Perguntou preocupada.

— Co- coloca o ci-cinto, p- por favor. – Pediu, apertando os olhos.

— Você tem medo de avião. – Constatou. – Nunca te vi gaguejando.

— Eu fa- faço isso quando estou apa-pa-vorado. – Respondeu respirando fundo. – Ainda me-me atrapalho c-com as palavras q-quando me sinto a-assim.

— Amor, está tudo bem. Não tem porque ter medo. – Sussurrou apertando sua mão. – É seguro.

Bella o observou, sem saber o que fazer para acalma-lo. Nunca havia o visto daquele jeito.

— Já-já vai passar, Be-bella. – Gaguejou, quando o avião concluiu a decolagem. Ouvir aquele Be-bella partiu seu coração. Ela continuou segurando sua mão firmemente, enquanto a outra tocava seus cabelos.

— Shiu... Está tudo bem, Tom. Respira. – Pediu, e com seu toque, ele foi relaxando. – Viu? Está tudo bem.

— Estamos v-voando. –Sussurrou, olhando pela a janela. Seus olhos brilhavam, fazendo Bella sorrir. – Estamos voando. – Repetiu, mostrando que estava mais calmo. A gagueira havia parado e sua respiração começava a se acalmar

~*~*~~*~*~*~*~*~*

— Se sente melhor? – Bella perguntou, afagando seu cabelo.

— Um pouco. – Respondeu, coçando a nuca. – Desculpe pelo meu ataque mais cedo.

— Você tem medo de andar de avião, eu entendo. – Rebateu com um sorriso fraco. – Embora a gagueira tenha sido uma surpresa para mim.

— Quando... eu era um garoto, eu tinha alguns problemas de confiança. Minha mãe tentou me ajudar, porque... isso envergonhava meu pai. Ela fazia meu irmão e eu lermos para ela. Sabe, para ajudar a melhorar. Além disso, tinha outros fatores. Meu pai era cirurgião chefe do hospital, então participava de jantares e eventos sociais. Quando eu tinha dez anos, ele decidiu que éramos maduros o bastante para participar desses jantares. Eu disse que não queria ir, mas ele não era muito bom em ouvir.

— Você estava nervoso. – Constatou.

— Apavorado. Eu não gostava de falar em público e meu pai não... sabia da gagueira. Foi vergonhoso. – Acrescentou. – Eu freqüentei uma fono e melhorei, mas ainda gaguejo quando fico nervoso ou assustado. E foi o que você viu mais cedo.

— Sinto muito. – Bella declarou, apertando sua mão, franzindo o cenho. – Sabe de uma coisa? Tive uma ideia. – Acrescentou se aproximando e sussurrando em seu ouvido. – Conta até trinta e depois me segue, está bem? – Pediu, sorrindo e se levantando.

— O que? – Tom murmurou, arregalando os olhos quando descobriu para onde ela estava caminhando. – Férias frustradas. – Disse baixo, começando a contar...

~*~~*~*~*~*~

— Acho que vai ser divertido. – Bella sussurrou, quando Tom entrou, fechando a porta.

— Pensei que não fossemos fazer essa cena do filme.

— Eu mudei de ideia. Mas ainda não quero que a cena acabe daquele jeito, então vamos abaixar isso aqui. – Apontou para a tampa do vaso e o beijando em seguida. – Você acharia nojento sentar no vaso? Quero fazer uma coisa. – Declarou, o empurrando e se sentando em seu colo.

— Como poderia achar isso nojento com você sentada no meu colo? – Perguntou, mordiscando o pescoço de Bella.

— Sem preliminares. – Bella sussurrou, agarrando os cabelos dele, quando ele abriu as calças e ergueu o vestido que Bella usava, puxando-a contra o próprio corpo.

— Temos poucos minutos. – Tom respondeu, enterrando o rosto na curva do pescoço dela gemendo alto, e Bella mordia o lábio, abafando seu próprio gemido e se movimentava mais rápido.

— Mais rápido. – Bella, pediu mordendo o ombro de Tom, tentando desesperadamente não fazer tanto barulho.

