Cartas de um Carteiro
8 CAPÍTULO 7 - Verdade
Notas iniciais
Quarta-Feira, 04:02 PM
— Lexy! — A voz do lado de fora da casa chamou um, duas, três vezes e nada do garoto abrir a porta. — Alex, abra a porta. — O loiro insistia enquanto esmurrava a porta violentamente. — Alex!
— Você chegou! — Os olhos do garoto estavam vermelhos de tanto chorar, ele enfia sua cara no peito do homem assim que o mesmo entra na casa.
— Lexy, o que aconteceu? — Ele estava preocupado e não escondia isso de maneira alguma, largou sua mochila e correspondência dos Santana sobre a mesa de jantar e arrastou o garoto até o sofá. — Me conta o que aconteceu. — Pediu mais uma vez, agora encarando os olhos do menor.
Alex se esticou até a mesa de centro, onde deixara a foto, e a pega. Fica com a imagem virada para si por alguns instantes e então mostra para Anderson.
— O que significa isso?
— Deixaram isso aqui não faz muito tempo. — Respondeu antes do homem completar sua pergunta. — Alguém sabe sobre nós e tem meios para confirmar isso. — Agora ele entrega um papel que viera junto com a foto.
“Gostou da foto? Tem muito mais de onde essa veio!
O que seus pais irão char quando virem algumas delas?”
— Merda! — Exclamou com certa alteração na voz. — Seus pais, eles voltam em dois dias não é? — Alex acena em afirmação. — Temos que descobrir quem tem essas fotos antes deles chegarem. — O garoto apenas continuou confirmando, mesmo que ainda chorando. — Vem cá! — Ele puxa o garoto pra si, dando-lhe um forte abraço. — Para de chorar, por favor. Não gosto de te ver triste. — Pede acariciando o outro. — Já sei. — Levanta, levando o outro consigo. — Vamos dar uma volta no shopping, tenho certeza que vamos nos distrair um pouco lá. — Propôs, se afastando um pouco do jovem, usando seus polegares para enxugar as lágrimas de seu rosto. — O que acha? — Alex acena que sim. — Posso ver um sorriso então? — O loiro usa seu indicador para tocar a ponta do nariz do outro.
— Bobo. — O pedido dele é atendido.
º º º
Mesmo dia, 9:45 PM
A visita no shopping durou algumas horas, Anderson levara seu “crush” direto para a praça de alimentação, onde ficaram cerca de meia hora para conseguirem comer algo e mais alguns minutos para terminarem o alimento e, entre uma gracinha e outra, para tentar distrair o menor e tirar alguns sorrisos dele, os dois caminhavam por algumas lojas de roupa e também de jogos digitais até decidirem, o que saiu por parte de Anderson, ir ao cinema ver um dos filmes em cartaz, o que também não animou muito o menor, mas lhe tirou alguns momentos bons entre os dois na sala escura do cinema. Após o filme, um passeio pela “World of Game” uma parte do shopping que é direcionada para o público que gosta de jogos, ficaram algumas horas se divertindo nos jogos de corrida e também de tênis e basquete. Anderson ganhou em todos os jogos.
Demoraram mais alguns minutos para chegar em casa, já que o mais velho decidira, quando já estavam bem próximos da casa, ir até uma sorveteria e logo depois, finalmente rumaram para a casa dos pais de Alex.
— Não! — Ao trancarem a porta da casa, pois o casal Menfor estava do lado de fora de sua casa observando a vizinhança, o loiro, que ainda estava com sua casquinha e sorvete de morango, passou um pouco da massa colorida no nariz de garoto, tirando um resmungo dele.
— Agora sim, esse é um belo sorriso. — Diz após depositar um beijo nos lábios do moreno, o pegando no colo e carregando-o até o sofá da sala, deixando-o deitado lá. O sorvete, nessa altura, já havia sido devorado o mais rápido possível para poder continuar com o que começara com o garoto.
— Anderson... — Tentou dizer algo, porém fora interrompido por um beijo.
— Não tem ninguém nos vendo, não se preocupe. —Falou assim que teve uma oportunidade, porém sua afirmação fora quebrada logo em seguida, com um toque da campainha da casa, essa que fez Alex empurrar Anderson de cima de si e levantar para ver do que se tratava.
— Mas que droga! — Mais um envelope havia sido passado por debaixo da porta e, dentro dele, mais algumas fotos do “casal” mais cedo, na cama dos pais do garoto.
Anderson abre a porta rapidamente, olhando pela rua, tentando avistar quem deixara o envelope ali. — Não tem ninguém na rua. — Informou ao moreno, que começara a chorar pela segunda vez no mesmo dia. — Deixe-me ver isso. — Pediu com educação, retirando o envelope e fotos de Alex.
Desta vez, as fotos eram ainda mais explícitas. Em uma delas, Alex estava sentado sobre o membro do loiro, esse que segurava sua cintura, na face do mais novo, uma expressão de dor e prazer se uniam numa só feição.
— Temos que nos livrar dessas fotos antes que meus pais cheguem, você precisa ir embora! — O dono da casa não queria aquilo, mas era o que precisaria fazer naquele momento.
— O que está dizendo Lexy, seus pais voltam depois de amanhã, não é? — Antes mesmo de receber uma resposta, o homem avista um outro papel nas mãos do menor. — Deixe-me ver isso. — Alex lhe entrega o papel.
“Eu avisei, não avisei? Meu estoque de fotos do casal é enorme, posso mandar quantas fotos forem necessária.
Aliás, seus pais retornam hoje de viajem. Logo devem estar chegando por aí. Melhor seu namorado ir embora, ou podem arrumar muita confusão.”
