Carrossel continuação
14 Casais, ou quase part.2
POV Alicia
Mario e eu nos encontramos na sorveteria. Ele estava com Rabito que ficou amarrado numa árvore.
–-Querem o que?—a garçonete perguntou de má vontade.
–-Sundae!—Eu e Mario falamos juntos para depois corar.
–-Melhor, um sundae grande. Para nos dois.—Mario nos tirou do momento de constrangimento e eu lhe lancei um sorriso simpático.
A garçonete anotou e saiu. Olhei para Mario e ficamos um tempo só nos encarando.
–-Como foi no trabalho?—resolvi quebrar o gelo.
–-Até que bom né. Eu estou melhorando bastante, a Veronica falou...—me desliguei quando Mario começou a falar da tal Veronica. Ele ficava tão fofo divagando.
Suas covinhas ficavam visíveis, sobrancelhas franzidas e os olhos escuros tão focados, as vezes ele arrumava o boné e olhava Rabito...
–-Licia—Mario começou a estalar os dedos na minha frente. Percebi que não era a primeira vez que ele me chamava.
Sai de meus devaneios e o olhei. Ele estava sorrindo divertido.
–-Desculpa, me distrai.—falei. E Mario riu.
–-Deu pra se perceber.—brincou e eu lhe empurrei de leve.
–-Pode repetir—pedi.
–-Eu estava perguntando se você gostaria de visitar a veterinária?—Mario repetiu e eu senti uma onda elétrica nas costas.
–-Pode ser, podemos marcar um dia.—tentei soar desinteressada e Mario sorriu, radiante.
–-Quem sabe na sexta, eu vou fazer um exame de rotina no Rabito.
–-Posso aproveitar e ver a Diana.—comentei. Eu era um pouco apegada a irmã de Mario que era uma fofa. Eu senti um sorriso brincar nos lábios de Mario.
POV Valeria
Depois de quinze minutos Davi tinha chegado ao “pet”.
–-O que foi?—ele perguntou preocupado. Ele ficava tão fofo assim.
–-Vamos comprar um coelho—expliquei e Davi me olhou boquiaberto.
–-O que? –Davi repetiu atônito.—O que quer dizer com “Vamos comprar um coelho?”?
–-Uma decisão que vai afetar nós dois. Precisamos de um bichinho de estimação para criar responsabilidades.—respondi.
–-Res-pon-as-bi-li-da-des?
–-Sim. Olha a nossa idade. Um bichinho e uma ótima oportunidade.
–-Você me chamou aqui pra isso?—ele disse isso como se estivesse irritado.—Eu vim aqui correndo pra isso?
–-Sim—nem dei tempo dele processar a informação e já o arrastei para dentro da loja.
–-Mas...—Davi ficou balbuciando e eu o ignorei.
O arrastei até uma das vendedoras.
–-Olá, como vão?—ela perguntou. Olhei para seu crachá e estava escrito “Mônica”.
–-Bem, queríamos ver os coelhos para adoção.—expliquei.
–-Ah, sim.
Ela nos levou para onde estavam vários coelhos em gaiolas, enquanto Davi ainda estava tentando processar a ideia. Quando chegamos lá ela disse que qualquer coisa era só chamar.
–-Olha Davi, que lindinho.—apontei para um coelho branco com uma mancha negra em cima do olho.
–-Linda, por que você acha que precisamos de um animal de estimação?—Davi perguntou com cautela.
–-Para ficarmos mais próximos.
Davi pareceu não entender nada e eu revirei os olhos.
–-Me explique melhor—ele pediu tomando excessivo cuidado na escolha de palavras fato que eu achei fofo.
–-Eu acho que assim ficaríamos mais próximos. E assim podemos treinar para o futuro.—disse.
–-Futuro?
–-Sim, quando nos casarmos.—ele pareceu ainda mais espantado quando eu disse isso.—Que foi?
–-Linda, nós temos quinze anos.
–-É?
–-É que somos muito jovens, sequer para pensar nisso.
–-Mais um dia isso vai acontecer, certo?—parei no corredor e olhei para ele.
Davi hesitou e olhou para mim antes de suspirar:
–-Linda, nós não temos que pensar nisso agora.
–-Por que?—indaguei irritada.
–-Porque o importante e viver o agora ficar pensando no futuro e uma dor de cabeça. O futuro é somente um mistério, o passado já passou, mas o presente e uma dadiva por isso tem esse nome.—meu namorado é um poeta.
–-Mas vai dizer que um dia não vai querer viver comigo?
–-Claro que vou, mas ainda falta tempo.
–-Então está decidido.
–-Hein?
–-Esse coelho vai ser uma distração para o presente nada de preparação para o futuro, só um passatempo. Para fazer companhia.—Davi bateu na testa. Ele detestava quando o meu raciocínio de louca fazia sentido.
–-Tá bom.—Davi bufou e eu sorri.—Qual coelho você quer?
Finalmente ele desistiu de tentar resistir. Olhei em volta e apontei para o coelho branco com o olho negro e Davi revirou os olhos.
–-Certo, vamos pedir ele.—Davi respondeu.