Tom agarrou as pernas dela, puxando para si, a erguendo, ficando de pé, quando o avião balançou, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio, fazendo Bella bater contra a parede.

— Você está bem? – Sussurrou para ela, que tremia, escondendo o rosto contra seu pescoço. – Está tremendo.

— Estou bem. – Respondeu deixando uma risada escapar.

— Você está rindo? – Perguntou sem acreditar. – Isso mexe com o meu ego, sabia?

— É só uma turbulência. Está tudo bem. – Ela falou retomando o controle, quando Tom continuou investindo contra ela, fazendo Bella arquear o corpo, tombando a cabeça, apertando as pernas ao redor de Tom, o fazendo gemer, beijando o pescoço dela, subindo até seu maxilar.

— Isso faz cócegas. – Resmungou, baixando suas pernas, que continuavam moles. As mãos dela estavam apoiadas no ombro de Tom, o beijando rapidamente, se recompondo.

— Isso foi... – Tom declarou, ainda ofegante.

— Muito bom. E ninguém terminou molhado. – Bella disse, arruando seu vestido, se limpando o melhor que pôde.

— Mais o menos, não é? – Brincou, arrumando os cabelos dela, que estavam ligeiramente desgrenhados.

— Engraçadinho. Eu vou sair e você vai depois. – Disse o beijando e saindo, olhando para os lados. – Vem. – Pediu, puxando um Tom muito sorridente pela mão. – Acho que ninguém nos ouviu.

— Senhores? – Eles pararam ao ouvir um pigarro atrás deles. Ao se virarem uma aeromoça estava parada atrás deles, com os braços cruzados. – Vamos pousar em alguns minutos. Voltem ao seus lugares, por favor.

— Claro. – Bella respondeu, corando e caminhando de volta aos seus lugares. – Pensei que tivéssemos sido pegos. – Sussurrou para Tom, quando se sentaram.

— E fomos. Quando me virei a aeromoça estava sorrindo. – Tom respondeu cobrindo o rosto sorrindo. – Mas ainda sim, valeu muito a pena. Você fica linda assim

— Assim como? – Perguntou se remexendo na cadeira, quando ele se aproximou dela, sussurrando em seu ouvido.

— Corada desse jeito. Essa cor rosa nas suas bochechas, — se aproximou ainda mais dela. – é a mesma cor que aparece quando você está gemendo meu nome quando estamos juntos. É linda.

— Você é muito fofo. – Bella respondeu, quando o sinal de apertarem os cintos surgiu. – Acho que vamos pousar.

Tom assentiu, agarrando a mão dela e fechando os olhos.

— Você está bem? – Ela perguntou e ele assentiu, respirando fundo.

— Estou. – Disse abrindo os olhos e olhando para ela. – Não estou mais com medo. Tenho algumas coisas muito melhores para me concentrar e pensar.

— Fico feliz em ajudar. – Respondeu o beijando, quando o avião pousou e a porta se abriu. – Chegamos. Podemos finalmente começar nossas férias.

— As melhores de todas.

~*~*~*~*~*~*~*

— Quais os planos para hoje? – Bella perguntou enquanto Tom colocava as malas no canto do quarto.

— Tem uma exposição que começa em algumas horas. Tempo suficiente para um banho e um jantar. Fiz reservas no Kong Restaurante.

— Kong? – Perguntou, arregalando os olhos. – O Kong restaurante? Esse é...

— O restaurante com a saca de uma cúpula de vidro. Aquele que você pintou.

— Não acredito que conseguiu uma reserva.

— Eu fiz antes de comprar as passagens. Tecnicamente, seria nossa ultima noite aqui, mas acabou sendo a primeira por causa do atraso, então é ainda melhor. – Declarou a beijando, fazendo Bella se virar para a janela, admirando a vista.

— Isso é incrível. – Disse, admirando as luzes que iluminavam a cidade. Tom se aproximou tocando sua cintura e beijando seu pescoço.

