Carta para você
69 Acho que Somos Todos Malucos
Notas iniciais
FINALMENTE!!! HOJE É O MELHOR DIA DO ANO... ou um dos melhores! É Halloween e eu não acredito que a Diretora me deixou organizar a festa desse ano. – Acho que expressei alto os meus pensamentos, pois os seguranças estão olhando para mim com uma cara estranha...
Tudo bem, essa é a primeira Festa de Halloween que o NCIS tem, então eu resolvi fazer algo bem especial. É uma festa não só para os funcionários, mas também para as suas famílias, mesmo daqueles que estão bem longe.
Todas as coisas já estão organizadas e em seus devidos lugares, todo o estacionamento está enfeitado para a ocasião. E eu espero que muitos venham fantasiados, ou tragam os seus filhos fantasiados. Eu adoro todas as crianças correndo por aí encarnando os personagens que elas escolheram ser por uma noite.
Falando em fantasias, de que será que a pequena ruiva vai vir? Eu tentei buscar todas as informações possíveis e impossíveis sobre isso e não consegui nada...
— Falando sozinha, Abbs?
— McGEE, você me assustou!! E que fantasia é essa?
— Não reconhece?
— Se eu reconhecesse McGee, não estaria perguntando. De que você veio?
— Lorde Elfo.
Parei e encarei.
— Ah, sim. É claro. Você ainda joga esse jogo?
— Claro, que sim Abbs. Não te contei sobre a Feiticeira Nível 5 que eu conheci?
Feiticeira Nível 5... se ele soubesse que é Tony disfarçado...
— Sim, contou sim. Como eu fui esquecer, né?
— Trocando de assunto, gostei da fantasia.
— Dizem que as loiras se divertem mais. – Pisquei para ele e fui ver quem era a pessoa que vinha chegando.
Não dei dois passos e reconheci Ziva!
— Ziva!! Você veio! E veio de Cleópatra!!
— Foi o melhor que consegui, não está ruim não, né? É o meu primeiro Halloween.
— Você está ótima. Tim já chegou.
—É mesmo? E onde ele está?
— Tá vendo aquele bichinho de pelúcia azul ali atrás? – Apontei.
E Ziva teve que se segurar para não rir quando ele veio se juntar a nós.
— Bonita fantasia, Ziva.
— Obrigada. A sua é.... instigante.
— Você por acaso não quis dizer intrigante, adorada Cleópatra? – Nós nos viramos em direção à voz e demos de cara com... – Eu sou ...
— Um garçom, Tony? Não tinha nada mais legal? – Ziva perguntou caindo na gargalhada.
— Eu sou Bond, James Bond! Não tem nada disso de garçom! – Ele chiou alto.
— Relaxa, Tony. Elas também não descobriram o que eu era...
E DiNozzo olhou para McGee com cara de dúvida.
— Nem eu sei de que você veio, McAzul!
— LORDE ELFO!!! – Tim perdeu a paciência.
— Tudo bem, McGee, nós já entendemos, não precisa ficar chateado. – Ziva intercedeu.
Mais alguns minutos se passaram e a festa foi enchendo. As crianças adorando os brinquedos de parque de diversão que eu tinha conseguido e não paravam de correr, perguntando aos adultos o famoso “Doces ou Travessuras”
Com pouco avistamos um casal que se aproximava de mãos dadas.
— E vocês são?
— Elizabeth Swan e Will Turner. De Piratas do Caribe.— Era Kelly que tinha vindo até com peruca loira!
— E vocês dois só estão juntinhos assim porque o Chefe não dá as caras em festas assim, não é mesmo? – Tony não dava um minuto de paz para os dois.
— Papai não tem nada que reclamar, DiNozzo. Dá um tempo! – Kelly chiou.
Me voltei para Kelly e resolvi ignorar DiNozzo por um tempo.
— Não liga para ele. Como Ziva disse, ele está fantasiado de garçom. Mas o que eu quero saber é, Gibbs vem?
— Acho difícil, Abbs. Meu pai, em festas assim? Contudo, como foi você quem planejou, creio que ele deva aparecer. – Ela me falou e eu fiquei um pouquinho mais animada em saber que El Jefe poderia aparecer a qualquer momento.
