Carta para você

25 A um passo do fim da missão


Notas iniciais
Começo bem fofo, tem uma parte que é importante para o futuro.. vocês vão saber qual quando o futuro chegar.. E, bem... Mossad na área! E Jenny começando a mostrar apreço por acompanhar as operações... Estou desenhando o que vemos na série por aqui, pois achei que ficaria mais legal.. E, depois de um tempo sumida, Dona Kelly ressurge e, bem... leiam e vocês vão descobrir qual é o favor da vez que ela pede para Jen! Então, fico por aqui.. boa leitura!!

Acordei com um despertador tocando. Ia mandar aquela coisa longe quando notei que, qualquer movimento que faria eu acabaria por acordar Jen.

Ela estava ali, em sua posição habitual, sua perna enroscada na minha, sua cabeça em meu peito e um dos braços abraçando a minha cintura. E ela dormia tranquilamente depois de duas noites seguidas tendo pesadelos. Dei o tempo que ela precisava para descansar, e, enquanto isso fiquei acariciando seus cabelos e lembrando da noite passada.

Começando pela reação dela ao notar que eu tinha simplesmente lembrado do seu aniversário, passando pelo sorriso enorme quando ela viu o presente, a imagem de nós dois juntos diante do espelho, os sorrisos que ela me lançou a noite toda enquanto jantávamos e, depois, nós dois neste quarto.

Aliás, depois que ela foi oficialmente liberada, é difícil uma noite em que nós dois não passamos mais da metade acordados. Na primeira noite, eu tive a sensação de que eu não a tinha em meus braços há anos. E todo o medo que eu tive de perde-la só se foi depois que eu tive certeza que ela estava ali, que naquele momento ela era minha e de mais ninguém.

Já esta última noite foi toda dominada por ela. Suas mãos e lábios estavam por todo o meu corpo e ela estava insaciável. Eu a deixei fazer o que ela bem queria. E, no fim, quando ela estava a poucos segundos de atingir o clímax, ela me olhou no fundo dos olhos, suas orbes verde-esmeralda pareciam líquidas quando ela falou: “Você, Jethro, é o meu melhor e maior presente de aniversário.”

Depois desse final, ela se enroscou em mim e ficou passando a mão em meu peito até que dormiu. Parece que sonhou com algo, mas não distingui nada além do meu nome.

Sim, ela falou o meu nome enquanto dormia. Foi quando eu a apertei ainda mais e pude, finalmente, dormir. E, pedi que pudesse continuar um sonho que tive a pouco tempo. Será que aquilo que sonhei poderia se tornar realidade?

E agora estou aqui, esperando Jen acordar. Isso se não nos acordarem antes, como sempre fazem.

—------------------------

— Bom dia! De novo! – Eu o saudei.

Ele ia me responder, mas desistiu.

— O que foi agora? Parece que nunca me viu de ressaca! – Brinquei com ele. Noite passada eu tinha exagerado na bebida, bem, na verdade eu tinha exagerado em tudo.

— Sim, Jen, eu já te vi de ressaca. E não é isso que eu estou olhando.

Acompanhei o olhar dele.

— É sério?

Ele só balançou afirmativamente a cabeça. E eu, só para perturbá-lo um pouquinho dei uma voltinha.

— Minha camisa? De novo?

— Sim... sua camisa. – Respondi sentando no banquinho de frente para ele.

— Você tem as suas próprias camisas.

— Tenho. Mas gosto mais das suas. E não comece com um sermão, adotei essa camisa em Marselha e o moletom dos Marines na Sérvia. Então nada de chorar o leite derramado.

— Mas por que as minhas roupas, Jen? – Ele não soava ofendido, apenas curioso.

Eu poderia ser sincera ao ponto de doer, e falar que eu usava as roupas dele por um único motivo, só para sentir o cheiro dele, mas aí ele poderia me achar mais louca do que o normal. Então, eu resolvi ser quase verdadeira e brincar com a recente descoberta de que ele também sente vergonha.

— Talvez eu só queira ver você desfilando sem camisa por este apartamento. – Falei e tomei um gole de café, escondendo meu sorriso quando ele ficou sem graça.

Jethro apenas balançou negativamente a cabeça e se virou para o fogão, tinha algo no forno...

— Não vai falar nada?

Ele não me respondeu, apenas se virou e ficou me encarando.

Eu dei de ombros e, assim que terminei o café e lavei a xícara, disse:

— Você pode não ter dito nada, mas eu sei que está sem graça com o que eu falei. É muito bom saber que não sou a única aqui que fica com o rosto vermelho.

Estava quase na porta do quarto quando ele me chamou.

— Jen...

Eu fiquei curiosa com o tom de voz dele... e voltei.

— Em Marselha você ficou vermelha só por dormir em meu peito. – Ele começou.

E eu senti meu rosto começando a esquentar. Tudo bem, dormir apoiada nele não é nada comparado com o que nós dois fazemos, mas quando se fala em voz alta...

Com a clara mudança de cor no meu rosto, mesmo que seja mínima, porque não estava tão quente assim, ele sorriu.