— Fico feliz que tenha gostado. – Sussurrou em seu ouvido puxando o corpo dela contra o seu. – Como uma banheira cheia de espuma soa para você?

— Muito, muito bem. – Ronronou, levando sua mão até a nuca de Tom.

— Eu vou encher a banheira. Por que não fica mais... a vontade? – Perguntou, descendo o zíper do vestido dela.

— Acho que é uma boa ideia. – Gemeu, quando Tom beijou sua nuca e se afastou, caminhando até o banheiro.

Tom entrou no banheiro, ligando a água quente. Enquanto ela enchia, ele retirou o casaco que vestia, tirando logo em seguida sua camisa. Haviam algumas velas espalhadas pelo banheiro, onde Tom acendeu uma por uma. Quando a banheira estava cheia, ele despejou alguns sais de banho, e terminou de se despir, vestindo apenas um roupão de banho. Antes de sair do banheiro, pegou seu celular conectando ao rádio do quarto, ligando uma musica suave.

Quando voltou ao quarto, as luzes estavam apagadas, mas ele conseguia ver uma sombra na cama. Ela havia adormecido. Também vestia um roupão de banho.

Tom se aproximou dela, ainda sorrindo. Não tinha ideia de como havia tido tanta sorte, mas ela estava ali. E o amava. Olhando para ela, conseguia pensar em tudo que havia acontecido em sua vida. Seus pais, seu irmão, sua carreira e agora ela.

Ainda a admirando, ele se ajoelhou ao seu lado, afastando os cabelos de Bella, que caiam em seu rosto. Quando ele acariciou seu rosto, ela gemeu baixinho e sussurrou seu nome, quando abria preguiçosamente seus olhos.

— Olá. – Tom sussurrou, ainda brincando com uma das mexas de seu cabelo.

— Acho que dormi. – Respondeu sorrindo, bocejando.

— O banho está pronto. Vai te acordar um pouco. – Explicou estendendo a mão, que Bella rapidamente agarrou, enquanto ele a guiava até o banheiro.

— Tom! – Exclamou, levando a mão até a boca, observando cada detalhe do cômodo. – Isso é...

— Para você. – Respondeu desamarrando o laço do roupão que ela usava. – Depois podemos nos vestir e sair para jantar e ver a exposição de Alphonse Mucha. Mas essa não é a atração principal da noite. – Acrescentou sorrindo.

— Não é? Eu pensei...

— Você deve saber que nessa época também ocorre uma exposição de alguém um pouco mais... conhecido. – Soltou, deixando que ele entendesse o que queria dizer.

Ao perceber a que Tom se referia, Bella se virou rapidamente na banheira, se sentando sobre o colo dele.

— Não! – Exclamou, com os olhos brilhando de excitação. – Picasso... – Murmurou, quando Tom assentiu, completando sua frase.

— Plus précisément une exposition de Picasso. Chefs-d'œuvre. – Citou em Frances, fazendo com que ela o beijasse.

— Mais precisamente uma exposição de Picasso. Obras-primas! – Ela traduziu sorrindo. – Você fica sexy falando Frances. – Comentou com um sorriso bobo.

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*

O táxi parou na porta do restaurante, quando Tom se aproximou dela sussurrando. – Espere aqui. – Pediu, pagando o motorista e descendo rapidamente e abrindo a porta do carro para que Bella pudesse sair.

— Você é encantador senhor Hopkins. – Agradeceu, com os olhos brilhantes.

— Eu posso dizer o mesmo sobre você, senhorita Swan. – Respondeu, levando o braço de Bella até a dobra de seu cotovelo, a conduzindo até o restarante.

— Boa noite, fizemos uma reserva. – Explicou para a moça que estava na porta em um Frances impecável, fazendo Bella sorrir, quando ela assentiu os levando até a mesa.

Eles fizeram o pedido e beberam vinho, enquanto conversavam sobre tudo e sobre nada. Estar com ela era... fácil, simples como respirar. Talvez fosse a hora. Deixar seu passado para trás e seguir em frente. Viver sua vida e até se casar. Mas ainda haviam um ponto que não haviam tocado e não poderia dar passo algum antes que fizessem isso. Por isso, ele decidiu apenas aproveitar a sobremesa que haviam pedido, enquanto desfrutava da companhia de Bella pelo resto da noite.

