Carry on, baby!
1 A Brand New Life.
Notas iniciais
Era uma manhã normal, me levanto, troco de roupa e falo para minha mãe que vou dar uma voltinha.
Saindo do prédio, esbarro com um homem muito estranho, cheio de papéis e brochês com a bandeira do Canadá. Estranho? Imagina.
Encontro minhas amigas, dou um rápido passeio e volto para casa. Logo que abro a porta, escuto vários gritos, e encontro minha mãe chorando muito.- Duda, acabei de conseguir um emprego! No Canadá! Nós viajamos amanhã! Foi aí que meu mundo caiu. Canadá? E meus amigos? E minha vida? Chorar não ia adiantar de nada, e o jeito era arrumar minhas coisas e estar pronta para recomeçar.
- Duda, você está bem? Não está triste, não é? Se quiser, eu posso desistir. Eu só acho que é uma grande oportunidade para a nossa família, e seu pai já me ligou dizendo que está muito empolgado e lamenta não poder ir conosco, ele precisa continuar nos Estados Unidos, e não pode pedir transferência agora que a missão está indo tão bem e... — Não, eu não faria isso com a minha mãe. Era uma oportunidade única no emprego e na vida dela, e eu não ia estragar isso. Eu realmente sentia falta do meu pai. Ele é militar e está em uma missão da ONU nos Estados Unidos faz dois anos, mas até o ano passado vinha nos visitar de dois em dois meses. Ultimamente, porém, não nos vemos, já que a missão está exigindo mais dedicação e ele não pode viajar. Depois de muito raciocinar, respondo à minha mãe:
- Não mãe, está tudo bem. Aceite o emprego, acho o Canadá um país ótimo e o ensino de lá é muito bom. Seremos muito felizes.
- Sabia que você não ia me decepcionar! Vá arrumar sua mala, e não esqueça das roupas de frio!
- Mas mãe, eu quase não tenho roupas de frio!
- Verdade, vamos ter que sair para comprar... Então passe lá na casa de suas amigas, avise, se despeça e volte que vamos às compras.
- Ok, já estou indo. Vou ali na casa da Bruninha, tá bom ? Aí eu aproveito e me despeço do Tiaguinho também.
- Vai lá dar tchau pros seus amigos, honey.
- Manhê, honey também não né ? Exagera não. — Saí rindo, enquanto minha mãe ria mais ainda.
Chamei o elevador, apertei o andar da Bruninha e esperei. Quando cheguei, fiquei parada em frente à porta de sua casa. Era bonita, feita de madeira, com vários enfeites. Eu sentiria muito a falta de Bruninha e de seu primo, Tiaguinho.
Toquei a campainha e o barulho me fez rir. Como sempre. Tia Sueli logo abriu a porta, e eu a cumprimentei e perguntei se podia falar com Bruninha. Ela berrou por Bruninha, que logo chegou. Tomei fôlego e disse tudo de uma vez só:
- Bruninha, vou me mudar pro Canadá amanhã.
Seu lindo rosto, que normalmente era delicado e amigável, ficou pálido, mesmo sua pele sendo bronzeada, e sua boca se abriu em um "O" perfeito.
- O QUE ? VOCÊ VAI SE MUDAR DO RIO DE JANEIRO, TERRA DO SOL, DA PRAIA E DA BADALAÇÃO, PARA O CANADÁ, O PAÍS GELADO? — Ela gritou, sem se importar com os vizinhos. Não consegui reprimir, e comecei a chorar descontroladamente.
Notas finais
JBeijos ;*
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