— Gostaria de saber a sua reação se eu te contasse uma coisa. – Ele parou na minha frente, e, fazendo o uso da nossa diferença de altura, bloqueava meu caminho.

— Quer saber sobre o que? – Eu me arrependi de perguntar assim que vi o brilho nos olhos dele.

— Eu quero saber qual vai ser a sua reação quando eu disser que você fala o meu nome enquanto dorme. – Ele estava bem perto.

Eu já tinha uma ideia de que isso podia acontecer ou já poderia ter acontecido, afinal, ele anda estrelando os meus sonhos há um tempo. Mas quando ele confirmou o que eu temia... eu não precisei de espelho para saber que eu estava da cor do meu cabelo.

— Bom saber que você – ele passou a ponta dos dedos da minha têmpora até o meu queijo – ainda fica sem graça. – Ele murmurou perto da minha orelha.

Eu estava sem graça, sim. Agora ele sabia que eu sonhava com ele, mas ele ainda não sabia que eu sabia que ele sonhava comigo. E assim, aproveitei a proximidade dele e apenas disse:

— Isso nos torna quites, então. Porque há algumas noites, foi o meu nome que você sussurrou enquanto dormia. Ando estrelando os seus sonhos também, Jethro? – Minhas bochechas vermelhas estavam tocando as dele, e imediatamente eu senti o calor no rosto dele. Alguém ficou sem graça de ser pego...

Não resisti e virei o meu rosto. Eu tinha que vê-lo naquela posição. Assim, sem graça, vulnerável como se o maior segredo dele tivesse sido descoberto.

Deveria ser uma cena estranha se tivesse outra pessoa naquele apartamento. Dois adultos que já se conheciam, que já tinham feito muito mais do que apenas sonhar um com o outro, com as bochechas vermelhas de vergonha só porque um escutou o outro falando o nome deste enquanto dormia.

Ele me encarou e, por incrível que pareça, não tentou esconder o rosto.

— E o que fazemos com essas descobertas? – Ele me disse.

— Eu não sei. Só sei que você fica muito fofo quando está sem graça! – Apertei a bochecha vermelha dele e o deixei na cozinha.

— Você, Shepard, não tem jeito.

— E é por isso que você não consegue ficar longe de mim. – Eu ri quando entrei no quarto para me trocar. De relance, vi meu rosto no espelho, além de vermelho, eu tinha um enorme sorriso e os olhos brilhando. Definitivamente eu estava além de apaixonada por aquele Marine que estava parado na cozinha. Eu estava amando Jethro perdidamente.

—---------------------

Depois de verificarmos por mais uma semana os locais exatos dos depósitos, era hora de reportar ao Diretor as descobertas.

Então, depois de mais de um mês, eu ficava frente a frente com Morrow, que tinha viajado para Londres para acompanhar esta operação juntamente com o Diretor do Mossad.

Mal havíamos entrando no escritório de Londres e fomos encaminhados para a presença do Diretor. Jen só olhou em volta, certa de que seria alvo de todos os olhares minuciosos de Morrow, tendo em vista que fora por conta dela que tínhamos saído às pressas de Belgrado.

Na sala de reuniões para onde fomos ficamos um tempo sozinhos, pelo visto Morrow queria nos fazer esperar.

— Pelo visto ele quer nos fazer esperar. Será um pagamento por você tê-lo acordado no meio da madrugada, Jethro? – Jen confidenciou perto de mim, enquanto me dava uma cotovelada.

Quando nós escutamos a porta começando a ser aberta, nos separamos, cada um ficando de um lado da mesa, ainda tínhamos que manter as aparências de que éramos somente parceiros.

Morrow entrou acompanhado de um outro homem, a quem ele nos apresentou como sendo Eli David, o Diretor do Mossad. Junto com ele tinha mais duas pessoas, mas não prestei muita atenção nos dois.

— Gibbs. Quanto tempo! – Morrow me saudou.

— Diretor.

— Bom ver que você já está bem, Agente Shepard. Você deu um tremendo susto no seu parceiro.

— É bom estar de volta ao trabalho, senhor. Obrigada pela preocupação. – Jen respondeu, mas eu pude ouvir o tom de deboche nas palavras dela, Morrow, por sua vez, não notou.

— Vejo que fizeram um bom trabalho, e não só identificaram o carregamento, como também onde estavam escondendo as armas e quem era o negociador e seus ajudantes. – Ele continuou. – Daqui para frente, o trabalho é do Mossad, Diretor David, te passo essa operação.

O Diretor do Mossad olhou para nós e com um sinal agradeceu. Confesso que não fui com a cara do sujeito, mas não estava em posição de gostar ou não gostar de ninguém naquela sala.

— Além dos dados que nos foram passados, há mais alguma coisa que queiram dizer agentes? – David perguntou evidenciando seu forte sotaque.

— Não, senhor. – Foi Jen quem respondeu. – Já sabem quando vão fazer a apreensão das armas?

Os dois Diretores se olharam, não era papel de uma agente infiltrada perguntar pela continuidade da missão.

— Sim, Agente Shepard, já sabemos, mas como disse anteriormente, não é parte da missão de vocês aqui na Europa. – Morrow respondeu e Jen só levantou a sobrancelha para ele.

