Carrossel continuação
21 Conversa entre irmãos
Notas iniciais
POV Paulo
Quando cheguei em casa já estava esperando a reação dos meus pais. “Seu irresponsável!” “Escolha bem suas amizades.” e outros sermões que eu nem prestei atenção direito. Só peguei algumas partes sobre eu estar suspenso e quase ter sido expulso.
O sermão tinha acabado e eu estava de castigo. Fui para meu quarto e afundei a cabeça no travesseiro. Eu estava confuso, meus sentimentos estavam estranhos. Desde o inicio do verão eu gostava de uma garota agora estou apaixonado por outra?
Eu estava tão distraído que nem reparei Marcelina entrando e sentando ao meu lado na cama. A olhei. Acho que ela poderia me ajudar.
—-Você está estranho. Primeiro foge da escola, depois não se importa de levar uma bronca e por ultimo não grita comigo por ter entrado no seu quarto. Você está bem?—Marcelina perguntou.
Ergui a cabeça de leve e encostei-me a seu ombro enquanto a abraçava.
—-Me ajuda—sussurrei meio impotente.
Marcelina me olhou meio confusa antes de perguntar com uma voz doce:
—-Com o que?
—-Eu estou com problemas.—respondi.
—-Oi?
—-Problemas no coração.
—-Garotas?
Marcelina me entendia como ninguém. Assenti e ela sorriu.
—-Você gosta da Alicia, certo?—ela perguntou. Dei ombros, meio incapaz, eu não sabia mais o que sentia. Por um tempo eu gostava da Margarida. Desde o começo do verão eu tinha uma queda por Alicia, quando fomos ao acampamento vi ela e Mario mais próximos. Admito fiquei com um pouco de ciúmes, mas agora CJ entrou na história. Uma replica feminina minha. Ela era... perfeita.
Tá certo que Alicia e eu nos conhecemos há mais tempo, mas CJ... Suspirei e me joguei na cama.
—-Qual o nome da outra?—Marcelina tinha entendido. Não sei como, mas tinha.
—-Catherine—quase falei CJ por impulso.—Eu a conheci tem uns dias e hoje a gente...
—-Você estava com ela?—Marcelina perguntou preocupada.
—-Não, eu só falei com ela depois da confusão.
—-Vocês se beijaram não foi?
Assenti lentamente e ela sorriu.
—-Por isso que você chegou todo aparvalhado.—brincou e eu senti o rosto esquentar.—Como ela é?
—-Mais ou menos uma replica feminina minha.
—-Onde você a conheceu?
—-No domingo que eu sai daqui todo revoltado.
—-Então é esse o problema. Alicia ou essa tal Catherine?
Concordei. Marcelina parecia divertida com minha duvida.
—-Você sabe que quando o assunto é paixão, nem sempre cabeça e coração trabalham juntos, certo?—Marcelina perguntou. As vezes eu acho que mulheres deviam vir com um manual porque eu não entendi nada. Marcelina percebeu e elaborou.—Que nesses casos você tem que escolher entre usar a razão ou o coração.
Acho que entendi.
—-Posso conhecer essa Catherine?—Marcelina perguntou e eu assenti levemente com um sorriso.—Eu sei que você está confuso. Deixa a coisa ir rolando se der certo e porque era pra ser se não...
—-O que meninas fazem quando estão confusas?—fiquei curioso.
—-Não queira saber—ela riu e eu a acompanhei.
—-Você está afim de alguém?—a peguei de surpresa com a pergunta.
—-Ninguém—gaguejou.
—-Qual foi? Eu abri aqui meu coração e você não pode fazer o mesmo?
Ela corou antes de sussurrar baixo.
—-Jorge.
Fiquei boquiaberto. Eu sabia que as garotas tinham essas coisas de “amigas antes de namorados”, será que Marcelina sabia?
—-O Jorge?—foi minha vez de gaguejar.
—-Sabia que você ia me zoar.—Marcelina confessou.
Eu revirei os olhos.
—-Eu só estou surpreso, não vou te zoar. Mas é a Maria Joaquina?
—-Não sei.
—-Quando você percebeu que estava gostando dele?
—-Quando a Maria Joaquina disse que eles estavam namorando.—murmurou. Eu a abracei e ela afundou a cabeça em meu peito.
—-Você é melhor que isso. Ficar sofrendo por caras—falei meio emburrado. Eu era meio ciumento com Marcelina.
—-Sua namorada não vai gostar de você sendo ciumento com ela—Marcelina aconselhou e eu a olhei confuso a fazendo rir.—Vai me dizer que depois de se beijarem vocês não estão namorando?
Assenti e ela riu mais enquanto eu ficava vermelho. E agora? Como seria minha relação com a CJ daqui para frente?
—-Marcelina me ajuda?—pedi meio desesperado fazendo Marcelina sucumbir em risos.
Marcelina até que tentou me ajudar, mas quem disse que deu certo? Eu só fiquei mais confuso quando ela disse que eu tinha que conversar com ela, ver se ela queria namorar ou se o beijo foi um impulso! Essa ultima me deixou com o coração na mão. Resolvi falar com ela amanhã, já que não ia mesmo a escola.
Pedi para Marcelina sair do quarto, deitei e dormi com a roupa do corpo mesmo, sem nem jantar. Até que conversar com Marcelina era algo bom.
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