Era 06h45 da manhã, eu estava atrasada pra escola, como sempre. O dia na segunda deveria começar depois das dez. Cheguei na segunda aula, porque eu odeio as aulas de matemática, por isso, me permiti dormir 30 minutos a mais. Assim que entrei na sala a Ana e o Gabriel já estavam me procurando, a gente ia fazer um trabalho juntos na aula de português e eu estava com todo o material, assim que eles me viram ficaram aliviados. Eles são meus melhores amigos, eu conto tudo pra Ana, a gente conversa todo dia sobre tudo, conheço ela desde a primeira série. O Gabriel e eu nos conhecemos na segunda série, mas nós somos vizinhos desde sempre, ele mora na casa em frente à minha, nossos pais são amigos, quando eu era criança ia direto na casa dele pra brincar, desde os 3 anos a gente não se desgruda, somos inseparáveis e também conversamos sobre tudo, ele é meu melhor amigo.

Tiramos nota máxima no trabalho, graças à criatividade da Ana, tínhamos que fazer uma apresentação sobre algum dos autores do romantismo, decidimos pegar um romance que estava no nosso livro e apresentá-lo pra turma, como se fossemos os personagens na vida real, colocamos até uma roupa da época, a professora adorou e o pessoal não parava de rir da gente, porque o Gabriel estava muito engraçado de bermuda e meia calça, ele odiou a ideia, mas como precisava da nota, teve que fazer.

No fim da última aula, o Matheus veio me parabenizar, ele disse que meu trabalho foi um dos melhores da sala e, sem dúvidas, o mais engraçado. Matheus é um menino da minha sala, não diría que somos amigos, pelo o menos não temos muita intimidade, mas eu gosto muito de conversar com ele,as ideias dele sobre as coisas me deixam fascinada, ele tem uma opinião sobre tudo ou quase tudo, sempre foi assim, desde o quinto ano, ele é aquele tipo de pessoa que fala com todo mundo, que tem amigos em todos os cantos, muito gente boa, isso me admira muito nele.

Voltando pra casa com o panda, começamos a conversar sobre o seminário da aula de história que a professora Carla tinha passado. Panda é o apelido que eu dei para o Gabriel, ele não dorme cedo, na verdade, muitas vezes ele nem dorme, por isso ele fica com olheiras enormes e fica parecido com um panda, ele achou engraçado, eu dei esse apelido pra ele quando a gente tinha dez anos, desde então só chamo ele assim.

Assim que eu cheguei em casa, fui direto pro quarto, eu tava morrendo de sono, nem almocei, deitei direto na cama e peguei o celular, na correria de manhã, acabei esquecendo ele em cima da mesa, tinha um monte de mensagens, mas acabei passando por todas sem visualizar nenhuma e fui direto para a curta e rápida conversa que tivemos, um tempão atrás, só pra ver se você estava online, só para, mais uma vez, não ter a coragem de te mandar um oi, só para ver a sua foto no perfil e se você trocou o seu status.

Me refiro a Jack, gosto dele desde a quarta série, naquela época éramos amigos, conversávamos bastante, mas na sexta série ele se mudou para Dublin, paramos de nos falar, mas dois anos depois ele voltou, estava muito diferente, mais bonito, mais estiloso, mais descolado, nunca mais nos falamos, provável que ele nem lembre quem eu sou, nem deve saber que estudamos na mesma escola. Não posso negar, o Jack mudou muito, mas eu nunca deixei de gostar dele e, ultimamente, tenho pensado cada vez mais nele, nossos pais ainda se cumprimentam, mas as coisas não são mais como antes, infelizmente.