Carta De Dor - One Shot
1 Carta de Dor
- Eu... quero... morrer. – essas são minhas ultimas palavras.
Meu nome é Sandro Fernandes. Tenho 26 anos e moro no Rio de Janeiro. Sou formado em psicologia. E meu atual estado é de dor. Uma dor tão intensa que me dilacera o peito. Uma dor inexplicável e ao mesmo tempo indolor. Certa vez li em um livro alguns versos sobre esse tipo de dor.
“Essa dor é a espada fincada em meu peito
É o ferro em brasa que me queima o coração
É a ferida que me chora a alma
É a vida que perde o sentido”
Sempre me orgulhei de ser quem sou. Nunca acreditei em coisas como o medo,... como o amor,... sempre procurei uma explicação lógica para tudo. Hoje olho para traz e começo a rir da ironia que o destino me trouxe. Nunca acreditei no amor, nunca aceitei sua existência. Sempre fui cego. Sempre quis ser cego. Talvez um dia eu tenha visto... talvez um dia eu tenha acreditado... talvez se eu tivesse aberto os olhos ela estaria aqui.
Aqui, no alto deste monte, com o Cristo Redentor as minhas costas, recordo-me de todos os bons momentos que tivemos juntos. Todas as vezes que você me ajudou a passar por momentos difíceis,... por momentos de angustia... e dor. Porem essa dor é mais profunda. E mesmo se você estive-se ao meu lado ela só pioraria. Porque você é a causa dessa dor.
Agora, enquanto lhe escrevo esta carta, começo a chorar. Choro como Cristo chorou pelos pecadores. Eu choro lagrimas de sangue sobre estas palavras, enquanto peço que me perdoe. Isso chega a ser irônico. Eu sempre procurei motivos, mas nunca obtive resposta. Agora sou dominado pelo inexplicável desejo de morrer. Por isso peço perdão. Isso me faz lembrar de um trecho de uma musica que ouvi recentemente.
“I don't think you trust in my
Self-righteous suicide,
I cry, when angels deserve to die
In my self-righteous suicide,
I cry, when angels deserve to die”
(Eu acho que você não confia,
Em, meu, suicídio justo,
Eu, choro, quando anjos merecem morrer
Em, meu, suicídio justo,
Eu, choro, quando anjos merecem morrer)
Nunca acreditei em deus. Sempre achei idiotice tudo oque meu pai falava sobre essa entidade superior. Mas... acho que agora será mais fácil de crer. Agora é tempo despedida. Não aguento mais permanecer aqui. Eu poderia encerrar essa carta com um simples “eu te amo”. Mas de que adiantaria? Então, queimo esta carta, para que as cinzas voem livremente com o vento e possam ser lidas por quem lhes interessar. Por isso, antes de me atirar em direção ao mar revolto, que me engolirá em suas aguas tempestuosas deste dia chuvoso eu apenas quero lhe dizer...
Adeus.
Fale com o autor