Carrossel de Histórias
5 História 5 - Os Estrangeiros Ruivos
Notas iniciais
Bibi sempre foi uma das alunas que sempre tirava 10 na aula de inglês. Ela era de descendência americana e por isso se destacava.
— Aula de inglês is the best! – Ela sempre dizia.
— Eu discordo. – Jaime disse e todos riram.
Acontece que havia outro “estrangeiro” na classe. Kokimoto. Porém, ele não ficava falando japonês o tempo todo.
Num belo dia, Bibi estava indo para a escola com um sorriso. Porém, se escondeu quando ouviu que estavam falando dela.
— A Bibi está se achando só porquê é estrangeira. Claro que ela vai bem em “ingrêis”. – Jaime dizia, errando o nome da matéria.
— Eu sempre soube que a cabelo de fogo era que nem a Maria Chatonilda. – Paulo comentou.
— Meninas são chatas de qualquer forma. – Adriano se pronunciou.
— A Maria Joaquina não!
— DÃÃÃ, CIRILO!
— Mas eu só...
— Chega, Choco. Já cansou. – Cortou Paulo, fazendo Cirilo se calar.
— Acho que estão exagerando... – Davi disse.
— Que nada, Davi. Ela realmente está se exibindo e jogando na nossa cara! – Mário falou.
— Gente, não deviam ficar falando mal dela. – Daniel falou.
— Ei, eu também vou bem em inglês, esqueceram? – Jorge reclamou, enquanto por acaso ouvia a conversa dos garotos.
— Mas ela é estrangeira, ô, mauricinho. – Jaime disse, bagunçando o próprio cabelo.
Bibi ficou triste de repente e pensou em sair correndo dali.
Mas antes que pudesse ouvir isso, alguém a defendeu. Quem ela menos esperava...
— Ei, gente. Esqueceram que também sou estrangeiro? Então, chega dessa conversa! – Kokimoto finalmente se pronunciou.
— Mas você é menino e é nosso amigo, Koki! – Disse Paulo, batendo de leve nas costas do baixinho.
— Mas assim não é justo com a Bibi.
— Ih, tá defendendo ela por que? – Mário deu um sorrisinho.
— Hmmmm...
— Parem de me olhar assim! Não é nada disso! Eu já sofri bullying também, só isso!
— Tá bom, japa. Vamos. – Jaime riu e eles foram para a sala, logo após o sinal tocar.
Bibi sorriu com o ato de Koki. Mesmo que não tenha conseguido contornar a situação muito bem, mas ele tentou. E fez com que parassem de falar dela.
“Nunca imaginei que o Koki fosse tão longe com os amigos dele por minha causa!”
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— Terminaram a lição de inglês, crianças? – Perguntou Helena.
— SIM, PROFESSORA HELENA!
Mas Bibi estava hesitante em entregar a lição.
— Claro que a cabelo de fogo irá bem nessa lição. – Comentou Paulo para Mário.
— Claro, né? – O amigo afirmou.
Koki ficou incomodado com essa implicância com a colega.
— Paulo, chega. – Koki pediu.
— Por que? Vai me dizer que você gosta da...
— NÃO! – Koki gritou sem querer, depois falou mais baixo. – Não gosto não. Mas essa provocação já cansou, tá?
— Eu pra mim você gosta dela sim. – Paulo começou a rir.
— Afe. Olha quem fala. Você é que é apaixonado pela Alícia!
Paulo corou.
— O-Olha como fala comigo! Eu não gosto mais dela, tá?
— Sei, sei...
— Koki, Paulo. Chega de conversa. – Pediu a professora.
Os dois pararam imediatamente.
“Eu fiquei irritado porquê eu já sofri bullying com isso. Deve ser isso, né? Eu não gosto dela.” – Pensava o japonês.
Na hora do intervalo, Bibi foi procurar Kokimoto para agradecer. Mas depois pensou: “Não posso dizer que estava ouvindo a conversa dos garotos!”
Ela agora não sabia o que fazer.
— Ô, Bibi.
Era o próprio Kokimoto.
— Ah, oi, Koki.
— Você deve estar cansada dessas provocações, né?
— Sobre ser estrangeira? – Bibi deixou escapar.
— É... Eu sei bem como é... E eu te defendi dos meninos. – Koki parecia envergonhado.
— Obrigada. – Bibi beijou a bochecha dele.
Koki sorriu sem jeito.
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Depois do intervalo, Bibi foi pra sala, feliz da vida. Ela era compreendida, finalmente!
Kokimoto veio conversando com seu amigo Mário, mas seu olhar se encontrou com o de Bibi. A ruiva sorriu, o que fez com que o japonês correspondesse, timidamente.
