Cartas Perdidas
30 Capitulo 30 - no outro mundo - parte 5
Notas iniciais
Abril havia chegado com as flores da estação. Muitas pessoas descobriram a livraria “ Magic Book”, que estava mais moderna e bonita. Haviam mais clientes e o senhor Sheppard estava melhor de saúde, depois que Luisa pôde usar magia livremente para limpar e organizar a loja. A loira já estava conformada que havia perdido Harry para sempre, mas ainda pensava no moreno. Aquele, com quase 40 anos e que a protegeu de tantas coisas.
– O que foi Luisa? Está pensativa. – o velhinho tinha se despedido de um cliente e viu a funcionária cabisbaixa.
– Nada não senhor Sheppard.
– Venha comigo. Vamos beber um chá. Nesse horário quase não aparecem clientes.
Os dois se sentaram em cadeiras confortáveis que substituíam as antigas poltronas velhas. O homem sabia que Luisa era bruxa e ela iria conjurar um chá para eles, mas ele negou.
– Hoje eu faço o chá. Do modo trouxa. – o senhor Sheppard preparou o chá em silencio e enquanto Brian atendia uma moça, Luisa perguntou:
– Senhor Sheppard, o que quer...
– Luisa eu tenho muita experiência e sei que algo está acontecendo.
– Bem, é o Harry. Ainda não consigo esquece-lo.
O velhinho bebeu seu chá e a garota o imitou, adorando aquele sabor de hortelã. Ele respirou fundo.
– Ainda vão existir muitos amores em sua vida.
– Ele foi o único.
– Ah, mas ele já encontrou o grande amor. E eu acho que você também.
– Eu? Mas não conheci nenhum garoto que me fez sentir o que sinto pelo Harry.
– Eu não acho que seu primo seja seu grande amor. Você passou a vida inteira tendo sonhos com ele, mas ele nunca teve a chance de te conhecer. Um amor não surge de repente, como os contos de fadas dizem. Eles nascem com o tempo, a amizade e o respeito.
– Mas senhor Sheppard... como eu posso não ama-lo se o que eu sinto e amor?
–Talvez seja amor, mas um amor inocente, de criança. Você não é mais criança. Você precisa sentir um amor de verdade. E acho que ele está mais perto do que imagina.- o senhor Sheppard bebeu seu chá e deixou uma Luisa com mais duvidas que certezas. Ela se levantou e trombou em Brian, que estava com tantos livros empilhados nos braços que não via para onde estava indo.
– Brian! Deu tonto. Por que não pediu minha ajuda?- Reclamava a loira que estava caída no chão.
– Não preciso de sua magia para tudo. Posso fazer isso sozinho.
– Grrr.- Bufou a garota com raiva- você é muito teimoso.
– E você é cabeça dura.
– E vocês dois, parem com isso. Ainda temos clientes na loja.
– Ah e mesmo, vou levar esses livros praquela garota.- Brian sorriu e apontou a direção dando um suspiro e Luisa viu uma morena alta, com corpo escultural, cabelos longos e negros com cachos volumosos.
– Vai lá mesmo, mas não esquece de levar um babador, se não vai estragar todos os livros.
Levantando do chão, Luisa foi para o fundo da loja, no estoque, onde as poltronas velhas estavam. Ela adorava aquele cantinho que Brian havia preparado para eles descansarem. As duas poltronas ficavam encostadas em um canto e havia uma mesinha entre elas, com um abajur antigo e uma lata com biscoitos. Eles discutiam sempre por causa dos biscoitos e mesmo que o moreno não gostasse tanto, ele sempre colocava na lata os favoritos dela.
– Coco! Meus favoritos. – dizia para si mesma e comeu um.- aquele idiota foi lá correndo atender aquela modelo de lingerie. Ai que garota ridícula. Brian, seu estúpido. – e Luisa comeu mais alguns biscoitos- por que estou furiosa com ele? Era o dever dele como funcionário atender aquela garota. Mas... ele foi babando como um cachorrinho. Ai que raiva. – acabando com os biscoitos da lata, Luisa voltou para a loja.
– Ei, vamos tomar um café? – o moreno perguntou, com as mãos nos bolsos da calça larga.
