Carrossel continuação
12 Capítulo Bônus
Notas iniciais
POV Paulo
–-Ei caras.—cumprimentei meus colegas. Eles eram, Zeca, um cara do terceiro ano que tinha dezenove. Ele vestia roupas punks, tinha um piercing na sobrancelha e mandava na trupe. Joe, era como se fosse um segundo em comando, pau-mandado de Zeca. E Spencer, um garoto do programa de intercambio e estava hospedado na casa de Joe.
–-Quem e esse?—Spencer perguntou com um sotaque meio forte enquanto apontava Kokimoto que parecia tremer.
–-E o Kokimoto, pode chamar de Koki. Ele é um amigo.—expliquei.
–-Ele não fala?—Joe brincou vendo que Koki estava mudo.
Nós estávamos numa parte meio abandonada do bairro, tudo parecia sinistro.
–-Da última vez que eu verifiquei ele falava—cutuquei Koki com o ombro.
–-Oi.—ele tartamudeou e eu revirei os olhos.—E então o que vamos fazer?
–-Não contou a ele?—Zeca perguntou erguendo a sobrancelha.
Revirei os olhos com tedio.
–-Claro que não, se ele soubesse não perguntaria.—repliquei meio irritado.
–-Contou o que Paulo?—Kokimoto perguntou dando uma leve estremecida. Dei-lhe uma bofetada na nuca e ele entendeu que era para ficar calado.
–-Vamos logo.—pedi já impaciente.
Eles foram na frente eu fui atrás com Koki.
–-Paulo que história e essa?—ele exigiu.
–-Vamos dar uma volta e aprontar algumas por ai, relaxa e tudo na maior inocência.—garanti, mas ele pareceu ainda desconfiado.—Olha se você quiser acovardar, vá em frente que eu não vou te impedir.
–-Você acha que eu sou doido de deixar meu amigo numa coisa que eu sei que é a maior roubada?—Koki protestou e eu sorri fracamente.
Eu estava com uma mochila nas costas e Koki, durante o percurso, não parava de perguntar sobre o que tinha dentro.
–-Se você não calar a boca eu vou fazer você calar.—avisei erguendo o punho.
Chegamos em frente ao cemitério. Zeca, Joe e Spencer me deixaram ir na frente e eu fui sem hesitar. Joguei minha mochila no chão e a abri, estava cheio de papeis higiênicos e espuma para barbear.
–-Sirvam-se.—anunciei e eles sorriram.
Todos começaram a pegar os rolos de papel higiênico e um pouco de espuma nas mãos, menos Koki que ficou meio caladão.
–-Não vai se divertir, guri?—Zeca perguntou. Ele achava uma desfeita alguém estar com ele e não aprontar.
–-Claro que vai.—intervi pegando uma lata de spray para barba e joguei para Koki.—Vão na frente eu mostro tudo pro Koki.
Zeca assentiu antes de soltar um uivo para a lua e correr pela calçada jogando papel higiênico nas árvores.
–-Coloca nas soleiras das portas, no topo das árvores, vira a lata de lixo. Faz qualquer coisa bem radical.—recomendei a Koki antes de sair correndo o deixando sozinho.
POV Kokimoto
O Paulo era doido, não é possível. Como ele me deixa sozinho num lugar que eu mau conhecia, assim do nada? Eu precisava levar ele para um psiquiatra, não ele não precisava de um psiquiatra precisava de um sanatório mesmo.
–-Vai ficar parado?—ouvi uma voz áspera as minhas costas. Virei e vi o tal Spencer.
Resolvi agir né.
–-Claro que não.—desatei a correr espalhando espuma pela calçada. Eu estava me sentindo péssimo quando vi Zeca e Joe derrubando latas de lixo e deixando folhas de árvore caírem, isso era considerado vandalismo.
Depois de umas duas horas, nossos mantimentos acabaram. Fiquei agradecido por isso e acabei suspirando.
–-Relaxa Japa Ruivo, tem mais diversão.—Joe me garantiu e eu gemi baixo.
Paulo foi até mim e me puxou pelo ombro de forma brusca. Onde estava o cara com quem eu gostava de passar trotes?
–-Machucou.—murmurei e Paulo me socou. Certo, ele estava mais agressivo.
Fomos parar novamente em frente a um banco. Zeca tirou do bolso uma lata de tinta spray amarela.
–-Eu começo.—anunciou.
–-Eu acho que o Koki deve começar.—Paulo opinou e eu o encarei atônito. Ele estava ficando meio demente.
–-Boa Paulo.—Joe puxou a toca de Paulo e bagunçou seu cabelo. Paulo só fechou a cara, mas nada disse.
Zeca me jogou a lata e todos me encararam. Meus olhos encontraram os de Paulo, que transmitiu uma mensagem silenciosa.
Faça isso logo, não tem nada demais.
Bufei e sacudi a tinta. Comecei sem saber o que fazer fiz um círculo e alguns traços.
–-Bela caveira—não sabia se Joe estava falando serio então fiquei quieto. Minha intenção era fazer um sol.
–-Passa pra cá.—Zeca mandou e eu lhe taquei a lata sem hesitar. Ele subiu em um banco e começou a pichar. Ele fez um barco pirata com suas iniciais e os outros aplaudiram.
–-Minha vez.—Paulo pegou a tinta e começou a pichar. Ele escreveu no muro alguns símbolos estranhos que eu não reconheci, parecia que ele tinha anos de prática.
E assim passamos a noite.
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