— Tudo bem, senhor. Entendo. – Ela finalizou a conversa.

Mas do Diretor do Mossad não parecia satisfeito.

— Vocês fizeram a vigilância e acompanharam a distribuição das armas pela cidade... – Ele fez uma pausa.

— Sim, fomos nós dois e um outro agente que ficou na vigilância. – Confirmei, não estava gostando do tom dos dois Diretores.

— Existe algum ponto onde podemos encontra-los com mais facilidade, sem ser dentro de algum dos depósitos? – David continuou.

Olhei para Jen e ela me respondeu com uma levantada de sobrancelha.

London Eye. Eles estavam negociando lá na semana passada. Mandei as fotos para o escritório assim que as consegui. – Ela respondeu.

— Tiveram alguma identificação? — O israelense continuou.

— Se tiveram, não nos foi passada, como o Diretor Morrow disse, essa é uma parte da missão que não nos cabe saber. – eu continuei.

Jen teve que segurar o riso, enquanto os dois diretores ficaram em silêncio, já os dois agentes que acompanhavam o israelense fizeram menção de defendê-lo.

— Justo, Agente Gibbs, não é? Muito justo. Convido vocês dois a me acompanharem para verem a apreensão. Afinal, foram vocês quem fizeram a parte mais difícil.

Sinceramente não sei o que faríamos lá, mas já que éramos convidados, acompanhamos os dois diretores, sendo seguidos bem de perto pelos dois agentes do Mossad, olhando agora pude notar que eram bem novos. Mal tinham chegado aos vinte anos. E eles conversavam entre si em hebraico, para dificultar ainda mais nosso entendimento. Bem, na verdade o meu, pois Jen parecia estar entendendo muito bem o que era conversado pelas nossas costas.

Chegamos ao Centro de Ameaças, mas a única ameaça que eu realmente via agora eram os três israelenses confabulando em seu idioma natal bem no coração do escritório do NCIS.

Alguns poucos comandos foram dados e a operação conjunta começou. Em uma sincronia perfeita, os cinco depósitos que nós localizamos por Londres foram abatidos ao mesmo tempo. As armas e os contrabandistas foram presos, os que resistiram, foram tratados à altura, para a alegria da jovem que acompanhava Eli David. Quando acharam Samar, na London Eye, a operação foi declarada finalizada com sucesso. Os dois diretores trocaram agradecimentos e elogios quanto a tudo o que foi feito, como se os dois tivessem ido à campo e arriscado as suas vidas.

Olhei para Jen, ela parecia completamente concentrada em cada um dos movimentos e comandos que Morrow dava, como se o grande sonho dela fosse, um dia, ser ela ali, comandando uma operação dessas. Duvido que ela teria paciência para ficar atrás de uma tela enorme, era mais certo ela pegar uma arma e ir atrás dos alvos ela mesma.

Tão logo tudo foi finalizado, Morrow veio em nossa direção.

— Muito bem, vocês dois fizeram um bom trabalho, apesar das circunstâncias em que chegaram em Londres. Vamos dar alguns dias de folga para vocês e depois, quero os quatro rumando para Paris. Lá, vocês vão monitorar os passos de Zukhov novamente, conseguir toda inteligência possível e, quando todo o esquema dele estiver descoberto e pronto para ser levado ao chão, terão a autorização para executar não só ele como todo e qualquer que estiver no comando junto com ele. Novamente farão o papel de um casal, sejam convincentes, façam o que for preciso para não serem descobertos. Já ganhamos bastante tempo até aqui, sei que serão capazes de realizar a missão em menos tempo do que o previsto. Vocês partem para Paris no dia quinze de novembro. Espero não ter que conversar com vocês até que tudo esteja resolvido. Tenham uma boa viagem. – Foi o pequeno discurso de nosso diretor.

— Sim, senhor. Você também. – Jenny respondeu por nós.

— Obrigado, Agente Shepard. Agente Gibbs. Adeus. – Ele nos dispensou.

Era seis de novembro, uma parte do que nos foi designado acabava aqui.

Estávamos passando pela mesa da secretaria quando ela nos chamou.

— Vocês são Jethro Gibbs e Jenny Shepard?

— Sim. – Respondemos em sincronia.

— Bem, chegaram, nessa manhã, estas cartas e este embrulho para vocês.

— Obrigada. — Jen pegou as encomendas enquanto eu abria a porta para ela. – Advinha de quem são? – Ela disse com um sorriso.

— Kelly.

— Sim... e esse embrulho é para você. Acho que ela não quis que o presente chegasse depois do seu aniversário. – Ela disse casualmente, já dentro do carro.

Olhei para ela, como ela havia descoberto se ela já tinha admitido não ter lido o meu arquivo?

— Você sabe o meu, você acha que eu não saberia quando é o seu aniversário, Jethro? – Ela respondeu a minha pergunta muda.

— Justo. Bem justo.

Ela só riu e começou a abrir a carta que estava endereçada a ela.

—--------------------

Alexandria, 28 de outubro de 1998

Carta 06

Oi Jen!!!