Eles estavam terminando o bolo de chocolate, quando Tom sentiu uma leve queimação, e seu estomago se embrulhando levemente.

— Eu já volto. – Avisou se levantando e caminhando apressadamente até o banheiro, sentindo seu estomago revirar ainda mais. – Inferno. – Praguejou, abrindo a porta rapidamente despejando tudo que havia dentro de si contra o vaso, implorando mentalmente que não tivesse sujado sua roupa.

Depois de alguns minutos, conseguiu retomar o controle e saiu do reservado, apoiando as mãos contra a pia, olhando seu reflexo no espelho. Ele parecia pálido e haviam algumas gotas de suor em sua testa.

— Que droga está acontecendo comigo? – Murmurou lavando o rosto e o secando antes de sair. Ainda se sentia enjoado, mas a noite estava apenas no começo. Ele tirou do bolso o frasco que Emmett havia receitado e tomou um comprimido, torcendo para se sentir melhor.

O mais tranquilamente que pôde, Tom voltou para a mesa, sendo observado por olhos preocupados de Bella.

— Você está bem? – Questionou.

— Claro. Quer mais alguma coisa? Ou podemos ir para o museu? – Perguntou e ela negou, sorrindo para ele enquanto ele pedia a conta. Bella levou a mão até a bolsa para dividir a conta, e ele a olhou confuso.

— O que pensa que está fazendo? – Perguntou confuso.

— Pagando minha parte? – Respondeu em tom de pergunta.

— Não vai não.

— Mas... – Tentou protestar.

— Bella, tudo que fizermos aqui, é parte do seu presente, está bem?

— Mas não é justo. Você comprou as passagens e...

— Com as minhas milhas. Eu usei minhas milhas. E tudo mais é de um dinheiro que eu tenho guardado por anos! – Explicou. – Acredite, o prazer de poder olhar para você todas as noites, ao fundo da paisagem dessa cidade, compensa cada centavo.

— Não é justo. – Protestou.

— Não, não é. Ver você todas as noites inacreditavelmente linda assim, faz com que cada centavo valha a pena. Acredite quando eu digo isso Bella, minhas razões são quase egoístas. Porque te ter aqui, me faz tão feliz que eu nem sei como explicar isso. Então, não tire esses prazeres de mim, Pan. – Declarou, piscando para ela, e estendendo a mão para que ela se levantasse.

Enquanto caminhavam, Tom tentou demonstrar que o desconforto havia passado, mas não estava tão fácil.

— Tudo bem?

— Claro.- Respondeu sorrindo e Bella pôde ver que suas bochechas estavam vermelhas.

— Tom? – Insistiu e seu rosto se contorceu.

— Tudo bem, acho que o jantar me deixou um pouco enjoado. – De zero a dez, quanto eu seria um péssimo namorado se não te acompanhasse até a exposição?

— Acha mesmo que eu o deixaria no quarto enquanto se sente mal?

— Olha, provavelmente foi a viagem e tudo mais. Eu ficarei bem em algum tempo e te encontro lá. Não quero que perca a abertura. Dizem que é a melhor parte. Por favor! – Suplicou quando ela estava prestes a recusar. – Por mim?

— Não é justo que peça isso. Não assim, querido.

— Eu vou voltar para o quarto e tomar um anti acido, me deitar um pouco e te encontro lá. Eu estou bem. Duas horas são tudo que eu preciso. E ainda é cedo.

— Tem certeza disso? – Bella questionou, ainda em duvida.

— Absoluta. Te encontro em uma hora, duas no máximo. – Respondeu a beijando, se despedindo quando o táxi parou na porta do hotel. Tom pagou o motorista e pediu para que levasse Bella até a exposição e esperasse que ela entrasse antes de partir, depois de acertar todos os gastos.