POV Carmem
–-Mas por que mãe?—perguntei.
–-Desculpe Carmem, eu sinto muito por estragar sua tarde, mas eu vou precisar sair e você vai ter de cuidar do Dudu.—minha mãe respondeu.
–-Eu já sei cuidar de mim mesmo.—sorri ao ouvir meu irmão caçula resmungar.
–-Tá bom, o Daniel vai ter de entender o meu lado.—respondi.
–-Ele vai entender—minha mãe garantiu.—Eu já vou saindo.
Assim que minha mãe saiu. Eu coloquei Dudu sentado em cima na mesa para termos uma conversa.
–-Dudu, hoje você vai ter que se comportar na frente do Daniel—comecei.
–-O que vamos fazer?—aposto que ele nem escutou o que eu disse.
–-Vamos ao cinema, o filme vamos decidir depois.
–-Eu prometo que vou me comportar.
–-Não prometa o que não pode cumprir.—baguncei seu cabelo.
Peguei minha bolsa ajudei Dudu com o casaco e saímos para encontrar Daniel. Ele estava parado escorado num poste.
–-Daaaaannnnnniiiiiiiieeeellll!—Dudu gritou saindo correndo na direção dele. Fez exatamente o que eu pedi para não fazer.
–-Daniel, eu vou começar me desculpando. Minha mãe teve que ir para o trabalho e eu não podia deixar ele sozinho então eu...—comecei a tentar me desculpar, mas Daniel sorriu.
–-Tudo bem, não precisa se explicar. Ei Dudu—Daniel bagunçou o cabelo de Dudu.—Mas teremos de mudar nossos planos. Antes que eu me esqueça, isso é para você.
Ele me entregou um pequeno embrulho todo cor de rosa. Reparei que Daniel deu uma leve corada ao me entregar. Olhei para ele, sorri timidamente e abri o embrulho o que eu vi me impressionou...Não sei se bem ou se mal.
Era um sapinho de pelúcia. Eu até que achei fofa a intenção, mas um sapo. Bem eu não sabia se era o certo a se dar para uma garota. Mais eu gostei da intenção, ninguém nunca tinha me dado um presente assim.
–-Que fofo! Obrigada.—agradeci e ele corou mais.
–-Daniel por que você está ficando vermelho?—nessa hora Dudu deixou de ser mudo. Daniel baixou os olhos e se forçou a sorrir para meu irmão sem noção.
–-Está muito quente, não acha?—senti que foi uma pergunta retorica, mas Dudu assentiu.
–-Eu gostei muito do presente. Obrigada mesmo Daniel.—resolvi mudar de assunto, ele já tinha sofrido demais nas mãos do meu irmão.
–-Bem...Então teremos de mudar o filme que vamos ver.—Daniel comentou.—O filme que iriamos ver é para maior de doze.
–-Tá insinuando que eu sou pequeno?—Dudu anda tempo demais comigo para aprender essas palavras.
–-Não foi isso, mas com certeza você gostaria de ver um filme...como eu posso dizer? Mais adequado e conveniente para a sua pouca idade e não um que você com toda e maior certeza acharia tedioso em que você não compreenderia muito.—Daniel tomou excessivo cuidado para escolher palavras que com certeza Dudu não entenderia e pela cara dele Daniel tinha feito um bom trabalho.
–-Ah, tá.—as únicas palavras que saíram da boca de Dudu.—Então que filme vamos ver?
–-Quando chegar lá resolvemos.—decidi e Daniel sorri para mim. Essa tarde seria boa, pena que Dudu ia ficar segurando vela.
POV Maria Joaquina
–-Maria Joaquina, o Jorge está te esperando lá embaixo.—Joana avisou do outro lado da porta.
–-Já vou descer.—avisei enquanto tirava uma última selfie na frente do espelho.
Sai do quarto e desci as escadas.
–-Tchau.—me despedi de meus pais e sai correndo para a porta da frente.
Jorge estava escorado na porta do carro de sua família, o motorista já estava lá dentro. Ele sorria para mim.
–-Oi.—disse com um leve aceno. Abriu a porta e me deu passagem para entrar.
Sentei e ele se sentou ao meu lado. Quando o carro deu partida passou a mão por meu ombro e me deu um selinho de leve.
–-E então como foi sua noite?—perguntei quando nos separamos.
–-Ótima, porque sonhei com você.—tenho uma namorado tão doce.
–-Que fofo!—lhe dei outro beijo, agora mais demorado que o anterior. Quando nos separamos voltei a perguntar.
“E os garotos?”
–-Tivemos uma pequena discussão e acabei saindo mais cedo, mas pouco me importa.—Jorge deu ombros.
–-Que pena.
Passamos o resto do caminho discutindo banalidades. Quando chegamos ao shopping fomos logo almoçar, pois ambos estávamos com fome.
–-O que vão querer?—o garçom do restaurante francês perguntou.
–-Um Blanquette de vitela e um Salmão poché para mim e a senhorita.—Jorge pediu para nós dois.
–-A bebida?
