Carrossel continuação
2 Convites
POV Daniel
Sai da Casa Abandonada e passei em frente a uma floricultura.
–-Bom dia, senhor.—cumprimentei enquanto olhava as flores.—O senhor pode me dizer quanto está um ramalhete com uma dúzia de rosas brancas?
–-Uma dúzia?—ele repetiu enquanto ajeitava o chapéu. O moço tinha um leve sotaque italiano.—Vinte reais meu pequeno.
–-Caramba, isso tudo?—perguntei e ele assentiu rindo.—E a crise.—suspirei.
Peguei minha carteira do bolso e tirei duas notas de dez e coloquei no balcão. Esperei uns minutos e o homem voltou com um buquê de rosas brancas.
–-Grato.—agradeci.
Sai da floricultura e peguei minha bicicleta. Coloquei as mãos no guidão que estava grudento, cheio de....CHICLETE.
–-E ai Daniel? Como e ficar grudado?—a voz do Paulo perguntou.
Olhei para cima e vi-o junto com Kokimoto em cima da árvore mascando chiclete.
–-Ah caras, mancada isso hein.—reclamei enquanto tirava minha mão do guidão.—E agora como eu volto para casa?
–-Se vira.—Kokimoto deu ombros.—Tem um ditado que meu irmão sempre me diz: para um samurai não existem problemas grandes demais ou complicados demais para se resolver.
–-Pena que eu não sou um samurai, né Koki?—retruquei já meio impaciente.—Por favor me ajudem.
–-E o que ganhamos com isso?—Paulo perguntou.
–-Eu dou cinco reais para cada um.—ofereci e Paulo sorriu.
–-Agora falou a minha língua. Vamos ajudar japonês.—ele e Kokimoto desceram da árvore e, com uma agilidade incrível, limparam a gosma de chiclete.
–-Aqui.—tirei mais dez reais da minha carteira e os entreguei.—Agora tchau.
–-Peraí, Daniel. O que você estava fazendo numa floricultura?—Koki gritou mais eu já estava longe demais para responder.
Pedalei e pedalei sem nem parar para descansar. Só parei quando cheguei a casa dela. Bati duas vezes na porta, ficava trocando meu peso de um pé para o outro. A porta foi aberta e um menininho abriu.
–-Oi Dudu, tudo bem?—perguntei. Dudu já tinha sete anos, estava vestindo uma camisa do Palmeiras e chuteiras de futebol. Seu novo esporte favorito.
–-Oi Daniel. O que você quer?—esse garoto era muito direto.
–-Queria falar com a sua irmã, será que ela está em casa?—perguntei esfregando as mãos compulsivamente, as flores estavam no meu bolso.
–-Tá sim. Entra eu vou chamar ela.—Dudu me deu passagem e eu entrei.
Olhei em volta e não vi ninguém.
–-Meus pais não estão em casa.—ele explicou vendo a minha cara.—Senta ai no sofá que eu vou chamar ela.
Sentei e tirei o buque do bolso, mas ainda o deixei escondido atrás das costas. Quando ela chegou meu coração deu um salto. Ela estava linda.
Vestia uma bermuda rosa e uma camisa florida de alça que lhe realçavam os olhos.
–-Ei Daniel.—ela cumprimentou com um sorriso.—Dudu falou que você queria conversar comigo.
–-Oi, Carmem.—falei me pondo de pé e a olhando nos olhos.—Eu queria saber se...
–-Se?—ela incentivou quando eu empaquei.
–-Quer ir a festa comigo?—perguntei fechando os olhos e mostrando o ramalhete.
–-Daniel.—Carmem balbuciou e eu abri os olhos para encara-la.—Claro que sim.
Sorri para ela que retribuiu. As coisas tinham ficado meio estranhas entre nos depois do acampamento.
–-Então que horas eu posso te buscar?—perguntei tentando não gaguejar.
–-As seis.—Carmem pegou as flores e as cheirou.—Lindas.
–-Bem agora eu já vou indo.—avisei.
Ela me conduziu até a porta e quando ela estava prestes a fecha-la lhe dei um beijo no rosto, surpreendendo até a mim mesmo.
–-Tchau.—disse antes de correr para a minha bicicleta.
Fui embora sem olhar para trás.
POV Mario
Eu estava suando enquanto olhava para ela. Ela subia e descia na rampa sem perder o equilíbrio. Ela deu um 360 olie e nem caiu.
–-Sua vez.—ela me olhou com um sorriso travesso.
–-Vai Mario, a rampa nem é tão grande.—Paulo provocou.
Desci na rampa e ouvi Rabito latindo ao lado de Koki que estava me acompanhando com os olhos sem nem piscar. Voltei para onde tinha parado.
–-Quero ver fazer melhor?—desafiei Paulo com um sorriso.
–-Ta bom, eu não consigo fazer melhor, mas a Alicia pode.—Paulo apontou para ela que olhou o relógio.
–-Infelizmente hoje não dá. A Maria Joaquina vai me obrigar a ajudar na organização da festa, tenho que ir para casa.—Alicia lamentou.