Palmer chegou logo em seguida, encarnando o Homem Aranha. E até mesmo Ducky veio!
— Ducky!! Você veio!! – Corri para abraçá-lo.
— Minha querida Abigail, eu não perderia uma festa organizada por você!
— E me conta, essa fantasia é de?
— Arqueólogo, minha cara.
— Muito apropriada, Ducky! – Ziva disse assim que acabou de cumprimentá-lo.
A festa estava a todo vapor até que em um determinado momento, todos pararam para observar quem chegava.
— Para esse silêncio ter sido feito, só consigo imaginar uma pessoa... – Tim falou aos sussurros.
— Ele não pararia a festa, McGee. A menos que estivesse fantasiado.
Mas não era a pessoa que Tim e Tony esperavam. Na verdade, eram mãe e filha, devidamente fantasiadas. E eu demorei para reconhecer quem eram.
— Eu não acredito! – Kelly falou e correu em direção à garotinha e só foi quando a pequena cumprimentou a filha de Gibbs que eu notei quem era.
— Kells!! Você está de Elizabeth Swan!! – A pequena Mulan gritou.
— Peraí, é a Sophie? – Jimmy perguntou.
— E se a Mulan ali é ela, a Carmen SanDiego logo atrás é... – Tony falou.
— Jenny!! Você veio e está fantasiada!! – Gritei na direção dela. – Sinceramente, não deu para te reconhecer de primeira, a peruca e o chapéu fizeram um ótimo trabalho te camuflando.
— Obrigada Abby! – Ela me agradeceu e procurou pela filha. – Ninguém além de vocês precisam ficar sabendo que sou eu... pelo menos por uma noite eu não quero ter ninguém me chamando de senhora. E aproveitando a deixa, já que Sophie estava escapando, acrescentou: — Mulan, não vá longe! – Ela avisou enquanto que Sophie já corria para a mesa de doces!
— Tudo bem, Senhorita SanDiego!
— Ela está até de peruca, de leque na mão e ainda tem até a cola no braço! A fantasia ficou ótima. Adorei o toque do Mushu! – Kelly falou em direção à Diretora. – As duas ruivas resolveram ficar morenas?
— Mas fácil para passar despercebida! – Jenny sorriu de volta.
— Se você diz... – Kelly deu de ombros e foi atrás da irmã que estava atacando a mesa de doces.
— Hei, Mulan do Paraguai, pode ir parando, isso aí não vai te fazer bem, não!
Notei que todos começaram a conversar e aproveitei para dar uma olhada ao redor, a minha festa era um sucesso.
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Depois de ter passado a noite na casa de Jen, fui obrigado a voltar para casa, não sem antes escutar um pequeno sermão de Sophie sobre os motivos que eu tinha para aparecer na festa de Halloween do NCIS.
— É qual é o mais importante? – Perguntei a ela que tinha me acompanhado até o carro.
— Foi a Abbs quem planejou tudo, oras!
— E você vai fantasiada de que?
— Eu não vou contar! – Ela disse balançando a cabeça negativamente. – Consegui fazer mistério até agora, e vai continuar assim até a festa!
Me dei por vencido, até porque, muito provavelmente eu não saberia quem é a personagem escolhida por ela...
— Então, papai, você vai na festa, né? Não precisa ser fantasiado... só vai, por favor! A Kells vai!
— Se eu for eu te acho lá.
— Ah... mas o senhor não vai me achar mesmo!! – Ela deu o mesmo sorriso da mãe que indica que ela vai aprontar alguma coisa.
— Sophie, eu te encontro lá.
— Se o Tony estivesse aqui eu diria para ele abrir a Casa de Apostas... porque eu tenho certeza de que o senhor não vai me achar!
Fiquei intrigado, de que ela iria afinal?
E essa dúvida permaneceu na minha cabeça, não teria problemas em encontrar a minha filha, desde que eu achasse Jen no meio da multidão. Ela com certeza não estaria fantasiada.
Fiz hora para ir até o Estaleiro, sei que além de Sophie, Abby também estaria me esperando.
