Carrossel continuação
11 Noite dos meninos
POV Kokimoto
–-Ufa! Hoje e sexta!—comemorei enquanto Paulo e eu saiamos da escola.—E hoje e nossa noite de homem.
–-Acho que não vou nesse troço.—Paulo comentou indiferente.
–-Por que?—perguntei confuso.
–-Vou sair com uns caras.
Caras? Que caras?
–-Quem?—verbalizei meus pensamentos.
–-Uns caras que eu conheci. Se você quiser pode ir junto.—Paulo deu ombros.—Me encontra as oito perto da padaria e você vai conhecer esses meus colegas.
Assenti. Era a melhor coisa que eu tinha para fazer.
POV Daniel
Penteei meu cabelo e calcei meu tênis. Já estava pronto para sair quando ouvi a campainha do apartamento dos meus pais. Minha mãe atendeu.
–-Daniel e o Davi.—minha mãe avisou.
Coloquei minha carteira e o celular no bolso antes de correr para a sala. Encontrei Davi na sala ele vestia uma calça jeans e uma camisa xadrez.
–-Ei Davi, sua dona te deixou sair né?—brinquei enquanto o dava um highfive em meu amigo.
–-Engraçadinho.—Davi murmurou.—E então vamos?
–-Claro.—me despedi dos meus pais e Davi e eu saímos do prédio.
Fomos conversando banalidades até o ponto de encontro. Quando chegamos em frente ao ponto de ônibus encontramos Adriano.
–-Atrasados.—Adriano respondeu quando perguntamos dos outros.—Jaime disse que tá vindo e os outros eu não faço nem ideia.
Esperamos mais um tempo e os outros chegaram. Todos chegaram, até Jorge, menos Kokimoto e Paulo.
–-Onde será que eles estão?—perguntei.
–-Vou ligar para eles.—Mario avisou enquanto discava o número no celular.—Alo? Paulo?
Ele ficou em silencio por um minuto antes de falar indignado:
–-Então você fura com a gente e nem avisa? Ok então. O Koki também?
Mario se silenciou por mais um tempo antes de voltar a falar:
–-Tranquilo, a gente se vê na escola. Mas você vai ter de dar uma boa justificativa.
Mario desligou o celular e olhou para gente.
–-Acho que vocês conseguem tirar uma conclusão a partir desse pequeno dialogo.—Mario comentou.—Eles furaram.
–-E nem para dar satisfação?—Jorge perguntou indignado.—Poderíamos estar fazendo coisas melhores e deixar eles aqui esperando que eles armariam um escândalo.
–-Vamos logo antes que eu perca o animo.—Jaime chamou.
Fomos para uma pizzaria que ficava perto de uma rua bem pouco movimentada, mas o local era conhecido.
–-Olá garotos—uma das garçonetes chegou e eu vi os queixos de Jaime, Adriano e Mario ficarem boquiabertos. Ela nem era tão bonita.—O que querem?
–-Calabresa, oito refris.—ergui a sobrancelha quando Jaime fez o pedido.
–-Jaime, nós somos só seis.—Cirilo lembrou.
–-Eu fico com três.—Jaime explicou antes de dispensar a garçonete. Revirei os olhos por força do hábito.
–-E quando a gente concordou com calabresa?—Mario perguntou.—Eu preferiria toscana ou mozzarella.
–-Se você escolheu, você paga.—Davi decidiu antes de ouvir o celular tocar.
–-Deixa eu adivinhar, Valeria?—sugeri e Davi assentiu.
–-Olha o que ela mandou.—Davi me mostrou.
De: Linda
Assunto: Saudades
Ah, Davi estou morrendo de saudades. O que vocês estão fazendo? Quando vão voltar?
Ergui a sobrancelha. Tá certo que a Valeria era grudenta, mais ai virou exagero.
–-Linda?—identifiquei isso e Davi corou furiosamente me fazendo rir.
–-Foi a Valeria que colocou.—identifiquei a mentira na voz de Davi e revirei os olhos.
–-Tá—dei ombros achando que já o tinha o torturado demais.—O que vocês vão fazer amanhã?
–-Sair com a Valeria—Davi respondeu no automático e sem hesitar.
–-A Alicia me chamou para ir na sorveteria e de manhã eu vou fazer meu bico na veterinária do bairro.—Mario deu ombros.
–-Treinar.—Jaime respondeu e eu o encarei confuso.
–-Treinar?—repeti meio atônito.
–-Eu não falei?—Jaime balançou a cabeça.—Eu devo ter esquecido. O Tobias, capitão do time de futebol, me chamou para o teste para goleiros.
–-Sério?—Adriano perguntou.—Achei que não deixavam alunos do primeiro ano fazerem os testes.
–-O Tobias abriu uma exceção para mim. Ele disse que me viu jogando no campeonato que teve contra o pessoal das outras ruas, até que vocês jogaram.—Jaime explicou.
–-Ih, tem coisa errada nessa história.—Maria afirmou e eu concordei.
–-Tem nada, ele só viu que eu tinha potencial.—Jaime retorquiu.