–-Eu te acompanho, também preciso ir para casa.—menti.
–-Para o que?—o Koki era sempre muito enxerido.
–-Vou cuidar da Diana.—inventei.—Vamos Alicia.
–-Claro.—ela deu ombros.
Subimos nos skates e fizemos nosso caminho. Já quase em sua metade tomei coragem e perguntei em uma só tacada:
–-Quer ir à festa comigo?
–-Claro, eu já tinha percebido que você queria me convidar.—fiquei espantado com a resposta.
O resto do caminho, passei sorrindo.
POV Cirilo
–-Olá Cirilo.—Miguel, pai de Maria Joaquina.—Como vai?
–-Vou bem doutor Miguel. Eu queria saber se a Maria Joaquina está?—perguntei.
–-Ela está lá em cima no quarto dela, pode subir se quiser a Joana te acompanha.
–-Obrigado doutor Miguel.—segui Joana deixando a sala.
Fui seguindo Joana em silencio. Paramos na frente do quarto dela. A porta era branca com um grande “MJ” lilás bem no centro. Joana bateu na porta.
–-Maria Joaquina.—chamou.
–-Entre Joan Marri.—a voz dela ecoou lá de dentro.
Joana entrou e me deu passagem. Maria Joaquina estava de frente para sua penteadeira escovando os cabelos. Ela não me viu de imediato.
–-O que quer?—ela se virou e me viu.—O que está fazendo aqui, Cirilo?
–-Eu posso falar com você?—perguntei.
–-Já está falando né.—Maria Joaquina resmungou.
–-Maria Joaquina.—Joana a repreendeu.
–-A Joana não se mete vai, sai que depois eu te chamo.—Maria Joaquina a conduziu até a porta e depois a fechou.—Vá direto ao ponto, eu marquei de me encontrar com as meninas em alguns minutos.
–-Eu queria saber se você...Se você...—empaquei e ela riu docemente. Nessas férias tínhamos ficado um pouco mais próximos.
–-Não gagueja.—ela mandou.
–-Você gostaria de ir à festa comigo?—perguntei e ela deu um sorriso de canto que sumiu rapidamente.
–-O Jorge chegou à sua frente, Cirilo.—Maria Joaquina disse inalterada.—Eu vou com ele, mas boa sorte com seu par. Vai precisar.
–-Ah, então tá. Eu já vou indo.—abaixei a cabeça.
–-Tá esperando o que? Vai logo.—Maria Joaquina mandou.
Sai e desci as escadas. Vi Clara e Miguel me esperando no sofá.
–-Olá Cirilo, conseguiu falar com a Maria Joaquina?—Clara perguntou e eu me forcei a sorrir.
–-Consegui sim. Obrigado. Eu já vou indo.—acenei para eles e Joana. Sai da casa, quando já estava no jardim da casa peguei meu celular e comecei a digitar uma mensagem:
Para: Marcelina
Assunto: Festa
Oi Marcelina, você gostaria de ser minha companhia na festa de hoje? Se já tiver um par eu vou entender.
Enviei. Comecei a fazer meu caminho de volta para casa quando recebi a mensagem de retorno.
De: Marcelina
Assunto: Festa
Oi Cirilo. Eu ainda não tenho par ainda, eu gostaria de ir com você sim. Me pega aqui em casa as seis.
Sorri. A Marcelina e gente boa.
POV Davi
Ah meu deus. A Valeria não tem mais do que inventar.
–-Davi para quieto.—ela pediu enquanto colocava duas gravatas ao lado do meu rosto.
–-Pra que eu preciso de gravata?—perguntei pela milésima vez. Nós estávamos no quarto dela no meio de pilhas de roupas.
–-Porque você precisa estar arrumado para a festa.—ela colocou uma gravata rosa e cinza no meu pescoço.
De repente Carmem e Marcelina entraram correndo no quarto sem nem bater na porta.
–-Desculpa atrapalhar o casal, mas a gente tem super novidades.—Marcelina estava pulando.
–-Ai e babado novo? O que foi?—Valeria me abandonou e eu me joguei em sua poltrona ao lado de Tintim, seu ursinho.
–-O Cirilo me chamou para a festa.—ouvi Marcelina sussurrar e estranhei. Era de se esperar que o Cirilo chamasse a Maria Joaquina.
–-Mesmo?—Valeria perguntou meio desconfiada com a sobrancelha erguida.
Marcelina ergueu o celular e Valeria sufocou um grito. Revirei os olhos.
–-Que fofo!—Valeria suspirou e me lançou um olhar mortífero.—E você Carmem?
–-O Daniel me trouxe flores...—Carmem suspirou enquanto ajeitava os óculos.—Ele foi tão fofo.
–-Ah garotas, e uma pena que certos garotos não tomam atitudes. Né Davi?—Valeria me perguntou e eu me fiz de desentendido.
–-Oi? Que foi minha querida?—desconversei a fitando.
–-Bem, nós não queremos interromper uma D.R. de vocês.—Marcelina comentou arrastando Carmem pela mão.
