Carta para você
76 A Vez de Sophie
Notas iniciais
Eu acho que a mamãe e o papai vão ficar felizes ao verem isso! Eu tenho quase certeza! Mal vejo a hora dos dois chegarem para o jantar, para que eu possa contar!!
— Noemi!! Noemi! Você não acha que eles vão gostar?
E a Noemi, como sempre, me abriu um sorriso.
— Niña, estoy muy cierta que si. – Ela falou assim que me entregou a minha redação.
Fiquei mais feliz ainda.
— Ainda vai demorar? – Perguntei aflita. O dia já tinha escurecido e nada da mamãe, ou do papai chegarem.
— Pequeña, é inverno, e você sabe que escurece cedo!
Tinha me esquecido desse detalhe...
Como eu já tinha terminado as minhas tarefas, já tinha arrumado a minha mochila para o dia seguinte e não tinha mais nada para fazer, me sentei na janela do meu quarto, esperando. Queria ver o carro dos meus pais assim que eles fizessem a curva para entrar na nossa rua.
E isso demorou. Muito.
Cada vez que eu via um farol eu dava um pulo, mas nunca era o carro. Já estava desistindo de ficar na janela quando faróis iluminaram a rua coberta de neve. E dessa vez eram eles.
Peguei a minha redação e sai correndo do meu quarto. Desci as escadas mais rápido que o Flash e, antes que o carro parasse em frente de casa – e isso significava que o papai não ia passar a noite! – eu já estava com a porta da casa aberta e pulava sem sair do degrau.
— Mamãe! Mamãe! Papai! Papai! – Eu tive que gritar, pois os dois não saiam do carro!
Logo papai abriu a porta, deu a volta e abriu a porta para mamãe, eu não escutei o que ela disse, mas sei que ela gostou, porque estava sorrindo. E antes que eles entrassem dentro de casa, eu estendi a minha reação.
— Oi!! Eu tava com saudades! – Falei para papai que preferiu me pegar no colo ao ler o que eu tinha escrito.
— Oi, Ruiva! – Ele me cumprimentou com um beijo na ponta do nariz. E isso sempre me fazia cosquinhas.
— Oi papai! – Cumprimentei da mesma forma e o abracei apertado.
Mamãe já tinha conseguido se livrar do casaco, dos sapatos e tinha deixado os relatórios urgentes no escritório, quando veio me cumprimentar.
— Olá, Miniatura! Como foi seu dia? – Ela se aproveitou que eu estava no colo do papai e não teve que se abaixar.
— O meu foi ótimo! E o de vocês? – Perguntei abraçando os dois ao mesmo tempo, e esse era o meu abraço favorito. – Olha o que eu tenho! – Mostrei, de novo, a minha redação.
Dessa vez mamãe pegou. Viu a minha nota e abriu um sorriso ainda maior. Eu adoro quando a mamãe sorri assim!
— Meus parabéns! – Ela me deu um beijo na testa. – Vamos ver o que você escreveu.
Foi só aí que papai deu atenção ao meu texto.
— É sobre o que? – Ele perguntou.
— Pelo visto, sobre as férias de inverno. – Mamãe respondeu e foi andando para a sala de visitas, onde se sentou no sofá, papai a seguiu e nos sentamos do lado dela.
Eu sabia o que estava escrito, afinal, fui eu quem fiz, mas eu queria saber a reação deles quando lessem. E eu ia ficar sabendo agora!
Mamãe, então, começou a ler a minha redação em voz alta.
Como Foi o Meu Natal e Meu Ano-Novo
Por Sophie Shepard-Gibbs
Já deu pra notar que tem algo de diferente, né? Sim, um dos meus presentes de Natal foi esse, eu ganhei outro sobrenome. Não que eu não tivesse o sobrenome do papai, mas agora é oficial, ou foi isso que todos disseram quando a minha certidão de nascimento nova apareceu debaixo da árvore de Natal.
Foi legal ver isso. E foi mais legal ainda ver que agora tem o nome do papai lá também.
Mas isso foi só um pedaço do que realmente aconteceu desde o Dia de Ação de Graças. E eu vou voltar só um pouquinho para contar tudinho aqui.