–-Essa história tá meio mau contada Jaime.—Cirilo comentou.
–-Jaime, até o Cirilo tá achando isso estranho. O Cirilo.—eu não tinha nada contra o Cirilo, mas aquilo precisava ser dito. O Cirilo era o mais fácil de acreditar em qualquer coisa.
–-Afinal quando ele te disse isso?—Adriano perguntou curioso.
Nesse momento nosso lanche chegou. Serviram e agradecemos antes de voltarmos ao assunto. Esperamos Jaime terminar de devorar um pedaço da pizza antes de repetir a pergunta:
–-E então? Quando ele te fez a proposta?—Davi perguntou.
–-Nho sefundo dia de alo.—Jaime falou.
–-Hein?—todos perguntaram.
Jaime engoliu o que restava da pizza e respondeu, dessa vez de forma coerente:
–-No segundo dia de aula. Pergunte para a Laura ou a Margarida, as duas infelizmente escutaram a conversa.
–-Como a Laura ainda não espalhou?—Mario perguntou curioso. Sempre que algo chegava nos ouvidos de Laura antes de dar tempo de piscar toda a escola já estava sabendo.
–-Sabe que eu não sei.—Jaime respondeu sincero. Isso era meio estranho.—E vocês oque vão fazer?
–-Vou levar a Carmem no cinema—murmurei e Davi me olhou de um jeito que eu sabia que iria me fazer querer sumir daquele lugar.
–-Com a Carmem? Então era pra isso que você estava guardando o dinheiro a semana inteirinha. –Davi riu.—Pelo visto não sou só eu que estou amarrado.
–-Davi e Carmem. Hã, se Paulo ou Laura soubessem você estaria morto.—Mario deu uns tapinhas reconfortantes nas minhas costas.—Vão ver que filme, aposto que é um daqueles românticos?
–-E um de comedia. Vai que Cola. Vocês devem conhecer o seriado.—expliquei e eles assentiram.
–-Eu vou ajudar meu pai na carpintaria. E você Adriano?—fiquei feliz por Cirilo mudar de assunto.
–-Jogar videogame.—Adriano afirmou e eu revirei os olhos.
–-Você não tem vida social?—Jorge perguntou. Cara, tinha até esquecido que ele estava ali de tão calado que ele tava.
–-E você vai fazer o que?—Adriano retorquiu.
–-Sair com a minha atual namorada.—Jorge sorriu. Namorada?
–-Quem?—Cirilo fechou os punhos automaticamente. Será?
–-Quem mais, a Maria Joaquina.—Jorge respondeu para o desespero de Cirilo.
–-Como?—Cirilo elevou a voz mais do que devia atraindo um pouco de atenção das outras mesas.
–-Cirilo, abaixa o tom. Não queremos ser expulsos sem nem terminar de comer, cara.—Mario avisou tentando aliviar o clima.
–-Não até ele explicar.—Cirilo protestou batendo com o punho na mesa fazendo Jorge sorrir mais.
–-Cirilo, meu caro, isso e um conceito bem simples. No segundo dia de aula eu perguntei para a Maria Joaquina se ela queria ser minha namorada.—ele disse com simplicidade. Cara, ele faz parecer tão fácil se eu perguntasse isso para a Carmem com certeza começaria a tremer.
–-O que? Não é possível.—Cirilo se ergueu. O segurei pelo ombro e forcei-o ao se sentar novamente, tudo que eu menos queria no momento era um escândalo.
–-Na verdade e bem possível, já que ela aceitou.—Jorge acenou com a cabeça em forma de provocação. Cirilo ficou roxo e uma veia começou a estourar em seu pescoço.
–-Quer saber cansei de ficar perdendo meu tempo—Cirilo se afastou do prato com a pizza ainda pela metade, se levantou e saiu do restaurante deixando para trás um Jorge bastante satisfeito.
Observei Cirilo sair da lanchonete e bater a porta com fogo. Todos encaramos Jorge que tinha voltado a comer sua pizza.
–-Precisava disso?—Jaime perguntou. Fiquei meio surpreso por ele ter esquecido a pizza.
–-O que?—Jorge retorquiu cínico.—Ele que quis saber.
–-Que burrice a se dizer.—Adriano definiu.—Você sabia que o Cirilo gostava da Maria Joaquina e falou isso de proposito.
–-Quem sabe—Jorge deu ombros e bebeu um pouco de refri.
–-Sacanagem fazer isso com ele.—resmunguei e Jorge revirou os olhos.
–-Querem saber, perdi a fome.—ele se levantou tirou um maço de dinheiro do bolso e jogou na mesa.—Vejo vocês depois.
E saiu.
–-Idiota.—Davi murmurou quando Jorge já tinha sumido de vista.
–-Nossa noite, arruinada.—Mario virou o resto do refri goela abaixo.—O que faremos?
–-Terminamos a pizza e vamos dar uma volta.—sugeri.—Mas eu vou mandar uma mensagem para o Jorge e o Cirilo para saber se estão bem.
Os outros assentiram e eu tirei o celular do bolso.
Para: Cirilo
Assunto: Tudo bem?
