Notas iniciais
Alan

Foi numa segunda-feira que te conheci. Estava frio e estávamos em silêncio em um corredor vazio, ansiosos porque ambos odiamos esperar. Parece loucura admitir, mas eu já sabia que você mudaria as minhas segundas-feiras, desde aquele momento. É que seu jeito meio despreocupado me conquistou logo na primeira conversa.

Você não liga para o que os outros vão pensar e eu, que tento passar despercebida para não ser alvo de ninguém, aprendi a ir mudando aos pouquinhos. Somos tão diferentes, e, ao mesmo tempo, parecemos ter grande sintonia. Você tomava café, fumava um cigarro e eu apenas sorria e ouvia você falar sobre filosofia, linguística e mitologia, fingindo que compreendia, porque o fato de você pensar que eu estava compreendendo também te fazia sorrir. É que eu sou meio devagar e você sorri tão bonito que me faz perder o foco e só pensar nos teus lábios e em quando eu vou ter coragem de te roubar aquele beijo que eu venho tanto querendo. Será que você também quer me beijar?

Você senta do meu lado observando a noite e conta suas antigas aventuras. Me pergunta qual foi a maior loucura que eu já fiz. Respondi que nunca fui do tipo de garota que sai da linha. Veja bem, sou uma moça quieta, do tipo que guarda tudo para si e não costuma soltar suas feras. Nunca fumei, não costumo beber e nunca namorei. Você sorriu e me disse que minha loucura está dentro de mim, o que, de fato, é muito perigoso.

E você mal sabe que, desde que te conheci, essa loucura interna tem crescido de uma forma que está cada vez mais complicado de continuar aprisionando. Você gostaria de me ajudar a viver uma loucura, vencer meus medos ou, quem sabe, me aventurar? Já te disseram que a maior loucura que uma pessoa pode cometer é se apaixonar?