Para começar, essa foi a primeira vez que passei o Dia de Ação de Graças e as Festas de Final de Ano com toda a minha família. E quando eu falo toda a minha família, eu digo, meus pais, minha irmã, a Noemi, o Henry, o Tio Ducky e toda a equipe que trabalha com o meu pai. E isso foi diferente de tudo o que eu já tinha visto e foi a melhor coisa que já me aconteceu, depois de conhecer o meu papai, é lógico.
Assim, tudo teve início com o dia de Ação de Graças, que foi na casa do Tio Ducky. Ele tem uma casa enorme, a mãe dele, Dona Victória mora lá também, mas ela já é bem velhinha e fica sempre perguntando as mesmas coisas... mamãe me disse que ela está doente e temos que ser pacientes. Eu não me importei muito, apesar das perguntas, ela é gente boa. Mas a maior diversão veio com os corgis. Tio Ducky tem uns cinco e eles são fofinhos e ficam correndo para todos os lados! Parece que eles não gostaram muito do Tony, pois toda hora eles mordiam o pé dele!
Nosso jantar foi o tradicional, o purê de batata doce com marshmallow, o peru gigante – quem achou o ossinho foi a Tia Ziva, apesar de que ela não faz ideia da importância disso! -, molho de cranberry e o vegetais. Tudo estava muito gostoso e ainda tinha a sobremesa que foi torta de abóbora e de nozes. Quando foi a hora de agradecer, cada um tinha os seus próprios discursos, o meu foi o mais fácil: eu agradeci pela minha família estar toda ali, mesmo que tenha demorado para juntar todo mundo.
Do Dia de Ação de Graças para o Natal foi um pulo. Eu quase não pude ver a equipe, pois apareceram vários casos complicados, e, lógico, mamãe também trabalhou muito. Mas logo a neve começou a cair e as ruas começaram a ficar iluminadas e enfeitadas, tudo indicando que o Papai Noel estava chegando.
Na minha casa não foi diferente. Compramos uma árvore bem bonita e colocamos todas as luzes e enfeites que tínhamos direito. E, bem no alto, colocamos uma linda estrela. Também enfeitamos do lado de fora, colocamos luzinhas em volta da casa e fizemos um enorme boneco de neve no jardim. As meias foram penduradas na lareira, doze no total, assim todos poderiam ganhar os seus presentes. Também montei uma árvore na casa do papai, e essa foi enfeitada por mim, pela Kelly e pela Abby. Acho que foi a única árvore em todo o mundo que tinha caveirinhas com gorrinhos de Papai Noel pendurados...
Para comemorar a noite de Natal, eu fui a duas festas, uma no trabalho dos meus pais, lá também estava enfeitado, obra de Abby, mas eu ajudei com alguns detalhes, e a sala do esquadrão mais parecia um enorme salão de baile quando arredamos todas as mesas para um canto e colocamos uma árvore bem no meio. E, assim como em nossas casas, debaixo da árvore também tinha presentes, mas estes iriam para as crianças e famílias carentes, assim como as famílias dos marinheiros e fuzileiros que tinham perdido seus entes queridos na Guerra. Lá no NCIS tivemos um Natal solidário.
Já a festa em família foi na minha casa, e todo mundo apareceu. E eu nunca vi tantos presentes reunidos debaixo de uma árvore como vi nesse Natal que passou. Porém, a parte mais importante, foi lembrar ou relembrar os motivos de comemorarmos o Natal, não é só pelos presentes, mas sim pela união da família e o nascimento do Menino Jesus. É um tempo de esperança, esperança de que tudo vai melhorar, que tudo vai dar certo, que todos poderão ser alegres.
Por uma noite, enquanto nós doze estávamos reunidos lá em casa, foi como se não houvesse nada de ruim no mundo, só o amor e a amizade entre as pessoas da mesma família, pois como disse meu pai, família é muito mais do que DNA, é sobre pessoas que se importam e cuidam umas das outras. Ah, eu me esqueci de dizer, nós comemoramos o Hanukkah também, em respeito à religião da Tia Ziva, ela é judia e essa, apesar de não ser a comemoração mais importante, coincidiu nesse ano com as nossas Festas, nada mais justo do que comemorar também para que ela se sinta bem-vinda!