Quanto tempo!! Tem quase um mês que eu conversei com vocês e sei lá quanto tempo que recebi a última carta! A última vez que fiquei sem notícias assim, meu pai tinha sido ferido.

O que me leva a questionar, o que aconteceu com você? Porque na ligação no dia do meu aniversário, papai comentou que você estava tomando remédios. Está tudo bem com você? Não foi nada sério, né? Espero que não. Essa dúvida vem me corroendo desde a ligação, mas eu não tive tempo de escrever para vocês, tá tudo tão corrido e não estou tendo tempo nem pra respirar. E quando eu digo isso, afirmo que a Festa de Halloween que eu tanto queria ir parece ter ido para o beleléu.

Mas voltando ao dia do meu aniversário, eu não tive como agradecer a surpresa que vocês dois fizeram. Sabe, aquela ligação valeu mais do que qualquer presente que eu ganhei. Foi muito bom falar com papai e com você. Além, é claro da ajudinha super rápida que você deu quanto ao meu visual.

Falando em visual, eu sei que papai não gostou da minha escolha de sapatos, ele foi super sincero quanto a isto, mas ele não disse nada quanto ao fato do Henry me levar... ele falou muito na sua cabeça? Ficou muito irritado? Pode me contar a verdade, eu aguento. De verdade, eu não tive condições de conversar com ele sobre o namoro até agora, e pelo o que eu o conheço, eu sei que ele é ciumento. Não sei como ele está aturando as coisas por aí. Ele fala toda hora? Ou só quando ele lembra? Ou não fala nada? Esta última, é para mim, a pior das reações, porque assim ele guarda tudo o que ele está pensando para ele mesmo e, quando menos a gente espera, ele joga tudo na nossa cara... e vem com juros e correção monetária.

E, é por isso que eu tenho que te agradecer, você ter avisado para ele sobre o namoro foi, como eu posso me expressar, um alívio para mim, eu não fazia ideia – e ainda não faço – de como começar essa conversa com ele. E muito menos como ele vai querer começar essa conversa comigo. Porque, venhamos e convenhamos, eu não quero ter A conversa com o meu pai... só de imaginar eu já começo a ficar vermelha... céus, isso seria tão estranho e constrangedor...

Mas... me deixa explicar, eu também não quero que VOCÊ se sinta obrigada a ter essa conversa, eu não.... ai... por que eu comecei isso!! – Eu sei do que se trata e eu, ainda não cheguei nessa parte... pronto, acabei... você já sabe, se meu pai começar a falar muito por aí, pelo amor de Deus, passe a informação para frente, você estará fazendo uma adolescente mais calma e menos constrangida de ter que conversar com o pai sobre isso.

Acho que eu precisava desabafar sobre esse assunto com alguém... porque minha avó vive me perturbando sobre isso, diz que não quer ser bisavó, e eu sei o que passa na cabeça do meu pai... sem contar as minhas amigas. Será que ninguém percebe que eu quero ter uma vida antes de casar e ter filhos? Desculpa ter te enchido com isso, mas, você sabe, você é o meu para-raios Jen... sobre essas coisas eu prefiro escrever e ficar vermelha olhando para o papel, do que ter que encarar qualquer pessoa – ainda mais o meu pai. – Assim, você me responde e eu leio, ninguém precisa escutar, fica realmente entre nós duas.

Dito isso, eu... eu não tenho mais notícias. A não ser o Halloween que eu não vou e a escola que tá apertada para caramba – achei que não sendo mais caloura as coisas melhorariam, mas as líderes de torcida ainda ficam pegando no meu pé, mas, enfim, segue o baile que o ano tá quase no final. Amém senhor! Eu sobrevivi. Acho que vou fazer uma camiseta com estes dizeres e passar a virada com ela. Por que, com certeza eu sobrevivi!

Falando em datas importantes, você deve ter visto que eu mandei um pacotão para o meu pai... bem, não sei se você sabe, mas dia 10/11 é o aniversário do Marine Mal-humorado, como você o chamou na última carta. Assim, dê nele um abraço por mim. Já que estou longe e me é praticamente impossível de conseguir telefonar para ele, faça esse favor para mim. Mais um, né? Eu sou pidona mesmo. Você já deve ter escutado sobre isso...

Ah, esqueci de mencionar, como vai o pobre dicionário, ainda servindo de calço para a porta ou ele já ganhou um lugar em alguma estante por aí ou meu pai já colocou fogo nele?

Bem, vou ficando por aqui, ainda vou escrever para o meu Marine preferido e tenho um ensaio de três mil palavras para escrever... ou seja, estou perdida até depois de morrer!! Quem falou que o segundo ano era fácil? Porque se eu descobrir quem foi eu taco um dicionário na cabeça desse ser!!

Vou indo! Se cuidem seja lá onde estiverem.

Beijos,

Kelly. (Aquela que já está precisando de férias urgentemente)

—-----------------------

Acabei de ler a carta e ainda estávamos dentro do carro, na verdade, estávamos parados no meio do trânsito, algo tinha acontecido para dar aquele nó... Eu suspirei... Kelly desabafando sempre é engraçado, ela fala, fala, depois se arrepende.

