Notas iniciais
Depois de uma crise de inspiração com esses irmãos, escrevi a carta do Reg para o Sirius, que não foi entregue a ele por algum motivo. Deixo essa em aberto também para vocês imaginarem. xD Espero que gostem. :D

Cartas que Nunca foram Entregues

Por Pikenna/Rebeca

Regulus Black para Sirius Black

Não sei se essa carta um dia chegará em suas mãos, mas sei que quando ela chegar, caso chegue, eu já estarei morto. Pretendo me redimir, Sirius, por todas as escolhas que eu não fiz a fim de tentar manter as aparências e não afundar ainda mais o nome da família Black. Carreguei por todos esses anos o peso desse sobrenome nas costas desde o dia que você entrou para Gryffindor. Você sabe que o odeio por ter me abandonado sozinho com esse fardo, não sabe? Mas não se preocupe, não devoto a você somente ódio, eu o amo na mesma proporção, além de admirá-lo e invejá-lo ao mesmo tempo. Eu queria ter a coragem que você exalava nos seus orbes sempre que precisava encarar algum desafio, seja ele qual fosse. Você nunca fugiu do que acreditava, somente fugiu de casa para manter os ideais intactos e salvar um pouco de sanidade. Me pergunto por que demorei a soltar os meus demônios. Eu teria sido muito mais feliz, como você foi. Mas eu me mantive quieto no som do silêncio, porque o silêncio faz barulho, Sirius. Eu me escondi nas próprias trevas que criei dentro de mim para forjar uma imagem que nunca fora minha. Você se recorda quando o chapéu hesitou na minha seleção? Eu vi o seu sorriso de satisfação. Você sempre soube que havia algo de bom dentro de mim, mas nunca me dissera.

Por que nunca me dissera isso, Sirius? Por que me permitiu caminhar em chão de vidro durante todo esse tempo? Você não notou que eu sofria? Eu podia não esboçar reação ou não dizer palavra alguma, mas meus olhos nunca enganaram, assim como minhas atitudes, eles gritavam socorro. Por que não veio ao meu auxílio? Você podia ter me salvado. Não é mais possível isso, esqueça. Eu vou provar que havia alguma bondade dentro de mim, eu vou provar para você que eu sou seu irmão, mais do que sou filho de Orion e Walburga Black. Você tinha razão, Sirius, somos muito mais do que nossos pais, somos criaturas únicas e podemos nos moldar de acordo com os valores que acreditamos serem os certos. Por muito tempo eu pensei que você estava errado, que o caminho a seguir era aquele que nos fora ensinado. Que pureza de sangue era primordial e que o mundo bruxo estava impuro com a presença dos sangues-ruins. Eu realmente não acreditava nisso, lá no fundo. Era uma ideia insana. O Lorde das Trevas é louco e extremamente perigoso.

É por isso que eu preciso fazer algo para consertar meus erros cometidos ao longo da trilha que escolhi seguir. Descobri um dos segredos do Lorde das Trevas e vou destruí-lo. Espero que possa me perdoar e sentir um pouco de orgulho de mim quando souber o que eu fiz para me redimir. Eu nunca deveria ter me tornado um comensal, mas o fiz. E o fiz por causa de aparências. Eu sempre fui bom em usar máscaras e interpretar quem eu quisesse. Interpretei o orgulho da família, porque você não foi me buscar para fugirmos juntos. Eu queria me vingar. Nunca quis poder. Eu era ambicioso, mas minha ambição era pela liberdade que sempre me fora privada desde o dia que eu nasci. Você também tinha essa ânsia, porém, ao contrário de mim, você buscou realizar seus desejos verdadeiros. Você tinha em que se apoiar, e não era em mim, James Potter foi mais irmão pra você do que eu jamais seria. Eu o odeio e sempre vou odiar por tê-lo tomado de mim. Ele o roubou de mim, me deixando vagar na escuridão. Não sei nem como consegui sair dela. Acho que cansei de manter acorrentados meus demônios, cansei de interpretar e de usar máscaras.

Agora eu serei eu, Regulus Arcturus Black, o verdadeiro, sem máscara, sem interpretação, livre. Eu sou livre, pela primeira vez. E o sabor dessa liberdade, Sirius! Oh o sabor! É indescritível! Se eu soubesse antes que era tão boa, eu teria feito isso muito antes. Bom, você deve estar se perguntando por que o amo se você foi tão ruim para mim, como descrevi nessa carta. Porque você nunca duvidou nem por um segundo que havia bondade dentro de mim. Porque você me defendeu enquanto pode durante o tempo que ficou em casa. Porque você sorriu para mim naquela seleção, indicando que independentemente da casa para qual fui selecionado, você estava orgulhoso de mim. Aquele sorriso eu nunca vou esquecer. Obrigado por ser meu irmão quando precisou ser. Espero mesmo orgulhá-lo. Nunca precisamos do brio Black, fomos e ainda somos inteiros com a altivez de sermos irmão um do outro. Acho que isso basta.

Me perdoe por deixa-lo tão cedo, mas é necessário. Eu sei que não sobreviverei a essa missão que impus a mim. Voldemort me matará pessoalmente quando descobrir que o trai para ajudar você, meu irmão, a manter vivos seus ideais e amigos, além de você mesmo. Eu fiz isso por você e por mim. Finalmente sou livre.

Adeus, Sirius.

Regulus Arcturus Black