~*~*~*~*~*~*~

Como combinado, o taxista esperou até que Bella descesse do carro e entrasse na galeria. Faltavam pouco mais de cinco minutos para abrirem a sessão mais aguardada e Bella estava ansiosa por isso. Poderia se sentir completamente feliz se não fosse pelo fato de estar pensando em Tom.

As portas se abriram e o público começou a avançar. Bella olhava cada peça maravilhada, mas algo a impedia de aproveitar completamente a noite.

— Apreciando esta? – Um rapaz perguntou ao se aproximar, estendendo uma taça para Bella.

— Não, obrigada. E sim, essa é a minha favorita. A mãe e a criança. Não tem tantas...

— Cores? – Completou o desconhecido.

— É. Não tem tantas cores. Mas ainda sim, tem alguma coisa nela que é linda. Ela beijando a testa do menino enquanto o envolve em um tipo de abraço.

— É realmente lindo. – Ele declarou olhando para ela. – Gosta de todos os quadros dele ou esse chamou sua atenção em especial?

— Acho que gosto de como ele via as coisas. A maneira como seu desenvolvimento da figura feminina se distancia das alusões sexuais englobadas nas imagens de prostitutas, ao retrato mais sagrado da...

— Figura materna. – Completou outra vez, dessa vez sorrindo e estendendo a mão. – Eleazar Denali.

— Isabella Swan. – Bella respondeu estendendo sua mão.

— É sempre um prazer conhecer uma jovem tão inteligente. Ainda mais quando essa jovem é tão encantadora. – Declarou sorrindo. — Está acompanhada, Isabella? – Indagou, fazendo Bella procurar por horas.

Ao olhar para seu relógio de pulso, notou que já havia passado uma hora e meia e Tom não havia aparecido. Ela caminhou até um canto afastado do museu, pegando seu celular tentando ligar para ele. Depois de alguns toques ninguém ele ainda não havia atendido.

— Na verdade sim. Eu vou me encontrar com meu namorado agora, então, se me der licença. – Pediu educadamente.

— Certamente. – Respondeu sorrindo e assentindo.– Novamente, foi um prazer, Isabella. Espera encontra-la em outra oportunidade, assim como seu namorado. Tenha uma boa noite. – Se despediu, se afastando.

Ela havia visto e fotografado a exposição, mas sua noite não seria completa sem aquele que havia a levado ali. Já havia se divertido, e não tivera nenhum sinal de Tom. Bella chamou um táxi, voltando para o hotel onde estavam hospedados.

~*~*~*~*~*~*~*~

Bella entrou o mais silenciosamente que pôde no quarto, encontrando o casaco de Tom, jogado ao chão. Ela se aproximou da cama, o encontrando deitado, abraçando seus joelhos com um braço, enquanto o outro cobria seu rosto.

— Tom? – O chamou, mas tudo que conseguiu foi um gemido baixo, enquanto suas pálpebras tremiam e ele abria os olhos.

— Bella? O que você...? A exposição? – Indagou levando a mão até o abajur, o acendendo.

— Foi linda, mas não tinha mais graça ficar lá sem você. Além disso, você disse duas horas e eu quis ver como você estava. – Explicou tocando os cabelos de Tom. – Como se sente?

— Nunca mais quero comer ravióli.- Murmurou se aconchegando mais para perto dela.

— Você...?

— Sim, tudo para fora. – Explicou fechando os olhos.

— Quer dizer que está sem nada no estomago. Vou pedir alguma coisa para gente comer, está bem? – Perguntou e ele assentiu. – Algum pedido especial?

— Que você coma comigo. – Suspirou.

— Está com sono? – Bella sussurrou em seu ouvido.

— Não. Por quê?

— O que acha de um filme? – Indagou, fazendo ele sorrir.

— Parece uma ótima ideia.

A comida chegou e Bella lhe deu de comer, mesmo sobre protesto de que ele poderia fazer aquilo sozinho.

— Eu sei que pode. Mas ainda sim, eu quero. – Respondeu e ele assentiu, mas fez o mesmo por ela.