Fico me imaginando se ela fica sem graça do mesmo jeito que o pai dela fica, começando pelas orelhas e depois passando para o rosto...

Estava rindo da lembrança de Jethro sem graça, quando o próprio me tirou de meus devaneios.

— Não me diga que ela está grávida!

— O que? Quem? Quem vai ter um bebê? – Eu me assustei com a pergunta.

— Kelly!

— Kelly?! Como assim? Ela não em disse nada sobre isso... tem algo na sua carta? – Eu estava ainda mais alarmada, ainda mais depois do que ela tinha me falado.

— Eu quem pergunto, é para você que ela conta as novidades – e Jethro fez aspas quando disse novidades – e não fala comigo.

Então lá vinha o ataque de pai ciumento.

— Não, Jethro, Kelly não disse nada nesse sentido... apesar de ter falado que a avó dela não quer ser bisavó... – comecei a pisar neste terreno perigoso.

E era, de fato, perigoso, Jethro apertou as mãos no volante até que suas juntas ficaram brancas. Ótimo, lá ia eu dar outra vez uma notícia embaraçosa.

— Mas você não tem o que se preocupar quanto a isto. – Comecei.

Ele não em deixou terminar a frase. Ficando tão sem graça como quando tinha recebido o elogio, apenas disse:

— Eu não quero saber.

— Não adianta... você tocou no assunto, e Kelly apenas disse que era para dar a notícia da melhor forma possível.

Agora ele estava furioso. Como ele ia de zero a cem em milésimos de segundo? E, antes que respingasse em mim, eu soltei sem cerimônia.

— Ela me garantiu que não chegou nesse nível ainda... – Jethro respirou aliviado. Eu me senti mais segura para continuar. – Disse que quer curtir e viver a vida dela antes de casar, ter filhos, essas coisas. Como eu te disse no dia do aniversário dela, Jethro, confie nela. Ela sabe o que faz.

Ele apenas balançou a cabeça, seus olhos no trânsito parado à sua frente.

— Tem mais alguma coisa que ela pediu que você me contasse? – Jethro me perguntou alguns minutos depois.

— Aquele embrulho é realmente um presente! E não, ela não disse mais nada, só que a festa de Halloween que ela queria ir tinha ido para água abaixo. Ela está atolada de coisas para fazer.

— Festa de Halloween?! – E lá vamos nós de novo.

— Creio que a esta altura, já era, Jethro, a data dessa carta é... 28 de outubro. Hoje já são cinco de novembro...

— É... dessa ela escapou. – Ele falou mais para ele mesmo.

Eu tinha que trocar o foco dessa conversa, antes que sobrasse para mim.

— E o presente? – Perguntei inocentemente.

— O que tem o presente?

— Você não vai abrir?

— Estamos no meio do congestionamento, Jen...

— Por isso mesmo, você pode abrir sem problema algum. – Eu afirmei.

— Agora não.

— E por quê não?

— Para de bancar a criança curiosa, Jen.

— Só tentando te ajudar com o presente. – Dei de ombros.

— Não. Você quer satisfazer a sua curiosidade.

— Isso também. E aí vai abrir? – Pedi olhando para ele.

— Não.

— Tudo bem, não queria ver o que tinha lá dentro mesmo. — Desfiz da resposta dele, e me concentrei no trânsito e na chuva que caia no para-brisa.

Foi quando vi que ele se esticou para o banco de trás e pegou o embrulho. E, com a ponta da faca que ele carrega para todo lugar – outra de suas regras, essa a número 09 – começou a abrir a caixa. Tudo para chamar a minha intenção. Mas me mantive firme. Eu não iria ceder, não com o presente que ele tinha ganhado.

Mas o que será que Kelly comprou para ele? Eu bem que poderia dar uma olhadinha só para ter uma ideia do que eu iria comprar para ele!

Eu não acredito que ela fez isso! Assim que olhei para dentro da caixa eu comecei a rir. Kelly não tinha mandado um presente qualquer. Ela tinha mandado um troféu de campeã da noite do boliche, a data, 20 de setembro de 1998 – o dia do aniversário dela. E, colado no topo do troféu, um único post it: “Acho muito bom ir treinando por aí Marine, porque olha, da próxima vez, você vai ter concorrência séria!

— Sabia que você não resistiria. – Jethro disse sorrindo.

— Era tudo o que eu não esperava! – Respondi para ele, lendo o bilhete de novo. — Tem mais uma coisinha escrita aqui na parte de trás, e passei o bilhete para ele.

— “O presente de verdade ficou aqui em casa, porque tenho certeza que o senhor não vai precisar de um conjunto novo de ferramentas na Europa, mas quem sabe, dessa vez o senhor faz um barco com um nome de verdade para que possamos velejar? Te amo, pai, FELIZ ANIVERSÁRIO!!! Beijos, Kelly!

Eu já sabia o que a filha havia comprado, e eu, compraria o que?

—------------------------

Londres, 1999.

Carta 06

Oi Kelly!!

