Carruagem
1 Carruagem
Carruagem
Hikaru está apaixonado por ela. Mesmo assim, mesmo tendo seu coração enjaulado a cada sorriso que ele lança a ela, Kaoru não consegue. Não consegue algo que era para ser certo, não consegue o deixar ir.
Há alguém ocupando seu espaço. Há alguém lhe roubando o bem mais precioso que um dia teve. Há outro alguém.
“Se estava solitário, por que não me disse?” seu sussurro sai com custo, parece estar arranhando o caminho que o som percorre por sua garganta, sendo expelido por seus lábios finos.
“Não estou solitário. Você está sempre do meu lado para me lembrar que nunca estou sozinho!”
Naquele momento, a carruagem deles perdeu um de seus cavalos. Perdeu o equilíbrio. Eram gêmeos, eram um. Era assim que deveria acontecer, não era? Deveriam viver apenas os dois juntos, um sempre ao lado do outro.
Mas então Haruhi apareceu. Os destruiu.
“Só se você jogar o nosso jogo!” Tinham um modo único de conversar: completando as frases um do outro. Era o certo. Deveriam pensar e agir de modo igual.
“Oh, mesmo?” A menina fez um rosto triste, e mesmo ali, naquele instante, Hikaru já parecia diferente. “Mas tudo bem, não ligo. Digam qual o jogo!”
“Adivinhe quem é o Hikaru!”
Haruhi colocou uma mão sob o queixo, pensando de olhos fechados. E quando os abriu, sorria inexplicavelmente.
“Você é o Hikaru, e você o Kaoru!” Seu sorriso machucava aos dois. Machucava algo que era para ser único, algo que era para ser deles. “Sabe, vocês até podem ser idênticos, mas Kaoru se move mais devagar do que Hikaru.”
Se foram feitos um para o outro, por que alguém conseguia identifica-los? Como era possível alguém entrar no mundo que pertencia a eles? Era culpa dele. Se movia devagar demais. Estava atrasando seu irmão. Estava ficando para trás.
Estava atrapalhando seu irmão? Estar ao seu lado era um problema? Na verdade, agora compreendia que o problema era ele mesmo.
“Você é um idiota, Hikaru.” E ao mesmo tempo... Ao mesmo tempo, Kaoru era triplamente idiota.
“Você é o idiota aqui! Não me deixa em paz por um segundo! Não vai ser apenas nós dois pelo resto da vida, baka!”
“Me desculpe se eu não quero dividir você com mais ninguém!”
Enquanto isso, o Clube de Anfitriões estava lotado e em silêncio. Eles não brigavam. Não acontecia. Era simplesmente impossível.
E então Hikaru se calou, olhando para o irmão idêntico. Oh, então era isso. Seu gêmeo estava com ciúmes, que raro! Mesmo que fosse errado, Hikaru estava gostando de saber que o doce e meigo Kaoru estava despertando seu lado mais estourado, mais real.
“Você é mesmo um idiota, Kaoru.” Estendeu o braço devagar, tocando o ombro desnudo do outro. Não era possível alguém separá-los. Poderiam ter outros amigos, mas pertenceriam sempre um ao outro. Era a regra. A regra deles. “Eu nunca trocaria você. Nunca, nunca, nunca.”
E então os olhos de Kaoru transbordaram. Ao mesmo tempo que era triste, era também lindo. Era algo único.
“Promete?” Hikaru não precisou responder de imediato. Apenas puxou o outro para seus braços, o segurando firmemente, colando seus lábios nos outros iguais. penas puxou o outro para seus braços, o segurando firmemente, colando seus l doce e meigo Kaoru estava despertando seu lado mai
“Hai. É uma promessa.\"
\"Mas Hikaru...\" Era normal? Era normal sentir tanta falta de alguém a poucos milímetros de distância? Era normal temer o dia em que tivessem de se separar? \"Se lembra quando Haruhi soube nos distinguir?\"
O irmão assentiu. A atmosfera no Clube havia voltado ao normal, e agora ninguém mais prestava atenção neles. \"Claro que sim. Você ficou triste, não é? Eu também. Ela destruiu algo que eu achei que fosse de verdade. E eterno.\"
\"Sabe, Karu-chan... Eu acho que ela pode entrar no nosso mundo. Mas sabe, ela só vai conseguir ser uma visitante. Os muros ainda são altos demais, e a carruagem agora está em uma velocidade alta demais. Nem mesmo ela vai conseguir.\"
Hikaru apenas riu. \"Eu não entendi nada do que você falou agora, mas eu provavelmente penso o mesmo.\"
A carruagem nunca mais quebraria ou voltaria a ser abóbora. Não se dependesse deles.
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