–-Não temos idade para provarmos um desses maravilhosos vinhos então dois sucos de uva natural.—Jorge pediu. Ele sabia da receita que minha nutricionista tinha me enviado por e-mail. “Pode come guloseimas mais sem exageros e só comida natural, sem agrotóxicos ou corantes artificiais.”
–-Só isso?—o garçom perguntou sorrindo. Já dava para imaginar que essa pequena refeição ia sair cara.
–-Por enquanto—Jorge assentiu e o garçom saiu.
Jorge segurou minha mão por cima da mesa e sorriu.
–-Você é um doce sabia?—comentei quando nossa comida chegou.
Ele deu ombros meio incapacitado.
–-O que deu erra com os garotos?—tentei insistir no assunto encerrado no carro.
–-Nada demais, só alguns pitacos do Cirilo.—Jorge revirou os olhos.—Ele gosta de fazer drama para chamar atenção.
POV Marcelina
Quando passei pelo quarto de Paulo ele me segurou pelo braço me forçando a parar.
–-Que foi?—perguntei já irritada. Eu estava atrasada para encontrar Cirilo.
–-Aonde você vai?—Paulo foi curto e grosso.
–-Me encontrar com um amigo—fui vaga e ele ergueu uma sobrancelha.
–-E eu conheço o sicrano, por acaso?
–-Sim.
–-Qual é o nome dele?
–-Te interessa?—repliquei.
–-Você é a minha irmã caçula e como mamãe saiu e pediu para eu cuidar de você sim, me interessa é muito.—Paulo afrouxou o apertão no braço e me olhou nos olhos ele estava com olheiras.
–-Você não me deu satisfações quando saiu ontem a noite e me deixou sozinha, então eu também não preciso.
–-Isso não vem ao caso. Não agora.
–-Então eu não preciso dar satisfações de com quem eu vou sair...não agora segundo você.
Paulo me olhou de cima abaixo antes de soltar meu braço.
–-Vá antes que eu mude de ideia.
Revirei os olhos e sai. Peguei minha bicicleta na garagem e fui para o ponto marcado por Cirilo.
Eu o encontrei lá verificando o relógio, eu devia estar bem atrasada. Mas sempre dizem que mulher chegar atrasada e chique.
–-Oi.—cumprimentei e ele ergueu os olhos. Cirilo parecia estar se forçando a sorri mais eu ignorei isso.
–-Como vai?—ele perguntou.
–-Bem, que aconteceu para você marcar um encontro tão de repente?—estava curiosa.
–-Precisava de alguém para desabafar.—Cirilo assumiu e eu fiquei feliz em saber que eu era sua primeira opção.—Vamos?
Passamos pedalando pela praça enquanto conversávamos.
–-O que a Maria Joaquina fez dessa vez?—perguntei e ele me olhou cético.
–-Como você...—Cirilo começou mais eu não lhe dei chance de continuar.
–-Mulheres sabem das coisas.
–-Não foi bem ela.
–-Mais tem haver com ela?—adivinhei.
–-Basicamente.—Cirilo assentiu.
–-Então...
–-Ela e o Jorge estão namorando.
Entendi. O Cirilo devia estar arrasado com isso. Resolvi tentar ser sensata e continuar uma conversa civilizada.
–-Como você descobriu?
–-Ontem enquanto estávamos na pizzaria começamos a falar do fim de semana e o Jorge falou que ia sair com a namorada...
Cirilo empacou e parou a bicicleta a encostando na calçada. Parei ao seu lado e coloquei a mão em seu ombro.
E ele disse que sua namorada é a Maria Joaquina?—resolvi insistir.
–-Disse.—Cirilo confirmou.—Eu fiquei irritado.
–-Ele pode estar mentindo.
Cirilo me olhou cético. Acho que nós dois tínhamos a mesma conclusão ou a sensação de que não era mentira.
–-Cirilo vamos sentar—indiquei um banco.
Sentamos lado a lado e Cirilo enterrou o rosto nas mãos, tive a impressão de que ela ia sucumbir em lagrimas.
–-Cirilo, se isso for mesmo verdade. Você deve seguir a vida. Se ela não te escolheu e porque ela não te merece.—apertei seu ombro. Deu um dó dele assim, Cirilo não merecia sofrer por quem não lhe dava nem bola.
–-Eu não vou aguentar nem olhar na cara daqueles dois.—Cirilo lamentou.
–-Cirilo se você deixar, eles vão pisar em você. Você tem que andar de cabeça erguida e não se deixar humilhar.
–-Você acha que eles estão namorando mesmo?
Mordi os lábios antes de responder.
–-Quero a verdade—Cirilo adiantou.
Respirei fundo, tentando manter a calma.
–-Há uma grande probabilidade.
–-Eu sou um idiota, não?—Cirilo perguntou.—Acreditar que tinha chances com a Maria Joaquina, foi burrice. Muita.
–-Não, não foi.—garanti.
Mesmo eu percebi que foi meio forçado. Cirilo me olhou descrente. Resolvi mudar de assunto.
–-Cirilo, quer dar mais uma volta? Quem sabe você não consegue espairecer.
Cirilo se forçou a sorrir e assentiu. Assim passamos a tarde.
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