Ela estava vestida de branco. Seus cabelos longos e prateados estavam ainda mais brilhantes. Seus olhos quase vermelhos pareciam felizes.

- Lya? Você é aquele anjo que apareceu no campo de batalha!

- Anjo? Eu não sou um anjo.

- Mas... Você abriu asas naquele dia!

- Ah, aquilo. Cada um aqui tem poderes especiais. Você recebeu o kit médico que eu lhe mandei?

Fiquei em silêncio por 2 segundos. Era ela! Mas como e por que?

- Sim, recebi. Foi você?

- Ah, que bom! Fui eu sim.

- Por que?

Ela virou um pouco para o lado. Parecia que realmente havia um intenção.

- Bem, eu vi seus poderes naquele dia. Você não é um jogador comum! Aquelas habilidades... Você estava destinado a vir para esse mundo para ser o Rei!

Dei um passo para trás. Havia sinceridade nas palavras dela. Parecia desesperada.

- Não... Não tem como eu ser o Rei. Vocês já tem um Rei.

- Sim, mas... Você se importaria em ouvir minha história?

- C-Claro.

Então nós fomos até uma sala, em que havia uma pequena mesa de vidro com um vaso de flores, e de cada lado uma poltrona.

- Por favor, sinta-se à vontade para sentar. –Ela disse apontando para a poltrona do lado direito da mesa. Em seguida ela sentou na outra poltrona.

- Eu... Eu não nasci aqui. –Ela disse enquanto olhava um pouco para baixo. –Na verdade eu era uma humana há algum tempo atrás. Mas, um certo dia, fui obrigada a participar desse jogo. Na verdade, acho que não deveria chamar isso de jogo e sim de “busca”. Eu descobri que havia dons sobrenaturais, assim como você. Eu sempre vencia todas as batalhas. Mas a medida do tempo, eu fui transformada numa arma; uma máquina de matar. O Rei sempre dizia que estava em busca “daquela pessoa”. Depois de eu ter ganhado o jogo, o Rei me enganou. Ele disse que eu precisava ficar aqui. Que meus poderes eram necessários para ficar aqui. Eu não fui contra, pois, no mundo real eu estava com uma doença terrível, e queria sair o mais rápido possível daquela situação.

- Doença? –Perguntei.

- Sim. Eu era albina. Não podia correr como as outras crianças. Não podia brincar. Não podia ir à praia. Estava confinada a ficar em casa no dia.

“Sabia!”

- Espera... Então você foi a última vencedora?! –Perguntei espantado.

- Sim. Mas ouça o que eu vou lhe dizer. Esse Rei engana. Todas as pessoas que ganharam até agora, estão presas nesse mundo. Confinadas, não podem sair. Eu sou uma delas. Até J é uma delas. Ele nem deve mais se lembrar que já foi humano. Esse jogo não tem fim. Como você é o suposto escolhido para ser o Rei, eu vou lhe ajudar. Vença esse jogo; vença essa busca.

Então ela levantou e veio até mim, em seguida segurou meus ombros.

- Liberte todos nós!

Fiquei em silêncio por alguns minutos. Mesmo se eu ganhar, ficarei preso aqui. Não, não pode ser possível.

- E depois que eu ganhar o jogo? O que vou fazer? –Levantei da poltrona.

- Desafie o Rei. –Sua expressão ficou séria. –Eu deveria ter feito isso, mas viver aqui parecia ser o paraíso em comparação com a minha vida antiga.

- Desafiar o Rei...

- Ah, Masao, você já pode tirar essas faixas. Seu ferimento já está curado.

- Como você pode ter tanta certeza?

- Um de meus poderes sobrenaturais é sentir onde tem vida, e onde tem morte. Suas células estão muito saudáveis.

- Ah, obrigado... Então agora creio que já devo voltar. –Eu disse enquanto me preparava para o teletransporte.

- Espera! –Ela disse enquanto me oferecia um cubo.

- O que é isto?

- Você tem que poupar sua energia. Seu estado físico já está melhorando, não deixe ficar ruim. É um cubo de teletransporte. Dá para fazer 1 teletransporte. Por favor, aceite.

Segurei aquele objeto. Era leve, e havia cores personalizadas nele.

- Então, vamos nos ver em breve! –Eu disse.

- Sim! Até mais! –Ela disse enquanto acenava para mim.

Então me concentrei para fazer o teletransporte. Minha energia não baixou. Me sentia ótimo.

Então a imagem de meu quarto estava se montando. Lá estava Louis e Zain. Eles olharam para trás, espantados. Quando a imagem terminou de se montar, o cubo se estilhaçou e desapareceu. Fiquei olhando para minha mão.

- Você demorou! –Disse Louis.

- Onde você estava? –Perguntou Zain.

- Bem... Eu fui me encontrar com uma pessoa que vai nos ajudar a vencer esse jogo.

- Que pessoa? –Os dois perguntaram.

- Lya. O “anjo” que apareceu no campo de batalha.

- Ela vai... Nos ajudar? –Perguntou Zain.

Ignorei. Então fui até a frente do espelho da escrivaninha e tirei minha camisa.