Entre o Dia de Natal e a Noite de Ano-Novo eu passei me divertindo em Washington. Fui ao balé do Quebra-Nozes com mamãe, Kelly e o tio Ducky, patinei no gelo, ajudei o meu pai com o novo barco dele, vi um monte de filmes de Natal com o Tony e experimentei a especialidade da família DiNozzo, pipoca caramelada. Mas o melhor dia foi quando todos fomos ao Parque Anacóstia, estava muito frio e nevando, mas isso não nos impediu de brincar de guerra de bola de neve! Dividimos dois times. As meninas contra os meninos. O Tio Ducky foi o árbitro, pois, nas palavras dele, alguém tinha que ser o responsável para que ninguém saísse machucado ou roubasse na contagem, e assim que ele assobiou o início, bolinhas voaram por todos os lugares.
Particularmente eu só acertei duas bolinhas... no Jimmy e no Henry, a boa notícia é que não tomei nenhuma bolada! A tia Ziva, mesmo tendo crescido no meio do deserto, sabe brincar muito bem, e acertou umas quatro boladas no Tony, todas elas na cara... Abby não acertou em ninguém, e toda vez que uma bola vinha na direção dela, ela saía correndo e gritando; Kelly tentava de tudo, porém nunca conseguiu acertar o papai, mas ela conseguiu acertar o Tony e essa bolada o tirou do jogo. A melhor guerrinha particular ficou entre mamãe e papai. Bolinhas voaram por um tempão, e ninguém acertava ninguém. No final, papai acabou acertando a mamãe, mas eu ainda acho que ele trapaceou, contudo, o Tio Ducky disse que a bolada valeu, e mamãe foi eliminada, e ela não gostou nada disso.
No final do jogo, foi declarado empate. E ninguém gostou do resultado, assim, um dia que estiver nevando e ninguém tiver que trabalhar, vamos para o desempate, mal vejo a hora disso acontecer!
Mais rápido do que um piscar de olhos, chegou a Noite de Ano-Novo. No ano passado, eu, mamãe e Noemi fomos ver os fogos na London Eye, já que estávamos em Londres. Nesse ano, não saímos de casa e passamos a hora da virada só eu, mamãe e papai. Minha irmã passou a noite em uma festa na casa do noivo dela, e os restante da equipe, cada um tinha uma festa para ir.... mas eu não fiquei triste, pois, todos eles passaram na casa do papai para nos desejar um Feliz Ano-Novo! E o Tony teve que fazer a piada do “Te vejo só no ano que vem!” quando ele saiu. Assim, quando o ano virou e minha mãe me falou para pensar em coisas boas que eu queria que acontecesse nesse ano de 2006, eu só pude pedir que tudo permanecesse como estava. Minha vida está muito boa, para pedir por algo mais!
Eu ainda tinha mais uma semana de folga, mas meus pais precisaram voltar a trabalhar, assim, eu tive que acompanhá-los, pois Noemi estava de folga e tinha ido visitar a família dela. Eu adorei essa ideia, é sempre bom ficar perto de todos, mesmo que eles estejam ocupados! Eu fiquei bem quietinha, lendo meus livros e quando ninguém percebia, eu fingia que fazia parte da equipe e era uma investigadora também. Tudo isso porque eu já estou treinando para quando eu for uma investigadora de verdade! Mas não era sempre que eu podia ficar perto de todos, e quando o caso era mais complicado, eu sempre ficava ou na sala da minha mãe ou com a Cynthia, nessas horas, eu pegava o meu livro e ia ler, assim, eu não atrapalhava ninguém e o dia passava rápido.
Meu último final de semana de férias foi divertido. Fizemos a sessão cinema que tinham me prometido há muito tempo. Todo mundo se reuniu lá em casa e a nossa sala de televisão virou um enorme e confortável cinema. Assim, como eu e mamãe tínhamos terminado de ler o livro do Harry Potter e a Pedra Filosofal, fomos ver esse filme!
Ver filme com todas essas pessoas pode ser difícil, principalmente a Tia Ziva. Ela sempre reclama que certas coisas são impossíveis ou faz um comentário que não faz muito sentido... mas não tem problema, eu não a culpo, só acho que ela ainda não entende muito bem o nosso idioma e nossa cultura para entender o filme direito. Quando o filme acabou, Tony jurou que As Crônicas de Nárnia era melhor. Como eu ainda não vi esse, que também é baseado em um livro, colocamos na nossa lista, assim que eu consegui ler todo o livro, vamos vê-lo e todos vamos poder opinar sobre qual é o melhor.
