Cartas Para Julieta
15 Capítulo 15
Notas iniciais
–Vovó, o que foi? –perguntou Brittany preocupada, parando ao lado de Claire, já fora do carro junto comigo.
–É ele. É o Lorenzo.
–Quem? –perguntou Brittany olhando na mesma direção que Claire, onde alguns homens trabalhavam. –O garoto?
Claire apenas balançou a cabeça confirmando, e Brittany me lançou um olhar confuso.
Mas eu estava do mesmo jeito. Claire estava afirmando que um garoto, um pouco baixo, moreno, e de no máximo uns 20 anos seria Lorenzo. É impossível!
–Tudo bem, vovó. –disse Brittany passando a mão no braço da senhora. –Vamos para a sombra, sim?
Claire não se moveu. Ela continuava a encarar o garoto, tendo a absoluta certeza que era Lorenzo.
Então eu respirei fundo, e caminhei em direção a ele.
–Excuse. Sapete dove è Lorenzo Bartolini? [Com licença. Sabe onde está Lorenzo Bartolini?]. –perguntei um pouco sem graça ao rapaz, afinal meu italiano é péssimo.
–Eu sou Lorenzo Bartolini. –respondeu ele em Inglês.
Ok, isso foi completamente bizarro.
–Santana, eu acho que esse é... –começou Brittany se aproximando. –Conhece Lorenzo Bartolini? –perguntou Brittany para o rapaz.
–Eu já perguntei... –comentei.
–Eu sou Lorenzo Bartolini. –repetiu o jovem rapaz.
–Você é?! –exclamou Brittany apontando para ele, com uma expressão indecifrável no rosto, mas que passou a ser um enorme sorriso. –Meu Deus, Santana. Ele é o neto!
–Buongiorno. Posso aiutare? [Bom dia. Posso ajudar?]. –perguntou um homem se aproximando.
–Sim, bem... –começou Brittany um pouco eufórica. –Nós estamos procurando por um Lorenzo Bartolini.
–Eu sou Lorenzo Bartolini. –respondeu o homem.
Pera, o quê? Pelo o que eu estou vendo, se você balançar uma árvore por aqui, cairá no mínimo uns 20 Lorenzos Bartolinis.
–Ele também é! –gritou Brittany com as mãos na cabeça. Tão linda, e tão louquinha...
–Seu pai também se chama Lorenzo? –perguntei para o homem.
–Sim, ele foi cavalgar. Mas em que posso ajudar? –dizia o homem com uma expressão confusa.
–Eu... –começou Brittany. –Me desculpe, estamos sendo grosseiras. Sou Brittany Pierce.
–Sou Santana. –cumprimentei.
–Lorenzo, Lorenzo. –disse o homem apontando para si mesmo, e em seguida para seu filho.
–Estivemos procurando seu pai. –disse Brittany para o Lorenzo mais velho. –Minha avó, Claire, o conhece.
–Venham. Vamos embora. –Claire interrompeu. –Vamos.
Brittany olhou chocada para a avó, e foi em sua direção.
–Com licença. –eu disse para os dois homens, e segui Brittany.
–Vovó... Vovó, Lorenzo está aqui! –sorria Brittany. –Saiu para cavalgar, mas voltará em breve.
Claire olhou para o gigantesco parreiral, e ficou pensativa.
–Então vamos indo antes que ele volte. –respondeu ela por fim.
–Vovó, viemos até aqui... –incentivou Brittany. –Vamos!
–Tenho sido ridícula. –disse Claire ainda olhando o horizonte, e balançando a cabeça negativamente. –Tenho sido completamente ridícula. Ele me conheceu quando eu tinha 15 anos. Uma menina... E aquela menina se foi!
Não houve tempo para nada mais ser dito. Nós escutamos barulhos... Era o cavalgar de um cavalo, e estava se aproximando.
Senti Claire enrijecer ao meu lado, e seus olhos se arregalarem.
Era ele.
Virei-me bem a tempo de ver um senhor, muito bonito, moreno de olhos verdes bem claros, e cabelos um pouco grisalhos, com a aparência jovial, se aproximar montado em um cavalo.
Nem percebi, mas o “Lorenzo Junior” já estava ao lado do senhor, o ajudando a descer do cavalo, e provavelmente contando sobre nossa visita.
Brittany e eu segurávamos cada uma, uma mão de Claire. Ela respirava pesadamente, e eu podia ver seu nervosismo nitidamente em seu olhar.
Então ela se soltou de nós duas, e começou a andar lentamente na direção de Lorenzo, enquanto ele caminhava de encontro a ela.
Quando eles finalmente ficaram frente a frente, nenhuma palavra foi dita. Ele a estudava calmamente, até que depois de um tempo falou:
–Claire?
–Sim... –ela sorriu.
–Mio Dio... [Meu Deus...]. –disse ele sorrindo. –Tantos anos...
–Sim. Cinquenta... –respondeu Claire com lágrimas nos olhos.
Eles se olhavam de uma forma tão intensa, que eu cheguei a imaginar que talvez não houvesse amor mais verdadeiro no mundo... Talvez...
–Mia bella... [A minha bela...] –dizia ele passando a mão delicadamente pelo rosto de Claire.
Então eles se aproximaram e se abraçaram.
Seus olhos estavam fechados, mas lágrimas escorriam por seus rostos já envelhecidos pelo tempo. Claire enterrou seu rosto no pescoço de Lorenzo, e ele a abraçou forte, como se nunca mais fosse a deixar ir embora. Era um abraço que dizia mais do que qualquer palavra.
