Quando ela foi embora, levou tudo que coube em suas mãos e no peito, mas deixou uma criança para trás. A menina não possuía um nome e não falava, ninguém a via além de mim, ninguém a sentia como eu.

Quando a olhava, era como se algo arrancasse minha alma e a deixasse nua em meio a chamas. Evitava sempre o contato visual, entretanto ela sempre estava comigo e quanto mais a evitava mais a garota chamava a atenção. Chamar a atenção usando o silêncio soa como uma singela ironia.

Dias se tornaram meses e o nosso convívio tornou-se suportável.

O seu silêncio tornou-se o meu conforto e já não doía encara-la. As vezes até me tirava boas risadas.

O tempo a deixou opaca, mas não invisível, e o meu coração finalmente a acolheu. Descobri enfim que eu pertencia a ela, assim como ela pertencia a mim.