Cartas de amor - Crônicas
6 Teu jeito
Notas iniciais
Eu sei que foi minha culpa. Eu disse “não”, querendo dizer que “sim” e você levantou e foi embora, me deixando sozinha na noite fria e escura. É que eu tenho um medo profundo de quando olho nesses teus olhos azuis e enxergo uma versão de mim que, até então, eu não conhecia. Você não sabe o quanto é difícil não se reconhecer mais.
Eu tinha tudo sob controle e já nem esperava mais nada de ninguém, então você apareceu do nada, me envolvendo com esse teu jeito determinado de quem sabe o que quer, de quem se arrisca e não se importa com as consequências. Você consegue me tirar o foco. Logo eu! Eu, que sempre fui tão sensata e discreta! Você conseguiu o que ninguém jamais conseguiu: mexeu comigo, me fez perder os sentidos…
Foi esse teu jeito de sorrir. E quando você me beija, eu sinto coisas que nem eu compreendo e é difícil manter minhas mãos longe de ti. E – por mais que eu negue pra ti, pra todos e pra mim mesma – eu também te quero. Você sabe que eu te quero, que eu preciso do teu corpo, do teu beijo e das tuas brincadeiras pra aliviar essa tensão. Você sempre sabe. É só me olhar nos olhos e me encarar daquele jeito que você já me desvenda. É como se eu fosse transparente.
Mas, você sempre arruma um motivo para brigar por causa desse seu gênio forte, mimado… E sempre conseguiu tudo o que quer. Ninguém te ganha em um argumento. Só que você sabe que comigo é diferente, porque eu sou a rainha do orgulho. E você também sabe que eu não sou como as outras.
Deve ser por isso que, juntos, somos essa colisão, essa necessidade de estar junto e aproveitar como se não houvesse amanhã. É por isso que a gente briga, a gente se beija, se morde, se bate… Você puxa o meu cabelo, eu te arranho. Com a gente, é olho por olho e dente por dente e sempre um tem que afrontar o outro para provar que é melhor e mostrar quem é que manda.
É difícil um dos dois baixar a cabeça e reconhecer que estava errado. Então você me liga – amargo – e me diz: “Tô indo te encontrar”. E tudo volta a ser como era antes. E tudo continua como é, porque esse teu jeito – por mais que eu reclame – parece um pouco com o meu.

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