Eu iria perguntar como você está ou como foi a noite do seu aniversário, mas acho que isso não é necessário. Já notei que você está pra lá de cansada, e que se saiu como a grande campeã da noite do boliche. Bonito troféu... quero ver o seu pai levar isso de volta para os EUA, mas tudo bem. A cara dele quando viu o troféu e o bilhete foram ótimas. No melhor estilo: “Essa é a garotinha e o orgulho do papai!”

Brincadeiras à parte, eu quero ver essa revanche... vai ser digna de filmagem. Porque seu pai detesta perder e você, pelo jeito, gosta muito menos.

Mas voltando à sua carta, ou melhor, começando a sua carta, você sempre me fazendo portadora das notícias embaraçosas, hein? Você morre de vergonha na frente do papel e sou eu quem encara a fera! Bem, dessa fez a culpa não foi minha, eu juro que me mantive quietinha. Foi seu pai quem perguntou. E ele foi direto ao assunto, direto mesmo. Perguntou se você estava grávida! Assim, sem rodeios. Até eu perceber que ele estava falando de você, eu me enrolei toda.. E, a partir daí, você pode imaginar o desenrolar da conversa, no final das contas, ele já sabe sobre você está indo devagar e eu pedi que ele confiasse em você.

Mas sabe o que é mais estranho? Ele não comenta muita coisa, só quando você é diretamente mencionada, como no seu aniversário – e aqui eu dou uma paradinha para te informar, esconda o Henry em um local onde só você saiba onde é, quando seu pai voltar, tenho o dever de te avisar que Jethro já andou planejando algo contra a vida do seu namorado. Espero poder tirar isso da cabeça dele, mas já vá pensando como escondê-lo, pois as ideias de seu pai começaram bem no dia do seu aniversário... – agora voltando, bem, ele falou, ficou de birra e só se acalmou depois de um pouco de bebida – com a qual brindamos à você – e um copinho batizado com um remedinho para dormir (que ele não sabe que estava lá, mas que nem você vai contar). Fora isso, vem remoendo o fato de ter um genro por ele mesmo.

E, um conselho, não fique tão preocupada assim com A conversa, até que ele volte, Jethro já terá se acostumado com a ideia de você namorando e não vai querer tocar no assunto. Ele ficou muito sem graça quando eu contei para ele... não vai querer passar por isso na sua frente. Até um Marine durão tem seus limites e o do seu pai parece ser esse. Esse e receber elogios.

Garota, você deveria ter me informado que ele fica vermelho quando é elogiado! Descobri isso há um tempinho atrás e estou adorando pegar no pé dele! É muito fofo ele com vergonha!!

Sobre o seu cansaço antes do meio do semestre, só te digo uma coisa, de coração e sem ser pessimista, dias piores virão e eles se chamam faculdade. Por que você acha que as maiores loucuras são cometidas em um campus? Chega uma hora que o cérebro morre. Dá a famosa tela azul da morte, e você começa a agir igual a uma maluca... Antes que você venha me interrogando, foi uma única fez... fiquei tão bêbada que não recomendo... E, se você achar quem foi o panaca que disse que as coisas melhoram, me avise, eu te ajudo a acabar com ele com estilo.

Para finalizar, eu estou bem, o que aconteceu comigo foi apenas um tombo, feio, fiquei bem machucada e tive que andar de muletas por algumas semanas, mas nada que me impeça de trabalhar. Tanto que já voltei. Tudo isso porque a inteligente aqui escorregou no gelo. Faltou muito pouco para o seu pai arrancar a minha cabeça com um tapa! Você sabe como é!

Agora estamos com uma pequena folga antes de voltarmos ao trabalho. Próxima, e esperamos ser última, parada: Paris.

Fique por aí e sinto muito se a sua festa de Halloween foi por água abaixo. Outras virão! Tem Halloween todo ano!

Até a próxima carta, que não deve demorar para nos ser entregue, pois tem um escritório do NCIS em Paris.

Beijos.

Jenny.

—--------------------------------

Estava ainda concentrado no presente que Kelly havia mandado, e quando dei por mim, Jen estava parada já com a carta dela pronta e em mãos..

— Já terminou a sua?

— Como assim, já?

— Bem... eu estava pensando que eu não mandei nenhum presente de aniversário para a Kelly, só dei parabéns por telefone. Acho que vou voltar e olhar algo para ela. E, na volta, já vou mandar a carta. Quer que eu mande a sua de uma vez?

— Eu nem li a carta ainda...

— Ah... – Jen vez uma careta. – Então eu vou te deixar aqui. Onde estão as chaves do carro?

Eu a olhei assustado... que pressa para responder.

— Jethro... oi... as chaves do carro! – Ela abanava a mão em frente ao meu rosto.

— Na mesa, Jen.

— Ok, muito obrigada, vou tentar não demorar, mas não prometo nada... – E ela saiu em uma velocidade que parecia que o apartamento estava pegando fogo...

Enquanto eu apenas olhava para a carta que Kelly havia mandado, não sei porque mas tinha certo receio do que ela poderia ter escrito.

—-----------------

Alexandria, 28 de outubro de 1998

Carta 13 (perto de um Halloween a bruxa tá solta!!)

