Cartas de um Carteiro

13 CAPÍTULO 12 - Tudo o que é bom dura pouco


Notas iniciais
Opa queridos, acharam que eu ia passar do dia mais uma vez não é mesmo? Quase que passei mesmo '-' Mas, aqui estou, com mais um capítulo para vocês!!

Maio

Terça Feira, 03:10 PM

Mais um mês que se passa, agora estão e Maio e o ano, após revelarem para todos que estão namorando, finalmente começou a se tornar muito bom para o casal. Nem mesmo Jeff e muito menos John implica com Alex na escola, talvez pelo jovem ter se assumido para todos, ou simplesmente por eles estarem em um ‘relacionamento’ as escondidas, esse que Lexy descobrira após uma visita a biblioteca e encontrar os dois aos beijos na cessão de literatura, a que menos era movimentada. Ele ainda não dissera nada que descobrira o segredo dos dois, mas, talvez pudesse usar isso para algo no futuro.

O horário do intervalo estava se aproximando e toda a turma de Alex já se preparava para a pequena ‘maratona’ até a cantina, onde, os mais lentos, teriam que enfrentar uma fila enorme para só então comprar algo para comer. Porém, haviam três alunos que não estavam nenhum pouco interessados nisso.

Primeiro, Alex, que, após o sermão em Jeff no shopping, mudou de carteira na sala de aula, sentando onde antes era o lugar de John, o que serviu para aproximar John de Jeff, e assim livrá-lo de toda a perseguição que acontecia pela parte dos dois.

E por fim, John e Jeff, que prefiram correr para a biblioteca e ficarem a sós por lá, curtindo um ao outro até o horário da próxima aula. Mas isso não vem ao caso agora.

O sinal do intervalo toca, a turma toda sai em disparada pra fora da sala, com exceção do primeiro.

“Alex: Finalmente intervalo.

Alex: As aulas estão ficando cada vez mais chatas e minhas notas não aumentam por nada.

Anderson ♥: Me desculpa de novo por isso amor.

Alex: Já disse que ñ tem culpa.

Anderson ♥: Certo, certo. O q vamos fazer hj a noite?

Alex: Queria ficar em casa, assistir algum seriado ou um filme.

Anderson ♥: Por mim tudo bem, mais tempo com vc ♥

Alex> Então marcado!

Alex: O q ta fazendo? Já almoçou?

Alex: Amor?

Alex: ...

Alex: Quando puder me responda. Bjo, te amo!”

A conversa foi encerrada pela falta de resposta de Anderson, Alex sabia que o homem estava muito ocupado esse dia, já que fora avisado no dia anterior pelo mesmo, que o alertou sobre ter que fazer várias entregas que estavam acumuladas no correio onde trabalhava, ele queria terminar com todas para poder ter suas férias no próximo mês, por isso, Alex não se preocupou muito, foi terminar seu intervalo e ter seu final de dia para ter seu encontro com seu amado no fim da tarde.

º º º

Mesmo dia, 04:52 PM

— Alex Santana, o diretor está te chamando na diretoria. — A inspetora loira, a mesma que fora ao shopping com a turma, estava na porta, e parecia um pouco ofegante.

O rapaz se levanta juntou as brincadeiras de seus colegas de turma, dizendo que ele iria receber uma advertência ou até mesmo ser expulso da escola por motivos quaisquer que inventavam. Seguiu a mulher pelos corredores e pelo pátio até chegar em seu destino, a sala do diretor, esse que estava com o telefone em mãos e uma feição muito preocupante.

— O que aconteceu? — Questionou o mais jovem ao notar o olhar triste nos olhos do mais velho.

— Aqui. — O de cabelos brancos entrega o telefone para o rapaz. — Espero que fique bem.

º º º

A princípio, Alex não entendera o porquê de tais palavras ditas pelo diretor de sua escola, talvez alguém da família tenha se ferido ou até mesmo alguém tivesse ficado doente, mas nada do que imaginou chegara perto do que realmente acontecera.