Depois de que o filme acabou, Tom ressoava baixinho, ainda enroscado ao lado de Bella. Os braços dele envolviam sua cintura e sua cabeça se mantinha sobre o peito de Bella, enquanto ela brincava com os cachos dele.

~*~*~*~*~*~*~*~*~*

Alguns dias haviam se passado e Tom havia melhorado, não se sentia mais enjoado. Era véspera de ano novo e ele já havia preparado uma surpresa, torcendo para não se sentir mal outra vez.

Eles estava caminhando pela porte dos cadeados, quando Tom a parou, puxando sua mão e tirando algo do bolso.

— O que...? – Perguntou, quando estendeu um pequeno cadeado para ela. Ele era pequeno e continha algumas manchas de tintas, além das inicias deles.

— Pensei que pudéssemos colocar um também. – Tom respondeu, enquanto Bella admirava o pequeno cadeado.

— É lindo.

— Não tão linda quanto a dona da inicial, mas sim. – Indagou, afastando uma mexa de cabelo que havia voado em seu rosto e a puxando pela nuca, a beijando. – Logo vai anoitecer. Eu prometo que serei uma companhia muito melhor esta noite.

— Tom, aquilo não foi sua culpa.

— Eu sei, mas hoje... – Respondeu distribuindo vários beijos. – Vai ser muito melhor. Agora vem. – Acrescentou entrelaçando seus dedos, depois que ela prendeu o cadeado.

Bella estava se vestindo no banheiro, enquanto Tom terminava de arrumar o quarto. Assim que a porta se abriu, os olhos de Bella observaram todo o quarto, parando na figura perto da porta da sacada.

Os olhos de Tom se demoraram em suas pernas, subindo, encontrando um par de olhos castanhos, que brilhavam sobre a luz das velas que estavam espalhadas pelo quarto.

— Eu pensei... Que para evitar riscos, um jantar mais... íntimo seja melhor. – Disse, saindo do campo de visão, deixando que Bella apreciasse a vista.

A mesa estava posta bem ao centro da sacada. Haviam luzes penduradas, contornando a moldura da porta, iluminando os pratos que estavam sobre a mesa, assim como uma garrafa de vinho.

— É lindo. – Bella sussurrou.

— Eu diria que está bem arrumado. Você por outro lado. – Apontou para ela, se aproximando, tocando na alça fina do vestido branco que ela usava, beijando seu ombro. A parte da cintura era coberta por algumas partes rendadas e ele se abria na parte da cintura, que rodopiou quando ele pegou em sua mão e a girou, deixando seus olhos passearem por todo seu corpo. – Linda... – Sussurrou, colando as costas de Bella ao seu peito. – Agora o jantar nos espera.

Ele a guiou para a sacada, empurrando suas costas levemente, sem deixar de beijar o ombro dela, puxando a cadeira para que ela se sentasse.

— Onde você se imagina daqui a cinco anos? – Bella perguntou, bebendo sua taça de vinho.

— Fácil, com você. Estaremos juntos no apartamento, o Bucky vai ter parado de crescer.

— Assim espero. – Bella completou rindo, erguendo sua taça.

— Eu estarei trabalhando no hospital, como um especialista em neurologia e você, — disse erguendo sua própria taça na direção de Bella. – será uma pintora conhecida, que já vendeu centenas de quadros, e as galerias vão implorar para expor seus quadros. – Acrescentou sorrindo.

Bella olhou para o céu, admirando os fogos, se levantando, apoiando as mãos no parapeito, enquanto Tom colava seu corpo contra o dele.

— Já é ano novo? – Bella perguntou, quando Tom olhou para seu relógio.

— Ainda não. Faltam alguns minutos. – Respondeu, beijando seu ombro, afastando a alça do vestido.

— Que bom. – Gemeu se virando e o empurrando, fazendo Tom franzir o cenho, confuso.

Bella correu para dentro do quarto, ligando a música, enquanto Tom arqueava a sobrancelha, sem entender o que ela fazia. Bella puxou a colcha da cama e a estendeu no chão, perto da sacada, voltando para perto de Tom, pegando sua mão, o arrastando para a cama improvisada, o empurrando para que se deitasse.