– Tenho que fazer um trabalho do curso.
– Mas é rapidinho. Eu pago.
– Ta bem. Vamos. – os dois saíram da loja e foram para o café onde se conheceram. Brian pegou as bebidas e se sentaram em uma mesa no centro. Luisa não parava de bater os dedos na mesa e olhar para todos os lados.
– O que foi agora? Por que essa cara?
– Eu estou com raiva de você.
– Mas o que foi que eu fiz?
– Nada. O problema é esse.
– Não te entendo, garota. Eu não fiz nada pra você testar com raiva- Brian ficou pensativo alguns segundo.- bem, hoje.
–Argh! – Luisa pôs as mãos na cabeça e deitou sobe a mesa, chamando a atenção de alguns clientes. – Eu também não me entendo.
– Eu que não vou me estressar por isso. – alguns minutos de silencio na mesa foram o máximo que Brian conseguiu sem conversar com a loira.- Tá certo. Vem comigo. – disse o garoto se levantando.
– Pra onde vamos?
– A meu lugar secreto.
Os dois andaram pelas ruas movimentadas de Londres com Brian segurando a mão de Luisa todo o tempo. Então entraram em um beco, entre dois prédios. Havia uma escada lateral e Brian pulou algumas vezes até alcança-la e puxa-la para que subissem. Em silencio, eles chegaram a cobertura do prédio, onde havia um jardim com muitas flores, plantas, e alguns banquinhos.
– Uau!
– Esse jardim foi meu pai quem fez. Ele era paisagista. Me lembro de vir aqui com ele ajuda-lo a plantar algumas dessas plantas. – Luisa ficou maravilhada. A garota andava por todo o jardim, encantada.
– O dono não briga se você vier sem avisar?
– Na verdade... eu sou o dono.- Brian sussurrou, cabisbaixo.- Meus pais e eu vivíamos nessa cobertura, mas depois que meu pai faleceu, minha mãe voltou para o México e queria que eu continuasse aqui para estudar e cuidar do meu avô. Tenho uns amigos que moram no apê, e alugo pra eles baratinho em troca de poder vir ao meu jardim. Não gosto de deixar meu avô sozinho, mesmo ele insistindo que fica bem lá no apartamento da livraria.
– Nossa Brian, sinto muito. Não fazia ideia.- Luisa se aproximou do moreno e tocou sua face, consolando-o. Seus olhos se encontraram e ficaram se encarando pelo o que parecia ser uma eternidade. O coração da garota acelerou e ela sentiu o rosto de Brian ficar quente.
– A... acho que voce está ficando com febre. – se afastando, Luisa tirou sua mão do roso de Brian, que a olhava timidamente.
– Não acho que seja febre.- Ele deu um passo firme na direção da loira. ela se afastou um pouco e virou sua atenção para uma roseira que estava do seu lado.
– E por que me trouxe aqui?
– Ah bem, eu queria que você se acalmasse. Estava muito nervosa e como disse que morava perto de uma floresta, talvez aqui te lembre um pouco sua casa.- Brian se sentou em um dos banquinhos e se espreguiçou.
– Obrigada. Posso meditar um pouco então?
– A vontade. – sorrindo, Luisa conjurou um colchonete de ioga que ela usava para meditar. Se sentou no chão e se endireitou. Fechou os olhos e respirou profundamente algumas vezes.
– isso vai demorar?
– Shh.
– Tá bem, tá bem... affe.
Com seu corpo completamente calmo, Luisa começou a ter uma visão. Ela via Brian amarrado a uma cadeira, com feridas e machucados por todo o corpo e desacordado. Estava escuro e fazia frio. Sentindo gosto de ferrugem, Luisa percebeu que era sangue o sabor que havia em sua boca. Brian estava vestido com um terno preto e ela viu um pedaço de pergaminho com uma 30 de abril. Luisa tentava se levantar do chão e quando conseguiu se aproximar de Brian uma parede invisível a impedia de toca-lo. Havia passos e uma risada, cada vez mais próximos. A varinha da garota não estava em lugar algum e então ela viu seu maior pesadelo: seu pai.
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