Carta à Haruhi, por Kyoya Ootori
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Carta à Haruhi, por Kyoya Ootori.
Esta carta foi destinada à aluna Haruhi, primeiro ano do Instituto Ouran.
Não pode ser copiada ou enviada via internet sem aprovação.
Kyoya Ootori, segundo ano do Instituto Ouran,
Admirador eternamente secreto desta garota.
Tokyo, 30 de Dezembro.
Como vai, Haruhi? Você provavelmente acha que eu te escrevo por causa da sua dívida (na verdade, você está correndo muito bem com os ganhos, apesar de ainda precisar trabalhar muito isso), mas não.
Eu escrevi esta carta porque...
Bem, porque estou confuso.
Creio que a palavra “confuso” não transmita totalmente o meu estado de espírito; “totalmente desnorteado” ou “perdido em uma floresta tropical” explicaria melhor. Mas de que jeito você se sentiria, se descobrisse que está apaixonada tão subitamente?
Ah, creio que não expliquei direito: estou apaixonado por você, Haruhi. Total e perdidamente apaixonado.
Você quer saber como é? É sufocante. E aumenta meu ritmo cardíaco de uma maneira considerável. (O que não é agradável — eu me sinto como se fosse sofrer uma parada respiratória ou cardíaca a qualquer momento, e também fui abençoado com uma insônia que parece não ter fim. Se você nunca sofreu de insônia, não queira.) Eu não quero sentir esses sintomas, mas parece que não tenho escolha, segundo os sites especializados em relacionamentos que visitei.
Por que será que isso aconteceu, Haruhi?
Eu não queria mesmo perder a minha máscara.
Por que justo você?
Eu não admitiria estar apaixonado, nem que tentassem me obrigar. Apenas negaria e fingiria desinteresse, como sempre faço com tudo. Eu cortaria minhas relações com você, se fosse preciso. Eu te expulsaria do Host Club, e você pagaria sua dívida de algum outro jeito. Eu nunca mais lhe dirigiria a palavra.
Mas a verdade é que dói.
Dói muito.
Como uma bala de canhão me atravessando incessantemente.
Na verdade, eu gosto de algumas pessoas.
Gosto do Tamaki, com todo aquele jeito deprimente e alegre dele quando se empolga com algo — principalmente se for algo plebeu. Gosto dele, apesar de negar, e não estou junto a ele todos os dias apenas porque me traz vantagens.
Estou junto a ele porque ele é meu amigo. E é isso que amigos fazem, mesmo que seus amigos sejam tão irritantes a ponto de querer matá-los.
Gosto dos gêmeos, talvez porque eles me entendem no quesito Tamaki, e porque eles me lembram... bem, eu mesmo, há algum tempo atrás. Mas isso são águas passadas, e eu não sou mais o Kyoya terno e simpático, patético, se você me permite dizer. Agora eu sei o que preciso fazer, e quando preciso fazê-lo. Tenho controle sobre o presente e sobre o futuro, e isso muito me agrada.
Gosto dos nossos sempais, por serem maduros e, às vezes, colocarem um pouco de juízo na cabeça de vocês, integrantes mais novos e mais idiotas — no caso do Tamaki — do nosso clube.
Gosto de você, Haruhi, pois você é aquela que me cativou de um jeito que ninguém mais conseguiu, aquela que me fez amá-la tão bela e tão profundamente que eu acabo por me perder em meio a todo esse amor. Porque hoje, na véspera do ano que está chegando, eu finalmente me dei conta de que é isso o que estou sentindo: amor.
Talvez o novo ano seja bom, talvez eu consiga me esquecer de você por completo. Talvez a minha expressão calma quando olho nos seus olhos possa ser natural e não um modo de reprimir meus sentimentos cada vez mais.
Talvez eu deixe de amá-la, para poder deixar de sofrer.
Mas, se isso não acontecer, basta saber que eu ainda posso vê-la todos os dias.
E nisso eu sou grato a todos os hosts, por serem tão idiotas.
Kyoya Ootori.
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