Cartas Esquecidas Pela Casa.
2 Carta dentro de um Livro
Notas iniciais
Londres, 02 de Março de 2003
Querido Douglas
Na verdade eu não o conheço.
Eu não sei exatamente quantos anos você tem ou o que gosta de fazer nas horas vagas. Não sei sua cor preferida, os lugares que gosta de ir, as músicas que o fazem dançar sem se importar se alguém está olhando, sua comida preferida e o que você sempre pede pra beber quando se encontra com os amigos. Eu nem sei se gosta de sair à noite ou se prefere o dia, se gosta de caminhar ou se prefere ler enquanto chove. Que faculdade você fez, se realmente gosta do seu trabalho, se já pensou em mudar a cor do cabelo, se prefere roupas caras ou, como eu, é adepto ao jeans-mais-camisa-e-sapato habitual. Eu realmente não sei nada disso. Será que você é de câncer? Ou Talvez escorpião? Talvez não acredite em horóscopos, talvez não acredite em Deus, como eu, talvez prefira Buda ou então Platão.
Eu realmente não o conheço.
Hoje você pode ter acordado e tomado café normalmente. Pode ter ido ao Starbucks na rua de baixo, sentido o cheiro da massa quente no forno, ter falado com o atendente enquanto pediu seu café, ter voltado pra casa decorando os detalhes do caminho curto até seu prédio pela última vez e dado bom dia a senhora do sétimo andar. Você pode ter lido uma revista velha depois do almoço e de um banho gelado. Pode ter olhado pela janela com seu chá quente quando a noite começava a aparecer no horizonte. Pode ter pensado em sua vida ou pode não ter pensado em nada.
Você pode por outro lado, nem ter desejado acordar essa manhã. Pode ter ficado tarde e tenha preparado seu café na hora do almoço enquanto procurava algo interessante na televisão. Pode ter bebido a ultima cerveja que havia na geladeira, passado o dedo na Nutella sem medo do dia seguinte e voltado pra cama, escondendo-se nos lençóis. Talvez você tenha ficado ali o resto da tarde. Talvez tenha chorado, ou pelo contrário, talvez tenha sorrido. Talvez você não estivesse triste por que você não parecia triste quando o vi pela primeira vez. Você parecia em paz. E foi estranho porque eu nunca pensei que ficaria tão assustado ao ver alguém parecer tão sereno e calmo na minha vida.
Eu definitivamente não o conheço
Você pode estar se perguntando o porque desta carta e o porque de alguém que você nunca viu estar lhe escrevendo coisas da sua vida como se realmente estivesse a lhe observar, mas não tenha medo. Não estou aqui para assusta-lo. Na verdade eu nem sei porque estou escrevendo tudo isso. Talvez seja por causa de Shakespeare, eu sabia que não devia ter lido aquele livro. Você não me conhece, então não sabe o quão suscetível eu sou a coisas bonitas. E , bem, você é bonito. E Shakespeare escreve de forma bonita. Eu estava lendo quando você sentou a minha frente naquela cafeteria e pronto. Apenas isso e já estou aqui lhe escrevendo um carta.
"O amor é como a criança: deseja tudo o que vê.“
Era essa frase que eu li quando você sorriu pro garçom e agradeceu pelo café, então eu desejei ser o motivo do sorriso e advinha? BOM! Estava perdido. Fui levado pela leitura e a minha facilidade de viajar pela minha própria mente criou histórias sobre nós dois e aqui estou eu a escrever. Não sei se esta carta irá chegar em suas mãos, mas pretendo descobrir.
"O amor só é amor, se não se dobra a obstáculos e não se curva à vicissitudes... é uma marca eterna... que sofre tempestades sem nunca se abalar.“
Eu não sei o que está acontecendo! Não sei o que sinto ou se realmente sinto, se o amo ou se estou apenas criando novas histórias dentro de mim, mas eu espero que essa seja a nossa primeira tempestade a desconhecida que vem rápida e sorrateiramente, mas que quando passa deixa um arco iris e um tempo brilhante e limpo pra trás.
Porem eu não o conheço...
Com amor Daniel.
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