Carrossel de Histórias
4 História 4 - A Lição de Jorge
Notas iniciais
Jorge estava em seu quarto, em sua imensa mansão, brincando com seu carrinho de controle remoto.
Jorge: Ai, ai... Como é bom ser rico. — Suspiro.
Ele sempre foi prepotente, desde que conheceu a turminha da Escola Mundial. Sua única amiga era Maria Joaquina. Eles eram vizinhos e tinham o mesmo poder aquisitivo.
Em um dia, na escola...
Helena: Muito bem, crianças... Quero que todos escrevam uma redação sobre o que farão nas férias de julho.
Jaime: Ah, professora... Sou péssimo para escrever...
Helena: Se esforce um pouco, Jaime. Sei que você consegue.
Paulo: Só cuidado para não pensar demais, tá, Jaime?
Alguns riram, mas Jaime não via graça naquilo.
Jaime: Sem comentários.
Jorge: Eu, como sempre, farei a melhor redação da classe. E sem contar que tenho vários destinos de férias.
Alguns alunos reviraram os olhos.
Paulo: Você é tão chato quanto a Maria Chatonilda!
MJ: Ei! Eu mudei muito, tá, Paulo?
Jorge: Não sou chato, sou rico. Você deve ter muita inveja de mim que eu sei.
Paulo: Por que eu teria inveja de você? Porque o boi lambeu seu cabelo? — Começa a rir.
Outros alunos se juntaram a Paulo, rindo.
Jorge: Isso não tem graça nenhuma.
Jaime: Pior que tem. — Rindo.
Davi: Jorge, eu acho que você não precisa se sentir superior o tempo todo.
Daniel: O Davi tem razão, Jorge. Assim fica difícil se aproximar de você.
Jorge: E quem disse que eu quero me aproximar de vocês? — Sentindo-se superior.
Todos, menos Maria Joaquina e Cirilo fazem careta para ele.
Helena: Me entreguem a redação no final da aula.
Nessa hora, o sinal para o recreio tocou. As crianças saíram gritando e correndo como de costume. Jaime pegou a lancheira e abraçou Adriano e Davi, quase afogando-os. Paulo e Koki foram com Mário. Cirilo foi com Daniel. As garotas ficaram todas juntas. Jorge era o único que estava sozinho.
Jorge: Hunf... Não preciso deles mesmo.
Jorge foi lá fora, sentou-se num dos bancos e cruzou os braços. Observava todos brincando juntos. Várias etnias e costumes diferentes. E principalmente, várias situações financeiras diferentes. Mas eles estavam se divertindo muito.
Jaime: Joga a bola pra cá, Koki!
Koki: Iáá! – Faz uma pose e chuta a bola.
Só que a bola acabou acertando o riquinho, que obviamente reclamou.
Jorge: Ei! Não olha para onde joga?
Koki: Foi mal, Jorge! Mas você que tá no meio do caminho!
Jorge: Afe, tinha que ser essa gentinha.
Koki: Ei!! Eu sei que sou baixinho, mas assim também não!
Jaime: Deixa pra lá, Koki. Deixa esse mauricinho pra lá.
Jaime foi para outro canto do pátio e notou Cirilo sozinho. O lanche dele era um sanduíche com mortadela.
Jorge: Olha só que lanche mais... pobre.
Porém, Cirilo parecia feliz com o lanche, por mais simples que fosse.
Cirilo notou que Jorge não parava de olhar para ele. Com toda a inocência e bondade, o moreno sorriu e estendeu o sanduíche para o garoto.
Cirilo: Quer um pouco, Jorge?
Jorge: Eu prefiro morrer a comer essa comida de pobre!
Cirilo: Mas é apenas um sanduíche...
Jorge: Exatamente por isso! “Apenas” um sanduíche!
Cirilo olhou para o chão, chateado.
Cirilo: Pensei que estivesse com fome, já que não trouxe lanche.
Jorge: Como... Como sabe que eu não trouxe nada?
Cirilo: Está sem sua lancheira.
Era verdade. Jorge não tinha trazido lanche. Mas também não gostaria de comer sanduíche de mortadela.
Jorge: E mesmo que me dê o sanduíche, mesmo que só um pedaço... O que vai comer depois?
Cirilo sorriu.
Cirilo: Não tem problema. Minha mãe disse que não podemos negar comida a ninguém. Sem contar que ninguém merece passar fome. Por isso precisamos valorizar o que temos, mesmo que seja pouco.
Jorge ficou olhando para ele, falando dessa forma, até o deixou um pouco sem jeito.
Jorge: Mas eu não estou passando fome.
Cirilo: Mesmo assim. Está sem lanche. Queria repartir com você.