— O que está fazendo? – Perguntou, com um sorriso brincando nos lábios, quando Bella se sentou em seu colo, brincando com os cabelos, sussurrando em seu ouvido.

— Quero esteja fazendo amor comigo quando o ano começar. – Pediu, abrindo os botões da camisa que Tom usava, enquanto ele erguia o vestido dela. E atrás deles, quando os primeiros fogos de artifício atingiram o céu, colorindo a noite, ele a fez sua, de novo e de novo.

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

Era o ultimo dia da viagem, quando eles caminhavam por uma praça, quando se sentaram no banco, Bella brincando com os dedos dela, entrelaçados nos dele.

— Você pensa em quantos filhos terá?- Bella perguntou, olhando para as crianças brincando, mas ele não respondeu. — Tom?

— Bem... Na verdade não, porque... Porque eu não quero filhos. – Explicou baixando os olhos.

— Nunca?- indagou chocada, parando de brincar com os dedos, mas ainda sim, segurando a mão dele.

— Eu não sei, mas acho que não. Nunca. – Explicou, olhando para ela.

— Isso... Isso...- Murmurou negando com a cabeça.

— Não é importante. – Completou, com desdém.

— Não é importante?- repetiu, sem acreditar. — Thomas, como isso pode não ser importante? — Questionou, olhando em seus olhos, buscando respostas.

— Eu diria que pela sua reação, você quer filhos, não é? – Perguntou, quando ela soltou sua mão, Tom torcia suas mãos, nervosamente.

— É claro. — Tom era o namorado prefeito e havia demorado, mas Bella finalmente havia encontrado uma falha. Como ele podia dizer que não era importante?

— Eu nunca gostei muito de crianças. Não tenho uma boa explicação para isso, se é o que está esperando. As coisas são como são. – Acrescentou, olhando para ela, apontando para as crianças que brincavam mais a frente. — Crianças são fofas, é verdade, mas também são seres irracionais. Eu gosto de resolver as coisas pela conversa. Meu irmão sempre foi o emotivo de nós dois. Ele sim adora crianças, mas eu nunca tive apego a elas. E ainda tem o meu pai.

— O que tem o seu pai? – Murmurou, ainda digerindo as informações.

— Olha só, eu... Eu não tive um bom exemplo em casa, está bem? Meu pai errou como pai e como ser humano, e sempre que penso nisso, penso em como poderia ter sido tudo diferente.

— O que quer dizer? – Questionou, deixando que ele segurasse sua mão outra vez.

— Quero dizer que podia ter me tornado alguém como ele. – Exclamou. — E a pressão de ter uma vida que depende de você, qual você vai ensinar o que é certo e errado, nunca pensei que fosse para mim. Além do mais, eu sou feliz com o que tenho. Eu tenho você, nossos amigos, o Buck.

— Thomas, Buck é um cachorro. Eu o amo, mas não existe comparação a um filho. – Explicou, esfregando a nuca, baixando os olhos.

— Está decepcionada?- Ele perguntou, quando ela torcia os dedos.

— Eu não sei... Eu... Você acha que vai mudar de ideia algum dia? – Perguntou e ele sorriu.

— Eu não sei, Bella. Talvez sim, talvez não, mas o que eu sei, é que não seria justo fazer uma promessa da qual talvez eu não possa cumprir, então tudo que eu posso dizer por agora, é eu não sei. – Respondeu se levantando e estendendo a mão para ela. — Vamos, temos que voltar para o hotel e fazer as malas. O vôo é daqui algumas horas.

Assim saíram caminhando, tom agarrado a mão de Bella, enquanto ela se afastava do parque, ainda olhando as mães e as crianças brincando, enquanto ela imaginava se algum dia estaria em um grupo como aquele.

Notas finais
Finalmente conhecemos um defeito de Tom. Ele não quer filhos. Será que Bella lidará bem com isso? Eleazar se deu mal. Continuem acompanhando e comentando. Recomendações são bem vindas.