Cartas Para Você

17 I'm sorry- Leo para Esperanza, HDO


Notas iniciais
Oi, gente! Eu sei que não estamos com moral pra falar "oi, gente" e que temos que pedir desculpas porque vocês devem querer matar a gente! Então, desculpa, desculpa, desculpa. A gente demorou bastante pra postar, o que não deveria ter acontecido, afinal, vocês são leitores maravilhosos, comentando, favoritando, acompanhando e recomendando. E por isso, muito obrigada. Por motivo de um pouco de falta de criatividade, e viagens de algumas das autoras, ficamos sem capítulos prontos. Mas estamos aqui agora e é o que importa. Esperamos que gostem do capítulo! É um pedido há um tempo feito... Esse capítulo é antes do Sangue do Olimpo, beleza? Boa leitura!

Leo sentia muitas coisas ao mesmo tempo. Estava ansioso, preocupado, com medo. Isso e mais um pouco e tudo por uma única razão: sua missão. Ela estava chegando ao fim. Acabara de embarcar no Argo II e eles estavam partindo para a batalha. E essa talvez fosse sua última. Era isso que o deixava desse jeito. Ele estava descansando, pois teria uma noite longa. Perdido em seus pensamentos, viajou por todo seu passado e acabou chegando até ela. Sua mãe. De todos que já haviam deixado sua vida, a pior perda para Leo era ela. Como ele gostaria que sua mãe estivesse com ele nesse momento, confortando-o e dando apoio. Ele não sabia o que o esperava. Mas, agora, só queria um abraço e carinho materno. Ele queria tantas coisas. Queria que ela estivesse com ele ou que ela pelo menos soubesse a saudade que sentia. Queria poder dizer a ela que a amava e queria pedir perdão, pois ele achava que era o causador da morte de Esperanza. Sem mais nada a perder, como um último adeus ou uma forma de tentar se acalmar, desabafar e poder passar aquele momento, botou no papel o que não havia como sair de sua boca, pois o ouvinte a quem seria destinado, não estaria presente. Começou assim:

Mi madre,

Eu queria ter feito algo. Talvez assim eu não precisasse estar aqui, não precisasse sofrer, fugir, viver dessa maneira.

Eu estou enfrentado grandes desafios, tentando ultrapassar barreiras e vencer o sofrimento. Mas é só um instante em que paro e as lembranças chegam. E a senhora está nelas. E eu me sinto dividido. Queria que se orgulhasse de mim por estar aqui nessa missão. Porém não posso exigir isso porque a culpa me consome. Sei que foi tudo minha culpa. Que tipo de filho faz isso com a mãe? Não consegui me controlar, o armazém pegou fogo... Não vi muita coisa, pois perdi a consciência logo depois. A única coisa que vi foi aquela mulher. Agora sei, era Gaia. Contudo, ela se torna dispensável. Não sei se poderia culpa-la por algo, afinal a senhora ficou trancada e isso não fui eu. Os policias disseram, entretanto, que você não sobreviveu por causa do fogo. Que viera de fora. De onde eu estava.

Nesse momento, eu me sinto novamente como aquele menino ingênuo de oito anos. Escuto a senhora me chamando de “mi hijo” enquanto trabalhamos com as ferramentas, eu ajudando e ao mesmo tempo fazendo piadas para te alegrar. Um menino que tinha uma mãe e uma vida feliz. Até aquela noite, então tudo desmoronou. Sinto-me sozinho e culpado, perdido nesse mundo tão grande, mas que parece não ter lugar para mim.

Depois que você se foi, me tornei o garoto problemático e ninguém mais me quis. Vivi de casa em casa, sempre fugindo. A senhora era minha família e quando se foi, eu já não tinha mais nada para chamar de lar.

Consegui me virar mais ou menos. O tempo foi passando e quando achei tinha achado um lugar, minha vida muda completamente: de repente, descubro que sou um semideus. O bom disso tudo é que achei minha nova casa, meu novo lar. O acampamento meio-sangue e todos lá se tornaram minha segunda família. Mas daí tudo bagunça de novo e agora eu estou aqui, indo para o que talvez possa ser o meu fim, enfrentar algo que acho que talvez não possa enfrentar e eu só queria a minha mãe, sabe? Isso pode ser coisa de criancinha, mas eu não era seu bebê, “tu hijo”? É que sinto tanto sua falta, e agora não sei o que pode acontecer comigo e não sei se nos encontraremos depois que tudo acabar pra mim. Eu só queria que ouvisse meu pedido de perdão.

Sei que isso no final teria que acontecer. É o que chamam de destino, embora eu não goste muito dele. Ele nem sempre é justo. E bem, ele não foi muito legal comigo.

Por outro, toda minha infância foi ao seu lado e passei muitos momentos felizes só de estar com a senhora. Talvez a gente tenha que sofrer um pouco na vida. Mas pelo menos eu tenho por quem lutar. Sei que farei isso porque a senhora se orgulharia de mim.

Espero que me perdoe.

Eu te amo muito, mãe!

Leo.

Olhou para o papel. Eram tão poucas as palavras se comparadas ao que ele sentia. Será que havia se expressado bem? Será que sua mãe entenderia quando... Não, ela não leria porque ela não podia mais voltar. Do que adiantava essas palavras, a carta, tudo, se não chegasse ao seu destino? Do que adiantaria ele se tornar um herói se aquela cujo orgulho e felicidade por ele seriam os maiores, não estaria ali no final da batalha? A questão é que ele não sabia se chegaria até o final. Mas pelo menos ele tinha que lutar. Ele poderia se culpar pela morte de sua mãe, mas ficar parado sofrendo não ajudaria em nada. Olhou para o painel de controle do navio. Ele havia feito tudo isso. Fechou os olhos e relembrou o último sorriso de sua mãe. Ela estava feliz por ele. E tudo que ele fez foi por causa dela. Ela o ensinou tudo e ele é extremamente grato por isso. Sabia que não poderia se culpar a vida toda. Enfrentaria Gaia por sua mãe. Ela ficaria novamente feliz por ele.

Notas finais
E aí, o que acharam? Sei que não estamos merecendo muito, mas digam o que acharam! Bjss, e até o próximo que dessa vez não vai demorar!