Carta De Um Serial Killer
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Muitos acharam minha história uma farsa. Mas é melhor assim. Quanto menos acreditarem que eu existo, menos eu vou ser procurado, e assim, menos eu vou ser visto por aqueles que não merecem. Se acham que a vida é fácil... Está enganado. Pois a qualquer momento algo pode acontecer. Qualquer coisa. Acredite. Qualquer coisa mesmo. Não é uma história de vampiros, lobisomens, qualquer monstro ou criatura. Na verdade... Sim. Eu sou um monstro. Mas não do qual você está acostumado a chamar de monstro. Se existe uma coisa que eu mais amo no ser humano é que eles imaginam muito. E vão tão além da realidade, que não percebem que o monstro está dentro de si.
Eu sou um serial killer. Eu vivo numa cidadezinha qualquer que não deve saber o nome, numa rua qualquer que não deve saber o nome.
Eu nem sempre fui assim. Sem emoções, frio, calculista e louco por ver uma pessoa morrer. E adorando fazer o meu trabalho sangrento e horrível. – para os seus olhos.
Saibam. Um serial killer ou um assassino. Não mata por qualquer motivo. Ele tem um propósito. Michael Myers matou várias pessoas por ter sofrido. Foi maltratado pelo seu padrasto, todos que ele amava o deixou de lado. E quando ele foi à procura de sua querida irmã que um dia a pegou no colo... Ela tentou matá-lo.
Jason Voorhees matou todas aquelas vítimas por sofrer bullying e quando estava prestes a morrer, ninguém foi socorrê-lo.
Fred Krugger matou todos esses jovens nos sonhos por ter sido traído pelas crianças que ele mais gostou. Queimado vivo, e sem nenhuma compaixão.
Serial killers, na maioria das vezes são vítimas da sociedade. Aqueles que são excluídos, aqueles que todos caçoam. E então, vem aquela raiva, aquela fúria, aquele sentimento de desgosto e rancor. E o único jeito de retirar ou é se matando, ou matando quem fez isso nascer dentro dele. E tem alguns que fazem os dois.
Eu já fui um garoto legal, de poucos amigos, gostava de sair, gostava de passear por aí. Mas eu sempre tive aquele sentimento de rancor dentro de mim, sabe? Aquela vontade de poder dar um soco em todos aqueles que me faziam me sentir mal, sabe? Eu me cortava, já tentei me enforcar, mas aí eu pensei: “Por que estragar minha vida se posso estragar com a deles?” E foi assim que eu virei um assassino. Minha primeira vítima foi com 16 anos. Era uma sexta-feira, final do dia, último horário do colégio, e James O’Donell estava lá. Ele foi o que iniciou todo o inferno na minha vida. Ele me chamava de coisas que me fazia odiá-lo cada vez mais e mais e mais. Todos os dias ele fazia piadas com o meu nome, eu comecei a me cortar daí. Eu pedi ajuda a todos que pude, mas quem iria ligar para mim? “Você é lindo, inteligente, quem falaria algo para você? Você quer é atenção!” Não, eu não queria atenção. Eu queria que aquele cara parasse. Simples assim. Só por que sou loiro, olhos azuis, corpo bonito não serei vítima de algum idiota? Errado. Qualquer um pode ser vítima de um idiota como esse.
Foi então que eu me revoltei. James já estava enchendo meu saco. Eu não queria mais me ferir por pessoas idiotas nem por mais ninguém. Eu então decidi: “Esse idiota pagará pelos seus atos”. Quem desconfiaria de mim? Sou tão bonito para matar alguém, sou inteligente demais para enfiar a faca na garganta daquele idiota e arrancar a cabeça fora e expor para toda a cidade.
Foi então que eu descobri que eu nasci para matar. Mas demorou para eu matar a minha próxima vítima, eu me formei em direito, depois eu entrei para a polícia. Logo depois eu morri.
Vi pessoas chorando por um garoto que morreu prematuramente, que era um garoto esforçado, ligado aos amigos, que era bom com todos. “O jovem Ethan Kane morre de causa desconhecida”, “Cidade para por causa da morte de Ethan Kane”, “Jovem que já prendeu muitos criminosos, que já foi advogado de muitos casos grotescos, morre por causa desconhecida”. Eu fiquei famoso. Mas que já era. Nem mesmo o mauricinho do James foi tão reconhecido como eu, afinal. Desistiram do caso dele por falta de pistas.
Nasci como Alan Sulivan, apenas modifiquei a cor de meu cabelo e coloquei uma lente verde. Estava pronto para minha verdadeira vida e para a minha legítima vocação. Matar pessoas.
Por que eu fiz essa carta? Para poder falar para você leitor. Por favor. Não destrua, nem deixe as pessoas destruírem os sonhos dos outros. Por que assim como existem leitores, existem sonhadores, que vivem dos seus sonhos para ter um destino, e destruindo seus sonhos eles podem ficar sem rumo para sua vida.
Sabe, eu sou compreensivo. Eu sei o que essas pessoas passam, e sabe, eu sou mais sentimental que muitos por aí. Eu fiz essa carta, para deixar bem claro, dê mais valor as pessoas que te rodeiam, não exclua pessoas, você não sabe oque elas estam passando, pensando ou vivendo. Existem coisas na vida que não tem volta. Nem mesmo que se arrependa.
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