Cartas de um amor desconhecido
27 Capítulo 27
Meu Deus.. Como aquilo doía, acho que uma facada teria doído menos..
Minha melhor amiga, aquela que estava comigo desde sempre e que me prometeu inúmeras vezes que seria para sempre, aquela que me ajudava quando eu estava mal, que eu contava tudo e que eu sabia tudo também, bom, pelo o menos era o que eu achava... Só me veio uma pergunta na cabeça "Por que?", o que eu tinha feito para os dois para que ambos me apunhalassem pelas costas? Se ele gostava dela, porque me pediu em namoro? Se ela gostava dele, por que não me disse? E aquela carta? Como o tal do Menino Apaixonado sabia de tudo isso? Quem era ele afinal? Eu não sei... Na verdade, eu não sei mais de nada, acho que nunca soube, eu só queria chorar, mas chorar muito, por isso, deitei ou melhor, me joguei na cama, as janelas estavam fechadas, o quarto estava escuro, desliguei o celular e lembrei que era quarta-feira e que, no dia seguinte, era feriado prolongado, ou seja, mais quatro dias de fossa, mas tudo bem, eu precisava daquilo, eu estava preparada.
Na quinta de manhã, eu acordei umas dez da manhã, dormi mais de quinze horas seguidas com o meu fone de ouvido e a minha playlist do Ed Sheeran, a minha música favorita na qual eu fiquei escutando por horas era All Of The Stars, ela me remetia a muitas coisas e me fazia chorar ainda mais, eu só queria sumir. Naquela manhã, eu não desci para tomar o meu café, apenas levantei, fui ao banheiro e voltei para a cama, ao fechar os olhos, adormeci por cerca de quatro horas e quando reacordei, estava na hora do almoço, mas eu ainda não estava com fome e a minha cara estava tão inchada por ter chorado por boa parte da noite, que eu nem conseguia abrir os olhos direito, era oficial, a tristeza havia se instalado e eu não estava nem aí.
Os dias se passaram, meus pais estavam preocupados porque eu não tinha vontade de comer, meu celular estava desligado desde quarta à noite e a tão esperada segunda-feira tinha chegado e eu não estava nem um pouco animada para ir para a escola com um sorriso falso no rosto como se nada tivesse acontecido, não queria ver ninguém, só queria meu quarto escuro e meu fone de ouvido, mas lá estava eu as 06h30 da manhã acordada e tomando o meu café para ir para a escola.
Cheguei, como sempre, em cima da hora, faltavam dez minutos para os portões fecharem e eu entrar apenas na segunda aula, mas eu consegui entrar, eles estavam lá, todos eles: a Ana, o Jack, o Daniel, o Panda e o Math. O único que eu gostei de saber que estava ali, era o Math, que eu sabia que me ajudaria e que não estava estranho comigo, assim que ele me viu, ele me pediu para sentar ao seu lado, ele tinha guardado um lugar pra mim e isso fez eu me sentir um pouquinho melhor.. Eu não conseguia olhar na cara da Ana e eu sentia os olhos de Jack em mim, como quem se perguntava o que estava acontecendo.
As três primeiras aulas tinham se passado e estava na hora do intervalo, eu olhei Math nos olhos e disse baixinho para que apenas ele pudesse ouvir: "Por favor, não me deixe aqui sozinha, é capaz de eu não aguentar.." e ele me respondeu:"É claro que não te deixarei, estou aqui para o que precisar." Eu me senti acolhida no instante que eu ouvi aquelas palavras.
As aulas haviam chegado ao fim, eu tinha sobrevivido às seis aulas e ao intervalo, só precisava ir para casa, o Math tinha ficado comigo o tempo inteiro, ele não desgrudou de mim e eu não falei com ninguém, apenas com ele. A gente foi junto para casa, pegamos um caminho alternativo com medo de encontrar o Jack no caminho, até porque, ele era meu vizinho. Pela primeira vez em seis dias, eu sorri, Math sabia fazer uma pessoa se sentir à vontade e especial, ele me ajudou a não desistir e me disse palavras para que eu me valorizasse, ao chegar na rua da minha casa, não avistamos Jack, andamos normalmente, me rosto já estava mais alegre e meu coração estava mais aliviado, talvez era disse que eu precisasse, ar puro e uma boa companhia, ele me deixou na porta de casa, pediu para que eu ficasse bem e disse que qualquer necessidade, era só ligar para ele, foi então que nos abraçamos, eu o agradeci, entrei em casa e fechei a porta, subi para o meu quarto, abri uma das janelas e o avistei indo embora. Era desse amigo que eu precisava naquele momento, na mesma hora, olhei para frente e vi o Panda do outro lado da rua, ele também estava na janela e me fitava com os olhos, ele parecia triste, como se algo tivesse acontecido, eu perguntei se estava tudo bem e ele respondeu que sim com a cabeça, mas sem mudar de expressão facial e, rapidamente, fechou as cortinas e desapareceu, estranho como sempre, mas eu já tinha problemas demais para me preocupar.
Abri minha mochila e tirei os cadernos para estudar, as aulas estavam acabando e se eu estudasse bastante para ir bem nas provas, poderia sair de férias uma semana mais cedo, tirei minha blusa e a coloquei sobre a cama, quando avistei outro papel no capuz, era outra carta e dizia assim:
"Minha pequena flor, nem as músicas do Ed Sheeran, nem as decepções amorosas, nem você me ignorando, nem o seu desamor por mim, vão diminuir o meu sentimento por você, estava pensando em criar um mecanismo para conversarmos, estou começando a criar coragem, o que você acha?
O Menino Apaixonado"
Eu estava ficando injuriada com essas cartas, afinal, o que aquela garoto queria de mim? Eu já tinha problemas suficientes com Jack, Ana, Daniel e Panda, estava começando a cogitar a possibilidade de esquecer O Menino Apaixonado, estava confusa e precisava pensar direito, acho que contarei para Math sobre as cartas, ele é o meu único amigo agora..
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