Cartas de um Carteiro
14 CAPÍTULO 13 - Cartas de um Carteiro
Notas iniciais
“Dois meses se passaram, Alex tinha que se esforçar muito para continuar indo na escola e tirando boas notas. Nesse tempo, ele também havia começado a trocar cartas com Anderson, cartas essas que eram ditadas pelo loiro e uma enfermeira redigia numa folha e depois enviava para Alex pelo correio.
Várias e várias cartas do carteiro foram entregues na casa do moreno, essas que contavam como o alimento do hospital era péssimo, como os médico não davam atenção para ele e como sua recuperação estava sendo rápida. A cada dia que passava, mais e mais o jovem ficava ansioso pelo dia em que visitaria seu namorado, tudo parecia estar indo muito bem.”
No início do terceiro mês de internação, as cartas pararam de chegar, o que preocupou, e muito, Alex e sua família. Anderson não tinha motivos para não mandar suas cartas e, como havia dito, sua recuperação estava sendo muito rápida, então, muito provavelmente teria parado de mandar suas mensagens devido à mudança de quarto. Pelo menos foi o que pensaram no começo, até perceberem que a falta de mensagens durar muito tempo.
— Temos que ir visita-lo! — Já era o terceiro dia seguido que Alex insistia aos pais que deveriam ir visitar o loiro.
— Ele disse para não visitarmos ele até sair da UTI, mas eu também estou preocupada. — Samanta estava, finalmente, do lado do filho. — Alex tem o direito de ir vê-lo.
— Tudo bem. — O marido assente. — Não vou negar que também estou preocupado com o estado dele.
º º º
— Podemos falar com você dois. — Ao chegar no hospital e perguntarem sobre Anderson, o médico que fizera a cirurgia é chamado, e pede para conversar com os pais de Alex a sós.
A conversa durou alguns minutos e, pelo estado em que os pais do jovem retornaram, a notícia não era nada boa.
— O... O que aconteceu? O que aconteceu com o Anderson?
— Querido, ele.... — A mulher não sabia como dizer aquilo para o filho, ela não queria, de maneira alguma ter que dar tal notícia ao jovem. Mas ela era a mãe, e a única que poderia fazer aquilo. — Os médicos tentaram de tudo, eles fizeram de tudo para ajudar o Anderson mas... Ele não resistiu aos ferimentos.
— Não... — O corpo mole, olhos lacrimejando, tremedeira. A visão ficou turva e de repente tudo sumiu.
Alex fora levado em uma maca para um dos quartos vazios do hospital.
— Onde estou? — Não demorou muito para ele acordar, uma agulha no pulso injetava um líquido transparente em suas veias e sua cabeça doía um pouco.
— Estamos no hospital, querido.
— Anderson, ele... Ele não...
— Me desculpe querido, mas sim. Anderson não resistiu.
— Os médicos disseram que ele pedia para escreverem cartas dizendo que ele estava se recuperando e que logo estaria bem, mas a verdade era outra. O estado de Anderson só ia piorando a cada dia e a mais ou menos duas semanas ele não resistiu e faleceu. — A explicação vinha de Eduardo, o pai de Alex, ele estava ao lado da mulher enquanto observavam o filho se encolher mais e mais na maca, chorando descontroladamente em posição fetal.
— Eles disseram também que ele deixou uma carta, essa falando realmente o que estava acontecendo e que somente você poderia recebe-la. — A mulher tinha um papel em mãos, um envelope amarelado, com bordas pontilhadas e com um selo na parte de trás, onde estavam também o endereço e nome de Alex escritos à mão, numa letra um tanto falhada. — Vamos deixar você a sós pra ler. — Ela deposita o envelope sobre a cama e sai, levando o marido consigo.
“Carta de um Carteiro
Normalmente eu estaria na frente da sua casa agora, esperando ansiosamente para ver seu cabelo negro bagunçado e seus olhos verdes brilhando como o sol ao abrir a porta. Eu sorriria para você e você me responderia rapidamente e viria até mim, me daria um longo abraço seguido de um beijo. Eu lhe entregaria o pacote de seus pais e também essa carta, a carta de um carteiro que escreve para aquele que ama.
Tenho que dizer que tudo aconteceu muito rápido, eu mal havia começado no serviço e já encontrara você em meu primeiro mês de trabalho, me desculpe se eu menti o tempo que trabalhava como carteiro, eu só queria que confiasse em mim. Aquele dia foi, pra mim, o primeiro de vários outros maravilhosos dias ao seu lado e, por mim, esse sentimento duraria por toda a eternidade.
Ah, como eu gostaria de estar ao seu lado agora, te abraçar e dizer que te amo enquanto olho esses seus olhos brilhantes e que só me traziam esperança. Sentir seu cheiro, seu gosto e principalmente sentir seu calor. Eu daria tudo para dormir mais uma noite abraçado com você, beijando e te mimando pelo resto do pouco tempo que eu teria.
Pequeno, por tudo o que passamos, eu peço que você não me esqueça, peço que me leve sempre em seu coração e que se lembre de tudo o que passamos juntos. Mas, principalmente por sua felicidade, eu peço deixe tudo o que passamos exatamente aqui, de onde escrevo essa carta, no passado, para que você possa continuar a viver, feliz e sorrindo, fazendo cada vez mais amigos e amando outras pessoas, dando a essas pessoas o mesmo, e até mais, amor que me deu e que não me arrependo de ter lutado para consegui-lo.
Como última carta, lhe peço que me perdoe. Peço que perdoe por todas as coisas ruins que aconteceram, por não poder estar sempre com você e por ter te deixado antes mesmo de conseguirmos concretizar o que havíamos planejado. Já estávamos fazendo planos de morar juntos não é mesmo? Essa seria a melhor coisa que poderia ter acontecido em minha vida. Bem, agora é tarde demais.
Agora, pra finalizar, peço que vá, viva como sempre viveu meu amor, com um sorriso lindo e alegria que contagia a todos, dando motivo para que vivam cada dia do jeito que tem que ser. Você é o amor da minha vida e sempre será. Tenho certeza que numa próxima vida iremos nos encontrar de novo, mas até lá, viva da maneira mais feliz, espalhando todo seu amor.
Te amo pequeno!”
º º º
Um mês depois
Após o ocorrido, a família Santana descobrira que Anderson dera permissão para que seu coração, o único órgão que não fora danificado no acidente, fora doado. Isso era a melhor opção que ele havia encontrado, e também uma maneira de ajudar alguém a continuar a viver, isso deixara Anderson e seus pais muito orgulhosos.
Alex seguiu com seus estudos, dando o máximo de si, enquanto ouvia um “Eu sinto muito” de todos que o encontrava pelos corredores e até mesmo na sala de aula. Isso era o que mais o machucava, a lembrança de que perdera alguém tão especial e que, mesmo com todo o esforço que estava fazendo para continuar a viver, sempre aparecia alguém que o fazia se lembrar de Anderson.
º º º
Foi com a chegada de Dezembro que Alex finalmente conseguiu descansar de tudo, ter um tempo pra si mesmo e dar mais tempo a sua nova vida, sem a pessoa que ele aprendeu a amar. Sua vida começava a ter um novo rumo, ele iniciaria a faculdade no próximo ano, tudo seria novo e ele precisaria de ainda mais força para essa nova faze de sua vida.
FIM!
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