Quando entrei onde normalmente é o estacionamento, vi que alguns dos agentes estavam fantasiados e outros não, a única certeza da noite era que todas as crianças estavam com suas fantasias.
Passou por mim o batman, a Mulher-Maravilha, fadas, princesas, policiais, marinheiros, bombeiros, homem aranha, zumbis, vampiros, múmias e até uma chinesinha que carregava um leque na mão. Entre os adultos algumas fantasias eram combinadas com os filhos, outros estavam irreconhecíveis, como o bichinho de pelúcia azul que passou por mim correndo atrás da chinesinha e tinha uma mulher de sobretudo e chapéu vermelhos que eu nunca vira no NCIS.
Deixei a bagunça que as crianças faziam de lado e fui procurar por Jen. Na primeira olhada, não a encontrei, contudo, alguém tinha me encontrado.
— GIBBS! GIBBS! GIBBS! GIBBS! VOCÊ VEIO! – Abby gritou assim que me viu e correu para me abraçar.
— Tudo bem, Abbs, eu te disse que viria!
— Eu sei! Mas eu estou feliz mesmo assim! Todo mundo veio! Já achou as suas filhas aí?
Foi então que notei que Abby estava de Marylin Monroe.
— Ainda não.
— E nem vai. Eu custei reconhecê-las. E duvido que você vá encontrar a Jenny!
Não disse nada. Difícil eu não reconhecer essas três.
— PESSOAL, olha quem chegou! – Abby me arrastou até onde a equipe estava.
— Oi Chefe! – Tony me cumprimentou. – Daqui a pouco o McAzul chega, ele só foi... – E ele parou depois que recebeu uma cotovelada nas costelas. – Essa doeu!
— Era para ter doído mesmo! – A voz de Kelly soou alta do meu lado. – Oi pai! – Ela me cumprimentou.
— Por que vocês cismaram de serem loiras? – perguntei para Abby e Kelly.
— São só as personagens. Além do mais, a maioria vai falar da fantasia não da pessoa. – Kells me explicou.
— Com a exceção do Tony que veio como ele mesmo, até com as mesmas roupas. – Ziva completou, ou melhor Cleópatra.
Tony fez cara feia e Kelly disse:
— Achei que tínhamos combinado que ele era um garçom!
DiNozzo não gostando da falação na cabeça dele, foi saindo de perto.
— Vai aonde? – Abby gritou rindo.
— Ajudar o McPelúcia a pegar a Peste Ruiva Made in China!
Fiquei alguns minutos parado ao lado de Ducky, conversando com ele, quando a voz de Jen veio alta de algum lado.
— Acharam a Sophie?
Me virei para começar a rir do cansaço dela, quando não foi ela quem eu vi.
— Mas quem é você?
— Jethro! Sério que você não reconhece a maior ladra dos videogames dos anos 80?
— Deveria?
— Deixa para lá. Até a Kelly lembra de ter jogado...
— Você está de peruca?
— Sim, a personagem tem cabelo preto!
— E por que você veio fantasiada?
— Para que ninguém ficasse sem graça ao me ver aqui. Por via das dúvidas, a Diretora Shepard não veio!
Olhei para a peruca que ela usava. E ainda tinha um chapéu.. Estava difícil de reconhecê-la, por baixo de da fantasia.
— E a Sophie? Onde está?
— Ache a sua filha, Jethro. Está muito fácil. Tão fácil que precisei de mais quatro pessoas para me ajudar depois que ela fugiu do McGee.
Tony, Ziva, Kelly e Henry chegaram sem encontrá-la. Abby já estava planejando chamá-la pelo autofalante, quando ouvimos:
— Então, Bichão de Pelúcia, acho que você realmente não me pega! – Ouvimos a voz de Sophie ao longe.
— Olha ela ali! – Os quatro que tinham acabado de chegar gritaram e saíram atrás dela.
Procurei, mas a única pessoa que vi, foi a Chinesinha. Então prestei atenção. Aquela chinesinha tinha um dragão na mão, um dragão que eu conhecia.
— A chinesinha com o dragão e leque? – Perguntei para Jen.
— Sim... a própria!
— E até ela está com peruca!