- O-O que você está fazendo? –Perguntou Louis.

- Já está na hora de eu tirar essas faixas.

Fui tirando as faixas pouco a pouco. Realmente, estava curado! Lya tinha razão!

Nesse momento o meu bracelete começa a brilhar intensamente. Mas era só o meu. Nem o de Louis, nem o de Zain estavam brilhando.

- O que será que está havendo? –Perguntou Zain.

Vesti rápido a minha camisa. Saí correndo pela porta.

- Espera, nós vamos com você! –Disse Louis, puxando Zain.

Fomos nós três correndo até o campo de batalha. Mas não havia ninguém lá, nada.

- Onde será que... –Murmurei.

- Vocês são muito afobados! –Ouvi uma voz atrás da gente. Olhei para trás. Era J. –Nos encontramos de novo, Masao! O Rei quer falar com você.

- O Rei?

- Sim, por favor, me siga.

Ele entrou no campo de batalha. Olhou para os dois lados, e em seguida se abaixou. Parecia estar procurando alguma coisa no chão. Até que bateu em um azulejo. E em seguida, levantou. Havia uma passagem secreta no chão do campo de batalha. Como é que não podemos notar nada enquanto lutávamos?!

Quando parte do chão se abriu, J olhou para nós e logo em seguida se jogou. Nós estranhamos muito aquilo. Até que eu resolvi me aproximar. Olhei para dentro, parecia que não havia fim, estava um breu total.

- Não temos escolha. –Eu disse.

Fui o primeiro a me jogar. Então gritei para eles descerem. Tudo estava mudando de cor. Parecia que aquela passagem secreta estava decorada de outro e prata. Enquanto eu ia caindo, pude ver várias janelas. Uma que parecia ter vista para o Paraíso. Outra que parecia ter vista para o inferno. Então vi várias janelas com vista para o mundo real. Vi os carros, prédios, pessoas normais andando pela calçada... Então vi uma casa em que havia muitas pessoas. Era uma festa. Dave e a senhora Muffim estavam lá! Uma gota de lágrima caiu do meu rosto e foi subindo rapidamente até o início da passagem.

- É, vamos ter que pular. –Disse Louis.

- Você tem certeza? –Perguntou Zain.

- Como o Masao disse, não temos escolha.

Então os dois pularam. Depois todos nós caímos no chão de um palácio. Havia uma mesa muito comprida e farta de comida. Me levantei.

- Vocês estão atrasados! –Disse J enquanto tomava uma xícara de chá.

- Bem vindos! –Ouvi uma voz no final da mesa. Tentei ver quem era. Quando reparei melhor quase tive um ataque. Era o próprio rei.

Em seguida Lya aparece e senta em uma cadeira na mesa, pisca para mim, como se fosse para eu aproveitar essa oportunidade. Depois Louis e Zain também se sentam.

- Bem, então vamos começar! –Disse o Rei. –Não tive a oportunidade de lhe parabenizar direito, Masao Hikari.

- Me parabenizar? –Perguntei.

- Claro! A sua performance no campo de batalha foi perfeita!

- Eu não disse? –J sussurrou para mim.

- Ah, por favor sirva-se, não fique com fome! –O Rei disse me mostrando a comida.

- Claro. Ah, Sua Majestade, eu tenho uma proposta a lhe fazer.

O rei parou de comer por alguns segundos e me olhou fixamente.

- Uma... Proposta?

Zain e Louis ficaram me olhando.

- Sim.

- Pois bem, prossiga.

- A proposta é: Se eu vencer, liberte todos daqui.

O rei pegou uma toalhinha e limpou a boca.

- Eu estou de acordo! –Disse Lya ponto as mãos na mesa.

- Lya... Que modos são esses, meu anjo? –Disse o Rei, com um tom irônico.

Lya se sentou, mas não aparentava arrependida de ter dito aquilo.

- Estou dizendo que estou do lado de Masao Hikari. –Ela respondeu com tom firme.

- Hum, estou entendendo... Mas tudo bem Masao. Mas me diga, o que acontecerá se você NÃO vencer? –O rei parecia bastante interessado.

Abaixei minha cabeça. Cerrei meus punhos. Não queria dizer isso, mas...

- Eu fico aqui. Eu fico confinado a viver aqui para sempre aqui. Sem nunca voltar para meu mundo.

Todos na mesa ficaram em silêncio. Lya aparentava muito preocupada.

- Masao! Veja o que está dizendo! –Louis sussurrou para mim. Zain concordou com a cabeça.

- Desculpe Louis, Zain... Mas é o único jeito... –Eu disse enquanto sorria para eles.

- Isso me parece muito interessante! –O rei aplaudiu. –Negócio fechado! Eu aceito o seu desafio. Mas saiba que não será fácil...

- Não me importo. Porque eu também não pretendo perder.

Notas finais
Nossa! Masao é mesmo muito corajoso, não é? Fazer uma coisa dessas... Mas o que será que ele vai fazer daqui para frente? Ele deixou muito claro :" Não pretendo perder". Nossa, que auto-confiança! Espero que vocês tenham gostado do capítulo!