E, no meu último domingo eu passei o dia inteirinho no porão da casa do meu pai, o ajudando a construir o barco. Sim, isso mesmo, meu pai constrói barcos no porão da casa dele e eu agora sou a ajudante número um! Esse ainda vai demorar para ficar pronto, pois só estamos lixando a madeira ainda, mas quando ficar, eu tenho a certeza de que será o barco mais lindo do mundo. Mas isso é história para outro dia, pois agora as aulas voltaram e eu tenho que voltar para todas as minhas obrigações como estudante!
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Passou janeiro, o fevereiro e quando dei por mim, a data no calendário me informava que era o aniversário da minha filha.
Era até estranho pensar nisso. Há um ano essa seria uma data qualquer, porém hoje, passou a ter uma importância ainda maior, pois era o primeiro que eu comemorava com ela.
Abby quis fazer uma festa temática e chamar todas as crianças da sala de Sophie, porém esta disse que queria passar esse aniversário comigo. Todos estranharam, afinal crianças tendem a querer uma festa enorme e cheia de outras crianças para poderem brincar.
— Não fica assim, Abbs. Eu só tive uma festa de aniversário com um monte de gente... e a mamãe quase ficou doida! Geralmente a gente viaja no meu aniversário e no ano passado, assim que voltamos de Paris, eu pedi para que o meu aniversário fosse passado aqui nos EUA. Eu estou aqui, não quero viajar, só quero ficar com vocês. – Ela se explicou.
— Então alguém vai ter que fazer os planos para o dia inteiro! – Ziva se empolgou.
— Tem um parque de diversões na cidade... – McGee disse depois de pesquisar na internet.
Sophie me olhou. Claramente não era isso que ela tinha em mente.
— Não liga, Ruiva. Você passa o dia com eles e de noite a gente dá um jeito.
Quando finalmente a data do aniversário chegou, nada podia parar Abby. A aniversário da pequena caiu em um sábado e antes das oito da manhã Abby já tocava a campainha.
— Não me olhe assim, Gibbs. Temos um acordo. O dia é nosso, a noite é dos pais. Onde está a Sophie? – Ela entrou já discursando.
— Está aqui em cima. – Jen respondeu do alto da escada. – E bom dia para vocês. – Ela falou quando os quatro passaram por ela e corriam para o quarto da dorminhoca aniversariante.
Menos de um minuto depois escutamos os gritos de “Parabéns Sophie!”
Jenny desceu as escadas e foi começar a preparar o café. Nem precisamos chamar a trupe, pois antes que eu me virasse, escutei as botas de Abby descendo as escadas.
— Tony, larga ela! – Abby reclamava. – Eu também tenho direitos sobre ela!
— Vocês têm o que? – Perguntei.
— Eu também tenho o direito de dar os parabéns para ela, Gibbs! – Abby contornou.
Olhei para Tony, ele carregava Sophie nos ombros e estava planejando em quais brinquedos eles iriam.
— Papai! – Sophie me chamou. – Bom dia! É verdade que a Kells não vai poder vir hoje?
— Bom dia, Ruiva! – A tirei dos ombros de Tony e a peguei no colo. – Feliz Aniversário. E sim, é verdade.
Ela fez um bico.
— Obrigada! – Me deu um abraço. — Tudo bem... Kells vem outro dia... – Se conformou.
— Mamãe!!! Isso aí é para mim? – Ela perguntou se virando para mãe.
— Não. É para a aniversariante do dia. Você sabe quem ela é? – Jen perguntou.
— Não... mas sei que ela tem sorte! – Sophie entrou na brincadeira. – Mas se ela não aparecer, eu bem que posso comer essas panquecas com gota de chocolate no lugar dela!
Jen me entregou a colher e veio abraçar a filha.
— Feliz aniversário, miniatura! – Ela deu um beijo no alto da cabeça dela. – Muitas felicidades para você!
— Obrigada mamãe. – A ruiva retribuiu o abraço e depois se sentou na bancada, pronta para comer.
Logo em seguida, quem chegou foi Noemi, e depois de abraçar e conversar com a minha filha em espanhol, disse:
— Seu presente foi aquilo que você me pediu, pequeña.