— Acho que ela estava certa pela manhã. Você realmente não a reconheceu, Jethro.
Ouvimos Tony chamá-la:
— Ô Peste Ruiva da China, seu pai tá aqui.
E a pequena chinesa parou de uma hora para outra, McGee, se é que aquele com uma fantasia azul era ele, quase a atropelou.
— Vamos, Lorde Elfo. Você vem comigo! – Ela o pegou pela mão e saiu arrastando-o.
— Sei que ele acha que a fantasia está boa, mas não tem como não rir dele. – Abby disse com pesar, ao ver a cena da minha filha rebocando o agente, ao passar perto de DiNozzo, ela fez a mesma coisa.
— Peste Ruiva da China foi de matar qualquer um, Tony! – Kelly chiou assim que os seis chegaram onde estávamos.
— Oi Papai! – Sophie veio na minha direção e me deu um abraço. – Conseguiu me reconhecer?
Peruca preta, quimono, leque...
— De primeira, não. – Afirmei.
— O que me dedurou? – Ela quis saber.
Peguei o dragão que estava preso debaixo do braço dela.
— Droga...
— Se serve de consolo, Sophie. – Ducky começou. – Ele não reconheceu nem a sua mãe e nem Kelly.
— Era essa a nossa intenção, Tio Ducky! Parece que conseguimos, mas eu deveria ter deixado o Mushu em casa...
— Deveria mesmo, olha a sujeira que ele está! – Jen pegou o bichinho da minha mão e olhava descrente para ele. – Nada de dormir com ele hoje.
— Mas mamãe!
— Nada de mamãe, Sophie.
— Se eu soubesse que o McGee iria vir de bicho de pelúcia gigante, eu não tinha trazido ele.
— Sophie eu não sou um bicho de pelúcia!
— Ele é o Lorde Elfo! – Todo mundo respondeu ao mesmo tempo.
— Tim, admita, você tá fofinho como o ursão que o Henry me deu.
E foi aí que McGee desistiu de corrigir todo mundo.
— Não fica triste, Tim, por mim, você ganha o prêmio da fantasia mais fofinha e bonitinha da festa. – Sophie tentou consolá-lo dando um abraço no urso de pelúcia mais feio que eu já tinha visto.
— Falando em prêmios da noite... – Abby começou. – Temos que ver quem ganhou como melhor fantasia!
— E lá se vai Marylin Monroe dar o prêmio para ela mesma. – Tony comentou.
— Mas todos reconheceram a Abby, achei que era para tentar ser irreconhecível... – Ziva protestou.
Ninguém do grupo ganhou prêmio, mas isso não impediu ninguém de se divertir.
Ao final da festa, quando todos estavam voltando se arrastando para o carro, Sophie, manhosa como sempre, pediu colo.
— Tô cansada, papai. — Ela falou estendendo os braços para cima.
Kelly passou por nós rindo, Ziva deu um tapinha na cabeça dela e falou para que ela andasse até o carro, foi Tony quem teve que falar a besteira.
— Também pudera, correu até não aguentar mais do McPelúcia a noite inteira!
— Tchau garçom, desaparece! – Ziva, Abby e Kelly saíram empurrando DiNozzo para longe de nós.
— Às vezes eu acho que todos eles são malucos... – Sophie falou com cara de espanto.
— Só às vezes, filha? – Perguntei assim que a peguei no colo.
— Não tem muito tempo que estou por aqui, né?
— Não, não tem.
Nisso McGee passou, atrasado só para ficar bem longe dos comentários de todos, ele só não contava que Sophie fosse vê-lo.
— Tchau meu bichão de pelúcia favorito! – Ela gritou.
Tim só levantou a mão e foi logo tirando a fantasia.
— Ele ficou fofinho... – Sophie comentou. – Pena que todo mundo resolveu pegar no pé dele!
— Falando em fantasias, por que você escolheu essa? – Perguntei para a morena temporária que estava em meus braços.
— Oras, papai. É a Mulan. O senhor já viu o desenho?
— Não, não vi!
— A Kells não te pediu para assistir com ela?
Jen que caminhava alguns passos atrás, conversando com Ducky disfarçou uma risada.