PAI!!!!

Vou começar dizendo que sobrevivi muito bem ao segundo mês da minha aulinha de Krav Magá... estou roxa e toda doendo ainda, mas já não apanho tanto quanto no início. Já derrubo uns, no melhor estilo Marine. Sério, já mandei gente muito maior do que eu para o chão (e não comece a rir dizendo que pessoas muito maiores do que eu são a maioria, porque, bem, lá é mesmo, mas eu sou uma baixinha invocada!! Muito!! Eu sou poderosa!) Assim, o senhor pode imaginar a minha alegria quando eu consegui derrubar dois no mesmo dia! Saí de lá como se tivesse ganhado uma guerra, e cheguei em casa como se estivesse chegando da guerra também.. eu estava só o pó... não tinha sobrado um ossinho que não doesse. No final das contas, minhas aulas tem sido o seguinte lema: Morri, mas passo bem!

O senhor já deve ter notado que eu tô enrolando, né? Eu sei que sim... então... sobre o telefonema no dia do meu aniversário... eu adorei, para começar, não esperava mesmo, foi a cereja do bolo! O senhor sabe que eu adoro conversar com o senhor e com a Jen pelo telefone, e se vocês pudessem ligar sempre, acho que seriam horas, e pobre de quem fosse pagar a conta (aliás, perguntinha da vez, quem paga??), mas eu preciso dizer me desculpe pelas meninas... vocês não mereciam ouvir aquilo... não que eu fosse fazer nada escondido, a vovó sabia onde eu estava indo, e com quem e como eu estava indo para o boliche, só que foi meio, tipo uma bomba que eu não pude controlar e depois estava muito sem graça para conversar sobre o assunto...

Pai.. sério, eu sei que por carta é meio difícil, mas, nem o senhor – e muito menos eu – tocamos no assunto... como o senhor está... não esquece isso! O senhor não falou nada sobre o meu namoro, eu queria saber o que o senhor acha, ou sei lá.... só diga alguma coisa. Eu sei que não é assim que na maioria das vezes acontece, o senhor ou a mamãe tinha que estar aqui para conhecer o Henry... e eu vou dizendo que ele é sim gente boa, porém, o senhor não falou um A, e eu fico pensando que ter jogado essa notícia para a Jenny ter te contado foi meio jogar sujo. Então, agora, pelo menos no papel, eu e o senhor, o tem a dizer? O senhor tá bravo? Chateado? Querendo me mandar para um convento? Decepcionado?

Sabe, eu só tô perguntando isso, porque achei que o senhor tinha algo para dizer no telefone, não sei se foi a data, a intromissão da Mer e da Maddie ou se foi a Jenny estar perto (apesar de que se o senhor fosse falar algo, falaria na frente dela mesmo, creio que vocês dois não são de ficar escondendo coisas assim), mas eu senti que o senhor queria dizer algo... então... eu quero saber. O seu silêncio nunca é boa coisa... e disso eu sei... Só te peço, dê alguma opinião, nem que seja para me xingar... o senhor sabe que eu só tenho o senhor, né?

Agora, sobre a festa em si, o senhor já deve ter uma noção do que foi... o troféu mostra. Eu arrasei todo mundo, e quando eu digo todo mundo, é literalmente TODO MUNDO que estava naquele lugar. Eu não sabia que era uma noite de competição geral... então quando demos os nossos nomes, entramos no jogo, literalmente. Foi engraçado, tinha gente ali que estava realmente jogando como se a vida dependesse daquilo, outros só queriam rir (e riam mesmo, porque as bolas só iam para a lateral – os pobres não fizeram nenhum ponto, mas me fizeram chorar de rir!), e tinha quem não sabia o que estava acontecendo e caiu de paraquedas (eu e a turma), no final da noite – noite, eram dez da noite quando tudo acabou porque acabou a luz!!!!! Olha a minha sorte!! – eu é quem tinha mais pontos e saí com o troféu.. com um monte de gente pedindo revanche. E como eu não vou aparecer lá nem tão cedo, estou escondendo o troféu além-mar para que ninguém venha busca-lo na minha casa... para as fontes oficiais, o troféu sumiu, evaporou, partiu dessa para uma pior. Posso contar com o senhor para esconder a prova do crime? Espero que sim... agora onde o senhor vai esconder esse trambolho, eu não faço a menor ideia... qualquer coisa troca o calço da porta... coloca o troféu, só cuidado para não tropeçar e deixar o dedinho do pé para trás – eu fiz isso, o meu dedinho está roxo até hoje!

Brincadeiras à parte, ele também não é o seu presente de aniversário, é só o lembrete de que um dia eu, você e a Jenny e mais quem estiver nas nossas vidas vamos jogar boliche... valendo mesmo! Eu não vou esquecer isso, e o senhor também não vai!! Vou perturbar vocês dois eternamente para que isso aconteça um dia, nem que todos nós estejamos velhos, de cadeira de rodas, vamos sim jogar – e cair da cadeira obviamente!

Uma rápida atualização sobre a minha carteira de motorista.... inexistente... e nem te conto o vexame... melhor esquecer essa coisa nesse ano...