— Muchas Gracias!— Sophie agradeceu.
E eu fiquei curioso. Enquanto Jen só deu uma risada.
— Para quem não entendeu nada, Sophie não quis presente, ela pediu que déssemos roupas ou brinquedos para as crianças de um orfanato.
— Isso é tão bonitinho!!! – Abby deu um abraço de urso na aniversariante.
Tony fez uma careta.
— Que foi, Tony? – Sophie perguntou.
— Mas e o presente que eu comprei?
— Você comprou um presente para mim? Achei que os ingressos do parque eram o presente!
— É Tony, a gente combinou assim! – Ziva e Tim retrucaram.
— É que eu não resisti. – Ele deu de ombros.
— E onde está? – Ziva foi a primeira a perguntar.
— No carro.
— Então, Tony, corre lá porque eu já quero saber o que é! – Abby o empurrou para a porta.
Sophie ficou olhando na direção em que Tony saiu e a cada minuto que ele demorava, ela balançava mais rápido as pernas, por fim, escutamos a porta bater e depois DiNozzo apareceu.
— Aqui, Peste Ruiva. Feliz Aniversário! – Ele deu um abraço e entregou o presente.
— É grandão! E pesado! – Sophie falou ao segurar o embrulho. Depois o colocou na bancada, ao lado do prato e começou a abri-lo. – Tony, muito obrigada!!!! – Ela pulou do banco e deu outro abraço nele.
Jen chegou perto para ver melhor o presente, assim como Abby, Ziva e Tim.
Abby acabou de desembrulhar e eu pude ver.
Tony tinha dado para Sophie um box do filme As Crônicas de Nárnia. Onde tinha uma edição especial do DVD, o livro que deu origem ao filme – que Sophie ainda não tinha – e um outro livro, com as fotos do filme e do set.
— Fico feliz que tenha gostado, Pestinha. Depois a gente marca a sessão pipoca. – Tony deu um beijo no alto da cabeça dela.
— Só aceito se tiver pipoca caramelada! – Sophie respondeu.
— Isso nem precisa pedir, Pestinha! – Ele bagunçou os cabelos dela.
Depois do presente inesperado, todos se sentaram para tomar o café da manhã e foi o único momento do dia em que eles ficaram calados.
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O dia acabou por passar rápido demais, e eu ainda acho que não aproveitamos tudo o que podíamos.
Eu sei, fomos em todos os brinquedos, alguns mais de duas vezes, porém, nós fomos embora cedo demais.
— Mas ainda é cedo!!!!
— Abbs, você escutou o Chefe. A Peste Ruiva tem que estar em casa às dezessete horas em ponto, nem um minuto a mais. Assim, é melhor sairmos agora e tentarmos não pegar trânsito do que encarar a fúria do Gibbs, não acha? – Tony tentava me convencer.
Sophie, por sua vez, estava parada ao lado de Tim, os dois ainda discutindo se valia ou não a pena ir na barraca de tiro com Ziva. Tim dizia que seria trapaça, que era a mesma coisa que levar o Gibbs, Sophie achava que não, pois ali ninguém sabia quem a Ziva era e a israelense, por sua vez, estava muito tentada em atender o pedido de Sophie.
— Pela brincadeira, McGee. – Ela falou com um sorriso.
— Ziva, não. É trapaça.
— Só se vive uma vez! – Ziva falou e saiu andando com Sophie ao seu lado.
McGee resignadamente seguiu as duas e eu também, deixando Tony falando sozinho.
— Vocês fazem isso porque sabem que será a minha cabeça que vai ser cortada! – Ele reclamou, mas logo estava do meu lado.
Foi uma total lavada. Ziva acertou os nove tiros e saiu de lá os prêmios – três imensos ursos de pelúcia, um ficou com Sophie e os outros dois ela deu para a caridade – até que ouvimos.
— Eu faço melhor. – Um homem disse logo atrás da gente.
— Isso não é uma competição. – Falei. Não estava gostando da cara dele.
— Para mim é.
Ziva deu de ombros e abriu espaço para o estranho mal-humorado passar.
Sophie correu para perto de Tony e pediu que ele se agachasse:
— Tony. – Ela sussurrou. – Vamos embora? Eu não gostei dele. – Ela falou e se escondeu atrás dele.