— Não, a Kelly não pediu.
— Então a gente tem que assistir. Ela é a minha princesa preferida!
— Não era aquela outra... a Anastácia?
— Ela também é. Mas a Mulan é mais. O senhor sabia que ela foi para guerra para salvar o pai dela?
Encarei a pequena.
— É mesmo?
— Sim! Isso não mostra como ela é corajosa?
— Mostra sim. Ela é realmente corajosa.
— E eu faria a mesma coisa!
— Faria?!
— Mas é claro papai! É dever das filhas tomarem conta dos pais e das mães!
— Achei que fosse o contrário.
E a pequena chinesa me olhou com cara de dúvida.
— Ou talvez todo mundo têm que tomar conta de todo mundo... – Ela deu de ombros. – Mamãe, eu posso tirar essa peruca? Minha cabeça tá coçando!!
— Se você não tivesse ficado correndo o tempo todo não estaria, não é mesmo, Sophie? – Jen apressou os passos e veio para o nosso lado, já que Ducky já tinha alcançado o carro dele.
— Mas era uma festa... a senhora não fala que temos que aproveitar as festas?
— Sophie, não confunda aproveitar uma festa com sair correndo durante a festa. – Jenny a colocou sentada no capô do carro e começou a tirar todos os grampos que mantiveram a peruca preta no lugar.
— Eu tava brincando com o Tim. Assim ele não tinha que ficar perto da Ziva e do Tony que estavam rindo da fantasia dele. – Ela se explicou balançando os pés.
— Fique quieta e pare de me chutar.
— Tudo bem... Por que a cabeça da Kelly não tá coçando? Ela também não ficou quieta!
— Quem falou que a minha cabeça não coçou? – Kelly apareceu e com ela Henry, Tony, Abby e Ziva.
— Mas você ainda está com a sua!
— É porque vamos a outra festa!
— Lá vai ter doce? – Sophie perguntou animada.
— Não. Não vai, Sophie e a senhorita vai para casa porque já passou da sua hora de dormir. Além do mais, você já comeu muito doce hoje. – Jenny cortou a animação da filha.
— Mas é porque doce é muito gostoso, mamãe! – Sophie se explicou.
— Não vai colar essa sua, Sophie, nada mais de doce por hoje e pelo final de semana!
— Eu tentei, né? – Sophie olhou para mim como que se explicando.
— Com certeza, filha, você tentou.
Jen finalmente tirou a peruca da cabeça da ruiva.
— Que alívio! Parecia que meu cérebro estava fervendo! – Ela falou coçando a cabeça.
— Acho que tá pegando fogo mesmo, Peste Ruiva.
— DINOZZO! – e tudo que ouvimos a seguir foi alguém estapeando a cabeça dele.
— Não precisava ser tão forte, né? – Ele reclamou.
— Vamos embora daqui antes que você perca mais do que algumas sinapses, DiNozzo. – Kelly avisou. – Almoço amanhã?
— Opa! Tô dentro!
— Você não está convidado, Tony! – Kelly xingou.
— Droga, achei que ia almoçar patrocinado amanhã... – Ele saiu falando.
— Tchau Kells! Tchau todo mundo!! – Sophie se despediu deles aos gritos.
— Tchau Chinesinha do Paraguai!! – Tony gritou de volta.
— E você ainda só acha que eles são malucos, Sophie? – Perguntei para ela que pulava do capô do carro, já sem a peruca.
— Eu acho que somos todos malucos!
— E eu acho que está na hora de irmos para casa! – Jen cortou o raciocínio da filha e abriu a porta.
— Então tá. Tchau papai! Obrigada por ter vindo! – Sophie me abraçou e me deu um beijo na bochecha, antes de entrar no carro. – Boa noite! – Falou pouco antes da mãe fechar a porta.
— Você deveria ter falado para ela que perdeu a aposta! – Jen me disse antes de ir para o lado do motorista.
— E você deveria ter falado para ela que a sua cabeça também está coçando por conta da peruca!
— Esquece o que eu falei! – Ela me deu um tapa no braço. – Até segunda, Jethro.
— Até amanhã, Jen. Kelly falou para irmos almoçar.
