Cartas à Você

10 Ao meu amor


Notas iniciais
Pelo que entendi essa carta nunca foi entregue a destinatária. Mas agora que a encontrei em uma das minhas procuras, espero que ela se faça lida e apreciada. Quem sabe a destinatária não leia também.

Catarina

Hoje o dia amanheceu chuvoso, anjo meu.... Um vento úmido desmanchou-me os cabelos e, ao olhar-me no espelho vi que o sorriso no meu rosto era morno, sem aquela luz que, segundo você, servia-me de adorno, iluminando tudo à nossa volta e refletindo o significado real do que era felicidade.

Levantei-me sem aquela alegria tão nossa que minava pelos poros e percebi, depois de tanto tempo e nas lágrimas que deslizaram pelo meu rosto, o quanto eu fiquei sozinha. O tamanho da minha solidão. O quanto nem a minha companhia mais, me basta. Entendi o quanto eu não quis que esse amor passasse. E entendi enfim, o quanto eu amei você! Mais do que podia suportar. Mais do que qualquer dor poderia doer. Amei sem ver seus olhos, sem sentir seu cheiro, ou sequer tocar as pontas dos seus dedos com as pontas dos meus, com aquele carinho próprio das descobertas e do culto aos sentidos. Sem aquele toque onde os olhos pousam de leve nos outros olhos enquanto as mãos tremem e tentam uma proximidade. Sem a respiração ofegante dos que amam.

Amei sua alma.

Amei suas verdades e suas mentiras mesmo sabendo que eu não cheguei a conhecer nenhuma delas. Amei o seu Universo e acreditei estar dentro dele. E acreditar me deu vida.

Hoje, sentada num canto debaixo da minha janela, num cair de tarde qualquer, eu espero. Olho pros pedaços de céu que o concreto me permite perceber e penso em você. E penso em mim, quando com você. Onde poderia estar?... Como estaria?... Com quem?.... Estaria amando?.... Estaria sendo amada?.... E sem que eu controle, vem a necessidade de saber de você. Se ainda pensa em mim. Se os momentos que me alimentaram a alma por tanto e tanto tempo, ainda vivem dentro de você.

Se as mágoas que eu causei foram superadas, assim como tento superar as minhas. Se ainda dói.... Mas existe um tempo pra tudo e, de repente, lá do fundo do meu peito, brota à contragosto a sensação que eu tento enterrar mas que sufoca e se supera, de que nada disso teve qualquer valor prá você. De que esse tesouro é e sempre foi apenas meu.
De que eu sonhei esse sonho, sozinha.

Então, eu enxugo as lágrimas que me escorrem livres agora pelo rosto, deposito a caneta no canto da minha mesinha de cabeceira, abro uma das suas gavetas, dobro cuidadosamente o papel onde estive escrevendo estas palavras e guardo, juntamente com as outras cartas tantas, que venho te escrevendo ao longo desse tempo, e guardando, sem coragem de enviar...
Sem mais para o momento, despeço-me,
tão carinhosamente.....

Isadora

Notas finais
Essa carta muito me emocionou e a vocês? Deixem um recado. E para quem quiser dividir algo, só me mandarem mensagem particular. E caso queiram publicar alguma carta perdida por aí, basta entrarem em contato comigo, será um prazer colocá-la aqui.
Beijos.