Bem... mandei as cartas mais cedo para ter certeza que chegariam até o seu aniversário. Eu queria poder fazer uma surpresa e ligar para o senhor, mas não tenho nenhum número de contato, e ameaçar o Diretor do NCIS para conseguir falar com o senhor, não vai adiantar nada, pois vou acabar presa. Assim, meu Marine preferido, FELIZ ANIVERSÁRIO ADIANTADO!! Vou te desejar duas coisas: paciência e muitos anos de vida para me aturar!!

TE AMO, PAPAI!

Estou morrendo de saudades!!

Beijos,

Kelly!

P.S.: Quando é o aniversário da Jen? Eu preciso pensar em um presente para ela, também!!

—------------------------------

Londres, 1998.

Carta 12

Filha,

Vou começar pela parte mais difícil que foi para você falar, seu namoro. Não, eu não estou decepcionado, não estou chateado e muito menos com raiva de você. Como pai, talvez eu queria que você começasse a namorar mais tarde. Mas, como cansaram de falar na minha cabeça por aqui, eu confio em você, sei que você sabe o que faz e não namoraria qualquer garoto. Como eu disse na última carta, queria que você me contasse, e não usasse a Jen como informante, mas, talvez tenha sido melhor assim, ela deu uma amenizada no choque. Acho que tanto para mim quanto para você. Agora, quanto a dizer que não quero que você namore, ou que vou te mandar para um convento, eu não vou fazer isso. Só te faço uma única pergunta: Você está feliz? Se a resposta for sim. Sei que você vai conseguir equilibrar todo o resto, porque não quero você se esquecendo da escola só focar no namoro. E, para finalizar, qualquer coisa que acontecer, Kelly, saiba que sempre estarei do seu lado. Sempre.

Sobre suas aulas de krav maga, me espanta que você ainda esteja indo, no fim não era um projeto só de verão... se durar tempo suficiente quero ver a baixinha derrubando a classe inteira, apesar de duvidar disso... muito. Você não derruba ninguém, Kelly.

O que me leva para outro ponto, que prova este: Você admitiu que venceu o torneio de boliche só porque a luz foi embora, mas como essa luz foi embora? Choveu ou você deu um jeito nela para ganhar? Brincadeiras à parte, e vou esconder o seu troféu temporariamente, talvez eu o coloque de apoio para alguma coisa, ou ele vire um cabide, vai saber o que eu posso precisar, mas vai estar seguro comigo. Só não posso garantir a integridade total com a Jen estando por perto.

Falando em integridade, vejo que meu carro vai ficar inteiro por mais tempo. Bom saber, assim eu posso fazer um seguro mais reforçado quando voltar. E, até lá, você tira essa ideia da cabeça.... você pode deixar para dirigir depois dos vinte e cinco anos, na faculdade não se precisa de carro, mesmo.

Também sinto a sua falta, filha, e o melhor presente seria poder falar com você, mas fico com a promessa de ver o que você deixou para mim no porão. Afinal, tudo você põe lá mesmo...

Quanto ao aniversário da Jen, acho que você está atrasada. Foi no dia em que você escreveu esta carta. Não se preocupe, nem ela estava no ânimo de comemorar o próprio aniversário!

Nosso próximo destino é Paris. E creio que será o final de tudo. E pelo visto, será mais curta. Não temos mais a previsão de dois anos. Até o verão estaremos de volta.

Te amo.

Papai.

—----------------

Tive que sair às pressas do apartamento, ou eu ia acabar contando a ideia que tive para o presente dele. Espero que ele não tenha desconfiado de nada... e nem olhe o hodômetro do carro para descobrir onde fui.

Mas, para despistar eu andei pela cidade inteira. E bem mais longe do que os dois pontos que eu realmente precisava ir. Às vezes é realmente bom tratar todo mundo bem... nunca se sabe quando vamos precisar de um favor... Mas melhor ainda é saber que tem gente louca o suficiente para entrar de cabeça em meus planos malucos. Agora eu só preciso que o tempo passe rápido o bastante e que eu fique com a boca bem fechada até o final de semana antes do aniversário dele.

Bem, se o Jethro não desconfiar de nada, eu posso muito bem conseguir manter a surpresa, agora se ele desconfiar de alguma coisa, eu vou ter que dormir no apartamento do Will, porque senão ele arranca a verdade de mim em dois tempos...

Notas finais
Uhum.. alguma ideia de quem são os dois seguranças de Eli David? Pobre Jen... as más notícias sempre recaem na cabeça dela! Kelly sua maluca... um dia você ainda mata o seu pai do coração. Por fim... o que será que a Jenny está aprontando para o aniversário do Gibbs?? Bem, eu não sei se a fic esta ficando chata ou o que aconteceu com as(os) leitoras (es)... mas até o número de comentários caiu.. sério gente, se a coisa estiver ruim ou arrastada demais, podem dar o toque... a fic vai ser longa, porém, se vocês já não estiverem aguentando mais tanta ladainha, podem falar que eu finalizo antes da hora! Muito obrigada por lerem e comentarem! Até o próximo! xoxo