— E ai de mim se não for não é? – Ela piscou e entrou no carro. – Então até amanhã.
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Na segunda feira, logo depois da festa, era oficialmente o Halloween e como não podia deixar de ser, Sophie me fez fantasia-la de novo para que ela pudesse ir para a escola.
— Só quero ver se essa peruca vai chegar até o final do dia!
— Vai sim, mamãe. Tem que chegar, depois eu tenho que sair pedindo doces aqui na vizinhança.
— Para que mais doces, Sophie? Até parece que aqui em casa não tem mais!
— A tia Ziva e o Tony pegaram o meu potinho na festa do NCIS... e quando me devolveram, tava vazio... então eu tenho que estocar tudo de novo!
Cocei minha cabeça em descrença. Como eles podiam ter feito isso?
— Mamãe?
— Fala.
— A senhora vai me levar para pegar doces depois da aula, ou eu vou com a Noemi?
— Na hora que o Melvin for te pegar eu mando o recado por ele, pode ser?
— Pode sim. Mas como vai ser esse recado? – Ela me olhava pelo espelho enquanto eu tentada prender todo aquele cabelo para poder colocar a peruca preta por cima.
— Se ele te trazer para casa direto, a Noemi vai com você, se ele te levar para o NCIS, eu vou com você!
— Tomara que seja a segunda opção! – Ela disse com um sorriso. – AI mamãe! Pinicou a minha cabeça!
— Se você ficar quieta isso não acontece.
— Mas eu tô animada. É o primeiro Halloween que eu passo aqui!
Terminei de arrumar a fantasia dela, por incrível que pareça, Sophie ficou quieta.
Já perto da escola era fácil de ver as crianças, todas elas estavam fantasiadas, mas nenhuma tão diferente quanto a minha filha. E ela estava tão irreconhecível que na porta da escola foi barrada.
— Mas sou eu, Sr. Dale. A Sophie!
— Você não é nova demais para pintar o cabelo, Sophie?
— É uma peruca! Só não me peça para tirar porque deu um trabalhão danado para a mamãe colocar! Não foi mamãe? – Ela olhou para mim.
— Fácil não foi. – Confirmei. – Agora entra ou eu vou chegar atrasada.
E lá se foi a chinesa mais estranha do mundo, pulando pelo caminho até a porta.
Já no prédio do NCIS parecia que a festa não tinha acontecido no sábado à noite, Abby já tinha tudo no lugar. O único vestígio de que era Halloween estava no laboratório da Cientista, que veio devidamente fantasiada.
— DIRETORA!!! JENNY!! – Ela correu para me abraçar! – Obrigada por ter me deixado fazer a festa no sábado. Eu gostei muito. E gostei de você ter vindo fantasiada! A maioria das pessoas acha que você não veio. E eu não desmenti a informação. Agora, quando eu vou poder enfeitar o prédio para o Natal?
— Não há de que, Abbs. Mas você não acha que está cedo demais para pensar no Natal?
— Vai passar rápido, nós vamos piscar e BUM! Vai ser Natal! – Ela falou correndo pelo laboratório.
Olhei para a hiperativa gótica.
— Quantos CAF-POW’s você já tomou?
— TRÊS, mas é Halloween eu tenho que ficar acordada até tarde hoje! Hoje é o dia!— Ela me respondeu. — Posso fazer uma pergunta?
— Outra você quer dizer...
— Sim. Precisa de algo? Você só desce até aqui quando temos um caso em aberto...
— Só vim te parabenizar pela festa de sábado. Foi perfeita.
— JURA?!
— Sim, Abby. Juro.
— A de Natal vai ser ainda melhor! E espero contar com a Sophie para me ajudar.
— Só se for depois que as aulas dela acabarem. Antes não. E nada de contar para ela que Papai Noel não existe. Ela ainda acredita nele.
— Eu também! Dizem que a casa dele fica na Lapônia Finlandesa. Um dia eu vou lá!
Encarei Abby, mas ela parecia que falava sério. Vindo dela eu nem sei porque me assustava.
— Então planeje a festa de Natal e me passe a data, eu vou arrumar as outras coisas para você, Abby. Só não exagere.