Jorge: Por que comigo, Cirilo? Você sabe como eu trato todo mundo. Ninguém gosta de mim. Por que está fazendo isso?
Cirilo: Ninguém merece sofrer, Jorge. Nem mesmo você. Nem deve saber o que é isso já que é tão rico. Mas meu pai sempre diz para eu ajudar quem precisa, mesmo que seja mais rico que nós.
Jorge ficou tocado com essas palavras.
Jorge: Poxa, Cirilo... Obrigado.
Cirilo: Não é nem que não gostemos de você. É que você não dá abertura.
Jorge: É mesmo...
Cirilo: Você pode acabar sozinho, sem amigos...
Jorge: Mas eu não preciso de ninguém.
Cirilo: Está vendo? Você é sempre assim. Precisa mudar antes que seja tarde demais, Jorge.
Jorge: Nem sei por onde começar.
Cirilo: Posso te ajudar, mas precisa querer.
Jorge: Tá bom. Vou fazer isso. – Depois disso, Jorge agradeceu Cirilo.
Cirilo balançou a cabeça positivamente e sorriu.
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Helena: Terminaram, crianças?
Alunos: SIM/NÃO, PROFESSORA HELENA!!
Helena: Não gritem! – Rindo – O que falta ainda, Jaime?
Jaime: Tudo!
Alguns riram.
Jaime: Mentira, só falta eu entender minha letra.
Valéria: Acabei, professora.
Helena: Pode colocar na minha mesa, Valéria.
Em seguida, foram Maria Joaquina, Daniel, Mário, Marcelina, Bibi, Davi, Laura, Adriano, Paulo, Kokimoto, Alícia, Margarida, Jaime, Carmen e Cirilo. Faltava Jorge.
Helena: Falta muito, Jorge?
Jorge: Agora acabei.
Paulo: Já sei. “São muitas coisas para se fazer nas férias”! – Paulo imitou o garoto.
Jorge nem respondeu nada.
Jorge escreveu em sua redação(uma parte):
Há muitos lugares que quero ir nas férias, mas não posso esquecer da parte mais importante que é estar com aqueles que amo. Eu amo minha família. E o amor dinheiro nenhum compra. Eu quero aproveitar da forma que possa, mesmo que eu não saia do país. Afinal, o que importa é me divertir.
Aluno: Jorge Cavalieri.
Helena gostou muito do que ele havia escrito e após a aula resolveu falar com ele.
Helena: Jorge, eu amei sua redação. Que bom, parece que está se enturmando.
Jorge: É... Mais ou menos. Uma pessoa me disse que nem sempre o dinheiro compra as coisas.
Helena: Essa pessoa está certa. – Sorrindo. – Parabéns.
Jorge sorriu, agradecendo.
E assim, dia após dia, Jorge estava aprendendo a ser mais gentil com os colegas. Ajudava as meninas, não desfazia nada, agradecia, desculpava-se se precisasse... E agora, a turma conseguiu se aproximar dele.
Cirilo: Viu, Jorge? Eu disse que conseguiria!
Jorge: Devo isso a você, Cirilo! Obrigado.
Cirilo estava muito feliz de ter ajudado o garoto que sempre esnobava os colegas.
Cirilo: Agora é minha vez de pedir um favor...
Jorge: Claro, amigo. O que é?
Cirilo: Me ajuda a conquistar a Maria Joaquina?
Jorge: Ai, Cirilo... Tinha que ser isso, né? – Rindo –
Cirilo: Mas eu só quis pedir...
Jorge e Cirilo riram.
Jaime: E aí, Jorge, Cirilo. Vamos jogar bola?
Jorge: Vamos!
Cirilo: Sim!
Jaime: Não tem medo de ficar tudo sujo, Jorge?
Jorge: E existe água pra que? Vamos!
Jaime riu.
Jaime: Isso aí, Jorjão! Vamosss! – Jaime pega Jorge e Cirilo pelo pescoço e eles vão passar uma tarde agradável no campinho, jogando bola.
As meninas estavam lá também. Alícia era a única que jogava. As outras apenas observavam o jogo.
Mas o que mais espantava a todos era o fato de Jorge Cavalieri ter mudado tanto assim.
E de alguma forma, ele estava se sentindo bem melhor agora. Ele era uma pessoa melhor, um amigo melhor. Graças à simplicidade de Cirilo. Finalmente Jorge estava sendo criança, vivendo como uma criança deveria viver. Brincando na rua com seus amigos.
Nunca mais Jorge ficou solitário de novo. Ele percebeu que seu jeito só o atrapalhava. E que por mais diferenças que as pessoas tenham, ainda podem se dar bem e trocarem experiências.
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