Carta à Setembro.

1 Setembro é seu nome!


Notas iniciais
Dedico esta carta aos amados poetas, o quanto sei como é dificil arrancar a dor que sente no peito, quisar e ter meus Stembros novamente...

Querido Setembro.

Foi no primeiro sinais da primavera, eu estava em um transporte público, voltando exausto para o aconchego de minha casa, cansado da tarde mal aproveitada de aulas e dos constantes exercícios depressivos. Quando o avistei pela primeira vez, alto, branco, rosto coberto por acnes juvenis, cabelos negro cortado curto, aparelho aos dentes, um adolescente comum, e seu jeito comum me atraiu.

Eu não sabia de onde ele vinha, ou para onde ele iria, mas algo dentro de mim permitia que eu criasse intimidade com o mesmo, eu não sabia como me expressar, e não sabia como começar um dialogo e pertinentemente me punia por não poder expressar sentimentalmente a ele.

Diariamente vivencio o encontrar, naquela mesma condução, naquela mesma rota, sentado ou não ao lado, ele calado a sós, eu constrangido comigo mesmo, criando expectativa de puxa algum assunto.

Um dia, na inconveniência de observar seu rosto, nos delírios de sonhar acordado, ele encarava-me diretamente, com seu olhar sólido, revirei o rosto o mais avermelhado possível. Quando voltei a observa-lo, ele respondeu em sorriso, eu retribuo sorrindo também.

E assim correu o mês, pequenos gesto entre nós, às vezes um sorriso, às vezes não, naquela mesma condução, naquela mesma rota, sentado ou não ao lado, ele calado a sós, eu constrangido comigo mesmo, criando expectativa de puxa algum assunto.

Mas um dia tudo mudou de repente, o que era belo, se torna imperfeito, era inacreditável um gelo que tornou meu coração em torno daquela primavera nunca existente, eu não vi mais o meu amado amigo de passagem, sofridos e gélidos os dias que seguiam, como se todo o encanto de setembro se perdeu involuntariamente.

O que aconteceu com ele? O pior poderia ter ocorrido? Ele não poderia morrer dentro de mim? Eu não conseguia dormir, eu não conseguia ficar acordado, diariamente pensando nele, preocupado com alguém que nem conhecia, com alguém que não sabia nem o nome.

Os meus delírios tornaram obsessão, como a abelha caça incessante por pólen entre os jacintos do inverno, eu queria saber sobre quem eu não conhecia, eu queria de volta, naquela mesma condução, naquela mesma rota, sentado ou não ao lado, ele calado a sós, eu constrangido comigo mesmo, criando expectativa de puxa algum assunto.

Entregando minhas esperanças à morte, permitindo tentar esquecer-se de seu rosto, prosseguir adiante com o meu caminho. Quando a noite leva o Sol, a aurora surgi novamente trazendo o calor que aquece o orvalho matinal.

Na terceira semana encontro-me novamente com a ponta de chamas que ascende o pavio de sentimentos, que fazem as borboletas em meu estomago voarem, formigamento incessável, explosão de alegria, suspiros de alivio. Mas estava diferente, distante, mais fechado, sorri a ele, o mesmo se tornou uma pedra, e assim tornou-se uma cruel “in rotina”.

Às vezes sim, às vezes não, algumas noites apenas, ele estava lá, fechado, mais distante, nem uma troca de sorriso, nem um gesto de totais desconhecidos, naquela mesma condução, naquela mesma rota, sentado ou não ao lado, ele calado a sós, eu constrangido comigo mesmo, criando expectativa de puxa algum assunto.

***

Nada se cria expectativas, nada se destrói em sonhos, tudo se transforma em dor; por terceiros descobri seu nome, por quartos, descobri seus problemas, e por invernos, ouvi a quem não o compreendia.

Izaac, meu querido, Izaac, escrevo estes versos por que lhe amo, transcrevo essas frases por que não sei a quem mais trocar essas dores, platonicamente sofro por você e sei que não poderei tê-lo de volta, se eu apenas soubesse...

Se eu apenas soubesse antes da depressão que se formava entre nós...

Eu fui egoísta, eu não fui egoísta. Eu pensava em como seria legal está com você, eu não fui suficientemente amigo para perguntar o que te aflige, e aí está você meu querido, sofrendo pela perda, naquela mesma condução, naquela mesma rota, sentado ou não ao lado, ele calado a sós, eu constrangido comigo mesmo, criando expectativa de puxa algum assunto.

Atenciosamente, o Amor que não pude te dá...

Notas finais
"Nada se cria expectativas, Nada se destroem sonhos, tudo se transforma em dor..."
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!