E ai cara, tranquilo? Olhe, eu sei que você ficou “bad” com a noticia, mas você nem sabe se é verdade e se for...Bom, a vida segue. A muitas outras sereias no mar, companheiro.
Enviei e bufei antes de enviar uma para Jorge:
Para: Jorge
Assunto: Mancada
Jorge, o que aconteceu aqui na lanchonete foi um absurdo. Falar isso só para humilhar o Cirilo foi... Nem tenho palavras. Eu e você temos de ter uma conversa séria, mas não agora que você não vai conseguir estragar a noite.
Voltei a olhar para os meus amigos que estavam conversando banalidades e terminando de comer a pizza.
–-Bem vamos pedir uma sobremesa?—o Jaime não deixava de ser guloso nem nessas horas.
Chamei a garçonete de novo.
–-Sim?—ela perguntou.
Já tínhamos resolvido o que pedir então eu tomei a iniciativa:
–-Queremos dois milk-shakes de morango, dois sorvetes de creme com cobertura de chocolate, um açaí com granulado e um banana-split com muita calda de caramelo.
Jaime ficou indeciso entre um açaí e um banana-split então escolheu ambos. A garçonete anotou, assentiu e saiu.
–-Vamos usar a grana do Jorge?—Davi perguntou. Ele ainda estava trocando mensagens com Valeria.
A maioria dos garotos respondeu “Sim” enquanto eu respondi “Não” e todos me olharam confusos.
–-Ele não precisa que seu ego seja maior, Jorge vai achar que dependemos dele que precisamos. Eu vou devolver essa grana para ele.—expliquei e ninguém contestou.
A garçonete entregou o pedido e nós comemos. O sorvete estava maravilhoso ainda mais com cobertura. Jaime comeu tudo em uma velocidade recorde.
–-A conta?—Adriano perguntou antes de soltar um arroto. Ri e olhei em volta, a lanchonete não estava tão cheia.
Dessa vez ficamos todos sentados na mesa enquanto Davi foi pagar a conta com a vaquinha que tínhamos feito. Quando ele voltou saímos da pizzaria conversando, fomos para uma praça onde sentamos.
–-Cara, que preguiça.—Mario bufou enquanto bagunçava o cabelo.—Acredita que a Dia me fez brincar de boneca com ela, a tarde inteira?
–-Isso seria engraçado de se ver.—admiti e Mario me socou de leve no braço.
–-O Jonas me deu dor de cabeça a tarde inteira enquanto “ensaiava” com sua banda na garagem durante o intervalo.—Jaime revirou os olhos.
–-Jaime o que você acha, pra relaxar, de um futebol no sábado?—Davi sugeriu.
–-Até que é uma boa—Adriano assumiu. Olhamos todos para Jaime que olhava para as estrelas.
–-Pode ser, vou falar com o pessoal da rua de baixo antes de dar uma resposta.—Jaime deu ombros.
–-No que está pensando?—perguntei.
–-No que não te interessa.—Jaime riu e eu sorri.—E uma coisa minha, nada demais não se preocupem.
Não sei porque, mas Adriano lhe lançou um olhar como se soubesse o que estava acontecendo. Deve ter sido impressão.
–-Que tédio.—Mario resmungou.—O que vamos fazer?
–-Sei lá, ver algum filme?—sugeri.
–-São quase dez horas—Davi argumentou olhando o celular.—Eu tenho de chegar em casa antes da meia-noite, se vocês acharem um filme com essa duração eu to dentro.
–-Você tem hora para chegar em casa?—Mario brincou com um sorriso maroto.
–-Vai encher outro—Davi mandou.
–-Eu to sem ideia o que poderíamos fazer?—Jaime perguntou de novo, tentando evitar uma briga.
–-Que tal explorar o cemitério da esquina?—Mario sugeriu e Davi gemeu baixo.
–-Má ideia—Adriano definiu.—Podemos ir ao fliperama.
–-Alguma ideia boa.—murmurei.
–-Vamos.—Jaime se levantou.
Fomos até a um fliperama que tinha inaugurado a pouco na esquina. Entramos e acabamos nos dividindo, eu acompanhei Davi em uma daquelas maquinas que você agarra um bichinho de pelúcia.
–-Pra que isso?—perguntei.
–-Vou dar um para a Valeria.—até que o Davi tinha tido uma ideia inteligente, quem sabe eu não poderia dar um daqueles para Carmem.
–-Depois eu quero tentar.—coloquei uma moeda nos controles.
Davi demorou um pouco mais conseguiu pegar uma borboleta de pelúcia toda colorida, ele a guardou no bolso. Eu tentei pegar um ursinho marrom que estava ao lado de um sapo verde e roxo, acabei pegando o sapo.
–-Meu, tu vai dar isso para a Carmem?—Davi perguntou enquanto íamos atrás dos outros.
Dei ombros e coloquei o sapo no bolso do casaco, depois eu decidia o que ia fazer. Encontramos Mario, Jaime e Adriano estavam jogando um jogo com lasers. Resolvi entrar nessa também.
E assim passamos a noite.
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