Ela novamente me deu outro abraço de urso.
— Eu não vou, prometo.
E eu sabia que ela iria exagerar assim que deixei o laboratório e ela começou a falar sozinha.
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Eu odeio halloween, todo ano são os casos mais estranhos que aparecem, desde pessoas decapitadas à homicídios ritualísticos em cemitérios. E para quem já tinha dormido dentro de um caixão na casa de Abby, McMedroso estava mais nervoso que o normal.
— Fala sério, McGee, você está com medo do que pode acontecer nesse dia?
— Tony, nos últimos anos não foram os casos mais fáceis.
— Mas foram os mais divertidos. Admita!
McChato resolveu me ignorar. E eu estava prestes a começar a perturbar a Cleópatra Ninja na minha frente, quando o Chefe chegou dizendo que tínhamos um caso.
Na casa, McGee cismou que tinha um espírito pegando as evidências e as coisas foram bem estranhas para se falar a verdade, não que eu contaria para ele, também fiquei ressabiado quando vi que as evidências estavam sumindo. Acontece que não era um espírito maligno, era apenas um robozinho faxineiro que acabou esmagado pelo Chefe.
Depois dessa, acabamos por saber que além do nosso oficial morto, tínhamos uma outra vítima, a filha dele que, até então estava desaparecida. E nosso caso de assassinato acabou por se transformar em sequestro também.
Seria um longo e trabalhoso feriado.
Assim que chegamos no escritório, notei que alguém tinha deixado pequenos doces nas nossas mesas.
— Abby? – Ziva me perguntou apontando para o doce.
— Não sei. Se for, vamos ficar sabendo logo, logo. Aquela lá não sabe aguardar um agradecimento. – Respondi e tratei de comer a surpresa, nunca se sabe quando a pessoa vai passar e tomar de volta essas coisas.
Nosso caso estava cada hora mais empacado. Quando nós achávamos que tínhamos uma pista de quem poderia estar com a garotinha fantasiada de fadinha, algo acontecia e não era a resposta que procurávamos.
Até que em determinado momento tudo ficou claro. E por que as pessoas têm que usar as crianças de reféns? No final, conseguimos achar a menininha e a trouxemos para o NCIS, afinal, ela não poderia perder a oportunidade de ter o seu momento de Doces e Travessuras.
Abby se encarregou de guiá-la por todas as mesas para que ela pudesse encher o potinho com doces. Até o chefe resolveu contribuir. E as duas saíram felizes pulando por toda a Sala do Esquadrão.
O problema foi quando eu me virei para onde nossas mesas estavam e quase morri de susto, tão furtiva e silenciosa quanto Gibbs, a Chinesinha do Paraguai estava parada bem entre as mesas, encarando a nós quatro com cara de muito poucos amigos.
— CREDO, Peste Ruiva! Quer me matar de susto? E o que você está fazendo aqui?
— Você deu o doce que eu te dei para ela?— Sophie apontou para a Fadinha. E até parece que as duas tinham virado as maiores rivais do prédio.
Dei uma olhada pelas redondezas antes de responder e nesse exato momento, a Diretora estava descendo as escadas. Eu estava ferrado.
Busquei ajuda em Ziva ou em McNerd, acontece que nenhum dos dois estava prestando atenção na outra menina fantasiada da sala. Quase chamei pelo Chefe, e ele estava conversando com a mãe da garotinha, isso era fora de cogitação. Olhei para Sophie e ela tinha um olhar de quem ainda queria uma explicação. Até que a história virou.
Nossa convidada veio correndo e deu um abraço apertado em Gibbs, que estava bem no campo de visão da filha. Sophie, por sua vez, quase se engasgou na minha frente.
— Esquece o doce. QUEM É ELA? POR QUE ELA ESTÁ AQUI? E POR QUE ESTÁ ABRAÇANDO O MEU PAI??? – Ela me ordenou, soando tão igual a mãe que eu pude ouvir a própria mandando nas pessoas, quando a ruivinha me fez a pergunta. E foi nesse momento que todos viram que Sophie também estava presente na sala.