— Certo, pessoal. Vamos continuar nossas atividades. – Helena disse, em tom calmo, como sempre.
Dessa vez, as crianças não gritaram, para alegria da professorinha.
No fim da aula, Bibi estava com Maria Joaquina e suas outras amigas.
— Viu como não valia a pena esquentar com aqueles invejosos? – Maria Joaquina disse, com seu ar superior.
— Não vale a pena. – Carmen concordou.
— O mais estranho de tudo... é que o Koki me defendeu. – As bochechas de Bibi ficaram quase da cor de seu cabelo.
— O KOKI?!
— Shhh, falem mais baixo, please! – Pediu a americana, ainda envergonhada.
— Como pode? Aquele japonês te defendeu? Ele vive sempre fazendo traquinagens com o selvagem do Paulo! E se isso é só mais um planinho deles? – Maria Joaquina estava muito surpresa.
— Ei, vê como fala do meu irmão, hein? – Marcelina reclamou.
— Hm... Talvez não seja plano nenhum. Talvez o Koki te entenda porque é estrangeiro também. – Foi o que disse Alícia.
— Talvez... – Respondeu a americana, sorrindo de leve.
— Isso foi tão sentimental! – Laura exclamou, fazendo as amigas rirem.
— Eu acho que o Koki gosta de você, Bibi. – Margarida cutucou a amiga estrangeira, o que fez as outras amigas concordarem.
— No, no, não há como isso ser verdade.
— Ah, mas ele é tão fofinho... – Laura disse.
— E é mais fofo ainda com você, os dois ruivinhos estrangeiros... – Comentou com doçura a irmã mais nova de Paulo.
— Stop, girls! Stop! – Pediu Bibi, andando na frente das amigas, que continuavam a provocá-la.
***
Os garotos saíram correndo da escola e estavam prontos para irem ao “quartel general”, vulgo casa abandonada.
— Quem topa ir até lá? – Jaime indagou e a maioria dos garotos fez um escândalo.
— EU! EU!
Kokimoto que sempre está fazendo barulho, desta vez, estava na dele, apenas assentindo com a cabeça.
— Então vamos logo. Eu tô com fome e quero ir pra casa logo comer! – Reclamou o gordinho fanático pelo Corinthians.
— Por que não fica comendo em casa então? – Provocou Paulo, rindo logo em seguida.
— Que nada, Paulo. Eu tô muito a fim de ir nessa reunião. – Respondeu Jaime, sem ficar bravo com o comentário do amigo.
— Sobre o que vai ser a reunião? – Perguntou Kokimoto, muito perdido.
— Você tá no Japão por acaso? – Paulo o cutucou de leve, por brincadeira. – Estamos falando dessa tal reunião há quase uma semana.
— É uma reunião só para os meninos, Koki. – Daniel explicou com paciência.
— Por que não pode ter comida? – Reclamou Jaime, colocando as duas mãos na barriga.
— Vamos para conversar e não para comer, Jaime! – Davi exclamou.
— Então, vamos nessa! – Adriano disse e os garotos concordaram, vibrando.
Koki virou-se para eles.
— Preciso passar em um lugar.
— Onde? Na sua casa? – Indagou o dono de Rabito.
— Ééé... Eu vou depois de terminar um compromisso... – Disfarçou Koki, pois não era bem em casa que ele iria passar.
Os garotos concordaram.
O menor dos garotos correu em casa para mexer em suas economias. Encontrou algum dinheiro e discretamente saiu de casa, sem dizer aos pais onde ia.
O japonês foi até uma floricultura e comprou um buquê de flores, não muito caro e foi feliz até a casa de Bibi, que era perto dali.
A ruiva estava em seu quarto, mexendo em seu tablet, rindo de algum vídeo que estava vendo. Ela só foi sair dali quando sua mãe foi chamá-la.
— Quem é, mom?
— É um coleguinha seu. – Sorriu a mãe de Bibi.
A garota estranhou. Nenhum colega que não fosse suas amigas a visitara antes.
— Qual colega?
— Aquele japonesinho ruivinho... Como é mesmo o nome? Kaki, Kuki...
— Koki. – Corrigiu Bibi, sentindo-se estranhamente nervosa de repente. – Kokimoto.
— Isso, esse mesmo! Venha recebê-lo!
O que Koki estava fazendo em sua casa ela não sabia, mas estava com um misto de alegria com nervosismo.
— Oi, Koki! – Sorriu timidamente a garota de cabelos cacheados ruivos.
— Oi, Bibi... – Ela notou que Koki parecia nervoso. – Eu estava passando por aqui e resolvi te visitar!
