Cartas de amor - Crônicas

8 O apaixonado é o último que sabe


Notas iniciais
Eduardo

Dizem que quando você está apaixonado, é o último a saber. Todo mundo descobre antes e tenta te alertar da bobagem que você está fazendo. Todos os seus amigos tentam te abrir os olhos e mostrar que o fato de você ter ficado tão pra baixo quando ele terminou com você pela vigésima vez em 3 meses é que você se importava com ele. Mas você nega. Se importar com aquele idiota? Bem capaz! Ele não passa de um mimado, genioso e que não merece suas inquietações, muito menos sua tristeza de um domingo nublado. Pensando bem… ele tem o mesmo gênio que o seu e isso que o torna tão interessante aos seus olhos.

Vocês tem esse sentimento louco, não é? De sentir essa vontade de estar juntos, mas não para sempre. É momentâneo, como uma faísca que se acende e traz aquela necessidade do corpo do outro. Você se engana dizendo que a sua tristeza é a falta de ter alguém para contar. É apenas a constatação de que o término de o que quer que vocês tivessem, significaria que você não teria mais aquela pessoa pra ligar quando se sentisse estressada com as grosserias da sua chefe e precisasse enterrar o rosto no pescoço de alguém, para sentir aquele perfume que lhe dava vontade de beijá-lo até perder a noção do tempo.

De fato, ele não merece sua tristeza, mas você se importa. E você só percebe isso depois que acabou. Quando acaba e você sente falta do beijo dele, de como ele mexia com seus sentidos e, até mesmo, das brigas. Isso acontece porque você percebe que realmente gostava dele. É, garota… ele te pegou de jeito. Você se apegou ao mistério que ele exalava através daquele sorriso torto e dos olhos tão profundos e ele se foi tão repentinamente quanto chegou. E não vai mais voltar…