— Ela é uma garotinha que passou pelo mesmo que você. Lembra no aeroporto? – Tentei explicar.
Sophie não tinha cara de quem tinha se solidarizado. E estava a cada minuto mais emburrada.
— Mas é ciumenta igual ao pai! – A Diretora chegou atrás da filha e deu um tapinha no alto da cabeça dela.
— Ela já ganhou os doces que eu dei para todos eles, e agora tá abraçando o meu papai? NÃO! – Sophie bateu o pé e olhou para a mãe.
— Já que está assim, quer ir embora? – A Diretora tentou colocar panos quentes no ataque da filha, que olhava raivosamente na direção da garotinha fantasiada parada bem perto do pai dela.
— Quero! – Ela estava a cada minuto mais mal-humorada e agora tinha decidido ignorar a presença da rival e do pai ao mesmo tempo.
— Não vai se despedir do seu pai, nem da equipe?
— Não, mamãe. Eles estão ocupados com a fadinha.... – ela fez uma careta de desgosto ao falar. – E eu tenho doces para pegar e não vou dividir com ninguém!
— Nem comigo, Sophie?
— Com a senhora eu vou, mamãe. Afinal a senhora não está me ign.. ingn... – Sophie coçou a cabeça quando não conseguiu completar a palavra.
— Você quer dizer ignorando? – Jenny completou.
— Sim, isso. Vamos então? – Sophie pegou a mãe pelo braço e deu a volta, evitando o lugar onde o pai estava.
E eu estava tentando a todo custo não rir do ataque de ciúmes da garota. Quem diria que uma fadinha iria deixar a Mulan tão nervosa.
Vi quando mãe e filha chegaram perto do elevador, o Chefe pediu desculpas para poder conversar com a filha que, assim que o elevador chegou, entrou puxando a mãe e nem deu confiança para ele.
Quando as portas se fecharam, Gibbs ficou olhando assustado para o elevador, sem entender nada, e o restante da equipe ficou com cara de espanto.
— Mas o que foi aquilo? – McDistraído perguntou.
— Ciúmes. – Falei me sentando e tentando conter a risada.
— A Sophie está com ciúmes de quem? – Abby perguntou ainda de mãos dadas com a culpada pelo ataque da ruiva.
— Adivinha! – Levantei a minha sobrancelha.
Ziva começou a rir, Tim ainda estava assustado, Abby não conseguiu entender o motivo dos ciúmes e o Chefe, bem, ele disse a coisa mais estranha.
— Até que ela não puxou a mãe em tudo, afinal.
Assim que ele voltou para a sua mesa, parou e pegou um bilhete. Não teve um que não correu para ver de quem era.
Era de Sophie, parece que ela é a rainha dos bilhetinhos afinal, e assim estava escrito:
Não que seja importante, mas a minha fantasia foi escolhida como a melhor e mais bonita da escola inteira hoje! E eu ganhei de um monte de fadinhas!
Ela não assinava, nem se despedia. Era o jeito dela dizer que não tinha gostado da competição, no final das contas.
— Isso é a Sophie com ciúmes? – Abby perguntou.
— Não, isso é a Sophie com raiva. – O Chefe respondeu e foi embora, rindo do ataque da filha mais nova.
E eu pude jurar que ele falava algo como:
— Mas é igualzinha à irmã!
O Chefe se foi, assim como nossa visitante, e, restando nós quatro na sala do esquadrão vazia, só nos sobrou uma coisa: rir da situação toda que até algumas semanas atrás seria completamente impensável.
— O que será que a Kate diria sobre isso? – Abby perguntou.
— Que isso é karma! – Respondi.
— Ou qualquer coisa sobre o Gibbs estar pagando com juros e correção monetária tudo o que ele já fez. – McGee continuou.
Ziva estava estranhamente calada.
— E você, Ninja, o que acha disso tudo?
— Que o Gibbs tem sorte de a Sophie ainda ser pequena e não saber atirar...
Olhamos para a Ziva esperando que ela estivesse brincando. Pelo olhar dela, a Ninja do Mossad não estava. E eu só esperava que ela não tomasse como uma tarefa pessoal ensinar à Sophie como se livrar dos inimigos!
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