Cartas Para Antônio Ferreira
7 Capítulo 7
Notas iniciais
beijokas
Ps: pedimos desculpas pela demora para postar a continuação ;)
Por Edgar
Após me encaminhar para entregar a carta no correio para a caixa postal da Laura, fiquei pensando o quanto aquela situação poderia criar de problemas na minha relação com ela, ou dizendo melhor na possibilidade de reatar com ela.
Ela poderia pensar que mais uma vez estava escondendo algumas coisas dela, como fiz sobre a existência de Catarina e estava. Outra coisa, tive que escrever a carta a maquina para não ser reconhecido, mais uma culpa que sentia de tentar burlar sua inteligência.
Depois, pensei, perdi a oportunidade de me apresentar como Antônio Ferreira e explicar porque ainda não tinha contado para ela que esse era o pseudônimo de jornalista que usava para assinar matérias desde os tempos de estudante em Portugal.
Talvez o que me redimisse fosse o fato de me negar a trazer o nome da Catarina para nossas conversas, pois conheci a Catarina fazendo uma matéria para o jornal que trabalhava em Portugal.
Além disso, ultimamente mal nos encontrávamos e já estávamos brigando, trocando farpas, tornado qualquer possibilidade de dizer qualquer frase inteira, pois Laura parecia ter uma raiva de mim que eu não sabia de onde vinha.
Guerra falou na Heloísa, mas eu não tinha pensamentos para outra mulher que não fosse minha querida Laura.
E se de fato eu me correspondesse com Laura, e se ela fosse se apaixonar por alguém como Antônio Ferreira, pensando sobre essas coisas fui caminhando em direção o jornal para falar com Guerra, por incrível que parece ele sempre conseguia enxergar as coisas numa ótica diferente da minha e mesmo que nem sempre eu dava credito ao que ele achava, eu queria ouvir a opinião dele.
– Boa tarde Guerra.
– Edgar, estava mesmo intentando ir até a sua casa para ver como você estava...
– Eu estou bem Guerra porque não estaria?
– Sei lá Edgar, depois que você leu a segunda carta da Laura você saiu daqui tão transtornado que eu temia pelo seu estado.
– Que exagero Guerra eu só sai daquele jeito porque precisava clarear as ideias, esfriar a cabeça.
– E conseguiu?
– Não eu não consegui, ainda estou a beira da loucura com tudo isso mais tomei uma decisão, acho que você não ira aprova-la mais de qualquer forma não tem como voltar a trás.
– Eu tenho até medo de perguntar que decisão foi essa...
– Eu vou levar essa história adiante Guerra, vou descobrir qual é o interesse da Laura nesse jornalistazinho.
– Sei... e como que você pretende fazer isso?
– E de que outra forma, respondendo a carta dela e assinando como Antônio Ferreira.
– Nem vem Edgar, eu me demito do cargo de pombo correio... Não vou compactuar com a teimosia de vocês, desista desta história.
– Tarde demais Guerra, acabei de deixar a resposta na caixa postal, agora é só esperar a resposta dela.
– Edgar, Edgar você esta brincando com fogo... já parou para pensar que você pode não gostar da resposta?
– Porque diz isso Guerra, acha que eu não sou páreo para ele?
– Edgar eu nem vou me dar ao trabalho de responder... você quando esta com ciúmes é terrível Edgar, parece que perde totalmente a razão... o que eu quero dizer é que os seus lindos olhos verdes ela já conhece, mais no momento o que está chamando a atenção dela é a coragem e ousadia que o Ferreira transmite com os seus textos.
– Ora Guerra quer me enlouquecer?
– Eu só estou tentando te chamar a razão meu caro, você esta mesmo preparado para qualquer que seja a resposta dela?
...
Por Laura
Passei no correio sem acreditar muito que iria obter alguma resposta, qual não foi minha surpresa ao descobrir um envelope na minha caixa postal, tendo como remetente Antônio Ferreira. Coloquei o envelope em minha bolsa e rumei para casa tentando conter a minha ansiedade em ler a resposta dele.
Não sei precisar quais meus sentimentos exatos, mas eu tinha nas mãos a carta de alguém que havia me compreendido usado seu dom de escrever e seu trabalho para me apoiar na hora que mais necessitava.
Li a sua resposta e fiquei pensando um tempo, será que ele achava que estava interessada nele, ele sabia que eu era divorciada, pois saiu no jornal, será que ele era casado. Precisava tomar cuidado com a próxima carta para não dar nenhuma ideia errada.
Pensando assim rabisquei uma resposta a sua carta e iria esperar para pedir a opinião de Isabel.
Rio De Janeiro 1910
Caro Senhor Antônio Ferreira
Obrigada por responder minhas cartas apreciei imensamente sua resposta, o que só me fez admirar cada vez mais seu trabalho.
O objetivo de desejar conhecê-lo é lhe agradecer e me aprofundar na pesquisa feita pelo senhor, pois sinto na pele todo dia o que é ser mulher no século XX.
Até para não ficar mal entendidos gostaria de dizer que meu interesse é exclusivamente pelo seu trabalho.
P.S. A minha desconfiança se o Guerra iria entregar a carta se deve ao fato de que sou divorciada do melhor amigo dele, o advogado Edgar Vieira. Portanto daqui para frente é melhor trocarmos correspondência sem incomodar o Senhor Carlos Guerra. Aguardo ansiosa notícias sobre suas pesquisas
Atenciosamente
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