— Oh, so sweet da sua parte! – Sorriu a garota.
— Hã?
— Eu quis dizer que isso foi bonito da sua parte. – Riu ela, ao ver que Koki não tinha entendido.
— Arigatou. – Ele entrou na brincadeira dos idiomas. – Obrigado.
— Eu adorei sua visita. – Disse ela, brincando com os dedos, meio nervosa ainda.
— Que bom. – Koki tentou evitar contato visual, enquanto segurava firme as flores atrás de si. – Tenho um presente pra você.
— A present? For me? Oh, thank you! – Sorriu Bibi, se empolgando com o inglês novamente.
Lentamente, Koki revelou o que havia trazido. Um lindo buquê de flores vermelhas, lembrando o cabelo de ambos.
— Ai, que flores lindas, Koki! – Ela pegou as flores, sorrindo muito. – Eu amei! Thank you!!
— Que bom que você gostou... São a sua cara. – Koki ficou da cor das flores por um tempo.
— Você é muito fofo. – Ela se aproximou e beijou a bochecha do japonês. – Obrigada.
Koki, mesmo surpreso, sorriu de volta para ela.
— Mas por que você me deu esse presente? Não é meu aniversário nem nada... Não que você não possa dar presentes fora dessa data, não é isso. – Ela realmente não entendia o que levou Koki a dar flores à ela. – É que você não é de fazer essas coisas.
— Realmente, não sou. – Pigarreou Kokimoto, ficando sério de repente. – Mas eu percebi que estrangeiros como nós precisamos nos unir. Força ruiva! – Koki ergueu o braço, com o punho fechado.
Bibi gargalhou.
— É por isso?
— E eu também... – Koki voltou a corar. – Eu acho que... Anata ga suki.
— Oi? – Bibi riu, sem entender o que ele acabara de dizer.
— Eu disse que eu acho que gosto de você. – Koki não olhava nos olhos dela, mas dava de ver que este estava muito nervoso, tanto quanto ela.
O rosto da ruiva ficou preenchido de tons de vermelho, assim como seu cabelo.
— Really? Isso é sério, Koki?
— Eu acho que sim. Não tenho certeza... – Continuou Koki, sem olhar para a garota à sua frente.
Bibi o abraçou, abrindo um grande sorriso.
— Bobo... – Riu ela, ainda abraçando-o. – Somos a força ruiva, temos que nos unir!
— Ah, esquece essa bobeira, vai. – Envergonhado, Koki disse.
— Que nada, eu adorei isso. – Continuou Bibi. – E além disso, I think I like you, too.
Koki, que sabia um pouco de inglês, entendeu e ficou sem jeito.
— Thanks. — Ele tentou pronunciar em inglês, deixando para falar seu idioma logo em seguida. - Arigatou.
— Quem deve dizer arigatou sou eu. – Respondeu Bibi, finalmente encerrando o abraço. – Vamos compartilhar nossos idiomas.
— Hai! Será um prazer! E quando eu for um grande samurai, vou te levar pro Japão e seremos sempre felizes!
Ele nem se tocou no que falava.
— Ah, esquece isso, tá?
— OH, MY GOD! Você fica mais fofo a cada segundo! – Bibi o abraçou pela segunda vez, dessa vez, os pés dele não tocavam o chão, já que a garota o levantou.
— Ei! Não sou fofo! Eu sou um samurai! Iá!
— Ahhh, so cute!
— Desse jeito, não poderemos formar a Aliança Ruiva!
— Por que não? – Bibi riu.
— Você não me leva a sério! – Koki fez cara de enfezado, porém, aquilo ainda o deixava fofo.
— Como vou levar uma coisinha tão fofa a sério? – Dizia ela, irritando o japonês.
— Não venha me procurar quando eu for um samurai sério, ouviu?
— Ah, Koki, eu tô brincando, viu? Eu amei essas flores, foram muito românticas. – Bibi observou as flores e depois voltou a olhar para Koki.
— Não conta pros meninos e nem pras meninas, tá? Elas vão espalhar pra TODO MUNDO!
— Como não vou contar esse gesto tão lindo? – Sorriu Bibi.
— Ai, mulheres são traiçoeiras, hein? – Koki mexeu em seu cabelo liso, bagunçando-o todo.
Mesmo dizendo isso, eles caíram na risada e ficaram algum tempo conversando. Logo após isso, Koki correu para o clube, para ver se conseguia pegar alguma coisa da reunião.
— Que demora, japonês! Deu dor de barriga, é? – Paulo provocou.
— O que posso dizer? Foi culpa da Aliança Ruiva. – Koki piscou sem que os outros vissem.
Ninguém entendeu nada, mas prosseguiram a reunião.
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