Ao ouvir o que havia acontecido, o jovem de cabelos negros teve de se sentar, seu corpo começou a tremer e sua visão ficou turva. Não sabia exatamente o que fazer, não sabia como reagir. O que ele sabia, era que precisava sair da escola e ir direto para o hospital, não podia perder tempo.

A ligação que recebera fora de sua mãe, ela estava chorando, sua voz falhava e, por mais que tentasse, ela não conseguia se controlar para falar com o filho. Ela ligara para lhe avisar de que Anderson, que fazia seu trabalho como carteiro, entregando as encomendas diárias enquanto caminhava pela cidade com a sacola amarelada, fora atropelado por um caminhão em uma das avenidas da cidade e agora estava internado na UTI do hospital.

O jovem correu para sua sala de aula aos prantos, sendo questionado pela maioria ali enquanto tentava guardar seu material escolar, sem sucesso, já que deixara seu estojo cair e também seu fichário, que por estar aberto e destravado, espalhara todas as folas pelo chão.

— Alex, o que houve? — John parecia realmente preocupado, ele nunca vira o amigo assim, nem mesmo no dia em que seu avô morrera.

— O Anderson, ele... — Sua voz teimava em não sair. — Ele.

— Ele o que? — Dessa vez era Jeff. Esse que também ajudava o moreno a recolher suas folhas pelo chão.

— Ele foi atropelado, está internado e.... — Ele nem conseguira terminar.

— E você está esperando o que? Vai logo pro hospital, a gente recolhe tudo aqui e leva em sua casa. — John retira os papéis das mãos de Alex. — Nos dê notícias por favor. E, me desculpe por tudo o que fiz antes.

— Tá, tá, deixa isso pra outra hora, vai logo ver o carteiro! — Jeff interrompe o momento de perdão.

— Obrigado! — O moreno agradece e sai em disparado para fora da sala, seguindo até o carro de seu pai, que o esperava do lado de fora do colégio.

º º º

A viagem foi rápida, o senhor Santana não se preocupou em ganhar algumas multas de trânsito para que seu filho pudesse chegar ‘a tempo’ para ver seu namorado.

Hospital cheio, vários casos de acidentes e doenças e até mesmo casos falsos. Os vários enfermeiros que trabalham ali não tinham tempo para conversar, tomar um café rápido e muito menos descansarem por algum tempo, mas isso não era importante agora, Alex e seus pais estavam tentando parar algum enfermeiro para descobrir para que quarto Anderson fora enviado e qual era sua situação.

— DÁ PRA ALGUÉM ME ATENDER! — O jovem, já irritado pela demora no atendimento, grita. Todos ali encaram os três.

— Senhor, por favor, isso é um hospital. — Uma enfermeira, branca, de cabelo curto e loiro, olhos mel e com a farda de serviço se aproxima.

— Eu sei que é um hospital e.... — O menor começa, porém sua mãe repousa sua mão em seu ombro.

— Por favor, nos desculpe. Mas queríamos saber qual o quarto de um homem chamado Anderson. — Pede educadamente.

— Sobrenome por favor.

— Anderson Teixeira Filho. — O menor responde rapidamente.

— Anderson, Anderson... Ah sim, atropelamento. Ele está em cirurgia no momento. Quando terminar vai para o quarto quinhentos e doze, vocês terão que esperar nasala de espera, é no mesmo andar, o quinto. — Diz a mulher. — O elevador fica a direita.

O trio fora o mais rápido possível para o quinto andar, passos apressados e corações apertados. Os três estavam inquietos, nenhum deles conseguira permanecer sentados nas poltronas, a sala de espera ficara mais agitada com a chegada deles.