Ziva encarava o estranho careca que tinha tomado a arma e começava a mirar em alguma garrafa.
— Tia! – Sophie gemeu de medo.
E todos compreendemos, era hora de ir.
— Cara estraga prazeres. – McGee murmurou assim que ouvimos o terceiro tiro.
— Será que ele acertou?
— Não sei, Abbs. E nem quero saber! – Sophie respondeu agarrando mais forte a mão de Tony e saiu do lado dele arrastando o ursão.
E por conta desse sujeito tivemos que ir embora mais cedo.
Para te ser sincera, eu não fui nem um pouco com a cara dele.
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E acabou que a equipe deixou Sophie uma hora mais cedo do que nós tínhamos combinado, Jethro estranhou, ele estava contando com o atraso para poder descontar o tempo que ficara longe da filha em algum terrorismo psicológico para cima dos três agentes, e assim que tocaram a campainha e Sophie entrou carregando um enorme urso azul já apelidado de Timmy, nós dois notamos que algo tinha saído errado.
— Bem, Chefe, Diretora. Aqui está a Peste Ruiva! – DiNozzo anunciou assim que abrimos a porta.
Sophie nos deu um sorriso e vi que antes de entrar ela e Ziva trocaram algumas palavras rápidas.
— Está tudo bem? – Jethro se adiantou e perguntou por mim.
— Tudo ótimo! – A resposta padronizada deles não nos enganou.
— DiNozzo... – Eu tentei o alertar.
— A Sophie conta para vocês. Não foi nada grave. – Ele deu de ombros e eu olhei para os outros três que estavam parados na calçada, eles concordaram com Tony. – Então, você está sã e salva, hora da parte dois do seu aniversário, Peste Ruiva! – Ele abriu os braços e Sophie correu para agradecer, não só o dia no parque, mas também o presente.
— Tchau meu Italiano de Araque Preferido! E muito obrigada! – Ela encerrou com um beijo na bochecha.
— A gente se vê essa semana, e lembre-se, dê bastante trabalho para seus pais! – DiNozzo piscou na direção dela antes de ir para o carro e Sophie deu uma risada.
Assim que o carro com os quatro saiu de nossa vista, olhamos para nossa filha ao mesmo tempo.
— Não foi nada demais, mesmo. – Ela confirmou abraçando o urso. – Só um cara careca que apareceu do nada. A gente tava na barraca de tiro, a Tia Ziva acertou os nove, nos lugares mais difíceis, e do nada ele chegou falando que fazia melhor que a tia Ziva, pegou a arma e começou a acertar os alvos. Nós não ficamos. Eu fiquei com medo dele e saímos para carro. – Ela explicou.
— Ele realmente não fez nada com vocês? – Perguntei aflita, tentando lembrar se conhecia alguém careca.
— Não. Não ficamos perto dele. Mas ele ficou encarando a Tia Ziva e o Tony. E eu não gostei dele. Nem a Abbs.
— Deve ser só mais um que não gosta de perder para mulheres. – Disse por fim, mas uma luz tinha se acendido na minha mente.
O restante da nossa tarde e a nossa noite foi gasto entre nós três. Não fomos a lugar nenhum e passamos o tempo entre jogar jenga – que eu nunca mais jogo com Jethro, tenho certeza de que ele roubou. – e ver um dos muitos desenhos que Sophie agora tinha, afinal, DiNozzo estava montando um pequena cinemateca para a minha filha.
Sophie assistiu ao desenho inteiro, o que era raro, pois ela sempre dormia na segunda metade. E depois de muito fazer hora, consegui fazê-la tomar um banho e se arrumar para deitar.
— Mas mamãe! Eu não estou com sono! – Ela reclamava enquanto Jethro a levava pelo ombro até o quarto, de onde ela tinha saído correndo.
— Se ficar na cama quieta, o sono vem. – Jethro falou.
— Papai! – Ela começou com um bico.
— Nada de papai ou mamãe, já passou e muito da sua hora de dormir! – Avisei.
— Mas é sábado! – Sophie clamou.
— Já é domingo. – Com uma conferida rápida no relógio, Jethro a respondeu.
— Por favor!! – E lá estavam os olhinhos de cachorrinho que caiu da mudança.
— Não. – Dissemos juntos.