Um abraço de saudade. Um abraço de reencontro... Reencontro de duas pessoas que se amavam mais que tudo. Reencontro de almas gêmeas, que foram separadas, e que agora finalmente poderiam estar juntas.
Olhei para o lado, e Brittany sorria para mim.
Aquele sorriso... Aquele sorriso que ela mostrava seus lindos dentes brancos, e que seus olhos brilhavam mais do que qualquer estrela. Ela é tão linda...
Sorri de volta para ela, e voltamos a observar Claire e Lorenzo.
Eles pareciam estar em seu próprio mundo, pois demoraram bastante tempo para se desgrudarem um do outro, e finalmente perceberem que ainda estávamos ali.
Então eles caminharam de mãos dadas até nós duas, e Claire logo tratou de nos apresentar.
–Lorenzo, estas são minha neta Brittany, e meu anjo da guarda, Santana. –disse ela me fazendo corar. –E sabe por que ela é meu anjo? Porque sem ela, eu não estaria aqui agora.
–Bem, é um enorme prazer conhecê-las. –sorriu ele, nos puxando uma de cada vez para um abraço acolhedor. –Por que não entramos, e conversamos melhor?
–Claro. –assentimos, o seguindo até uma caminhonete que estava em baixo de uma árvore.
–Entrem, e fiquem à vontade. Aqui é muito grande, portanto temos que estar sempre com um carro, ou cavalo. –explicou ele ligando o veículo.
–Na verdade nós viemos de carro. Então eu vou seguindo vocês. Pode ser, Senhor Bartolini? –perguntou Brittany.
–Primeiramente, Britt, pode me chamar de Lorenzo. –piscou para a loira gentilmente. –E segundo, pode sim.
–Eu vou com você. –disse para Brittany.
–Tudo bem.
Voltamos para o carro, e seguimos a caminhonete de Lorenzo até avistarmos uma enorme casa.
–Nossa... Vovô Lorenzo tá bem de vida, não acha? –comentei.
–Bem? Ele deve gozar dinheiro! –respondeu Brittany distraída.
–Brittany! –a reprendi. –Não diga isso, que horror...
–Perdoe-me. Eu ainda estou tentando processar tudo isso... E toda vez que estou assim, acabo falando besteiras. –se desculpou.
–Tudo bem. –ri. –Acabei de conhecê-lo, mas já notei que são feitos um para o outro.
–Sim... –ela sorriu de volta e me olhou rapidamente.
Brittany estacionou o carro, e depois de sairmos do veículo, seguimos Lorenzo para dentro da mansão.
Contamos toda a história para ele, que ficou muito emocionado, e feliz por termos feito Claire e ele se reencontrarem novamente.
Claire contou sobre tudo o que passou, e ele contava sobre sua vida também, então Brittany e eu decidimos deixá-los a sós no momento. Afinal, eles mereciam privacidade depois de tanto tempo.
Seguimos para o lado de fora, e começamos a caminhar em direção ao centro do gigante labirinto de parreiras de uva.
–Eu estou com uma tremenda vontade de te beijar. –comentou Brittany sorrindo de lado, e olhando para seus pés.
Eu apenas parei de caminhar, ficando estática no lugar. Sim, eu queria a beijar também... Eu queria tanto... Mas eu já errei uma vez. Não posso errar novamente... Eu tenho o... Como é mesmo o nome do meu noivo? Quer saber? Foda-se.
Eu a agarrei com uma força que nem sabia que possuía, e colei nossos lábios em um beijo desesperado.
Ela agarrava minha cintura, colando ainda mais nossos corpos, e eu segurava seus cabelos loiros, cravando minhas unhas em sua nuca. Sua mão desceu para minha bunda, e eu soltei um gemido de apreciação para o ato, já sentindo a umidade no meio das minhas pernas. Ela beija tão bem... E seu cheiro é tão bom, que eu poderia ficar apenas grudada a ela para sempre... Então seus beijos desceram até meu pescoço, fazendo-me arfar e gemer palavras desconexas em seu ouvido. Aquilo estava me deixando louca, e eu tenho certeza que não pararíamos ali se meu celular não tivesse tocado.
Nos separamos, e eu pude ver Brittany totalmente corada, e com seus cabelos bagunçados. E com certeza eu não estava diferente.
Eu ainda estava tentando acalmar minha respiração, mas o celular tocava insistentemente, então o atendi impacientemente.
–A-alô? –gaguejei.
–Olá meu amor! Como você está? Com saudades? –disse Sam.
–Eu... Ahn... Eu e-estou bem, e você Sam? –perguntei.
–Estou ótimo, mas morrendo de saudade. Amor, você andou correndo? Parece que está tentando puxar todo o ar que pode para seus pulmões. –riu Sam.
–Na verdade eu só estou um pouco eufórica. Nós encontramos Lorenzo! –disse, e percebi Brittany colocar as mãos nos bolsos, antes de começar a caminhar, me deixando sozinha ali no meio da plantação.
–Ah, que ótimo meu amor. Mas, deixa eu te contar uma coisa, você vai amar...
Sam continuou a tagarelar, mas eu não escutava uma única palavra do que ele dizia.
Ver Brittany sair daquele jeito partiu meu coração.
–Aham, Sam. Conversamos outra hora, ok? Estou um pouco ocupada no momento. –disse, saindo a procura de Brittany.
–Ok. Te amo, princesa.
Desliguei o celular, e fiquei com a última frase de Sam rondando em minha mente. O que eu estava fazendo não era o certo, e apesar de querer tanto, eu sabia que era errado. Então peguei outro caminho, e voltei até a mansão do Lorenzo. Sozinha.
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