Cartas

2 Capitulo 2


Sherlock,

Fico surpresa que tenha respondido, e mais surpresa ainda que tenha pedido para que eu escrevesse mais. Fiquei, realmente, muito feliz com as duas surpresas.

Nunca imaginei ir à Polônia, ou mesmo a Bratislava – que nem conhecia, até você mencioná-la, confesso que pesquisei e fiquei surpresa com o que vi, parece ser um lugar maravilhoso. O que tanto te desagradou nele?

Não sabia que conhecia Harriet. Ao que pareceu, ela não sabia de você!

Eu não tenho muito mais para contar, na verdade. As coisas não mudaram muito por aqui. Claro que não tem mais aquela emoção, de pensar que a qualquer hora você invadirá o laboratório e me fará perder outro encontro, só para ajuda-lo nos seus casos. Ah, não estou reclamando, mas me divirto com isso.

Sem você, para aparecer de repente, as coisas estão muito normais. Acordo, dou comida ao Toby, vou para o trabalho, volto pra casa e durmo. Não há muito que relatar.

E você, como tem estado? O que anda fazendo? Aposto – e sei que ganho – que sua vida está muito mais agitada, que a minha; e como sei que gosta de falar a respeito, me conte tudo.

Beijos,

Molly.

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As coisas por aqui estão como o esperado. Estou rastreando a rede do seu adorável ex- namorado, e confesso que a extensão dela é maior do que imaginei. Você tinha um homem poderoso nas mãos!

Já circulei cerca de quatro países, vinte estados e inúmeras cidades, e ainda não estou nem perto de terminar meu trabalho.

Ah, imagino que as imagens de Bratislava que viu, sejam as turísticas. Eu estive no subúrbio. Fiquei dois meses escondido lá. Foi como uma estadia no inferno, Molly!

Só vendo para saber o que senti.

Não é que conheça Harriet, eu a rastreei. Fiquei curioso sobre a irmã de John, então fui atrás, e a vi de longe. Mas me conte, em que situação você a conheceu?

Sobre as invasões ao laboratório, não se preocupe, eu voltarei antes que você perceba, para retomá-las. Não arrume encontros até lá.

Curiosamente, essa noite eu sonhei com você. Era inverno, e tinha muita neve. Eu estava perdido, e uma nevasca estava acontecendo. Eu não enxergava nada, e então você apareceu e pegou minha mão. Me levou até uma cabana aconchegante, lá tinha uma lareira e chocolate quente, aquele que normalmente você faz.

Não sei por que sonhei isso, mas já que você me contou do seu sonho, decidi te contar do meu.

Acho que estou sentindo sua falta, Molly. De ficar conversando com você no laboratório. Mais uma vez, obrigado por escrever.

É reconfortante encontrar uma carta sua, após tanto tempo encoberto e disfarçado. Tendo que fingir que sou alguém que não sou. É bom poder, mesmo que por breves instantes, voltar a ser eu mesmo.

Sherlock.