— Ninguém pode falar que eu não tentei, né? – Ela deu de ombros depois que Jethro a colocou na cama. – Tenho direito a ganhar alguém lendo um livro para mim? – Ela tentou a última jogada.
Jethro olhou para mim como me dizendo, você lê e eu a seguro na cama.
— Tudo bem? Onde está o segundo livro do Harry Potter?
Sophie apontou para a estante repleta de livros que ela já tinha.
Jethro pegou o livro e eu me ajeite para me escorar na cabeceira. Minha filha em um piscar de olhos, já se ajeitava abraçada com o seu Mushu (o novo bichinho só foi ser entregue depois do Dia dos Namorados e eu tive que inventar uma boa desculpa para a lavagem ter demorado tanto, desculpa essa que Sophie não acreditou, só soltou: “ele tá com cheiro de carro novo... O que aconteceu com ele?” eu desconversei e fingi atender o meu celular, mas creio que essa história ainda vai render) no colo de Jethro. Quase uma hora depois ela dormia profundamente e a colocamos na cama com jeito. Dei um beijo na cabeça dela sem acreditar que seis anos já tinham se passado.
Antes de fechar a porta, fiquei parada vigiando o seu sono. Estava quase na hora dela começar com a falação. Jethro parou atrás de mim e me olhou em dúvida.
— Só esperando a falação começar. Quero ver quem ela vai chamar primeiro.
— É melhor não saber. Vai que ela chama pelo Tony! – Ele brincou.
— Ela não faria isso comigo. – Sibilei.
— Então ela vai me chamar. – Falou todo presunçoso.
Só dei uma cotovelada nele.
E logo ela começou, de início eu não entendi nada, mas aí ela chamou pela primeira pessoa e abraçou ainda mais o Mushu.
— Perdeu, Jethro. Eu ainda sou a queridinha. – Falei com um sorriso.
— Espere. Ela ainda não terminou a primeira frase. – Ele apontou para a filha que agora também o chamava.
— Pequena traidora! – Eu falei para a adormecida ruiva.
— Podemos considerar isso um empate se você se sentir melhor. – Jethro disse apagando a luz.
Nos deitamos e pareceu que eu tinha piscado quando escutei Sophie gritar. Antes de sair correndo para o quarto dela, consegui dar uma olhada no relógio, eram cinco da manhã.
Jethro foi comigo, e assim que abri a porta, mais desesperada que os gritos que minha filha tinha dado, encontrei a pequena sentada na cama, encolhida e chorando.
— O que foi? – Perguntei chegando perto dela e só aí notei que ela soluçava.
Sophie levantou seus olhos e olhou na direção de Jethro, falando logo em seguida.
— Papai, me promete que o senhor não vai subir em um navio?
Era a promessa mais difícil que ele poderia fazer.
— Por que, Ruiva? – Ele quis saber se sentando do lado dela.
— Porque um vi um explodindo e o senhor tava lá dentro! – Ela recomeçou a chorar com força.
— Foi só um sonho ruim, filha. Eu estou aqui.
Ela balançou a cabeça negativamente.
— E depois o senhor estava todo machucado no hospital. E não acordava. Não importa o tanto que te chamei, papai, o senhor não acordou. – Sophie enterrou a cabeça no peito do pai e chorava copiosamente.
— Eu estou aqui. Eu estou aqui com você. – Ele tentava acalmar a nossa filha.
Sophie levantou a cabeça e dessa vez olhou para mim.
— Mamãe, não deixa o papai subir em navio nenhum, por favor. – Ela suplicou.
— Nada de ruim vai acontecer com o seu pai, Miniatura. Nada. – Eu garanti a abraçando também.
— Mas não deixa, mamãe. A senhora pode mandar ele ficar. – Ela ainda falava.
Olhei para Jethro que me olhou de volta. Sem falar alto, ele me perguntou se ela tinha esse tipo de sonho.
— Nunca teve. – Foi a minha resposta.
Ele franziu o cenho e eu notei que ele não estava gostando da situação.
— Vem aqui, Ruiva. Vamos dormir. – Ele pegou a filha nos braços e a levou para o nosso quarto, Sophie só parou de chorar quando o cansaço a atingiu e hora nenhuma afrouxou o abraço que ela dava em Jethro.
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