Depois que elas saíram Valeria se virou para mim batendo o pé.
–-O que foi?—tive o erro de perguntar.
–-O Daniel e o Cirilo fizeram coisas super fofas para as garotas e você nada?—ela replicou cruzando os braços.
–-Mas o que eu poderia fazer?—eu tinha que aprender a calar a boca.
–-Sei lá algo romântico?
–-Por quê?
–-Para me chamar para a festa.
–-Mas a gente já não vai juntos? Pra que eu precisaria te chamar?
Outro erro. Ela pegou uma almofada tacou em mim.
–-Sai daqui e só volta com um pedido descente.—ela gritou e eu sai correndo ainda com a gravata rosa no pescoço.
Nem consegui falar com a mãe dela e já sai. Corri de volta para casa.
–-O que foi meu pequeno?—minha vó me perguntou quando entrei correndo em casa. Meus pais estavam viajando.
–-A Valeria! Ela deu uma de doida e quer que eu faça uma declaração para chamá-la pra a festa que teremos hoje.—expliquei afundando minha cabeça no travesseiro.
–-E por que ela quer isso?—minha avó tornou a questionar.
–-A Marcelina e a Carmem chegaram lá falando dos convites do Daniel e do Cirilo e ela ficou assim de uma hora para outra. Todas as mulheres são assim?
–-Assim como?
–-Complicadas?—especifiquei.
–-Ela só quer se sentir especial Davi. Ela deve ter ficado triste por todos estarem fazendo essas surpresas.—minha avó era um gênio mesmo.—Por que você não toca uma música com o seu violão?
Até que não era uma má ideia. Eu tinha feito aula de violino até completar doze anos e agora, já com quinze, estou aprendendo a tocar violão.
–-A senhora acha que ela vai gostar?—perguntei. Já tinha um tempo que eu estava aprendendo umas músicas para tocar pra Valeria.
–-Se fosse comigo eu iria adorar.—ela sorriu.—Olha aqui também tem vinte reais para você comprar uns chocolates para ela.
–-Vó, não precisa. Realmente, já me ajudou muito com a ideia da música.
–-Que isso, menino. Deixe de teimar com a sua vó.
–-Mas vó...
–-Faça o seguinte, não encare como para você e sim como um presente para a sua namorada.
Minha avó as vezes podia ser tão teimosa quanto a Valeria, colocou a nota em minha mão e saiu sem me deixar protestar. Quando vi ela fechar a porta, levantei coloquei a nota no bolso e peguei meu violão que estava na parede.
Da minha casa até a casa da Valeria eram somente algumas quadras, eu resolvi ir andando para dar tempo de comprar o chocolate e porque ir de bicicleta com um violão nas costas era realmente difícil.
–-Ei eu quero uma daquelas caixas de bombom, decoradas de corações.—pedi para o homem do balcão.
Ele pegou uma caixa de bombom em formato de coração com um laço rosa em cima.
–-Era essa mesmo. Quanto tá moço?—perguntei.
–-Quinze reais—cinco iam me ficar de lambuja.
–-Tem aqueles cartões fofinhos que as garotas gostam.—perguntei e ele assentiu me mostrando um com um ursinho desenhado.
–-Quatro reais.—ele falou.
Dei a nota de vinte e disse que ele podia ficar com o troco. Um real não ia me fazer tanta diferença.
Tornei a caminhar, quer dizer, correr para o prédio da Valeria. Quando cheguei lá passei direto pelo porteiro, que já me conhecia. Nem tive paciência para esperar o elevador e fui de escada, o que foi muito difícil.
–-Oi tia.—falei me curvando para recuperar o fôlego.—A Valeria tá ai?
–-Ela tá no quarto com umas amigas. Pode entrar.—assim que ela deu passagem corri.
Bati desesperadamente na porta. Laura abriu e eu entrei aos tropeços.
–-O que está fazendo aqui Davi?—Valeria me perguntou franzindo o cenho.
Nem lhe dei tempo de pensar. Coloquei a caixa de bombom na cama e comecei a tocar uma música que eu já vinha treinando. (link da música: http://www.vagalume.com.br/tie/a-noite.html)
Depois que acabei a vi com lagrimas nos olhos. Peguei o cartão e o chocolate e fui até ela ignorando as outras meninas.
–-Quer ir à festa comigo?—perguntei.
Ela me olhou pegou o chocolate e o cartão e me deu um selinho.
–-Claro seu bobo.—respondeu e eu sorri.
–-Ah isso é tão romântico.—Laura suspirou e eu a olhei e reparei que ela estava gravando com o celular.
–-Sim romântico, mas vocês me arrastaram aqui para organizar a festa não para ficar presenciando essa cena.—Alicia resmungou ainda que estivesse sorrindo.
–-Então eu vou deixar vocês se resolverem—senti meu rosto esquentar.—Tchau Valeria.
Dei-lhe um beijo no rosto e sai correndo até esquecendo o violão, depois e pegava ele eu estava muito animado para raciocinar.
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