º º º

A cirurgia de Anderson durou cerca de seis horas, o loiro fora levado para a sala dita pela enfermeira já eram quase meia noite e Alex estava dormindo escorado em seu pai, que já havia trocado de lugar com a mulher a pouco tempo. Ele nem seque vira Anderson sendo levado para a sala, desacordado e com alguns hematomas no rosto, única parte que era possível ver de seu corpo, já que estava com a vestimenta de paciente, na cor verde água, deitado sobre uma maca.

— Vocês são da família? — O médico veio questionar, um homem moreno de cabelo castanho, olhos negros e corpo musculoso. Estava com a vestimenta de doutor e sua máscara estava pendurada por apenas uma alça em sua orelha.

— Não, mas nosso filho é namorado. — A mulher diz. — Podemos vê-lo doutor?

— Seu filho pode, já que é o mais próximo do paciente, vocês podem entrar em seguida. — Explicou.

Eduardo acordou o filho, explicou que seu namorado havia sido levado para o quarto e que ele poderia ir vê-lo caso quisesse. O garoto então seguiu o médico, e na porta do quinhentos e doze recebeu o aviso.

— Ele está sedado e pode não acordar, ele fez uma cirurgia muito complicada. — Respondeu com um “Tudo bem” e abriu a porta.

Anderson estava em péssimo estado, corpo quase todo enfaixado e com gesso, rosto com alguns hematomas, fios pelo corpo todo e um tubo em sua boca e nariz. Várias máquinas para controlar batimento cardíaco e medir o estado cerebral do homem. A visão era terrível para Alex, que nunca imaginaria ver seu namora num estado desse.

— Me desculpa. — Choramingou no ouvido do loiro. — Me desculpe por tudo, por ter te interrompido no trabalho e, possivelmente, não deixar você prestar atenção nos veículos que estavam passando pela rua. Me desculpe por fazer você vir parar aqui nesse lugar. — Uma cadeira já havia sido arrastada para próximo da maca e o jovem aproveitara ela para ficar próximo a seu amor.

— Não foi culpa sua... — Um sussurro e Alex levanta o rosto. Anderson havia acordado.

— Você acordou. — Seus olhos voltam a lacrimejar.

— A culpa não foi sua, pequeno. O caminhão... Ele...

— Não se esforce, você acabou de sair da cirurgia.

— O caminhão estava descontrolado. — Finalizou.

— Meus pais me contaram, mas eu... Eu não devia ter te mandado tantas mensagens.

— Não quero que fique assim. — Disse, estava se esforçando para falar com o mais novo. — E também não quero que venha me ver, não enquanto eu estiver assim.

Antes que o moreno pudesse responder qualquer coisa, uma das máquinas começou a apitar e o mesmo médico que fizera a cirurgia aparece apressado, pedindo para que Alex saísse do quarto para que ele pudesse ajudar o homem.

— Anderson, eu não posso. — Tentou, mas fora interrompido.

— Não quero que venha me ver até eu sair daqui. — repetiu em meio a tosse e gemidos de dor.

º º º

O pedido de Anderson fora atendido, porém precisara da insistência de seus pais e mensagens dos médicos que afirmavam que o loiro não queria que Alex o visse e que o paciente pedira para que o médico avisasse o jovem quando ele saísse da UTI para que, somente assim, ele pudesse ir visitar seu namorado.

Desde então, dois meses se passaram, Alex tinha que se esforçar muito para continuar indo na escola e tirando boas notas. Nesse tempo, ele também havia começado a trocar cartas com Anderson, cartas essas que eram ditadas pelo loiro e uma enfermeira redigia numa folha e depois enviava para Alex pelo correio.

Várias e várias cartas do carteiro foram entregues na casa do moreno, essas que contavam como o alimento do hospital era péssimo, como os médico não davam atenção para ele e como sua recuperação estava sendo rápida. A cada dia que passava, mais e mais o jovem ficava ansioso pelo dia em que visitaria seu namorado, tudo parecia estar indo muito bem.

Notas finais
Espero que gostem!! ♥