Cartas Perdidas
8 Capítulo 8
Notas iniciais
– Sabem, eu não sei se vocês repararam, mas ela sempre fala do Hagrid, como se o conhecesse bem. – Rony indagou.
– Também notei isso. Será que se conheciam?- Gina questionou.
– Acho que devemos ir a Bristol pesquisar sobre ela. Quem sabe não esteja viva.
– Mione, eu prefiro ler as cartas primeiro. Estou muito curioso pra saber sobre suas visões.- Harry disse, encerrando, por hora o assunto.- vamos ler a próxima.
Olá Harry, como vai? Sinto muito pela morte de Sirius, ele parecia ser legal. Sabia que aquele arco de pedra era perigoso. Tive uma visão acordada hoje, um garoto loiro abria um armário antigo e colocava coisas nele, mas depois quando o abria novamente as coisas sumiam. Vi também voce-sabe-quem conversando com ele, mandando o loiro fazer algo e o marcava no braço. Acho que ele é um espião dele, para fazer algo contra voce. Depois que tive essa visão eu desmaiei.
Fui ao Saint Mungus e eles me disseram que é perigoso eu continuar tendo visões acordada, que meu corpo não aguentaria por usar muita energia para isso. Mas eu não vou desistir, quero poder viajar no tempo como Morfheus, sem o uso do Vira-Tempo. Nessas férias, Snape não veio me ver. Tive muita raiva, por que ele me prometeu que viria me visitar, ao menos.
Sabe, eu consigo ver voce reclamando com seus amigos, que Snape é muito severo e me sinto mal quando tenho esses sonhos, sinto uma raiva, rancor, algo ruim quando o vejo mas meus sentimentos pelo professor são diferentes. Eu gosto dele, ele me trata bem e, mesmo sendo bravo durante as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas e Poções nas férias, ele sempre sorri quando eu faço algo certo. Diferente da senhora Longbotton, que fala que não faço mais que minha obrigação. Ele me disse que meu jeito de ser lembra a ele alguém que ele gosta muito.
Hoje eu fiz algo que tive muito medo. Me concentrei muito na minha avó e viajei no passado acordada. Estava aqui mesmo na vila mas as pessoas se vestiam diferente. Vi minha mãe conversando com seu pai e depois minha avó, brigando para que eles não andassem mais juntos. Depois a acompanhei e ela ficou dentro de casa. Então saí andando pelas ruas de noite e vi minha mãe fugindo de casa. Ela carregava uma bolsa grande.
Fiquei muito nervosa. Eu sentia que ela iria se encontrar com meu pai. Talvez fugir e ficarem juntos. Eu fui atrás dela e vi, o mesmo garoto loiro. Não acreditei quando o vi. Ele tinha olhos castanhos, mas claros, como folhas secas. Depois ouvi minha avó gritando por minha mãe e voltei. Fiquei fraca depois dessa viagem mas pude ver meu pai.
Procurei pela casa inteira, mas não achei nada que pudesse me dizer o nome dele. Depois dessa viagem, eu via sempre seu pai, triste. E sua mãe o confortando. Acho que foi por que minha mãe fugiu com meu pai. Mas não entendo por que ela voltou pra casa, comigo em seus braços, se parecia que eles se amavam muito.
O que acha? Espero que dessa vez sua carta não suma, como as outras.
Luisa Henrickh
– Estou intrigada com esse homem loiro. Sempre observando a mãe dela, desde novos. Será que ele fez algo contra a Ane Katherine? – Gina comentou.
– Acho que pode ter acontecido algo, para que ela tenha voltado pra casa. Mas pelo que a carta diz, esse homem loiro era mesmo o pai dela. – Harry disse.
– Vamos continuar lendo. Alguma hora ela deve ter tido visões do passado e descobriu o nome do pai dela. – Rony disse.
– Estou cansada, se quiserem podem ler, mas vou dormir. – Gina disse, subindo as escadas. A ruiva estava com ciúmes do marido, obcecado por uma garota que talvez nem existisse. Gina pegou o monte de cartas que não haviam remetente, e as leu. Imaginava que essas cartas foram todas escritas por esse alguém se passando por Harry, mas não imaginaria que em uma delas havia uma carta assinada por Lilian Potter.
Depois de ler a carta e de chorar profundamente durante algum tempo, Gina não sabia se Harry aguentaria ler essa carta que estava em suas mãos. Não poderia deixar que ele a lesse, não antes de eles descobrissem tudo sobre Luisa Henrickh. A escondeu dentro de seu livro favorito. Depois que eles descobrissem tudo sobre essa garota misteriosa, entregaria a carta ao Harry e lhe diria que a leu escondido.
Oi Harry, eu, eu não sei como estou conseguindo escrever essa carta. Sinto um aperto no meu peito. Por favor, impeça Snape. Ele, ele vai matar o diretor. Eu vi tudo. Mas não pude fazer nada. Foi um sonho. Se eu tivesse conseguido viajar no tempo, talvez... enquanto seco minhas lagrimas, estou escrevendo o mais rápido para que voce saiba o que eu vi...
Voce vai sair com Dumbledore, pra algum lugar distante, e quando voltarem, na torre de astronomia, Snape... ele vai lançar a maldição imperdoável... mas o garoto loiro, ele está envolvido. Terá um ataque a Hogwarts. Tudo isso fazia parte de um plano de voce-sabe-quem. Não tenho tido mais visões que possam te ajudar, somente, impeça Snape, Harry. Voce é o único que estará presente.
Acontecerá no final do ano. Vigie esse garoto loiro, e Snape. Ah Harry, eu não acredito que o Snape faria uma coisa dessas. Ele é tão gentil, bondoso comigo. Como ele poderia fazer isso? O diretor... diz que Snape é o seu amigo mais leal...
Por favor Harry...
Luisa Henrickh
– Oh meu Deus. – Hermione exclamou, seus olhos enchendo de lagrimas tristes e saudosas.
– Alvo...- Harry disse, triste, se lembrando do momento em que Snape lançara o Avada Kedavra em Dumbledore, e ele não podendo fazer nada, por estar sob o Petrificus Totalus do diretor.
– Preciso de ar. Não sei se consigo ler mais cartas hoje.- continuou o moreno, se levantando e se aproximando de uma janela.
– Entendo Harry. Acho melhor irmos. Está ficando tarde. Amanha é feriado e poderemos ler o resto das cartas pela tarde. Depois do almoço?- Rony disse, se sensibilizado pela dor do amigo.
– Claro. Nos vemos amanha. São poucas as cartas que restam e poderemos aparatar em Bristol no sábado pela manha.
Todos se despediram e Harry subiu, para se deitar com Gina. Ele a encontrou deitada, de costas para a porta.
– Gina? A ultima carta que lemos... ela viu Dumbledore morrendo.
– Ah Harry, sinto muito. – a ruiva se levantou e abraçou seu marido.
– Ela estava desesperada para que eu impedisse Snape. Mal sabia ela que não adiantaria. Aquele ataque foi um pedido do próprio Dumbledore, ao final.
– Sinto muito voce ter que reviver todas essas lembranças.
– Eu também. Mas isso só me dá mais certeza de que ela tem uma ligação forte comigo e eu preciso descobrir quem é essa garota.
– Sim. Vamos descobrir isso logo. Não pense mais nisso. Vamos dormir.
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