— Seus pais estão voltando hoje? — Uma pergunta retórica, Anderson sabia a resposta e teria, por mais que fosse contra sua vontade, ir em bora e deixar Alex sozinho até a chegada de seus pais.
Em menos de cinco minutos, Anderson já havia guardado suas coisas na bolsa de trabalho e se mantinha de pé em frente à porta de saída da casa. O menor o encarava com lágrimas nos olhos, também pela ida do homem, mas seu principal motivo eram as fotos, essas que eles rasgaram e queimaram para que ninguém as encontrasse.
— Você vai ficar bem? — O grandão perguntou, ele mantinha suas mãos no rosto de Alex. — Tem certeza de que não quer que eu fique? Posso falar com seus pais e dizer o que aconteceu com seu vizinho.
— Não, por favor. — Pediu se jogando contra o outro. — Já temos confusão demais pra nossa cabeça, não vamos criar mais. — O homem sorri, deposita um beijo nos lábios do menor e vai embora.
º º º
Mesmo dia, 11:53 PM
A campainha toca, Alex está em seu quarto observando o teto e pensando em tudo o que havia acontecido com ele e Anderson nos dias em que se passaram. Esperou o terceiro toque para ir até a porta, seus pais haviam chego, estavam carregando algumas sacolas com enfeites de Natal e alimentos para a ceia, e também encaravam o filho como se ele devesse algo para eles.
— Termine de pegar as sacolas no carro, por favor. — Pede ao filho, entrando com as sacolas que carregava indo até a mesa da cozinha.
O garoto obedece de prontidão, fazendo cerca de duas viagens até o carro para conseguir terminar de carregar as coisas.
— Como foi a noite? — O homem estava sentado em uma das cadeiras na cozinha — Foi o John dormiu aqui com você?
“E agora?” O rapaz ajudava sua mãe a desempacotar as compras e, ao ouvir o questionamento de seu pai, congela por alguns segundo. — N... Não, não foi o John. — Tentou responder o mais rápido possível, retornando para seus afazeres.
— Então?
O silêncio reinou por alguns instantes até a o nome do garoto ser chamado. Ele encara o mais velho.
— Se não foi o John, quem dormiu em casa com você?
— Um amigo. — Tentou disfarçar.
— Um nome, Alex. Queremos um nome! — Nesse momento, o homem já havia deixado de lado seu celular e encarava seriamente o mais novo.
Antes mesmo que o moreno pudesse responder ao questionamento de seu pai a campainha da casa soa.
— Quem pode ser a uma hora dessa? — Samanta deixa os pisca-pisca que enrolava no pequeno pinheiro artificial para ir até a porta. — Boa noite? — O homem loiro estava do lado de fora, bem vestido com sua camiseta lilás que Alex o ajudara a comprar, bermuda marrom e chinelo nos pés.
— Senhora Santana, sou Anderson, o carteiro da vizinhança. — Começou, estendendo a mão para a mulher. — Já fomos apresentados antes.
— Ah, sim. Claro. — Ela o cumprimenta. — Ao que devo a honra?
— Sem querer me intrometer nos assuntos de sua família, mas já me intrometendo. — Ele faz uma pausa olhando para dentro da residência, avistando Alex e seu pai. — Fui eu quem dormiu com Alex esses dias em que ficaram fora. — Ao dizer tais palavras ele percebe a expressão de espanto da mulher. — Mas calma, se me deixar entrar eu posso explicar o motivo por eu ter dormido aqui com seu filho.
Após pensar alguns minutos, a mulher finalmente decide deixar o homem entrar. Os quatro se sentam na sala, o casal Santana no sofá duplo e Anderson no maios, o de três lugares, Alex senta perto dele. O loiro então começa seu relato, revelando sobre as cartas anônimas que Alex estava recebendo e que, por conversar com o garoto e sempre estar levando as correspondências da família, ficou preocupado, e mesmo não sabendo o conteúdo das cartas, sabia que poderia ser de algum maluco que poderia tentar fazer algum mal ao menor.
— Como é, o senhor Menfor tentou abusar de nosso filho? — Eduardo se levanta. — Você acha mesmo que vou acreditar nessa história? Fora da minha casa!
— Ele tá falando a verdade! — Antes que o homem pudesse terminar, Alex o interrompe. — O senhor Menfor veio até aqui, disse que precisava usar o banheiro e sem eu perceber foi até meu quarto e pegou a caixa com as cartas que eu estava recebendo. Disse que eram dele e que sempre quis me....
— Eu ouvi o Alex pedindo ajuda e entrei na casa. — O loiro repousa sua mão direita no ombro esquerdo do mais novo. — Ele estava prensado na parede da cozinha, sem saída, e seu vizinho tentava tirar a roupa dele a força. — Agora o casal parecia acreditar na história. — Por isso eu pedi pro Alex me deixar dormir aqui.
— ele dormiu na sala, não quis nem ir para o quarto de hóspedes com medo do senhor Menfor tentar entrar em casa à noite. — Completou o moreno. — Eu até liguei pra você, falando que não queria mais os Menfor aqui enquanto vocês não estivessem em casa.
— Sim, é verdade. — A mulher relembrou. — Mas não pensei que fosse por algo tão grave assim. — Sua mão estava próxima de sua boca e ela tinha uma expressão de espanto. — Não sei nem o que dizer....
º º º
Após a conversa, Anderson se despediu do casal e de Alex, seguindo seu caminho. Os pais de Alex pediram para que o jovem fosse para o quarto e permaneceram na sala, conversando sobre o que acabaram de ouvir. Decidiram deixar o assunto de lado, pelo menos por enquanto, mas não esqueceriam isso, ficariam de olhos abertos para com seus vizinhos.
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