Cartas Para As Estrelas
6 Carta 6 - Por quê?
Notas iniciais
“Yesterday
All my troubles seemed so far away
Now it looks as though they're here to stay
Oh, I believe in yesterday”
*x*x*x*x*
— Oh! Que coisa fofa! — Layla exclamou, abraçando Eike com força — Você realmente a amava, não é mesmo?
— Ela era a minha vida, querida. A minha luz. — Eike soltou um suspiro pesaroso.
— E por perde-la, voltou a fazer aquilo. — Eike se surpreendeu por ouvir a garota, recém-formada, comentar sobre aquilo.
Em geral, eles evitavam o assunto. Outro suspiro. Ele tinha total consciência do quanto era errado. Feria-se somente fisicamente, mas feria emocionalmente todos aquele que amava também.
Entretanto, ele estava completamente estraçalhado por dentro. Nos primeiros anos, ele havia conseguido ficar sem fazer aquilo, mas fora por causa de uma única pessoa: a garota ao seu lado. Por algum motivo, agora que ela estava crescida, e passava a maior parte do tempo fora, ele teve a recaída.
— Okey. Não precisa falar nada. — Layla disse depois de um decorrer de minutos. — Foi difícil, eu sei. Mas não só para você. Se lembre disso. — A expressão do rosto era séria, ele sabia o quão preocupado Layla estava consigo. — Não volte a fazê-lo. Por favor. Se não por mim, por Ela. Pela sua Luz, a sua Estrela. Não era assim que a chamava?
Eike permaneceu em silêncio. Ele estava recebendo uma “bronca” de uma garota de 22 anos. Quase a metade de sua própria idade…
— Você é realmente parecida com ela, Lay. Não só fisicamente. — Falou sorrindo para a garota — Tentarei, okey?
— Tente desabafar de outras formas. Não daquele jeito. Você adora escrever, e ela adorava receber cartas. Escreva, para ela. Mesmo que ela nunca mais possa lê-las. Eu posso ler por ela, se quiser. Mas acho que seria melhor não.
— Eu fiz isso por um tempo… Não me lembro ao certo por que parei. — Eike comentou. — São as cartas mais novas…
— Mesmo? — Ele ouviu o tom curioso na voz da menina. Ela queira lê-las, mesmo que não fosse admitir. Riu.
— Pode pegar, se quiser, para ler.
Ele levantou e saiu da sala. Layla permaneceu sentada por um tempo olhando para o baú à sua frente. Não resistindo a curiosidade, pegou uma das últimas cartas.
*x*x*x*x*
Guarulhos, 7 de Julho de 1994.
Por quê Estela? Por que isso tinha que acontecer?
Ontem estava tudo a mil maravilhas. Ontem não tínhamos problema nenhum. Você estava em casa, sorrindo, alegremente. Você se despediu de mim e deu um beijo na nossa pequena. Estava tudo completamente normal.
De repente, num piscar de olhos, metade de mim desapareceu. Metade de mim se quebrou completamente. De repente a escuridão tomou conta de mim. De repente eu já não tinha mais a minha luz.
Por quê? Por que você foi partir assim? Tão rapidamente? Tão cedo? Por que foi juntar-se as suas irmãs tão depressa? Tão repentinamente? Por que foi se distanciar tanto assim de mim, de nós?
Eu queria que o ontem voltasse. Para impedir que tudo aquilo acontecesse. Impedir que você fosse embora.
Ontem, eu viva o jogo do amor com você. Hoje eu já não tenho mais a minha Estrela. Eu não tenho você.
Por que você se foi assim?
Eike
*x*x*x*x*
— Eu poderia fazer a mesma pergunta… — Layla tinha lágrimas nos olhos, quase chorava — Por que foi partir assim?
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